História

História da Rua 25 de Março: um pedaço do mundo em São Paulo

ônibus antigo

Ônibus Caio Bela Vista em destaque na Rua 25 de Março, em novembro de 1973. Pela importância comercial, região reúne principais linhas de transporte. Pesquisa/Matéria: Adamo Bazani. Foto: Banco de Imagens AE – Agência Estado.

Nome da rua é homenagem à primeira constituição brasileira

ADAMO BAZANI

Um dos pontos mais conhecidos de São Paulo é a Rua 25 de Março. Famosa por ser o maior centro popular de compras do país, recebe por dia mais de 500 mil pessoas de diversas regiões do Brasil.

O nome da rua é uma homenagem à primeira Constituição Brasileira, outorgada pelo Imperador Dom Pedro I, em 1824.

A concentração de comércio não é à toa. Localizada na região central de São Paulo logo foi um ponto de encontro que reuniu investidores que tentavam crescer junto com a cidade. A infraestrutura para época proporcionava uma boa condição para os negócios, com destaque para a proximidade em relação à linha férrea da São Paulo Railway, entre Santos e Jundiaí.

O primeiro registro do nome da 25 de março é de 1865.

O pesquisador Lineu Francisco de Oliveira, no livro “Mascates e Sacoleiros” conta que a presença do rio Tamanduateí, também conferiu importância comercial à região, que teve de ser alterada por causa de enchentes.

“O rio Tamaduateí corria ao lado da via, abaixo do Mosteiro de São Bento, e tinha em seu percurso sete voltas. No final da sétima volta ficava o Porto Geral, onde eram desembarcados os produtos importados que vinham do porto de Santos. O nome do Porto foi dado à conhecida Ladeira Porto Geral, uma das travessas da 25 de Março. Em janeiro de 1850, os moradores do local enfrentaram uma enchente histórica, que destruiu dezenas de casas. No final do século XIX, o rio Tamanduateí foi drenado, e a região passou a se chamar rua de baixo, conhecida atualmente como o baixo de São Bento. Somente em novembro de 1865 o nome da rua foi alterado para 25 de Março.”

A presença de comerciantes de origem libanesa também é uma das características que ficou na história da Rua 25 de Março. De acordo com relatos históricos, a primeira loja oficialmente aberta na via foi em 1887 pertencia ao imigrante libanês, Benjamin Jafet.

Pela importância comercial da Rua 25 de Março, logo ela também se tornou rota dos principais serviços de transportes coletivos em São Paulo, recebendo linhas de ônibus de diversas partes da cidade e de municípios vizinhos.

A Rua 25 de Março também recebeu linhas de bondes. Exemplos eram as linhas 11 e 50:

BONDE – 11:  BRESSER
IDA: Rua Bresser, esquina da Celso Garcia, Rua Silva Teles, Rua Maria Marcolina, Rua Oriente, Rua Monsenhor de Andrade, Rua São Caetano, Rua da Cantareira, Rua Cavalheiro Basílio Jafet, Av. Exterior, Pça. Fernando Costa, Rua 25 de Março, Rua Frederico Alvarenga, Rua da Mooca, Rua Taquari e Rua Javari. VOLTA:  Rua Javari, Rua Visconde de Laguna, Rua da Mooca, Rua Frederico Alvarenga, Rua 25 de Março, Pça. Fernando Costa, Av. Exterior, Rua Cavalheiro basílio Jafet, Rua da Cantareira, Rua São Caetano, Rua Monsenhor de Andrade, Rua Oriente, Rua Maria Marcolina, Rua Silva Telles e Rua Bresser.

BONDE – 50 : BORGES DE FIGUEIREDO (Auxiliar Bresser).
IDA: Pça. Fernando Costa, Rua 25 de Março, Rua Frederico Alvarenga, Rua da Mooca e Rua Borges Figueiredo até o poste 752. VOLTA: Rua Borges Figueiredo, Rua da Mooca, Rua Frederico Alvarenga, Rua 25 de Março, e Pça. Fernando Costa.

Ainda com árabes, libaneses no comércio, mas também com pessoas de todo o Brasil e de todo mundo, a Rua 25 de Março, apesar dos tumultos, principalmente em datas festivas que agitam o comércio, é um dos retratos que mostram que cidade de São Paulo é extremamente acolhedora.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. deborahmatt disse:

    Muito legal, vou compartiohar. Quantos vão pra rua com este nome mas nem sabem nada sobre a história dela!

  2. Muito bacana, hoje em dia tem mais espaço para os pedestres.

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