CRISE NOS TRANSPORTES DE PASSAGEIROS: Rápido Araguaia entra com pedido de recuperação judicial

Ônibus da Rápido Araguaia, mais um grande grupo empresarial de transportes com pedido de recuperação judicial.

No ano passado, ônibus Volkswagen do Grupo Odilon Santos foram apreendidos por solicitação do banco da montadora, mas depois foram liberados. No Rio de Janeiro, cinco viações fecharam as portas. Futuro da Itapemirim é incerto. Encarroçadoras fecham unidades

ADAMO BAZANI

O Grupo Odilon Santos, do estado de Goiás, responsável pelas empresas Transbrasiliana, Rápido Araguaia e Viação Araguarina, anunciou nesta sexta-feira, 1º de abril de 2016, que entrou com pedido de recuperação judicial.

O comunicado foi feito na imprensa local.

De acordo com sites e jornais de Goiás, o objetivo da recuperação judicial é evitar que as empresas sejam levadas à falência, manter empregos e continuar as operações nos transportes.

A Rápido Araguaia é responsável por quase metade das operações de transportes na região metropolitana de Goiânia.

Diante do comunicado, a CMTC – Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos, que gerencia os serviços, deve solicitar à Rápido Araguaia informações sobre a capacidade financeira da empresa.

Em dezembro de 2015, o Banco Volkswagen chegou a conseguir decisão judicial para aprender 295 ônibus da companhia.

Por causa da ação do banco, as empresas HP e Reunidas chegaram a fazer os serviços provisoriamente.

A Rápido Araguaia estava na ocasião com três meses de atraso nas parcelas dos financiamentos dos ônibus para Volkswagen que iniciaram em 2008. As últimas parcelas vencem em junho de 2016.

Os ônibus só foram liberados depois que a Rápido Araguaia se tornou fiel depositária do Banco Volkswagen. A liberação ocorreu após liminar do desembargador José Henrique Arantes Theodoro, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

No comunicado sobre a recuperação judicial, o grupo da Rápido Araguaia ainda diz que tem como meta a preservação do patrimônio das companhias, o pagamento dos impostos, a manutenção de 2080 empregos diretos. A cadeia de emprego decorrente das atividades da empresa somam 4.500 postos de trabalho.

“a impetração da Recuperação Judicial, já constante no Foro da Comarca de Goiânia, visa garantir a solução equânime e transparente para o endividamento das empresas do setor de transportes públicos que enfrentam perdas de competitividade, de demanda e de crédito, aliados ao aumento de exigências e custos, sob o acompanhamento do Poder Judiciário e da sociedade. Mais do que a recuperação das empresas, o que se acredita ser viável, a Recuperação Judicial coloca em evidências do transporte público, principalmente definindo seu papel na formulação de Políticas Públicas sustentáveis para efetiva recuperação da capacidade de investimento das concessionárias, como reclamara toda sociedade”.

PERDA DE PASSAGEIROS:

De acordo com o levantamento feito pela NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, no ano de 2015, em média, a demanda de passageiros de ônibus no transporte coletivo teve redução de 4,2% em relação ao ano de 2014.

A situação Goiânia é ainda pior com perda de 8% na demanda de passageiros, Veja em :  http://wp.me/p18rvS-61j

Quando em fevereiro houve a suspensão do reajuste da passagem do transporte coletivo, prevista para ser de R$ 3,70 já naquele mês, o presidente do SET – Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo, Décio Caetano, afirmou que as viações estavam à beira de um colapso.

Ainda de acordo com o representante, entre 2009 e 2015 as empresas de ônibus teriam acumulado prejuízos de mais de R$ 150 milhões.

ITAPEMIRIM:

No mês passado, ainda no setor de transportes de passageiros, a notícia do pedido de recuperação judicial da Viação Itapemirim, que já foi uma das maiores companhias do ramo da América Latina, mostra que o sinal amarelo do setor está ligado.

O pedido foi aceito pela Justiça do Espírito Santo no dia 18 de março de 2016 e inclui as seguintes empresas Viação Itapemirim, Transportadora Itapemirim, ITA – Itapemirim Transportes, Imobiliária Bianca, Cola Comercial e Distribuidora e Flecha Turismo Comércio e Indústria.

No plano de recuperação, que tem de ser finalizado até maio, a Itapemirim deve apresentar maneiras de como vai quitar os seus débitos de R$ 336 milhões e 490 mil e como proporcionar viabilidade e crescimento das companhias.

Deste total, R$ 42 milhões e 700 mil são referentes a encargos trabalhistas. Veja os detalhes em: http://wp.me/p18rvS-65u

NO RIO, EMPRESAS FECHARAM:

No Rio de Janeiro, dentro do setor de transportes de passageiros, o que preocupa é o fechamento de empresas de ônibus.

