História

Uma viagem de ônibus e de trem em 1953

história Mauá

Ônibus em Mauá no ano de 1953. Antes mesmo dos conceitos de mobilidade urbana, era pelos transportes que a população sempre lutou por uma vida melhor e teve acesso a direitos básicos.

Vídeo mostra os transportes em Mauá no ano de 1953

Os trens e os ônibus que ajudaram esta parte do ABC Paulista a se desenvolver podem ser vistos num material que pode ser considerado uma viagem no tempo

ADAMO BAZANI

Quando se fala na história recente dos transportes da cidade de Mauá, na Grande São Paulo, o principal assunto é a qualidade dos serviços considerada insatisfatória pela população e a ação do prefeito Donisete Braga que desfez o modelo no qual dois grupos empresariais distintos atuavam para retomar o monopólio das linhas de ônibus.

Entre 1983 e 2010, atuava na cidade o empresário Baltazar José de Sousa, considerado um dos maiores devedores individuais da União e alvo de diversos processos judiciais. Por ordem do Ministério Público, em 2006 foi aberto um processo de licitação, concluído apenas em 2008. Mas só em 2010, uma nova operadora, Leblon Transporte de Passageiros começou a operar. No lote 01, ficou a VCM – Viação Cidade de Mauá, antiga Viação Barão de Mauá, de Baltazar, e no lote 02 a Leblon. Mas para este segundo lote, a Viação Estrela de Mauá, fundada por Baltazar só para a licitação, queria assumir os serviços. Em seguida, a empresa passou a ser controlada por David Barioni Neto, ex-executivo da TAM e da Gol Linhas Áreas, fundada por Constantino Oliveira, considerado um dos maiores empresários de ônibus do Brasil e líder do chamado Grupo dos Mineiros, que tinha a participação de empresários como o próprio Baltazar José de Sousa e Ronan Maria Pinto, dono de viações em Santo André e do jornal de alcance local, Diário do Grande ABC, e colocado como réu no caso de suposto esquema de corrupção que teria resultado na morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 18 de janeiro de 2002.

O descredenciamento da Leblon e da VCM em 2013 ainda gera dúvidas na população. O argumento de que as empresas teriam consultado sem autorização dados da bilhetagem eletrônica não foi consenso nem na própria prefeitura. Todo o serviço voltou para as mãos de uma só empresa, a Suzantur. O proprietário, Claudinei Brogliato, garantiu que a Suzantur não tinha participação de Baltazar José de Sousa, apesar de a empresa usar ônibus que eram da Estrela de Mauá, como os de 15 metros, e o pátio do empresário mineiro no Jardim Zaíra 4, como garagem.

Mas estes recentes fatos entre a prefeitura de Mauá e os empresários de ônibus da região não podem apagar a importância dos transportes no desenvolvimento do município.

Os veículos, bem rústicos, mas os únicos de uma época que a região metropolitana precisava crescer, venciam ruas de terra, paralelepípedos e mostraram que donos de ônibus e passageiros eram verdadeiros desbravadores do progresso.

Onde havia necessidade de ligar pessoas ao seu destino, os ônibus estavam lá.

Um vídeo de 1953, intitulado “Mauá em Marcha”, dos Irmãos Gerber, revela o dia a dia da cidade. E como sempre, estavam presentes os transportes, ligados ao cotidiano do cidadão.

As imagens mostram os ônibus em vias importantes como Avenida Barão de Mauá e a linha entre a região de Ribeirão Pires, Mauá, Santo André e São Paulo.

Estas imagens datam antes da atuação da família Bozzato, nos transportes coletivos da cidade, que adquiriu a Viação Barão de Mauá em 1957.

Trens e ônibus vivam (e ainda vivem em harmonia). Quem hoje rivaliza modais não tem a consciência da história e de que todos os meios de transporte devem atuar em conjunto para o bem da sociedade, para garantir deslocamento digno dos cidadãos e acesso a direitos básicos como saúde, educação e trabalho.

Assim, no vídeo é destaque a estação de Mauá, da antiga SPR –São Paulo Railway, fundada pelos ingleses, mas idealizada por Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá.

Os trens atendiam à grande massa já na época e os ônibus iam até os locais mais distantes, onde parte da população tinha condições de comprar. Por causa do crescimento das atividades urbanas, as áreas perto das indústrias e linhas de trem começavam a ter imóveis com valores mais altos.

São Paulo e as cidades vizinhas atraíam um grande número de pessoas do Brasil inteiro e até de outros países. Além do maior preço, a ausência de espaço físico nas áreas centrais começou a ser problema. As obras para a implantação de trens e bondes eram caras e demandavam um tempo. Só o ônibus teve a flexibilidade e a agilidade de atender as necessidades das pessoas em extensões cada vez maiores.

As imagens não estão com a perfeição de uma filmagem nova, mas a narração é espontânea e as cenas mostram que transporte é muito mais que levar uma pessoa de um lado para o outro e sim conduzir a sociedade de uma determinada situação para a busca de um estado melhor.

Confira:

https://youtu.be/iATMFl-gswI

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. SÉRGIO CELESTINO disse:

    Olá Adamo !!! Estava olhando esse vídeo, sensacional pelo registro histórico, mas ele deve ser no mínimo de 1957, pois os trens que aparecem são os BUDD Mafersa que entraram em circulação em 1957. Abraço !!

  2. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Sensacional o vídeo e parabéns Adamo por compartilhar com todos o vídeo.

    Aos Irmãos Gerber um parabéns especialíssimo por terem efetuado essa filmagem, que deixa registrado a história, em especial a do buzão.

    É indescritível a emoção ao ver os buzões “antigões”, rodando.

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

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