Não houve acordo na Mercedes-Benz e montadora reitera que vai demitir
Publicado em: 19 de agosto de 2015

Ônibus Mercedes-Benz. Funcionários aceitaram PPE, mas rejeitaram reajustes menores em 2016. Empresa volta a cogitar demissões em setembro.
Trabalhadores aceitaram PPE, mas não aceitaram reajuste igual ou inferior à inflação
ADAMO BAZANI
O alerta para os trabalhadores da Mercedes-Benz voltou a ser acionado.
Terminaram sem acordo as negociações entre a montadora de ônibus e caminhões e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Com isso, fabricante reiterou que vai realizar demissões na principal planta no Brasil, em São Bernardo do Campo, a partir de 1º de setembro.
A Mercedes-Benz alega que por causa da recessão econômica brasileira que impacta nas vendas e produção de ônibus e caminhões, há um “excedente” de dois mil trabalhadores na unidade.
Os funcionários aceitaram a adesão ao PPE – Programa de Proteção ao Emprego, que reduz salário e jornada de trabalho, mas rejeitaram a proposta da montadora de conceder no próximo ano reajuste igual ou inferior aos índices inflacionários.
O Sindicato dos Metalúrgicos promete greve na unidade. Atualmente, toda a produção de ônibus e caminhões está paralisada até o dia 21 de agosto para ajustes à baixa demanda por veículos comerciais.
A baixa procura por ônibus e caminhões é considerada por economistas como um dos termômetros para indicar crise no País, já que demonstra que outros setores e o poder público que dependem dos serviços de transportes de cargas e passageiros, estão realizando poucos investimentos.
A Mercedes, em São Bernardo, possui cerca de 10 mil funcionários.
Até agora, 215 empregados foram recolocados em lay-off, suspensão temporária do contrato de trabalho, e 250 foram desligados definitivamente.
Em julho deste ano, antes mesmo do lançamento do PPE, a Mercedes-Benz propôs redução de jornada de trabalho em 20% ante uma diminuição de 10% dos salários. Na ocasião, 74% dos trabalhadores rejeitaram a proposta.
Em assembleia no último final de semana, os trabalhadores aceitaram o PPE e reajustes salariais reduzidos, mas não abaixo da inflação.
O PPE permite redução de até 30% dos salários e jornada de trabalho, conforme convenção coletiva. O FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador complementa até 15% na folha de pagamento. No entanto, este complemento está limitado a 65% do teto do seguro-desemprego para cada trabalhador. Hoje o maior valor do seguro-desemprego é de R$ 1 mil 385,91, sendo assim, o máximo a ser complementado em cada salário do trabalhador cuja empresa aderiu ao PPE é de R$ 900,84.
Na vigência do PPE, o trabalhador não pode ser demitido. Após o término, a estabilidade é de um terço do tempo que a empresa aderiu ao programa. Por exemplo, se o PPE foi de 6 meses, quando terminar, o trabalhador só terá mais 2 meses de estabilidade.
O PPE tem limite de 6 meses e pode ser prorrogado por igual período, totalizando um ano.
As empresas em conjunto com os trabalhadores podem aderir até o dia 31 de dezembro de 2015 e o prazo de último dia do PPE é 31 de dezembro de 2016.
O programa não é destinado a setores e categorias, mas a empresas e trabalhadores específicos. Assim, por exemplo, se houver PPE na Mercedes-Benz, não significa que a Scania, Volvo e MAN poderão aderir. Com os trabalhadores é a mesma situação: o plano pode ser para os metalúrgicos da marca, mas não necessariamente para todos os metalúrgicos.
Para ter acesso ao PPE, a empresa deve demonstrar situação financeira que pode colocar os empregos em risco por causa da conjuntura econômica do País e não por questões específicas.
Uma das críticas que se faz ao PPE é que, além de ele ser uma medida emergencial para corrigir erros cometidos pelo próprio governo federal, na prática, o programa acaba beneficiando apenas grandes empresas.
Companhias de menor porte, por exemplo, dificilmente vão conseguir apoio e são justamente as médias, pequenas e micro-empresas que mais geram postos de trabalho e mais sentem a crise econômica.
De acordo com dados da Anfavea- Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores no acumulado entre janeiro e julho deste ano, a queda na produção geral de veículos foi de 18,1% em relação ao mesmo período de 2014. Os segmentos de comerciais pesados ainda são os mais afetados já que refletem a situação de outros setores e dos cofres públicos que financiam obras de mobilidade urbana. A produção de ônibus teve retração de 28,9% e a de caminhões registrou desempenho pior ainda, de 45,4%.
A queda de licenciamentos de ônibus Mercedes-Benz foi de 15,2%. Em relação aos caminhões da marca alemã, o quadro é o seguinte: -15,1% para semileves, -28,8% para leves, – 19% para médios, -37,4% para semipesados, – 61,6% para pesados.
Os números da Mercedes-Benz não chegam a ser os piores entre as marcas. No segmento de ônibus, a Scania teve queda de 73,7% nos licenciamentos e, entre os caminhões pesados, por exemplo, a Ford teve baixa de 64% entre janeiro e julho deste ano em comparação com igual período de 2014, de acordo com os dados da Anfavea.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


Deixa mandar embora, pois os trabalhadores da mercedes sao os mais bem remunerados da industria automobilistica, e eles nao aceitam a correcao do salario pelo indice de inflacao…….tem muita gente querendo entrar na mercedes ganhando muito menos…….
Verdade deixem mandar reclamam de mais eu sou um que após a crise com fé em Deus vou entrarem uma destas montadoras.
Amigos, boa noite.
Gostaria de ver toda essa preocupação com a indústria brasileira brasileira.
Lembram da Gurgel ????
E para o e-bus da Eletra, que força darão sem ser as das baterias ???
Todo negócio é tem risco e toda chuva molha.
Att,
Paulo Gil