No dia 25 de janeiro de 2016, a Viação Algarve, que integrava o Consórcio Santa Cruz e operava 19 linhas na zona oeste do Rio de Janeiro, deixou de operar. A empresa tinha 462 funcionários em torno de 100 Veículos. Foi o quinto fechamento de empresa em menos de um ano:
2016

– Algarve (Consórcio Santa Cruz)

2015

– Translitorânea (Consórcio Intersul)

– Rio Rotas (Consórcio Santa Cruz)

– Andorinha (Consórcio Santa Cruz)

– Top Rio (Consórcio Internorte)

Veja mais detalhes em: http://wp.me/p18rvS-5LC

CADEIA PRODUTIVA:

Se os clientes estão em má situação, os fornecedores estão entre os primeiros que sofrem.

Diversas empresas que fabricam peças, equipamentos, carrocerias e chassis tentam driblar a crise.

Programas de demissões voluntárias, adesão ao PPE – Programa de Proteção ao Emprego, redução de jornada de trabalho e de salários, emendas de feriados, folgas extras são algumas das alternativas.

A fabricante de ônibus Comil anunciou no último dia 28 de janeiro de 2016, a suspensão das atividades da planta em Lorena, no interior de São Paulo, destinada apenas para a produção de ônibus urbanos. Relembre em: http://wp.me/p18rvS-5MZ

Já a Ibrava, que hoje concentra-se na produção de carrocerias de micro ônibus, anunciou no início de fevereiro a suspensão das atividades da planta de Feliz no Rio Grande do Sul. Veja em: http://wp.me/p18rvS-5PJ

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

6 comentários em CRISE NOS TRANSPORTES DE PASSAGEIROS: Rápido Araguaia entra com pedido de recuperação judicial

  1. Infelizmente é um ciclo virtuoso dificil de se quebrar: O numero de passageiros, caem por causa da crise economica que faz com que o ritmo da economia diminua, gerando menos necessidades de deslocamento e por causa do auto custo das passagens para o passageiro, sendo que dependendo da viagem, se for com mais de uma pessoa em automóvel particular, a viagem fica mais barata e mais rápida.
    As empresas para sobreviverem, cortam horários, compram veículos de menor conforto e custo para se adequadar a nova demanda, fazendo com que as viagens se tornem mais demoradas e em muitos casos lotadas, desestimulando os passageiros a utilizar o serviço, forçando-o a buscar novas alternativas (transporte individual, clandestino etc) e consequentemente, diminuindo mais ainda o numero de passageiros.

  2. Os interesses são muito grandes, acredito que as empresas estão falidas sim, mas os Diretores proprietário não estão falidos não,desviaram muito recursos para outros negócios, façam uma auditoria e verão os desvio para outros investimentos e luxos desnecessários. Com fiscalização rígida, com acompanhamento dos órgãos públicos para evitar infiltração de bandidos nas diretorias das cooperativas as mesmas poderiam ser uma boa alternativa e gerariam muitos empregos e o preço das passagens seriam menor.

    • Concordo plenamente com o Rubens.
      No caso das linhas urbanas acredito mais nos desvios que na situação econômica. Afinal, não estamos no arrocho dos anos 80, se os serviços fossem melhores não haveria queda tão extensa de passageiros.

  3. jose de oliveira // 5 de abril de 2016 às 14:49 // Responder

    A noticia que tomou conta da imprensa no final de semana alusiva à pseuda má situação financeira de empresas do Odilon é pura cascata. A questão é que em razão de clausula contratual, a empresa deveria começar a renovar a frota ainda este ano.Outras duas já iniciaram o procedimento. Como ele é useiro e vezeiro em não cumprir as leis e as avenças, desde dezembro vem insinuando uma alegada má situação financeira, escondendo onibus para dizer que haviam sido arrestados e agora aforou uma demanda baseada em balanço forjado.Alega que a operacionalidade das linhas não serão afetadas. Claro que serão. A justiça será corrompida para admitir a ação e enquanto o processo perdurar, o que deverá durar anos,a empresa continuará operando com uma frota sucateada e insuficiente como já é hoje. Deve permanecer nesse descompasso até o fim da atual permissão no ano de 2.028 , quando certamente promoverá outra tramoia para obter a permissão por mais um longo período. Odilon Santos é igual jegue, não tem pena nem da mãe. A CMTC nada fará para obstar tais maracutaias, , vez que ela noa consegue sequer fiscalizar o cumprimento de horários dos ônibus

