História

Scania 125 anos: Das bicicletas e vagões para os ônibus e caminhões

Parada de ônibus na Suécia em 1932. Scania se destacava no mercado local já nas primeiras décadas de atuação Divulgação Scania -  Photo: August Lundholm 1932

Parada de ônibus na Suécia em 1932. Scania se destacava no mercado local já nas primeiras décadas de atuação Divulgação Scania –
Photo: August Lundholm 1932

História da fabricante de veículos começou em 1891, na Suécia. No Brasil, trajetória teve início em 1956

ADAMO BAZANI

Uma das maiores fabricantes de veículos de grande porte do mundo, a Scania comemora neste ano 125 anos.

Os primeiros veículos, na Suécia, já eram conhecidos pela sua robustez. Os admiradores de transportes mais recentes devem se lembrar do forte ronco dos ônibus e caminhões da série 2 (112) e 3 (113) entre os anos 1980 e 1990.

Desde 2006, a Scania no mundo pertence ao Grupo Volkswagen que assumiu o controle acionário da Scania e da MAN. Nesta época, o grupo já tinha maior parte das empresas. Em julho de 2015, foi consolidada a marca da divisão Truck & Bus GmbH, que une as operações em todo o mundo da MAN Truck & Bus, MAN Latin America (Volkswagen Caminhões e Ônibus) e Scania.

O que alguns não sabem é que a história da fabricante de ônibus e caminhões, presente em mais de cem países, começou como produtora de carroças, vagões ferroviários e bondes puxados a cavalo.

Em 1891, a siderúrgica Surahammars Bruk fundou uma filial na cidade de Södertälje uma filial chamada Vagnsfabriksaktiebolaget i Södertälje, expressão no idioma sueco que significa “Fábrica de Carruagens Ltd. em Södertälje”.O nome foi abreviado para VABIS.

Em 1902, o engenheiro Gustaf Erikson desenvolveu o primeiro caminhão da VABIS.

A história da empresa se encontraria com a trajetória de outra fabricante voltada para os transportes: em 1900, era fundada na cidade Malmö, no sul da Suécia, a Maskinfabriks-aktiebolaget Scania, produtora de bicicletas. Scania é a forma latina de se referir à Skåne, nome da província onde fica Malmö.

Logo depois de começar a produzir as bicicletas, a empresa começou a desenvolver os primeiros veículos automotores. Em 1903, a SCANIA fazia o primeiro caminhões e em 1905, o primeiro carro.

Anos mais tarde, entretanto, a VABIS começou a passar por dificuldades e, no dia 18 de março de 1911, a Scania acabou se fundindo com a empresa. A fusão foi comandada por Per Alfred Nordeman, dando início à SCANIA-VABIS.

Primeiro ônibus da Scania Vabis em 1911. O Nodrmark trazia novos conceitos para a época aos transportes coletivos.  Divulgação Scania -  Scania archive 1911

Primeiro ônibus da Scania Vabis em 1911. O Nodrmark trazia novos conceitos para a época aos transportes coletivos. Divulgação Scania – Scania archive 1911

Toda a produção de automóveis seria em Södertälje, sede da VABIS. No mesmo ano, a nova companhia lançava o primeiro ônibus com motor a combustão na Suécia, o Nodrmark.

O veículo foi considerado um marco e implantou um novo padrão nos transportes públicos. O ônibus tinha chassi propulsionado por correntes, que foi construído pela SCANIA em Malmö. O motor e carroceria eram da VABIS, fabricados em Södertälje.

Os bancos deste ônibus eram forrados por uma espessa pele de alce e o veículo alcançava em média 20 quilômetros por hora nas difíceis estradas da época.

A Scania-Vabis foi uma das empresas que acompanhou o processo de urbanização do mundo, quando as cidades cresciam no início do século passado de uma maneira mais rápida do que em todos os anos anteriores.

Em 1913, a Scania se tornava multinacional abrindo a primeira subsidiária estrangeira na Dinamarca.

Mas foi justamente no Brasil que a Scania internacionalizou a produção.

A primeira planta própria da Scania fora da Suécia foi em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, até hoje a sede brasileira. A  unidade foi inaugurada em 1962.

A atuação da Scania em solo brasileiro começou em 1956, quando executivos da empresa sueca vieram ao país para formalizar o início das operações e constituir a Scania-Vabis do Brasil Motores Diesel.

Em 2 de julho de 1957, a Scania começou as atividades nas instalações da Vemag, no bairro do Ipiranga, na capital paulista.

O primeiro caminhão da marca produzido no Brasil saiu das linhas de montagem em 1958. Era o L75 que atendia às exigências do Governo, na época, de ao menos 35% de nacionalização.

Em 1959 era feito pela Scania, o primeiro motor a diesel brasileiro para caminhões. Também em 1959, a Scania apresentou ao mercado o primeiro ônibus da marca no Brasil, o B75. O veículo tinha motor dianteiro D10, de 10 litros e 165 cavalos, com injeção direta e 165 CV. O comprimento do chassi era de 9,18 metros e entre eixos de 5,75 metros. O PBT – Peso Bruto Total era de 14,5 toneladas.

O B75 foi o primeiro ônibus feito no Brasil, ainda nas instalações da Vemag, no Ipiranga. Divulgação Scania

O B75 foi o primeiro ônibus feito no Brasil, ainda nas instalações da Vemag, no Ipiranga. Divulgação Scania

O B75 logo se destacou entre as grandes empresas de ônibus do País, como a Cometa. Scania-Vabis B75, 1961 Sao Paulo, Brazil Photo: Göran Wink 2015

O B75 logo se destacou entre as grandes empresas de ônibus do País, como a Cometa.
Scania-Vabis B75, 1961
Sao Paulo, Brazil
Photo: Göran Wink 2015

O segundo ônibus feito pela Scania no Brasil foi o B76 já na planta de São Bernardo do Campo. O ônibus teve a produção iniciada em 1962. A potência era maior, com 195 cavalos.

Em 1972 Scania apresentava o primeiro ônibus de motor traseiro o BR 115.

O modelo foi sucedido em 1976 pelo BR 116 que, por exemplo, ficou famoso nas estradas brasileiras, recebendo carrocerias usadas pelos ônibus da Cometa.

Também em 1976, surgia no mercado o B111, que foi uma atualização da linha de ônibus com motor dianteiro da Scania.

Foi justamente um chassi B111 que deu origem ao primeiro ônibus articulado do Brasil em 1978, que recebeu carroceria Caio Gabriela.

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O B111 foi o primeiro chassi articulado do País. O primeiro modelo foi o urbano Caio Gabriela, mas as estradas tiveram ônibus articulados rodoviários. Arquivo Marcopolo/Portal Caminhão Antigo do Brasil

O B111 foi o primeiro chassi articulado do País. O primeiro modelo foi o urbano Caio Gabriela, mas as estradas tiveram ônibus articulados rodoviários. Arquivo Marcopolo/Portal Caminhão Antigo do Brasil

Em nota, a Scania faz um rápido retrospecto sobre sua atuação no mundo:

“Em 2016, a Scania completa 125 anos da sua inauguração na cidade de Södertalje, na Suécia. A trajetória da empresa, hoje referência mundial em soluções de transporte sustentável, teve início em 1891, quando, sob o nome de VABIS, produzia carroças, vagões e bondes puxados a cavalo. De lá para cá, a Scania acompanhou as transformações do mundo, trabalhando para posicionar a marca globalmente e ser reconhecida como sinônimo de qualidade e robustez, pavimentando o sucesso que rendeu aos caminhões da marca, carros-chefes na linha de produtos, o título de Rei da Estrada.

“Ao longo deste período, sempre apresentamos ao mercado veículos inovadores que ofereciam melhorias para a operação dos clientes, característica até hoje preservada”, conta Per-Olov Svedlund, presidente e CEO da Scania Latin America. “A distinção dos nossos produtos somados a colaboradores dedicados e um foco incansável na rentabilidade do cliente são certamente protagonistas dessa história”, completa.

Ainda nas primeiras décadas de existência, procurando consolidar-se em um cenário onde a concorrência já era forte entre as montadoras de países como Estados Unidos e Alemanha, a empresa se destacou no desenvolvimento e produção de motores para veículos pesados, que tinham um consumo baixo de combustível. Com o período pós-guerra, aumentaram as demandas por caminhões pesados para transporte de cargas e veio então o modelo Scania-Vabis L51, considerado o caminhão que proporcionou o primeiro grande salto da fabricante no mercado Europeu. A popularização da marca, ocorrida na metade do século passado, aumentou os pedidos e veio o segundo grande momento da história da empresa. O processo de industrialização acentuado em algumas economias emergentes fez com que a Scania cruzasse o Atlântico para inaugurar, em 1962, sua primeira planta fora da Suécia, na cidade de São Bernardo do Campo, São Paulo. Foi a partir destas instalações que a empresa criou a famosa Série 2 de caminhões, a primeira linha de veículos comerciais modulares, onde cada componente pode ser aprimorado independentemente de outros. Tempos depois, nos anos 80, a operação local da empresa alcançava, pela primeira vez, a marca de 35 mil veículos produzidos, um recorde naquele momento, que eram exportados aos países vizinhos, como Chile, Argentina e Peru. Nos anos 90, com a necessidade de renovar a aposta em inovação como estratégia de ganhar mais um diferencial competitivo, a fabricante sueca implantou o Sistema de Produção Global, que permite produzir os mesmos veículos em qualquer parte mundo. Como resultado dessa iniciativa, a Scania se destacou no mercado por conseguir criar um modelo de trabalho que produz de acordo com a demanda e que priorizava os altos índices de qualidade em toda a cadeia produtiva. Junto com o século 21 chegou o desafio de oferecer um produto com mais tecnologia e soluções de transporte de carga e de pessoas, que refletissem a visão de sustentabilidade do negócio Scania. Nessa jornada é possível citar conquistas como o lançamento do Streamline, caminhão que oferece o menor consumo de combustível de todo o mercado, a introdução do Euro 6 na Europa, motor que reduz as emissões poluentes na atmosfera e a ampliação dos serviços ligados à conectividade dos veículos – hoje mais de 170 mil unidades no mundo. “Seja com a entrega da melhor rentabilidade para nossos clientes, seja na diminuição de emissão de CO2 na atmosfera ou pela tecnologia mais avançada disponível no mercado, acumulamos experiência suficiente ao longo destes 125 anos para superar os desafios que temos pela frente. São eles que nos movem”, diz Svedlund.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Evaristo H. Ferreira disse:

    Adamo. Parabéns!!!. Mais uma reportagem sensacional!!!.

  2. rose rose disse:

    Republicou isso em BICICLETARIA CULTURAL.

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