  4. Paulo Caio Peçanha // 9 de abril de 2016 às 22:55 // Responder

    OLA
    SÃO VARIAS, AS CAUSAS DOS PROBLEMAS.
    E POR ISSO, SÃO VARIAS AS SOLUÇÕES.
    ENTÃO VEJAMOS, POR PARTES.
    1) OS CUSTOS DA TARIFA DE UMA LINHA DE ONIBUS URBANO, É MESMO MUITO ELEVADO.
    2) AS TARIFAS, NÃO COBREM OS CUSTOS, POIS SÃO ARROCHADAS, POR PREFEITURAS DEMAGOGICAS, QUE FINGEM ESTAR AO LADO DA POPULAÇÃO.
    3) O ESTADO DE CONSERVAÇÃO DAS RUAS, EM TODO O PAIS, É PÉSSIMO, A MAIORIA DAS RUAS, É CHEIA DE BURACOS, VALETAS E LOMBADAS, DESNECESSARIAS.
    4) OS ENCARGOS TRABALHISTAS, NO SETOR, SÃO ELEVADOS.
    5) A FALTA DE CONFORTO E DE SEGURANÇA PARA OS MOTORISTAS E COBRADORES, AJUDA A CRIAR CLIMA DESAGRADAVEL ENTRE TODOS, NO SERVIÇO.
    6) O ALTO CUSTO DO DOS CHASSIS E DAS CARROCERIAS, COM IMPOSTOS INJUSTOS, DESNECESSARIOS, E DE ALIQUOTA ELEVADA, ACIMA DO RAZOAVEL, ENCARECE O VEICULO.
    7) OS CUSTOS COM TAXAS E IMPOSTOS FINANCEIROS, ALEM DE JUROS SUPER ELEVADOS, DIFICULTA O FINANCIAMENTO DOS VEICULOS NOVOS.
    8) HAVENDO MANUNTENÇAO E CONSERVAÇÃO CORRETA,UM ONIBUS DURA VINTE ANOS.
    NÃO HA NECESSIDADE DE RENOVAÇÃO DE FROTA, ANUALMENTE.
    ESSA EXIGENCIA, É SOMENTE PARA FORTALECER AS FABRICAS DE ONIBUS, A VOLKSWAGEN, A MERCEDES-BENZ, A SAAB-SCANIA, E A VOLVO.
    ESSAS EMPRESAS, FINANCIARAM O PT E O LULA E O PT,, EM SUAS GREVES E CAMPANHAS POLITICAS.
    AGORA, FAZEM O QUE QUEREM, E O GOVERNO NÃO TEM FORÇA MORAL PARA EXIJIR NADA DELAS.
    8) OS ONIBUS ANTIGOS, DE 50 ANOS ATRAS, DE PROJETO EUROPEU E AMERICANO, ERAM MUITO MAIS CONFORTAVEIS, QUE OS DE HOJE.
    OS ONIBUS URBANOS ATUAIS, SÃO APENAS CAMINHÕES “PAU DE ARARA”.
    9) APENAS OS ONIBUS RODOVIARIOS, DE LONGO CURSO, SÃO MELHORES, POREM, DE CUSTO MUITO ELEVADO, PELOS PROBLEMAS EXPOSTOS ACIMA.
    10) DE OUTRA PARTE, AS EMPRESAS CRESCERAM MUITO RAPIDOS, E FICARAM GRANDES DEMAIS, E POR ISSO DIFICIL DE CONTROLAR.
    11) AINDA, A “CONCORRENCIA PUBLICA”, GERA EXCLUSIVIDADE PARA A UMA EMPRESA OU GRUPO, OU SEJA CRIA O VELHO “MONOPOLIO FEUDAL”..
    12 ) O CERTO É QUE HAJA DUAS OU MAIS EMPRESAS, DE PROPIETARIOS DIFERENTES, OPERANDO UMA MESMA LINHA, NUMA MESA CIDADE, E ASSIM GERAR CONCORENCIA.
    13) AINDA O “GOVERNO SINDICAL”, AO INVÉS DE REDUZIR IMPOSTOS E TAXAS PAR A CONSTRUÇÃO DE E FINACIAMENTO DE CASAS POPULARES, REDUZIU OS IMPOSTOS SOBRE AUTOMOVEIS, PARA FAVORECER AS INDUSTRIAS AUTOMOBILISTICAS E GARANTIR O EMPREGO DOS DIRETORES DE SINDICATO
    POR ENQUANTO CHEGA

  5. jose de oliveira // 13 de agosto de 2016 às 22:44 // Responder

    Quem acredita que empresas de Odilon Santos esteja em dificuldade deve acreditar também em papai noel, em pé de dinheiro nascente de moeda monetária etc. O homem é um estelionatário. Ele faz maquiagem nas empresas para induzir as autoridades a erro e lhes favorecer com inúmeras benesses custeadas pelo dinheiro que não lhes pertence e com isso aumentar seus lucros, tudo as custas do sangue do usuário. Odilon é, impiedoso com seus usuários, quanto o Rei Davi foi com seus adversários.

1 Trackback / Pingback

  1. Itapemirim agora é investigada por suspeitas de desvios de recursos ao exterior – Diário do Transporte

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: