VLT de Cuiabá virou um dos maiores “micos” da Copa

VLT Cuiabá

VLT de Cuiabá não está pronto e relatório aponta que escolha do modal não foi a mais adequada para a demanda, além de ter corroído dinheiro público

VLT do Mato Grosso é caro e não vai ser eficiente, diz relatório
De acordo com técnicos de universidade e auditoria independente, corredor de ônibus seria mais eficiente
ADAMO BAZANI – CBN
Com informações UOL Esporte
O Veículo Leve sobre Trilhos – VLT do Mato Grosso, que tem o projeto de ligar Várzea Grande a Cuiabá, é considerado um dos maiores exemplos de dinheiro mal gasto em todo o País entre as obras prometidas para a Copa do Mundo de 2014, segundo duas análises técnicas.
A licitação foi de R$ 1,47 bilhão. Em relação às obras de mobilidade, foi a segunda mais cara do País, ficando atrás apenas do corredor de ônibus Transcarioca, no Rio de Janeiro, que teve custo de R$ 2,2 bilhões.
A diferença é que o Transcarioca é maior, com 39 quilômetros de extensão, e já está pronto. O VLT teria 23 quilômetros e custos operacionais mais altos.
A conclusão de que o VLT não foi uma boa escolha é de uma auditoria independente contratada pelo atual governador Pedro Taques e é praticamente a mesma de engenheiros da UFMT – Universidade Federal de Mato Grosso, em 2011, quando se discutia qual modal de transporte seria escolhido.
Inicialmente, o projeto era de que a ligação fosse feita por ônibus em corredores exclusivos. A capacidade de demanda seria praticamente a mesma, mas enquanto o VLT teve licitação ao custo de R$ 1,47 bilhão (as obras devem ficar mais caras que isso), o valor do BRT (Bus Rapid Transit) ficaria em torno de R$ 500 milhões.
A mudança de escolha do meio de transporte se deu sob suspeita de fraudes na época da gestão de Silval Barbosa como governador. Um relatório técnico enviado ao Governo Federal teria sido alterado para justificar o BRT em vez do VLT e obter a liberação de verbas do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento. O VLT faz parte da “Matriz de Responsabilidades da Copa” e teve licitação mais fácil pelo RDC – Regime Diferenciado de Contratação. Além disso, há suspeita de que um juiz federal recebeu propina para liberar a obra em 2012, que tinha sido suspensa depois de o Ministério Público investigar irregularidades na escolha e execução das intervenções para o VTL.
Agora, as obras estão paradas e apenas 30% foram concluídos. No entanto, 64% dos recursos foram gastos.
Segundo reportagem do UOL/Esporte, que teve acesso aos relatórios da auditoria, a obra deve ficar R$ 800 milhões mais cara, pelo menos. Além disso, segundo os técnicos, “o VLT é caro, terá que ter tarifa subsidiada pelo governo para ser economicamente viável a seu futuro operador, não privilegia o planejamento urbano existente em Cuiabá, tem um traçado que não condiz com os maiores fluxos de pessoas na cidade e será menos eficiente do que teria sido a construção, por menos de R$ 500 milhões, de um sistema de corredores exclusivos de ônibus, que constava no plano de mobilidade urbana de Cuiabá até 2011, quando foi substituído pelo VLT.”
CONFIRA:
1 – Custo excedente de R$ 800 milhões

Até agora, ainda que apenas 30% da obra tenha sido executada, já foram gastos 64% dos recursos originais, de R$ 1,47 bilhão, ou cerca de R$ 940 milhões. Mas, segundo as contas feitas pelo atual governo, serão precisos mais R$ 800 milhões, o que faria com que o sistema de 23 quilômetros do VLT tivesse um custo total de R$ 1,74 bilhão. Iincialmente, quanto pleiteava junto ao governo federal um financiamento (que foi obtido) para a obra, as autoridades do Estado falavam em um custo estimado de R$ 1,1 bilhão.

2 – Falta de pagamento e atraso por conta do governo
Muito embora prometesse concluir a obra do VLT a trempo para a Copa do Mundo, e por causa disso ter recebido empréstimos subsidiados do governo federal, a verdade é que o Estado de Mato Grosso atrasou quase todos os pagamentos ao consórcio construtor nos meses precedentes á Copa, justamente quando a obra deveria ser acelerada para terminar a tempo. Em agosto de 2014, após ficar sem receber desde dezembro de 2013, o consórcio que fazia as mediçções da obra anunciou que não iria mais trabalhar sem receber. Por causa disso, medições deixaram de ser reealizadas por três meses, o que gerou uma série de erros técnicos que não foram corrigidos.

3 – Um trem que “liga nada a lugar nenhum”

O atual governo de Mato Grosso não acredita na conveniência de se concluir o VLT. A decisão de construí-lo, tomada em 2011, foi baseada apenas em critérios políticos, e não técnicos. Segundo UOL Esporte apurou, o governo de Pedro Taques consultou técnicos em transporte público e chegou à mesma conclusão que os engenheiros da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) haviam chegado em 2011: o VLT é caro, terá que ter tarifa subsidiada pelo governo para ser economicamente viável a seu futuro operador, não privilegia o planejamento urbano existente em Cuiabá, tem um traçado que não condiz com os maiores fluxos de pessoas na cidade e será menos eficiente do que teria sido a construção, por menos de R$ 500 milhões, de um sistema de corredores exclusivos de ônibus, que constava no plano de mobilidade urbana de Cuiabá até 2011, quando foi substituído pelo VLT.

Membros do governo têm dito que “o trem liga nada a lugar nenhum”. O desgaste político de não concluir a obra, porém, faz com o Executivo mato-grossense hesite diante da hipótese de abandonar o projeto.

4 – Licitação ameaçada na Justiça Federal

O Ministério Público Federal em Mato Grosso e o Ministério Público do Estado de Mato Grosso promovem uma ação na Justiça Federal para anular o contrato de licitação da obra, vencido pelo Consórcio VLT Cuiabá (cujas empresas líderes são Santa Bárbara, CR Almeida e CAF). O motivo são as suspeitas de fraude no processo licitatório. Conforme o UOL Esporte revelou em 2012, o vencedor da licitação já era sabido um mês antes do anúncio oficial, e um funcionário do governo informou que houve o pagamento de propina no valor de R$ 80 milhões por parte das empreiteiras envolvidas a agentes do governo.

Na semana passada, secretários do governo estadual se reuniram com promotores e procuradores responsáveis por essas ações. Os membros do Ministério Público disseram estar confiantes no sucesso da ação judicial que movem contra a obra, dada a robustez das provas apresentadas. Caso o contrato venha a ser anulado, será preciso fazer outra concorrência, com a possibilidade de se alterar o projeto. Neste caso, é possível que o governo venha a reduzir o trajeto do VLT, e talvez tentar um novo tipo de contratação, via PPP (parceria público-privada), dividindo com a iniciativa privada os riscos inerentes ao projeto.
5 – Problemas nas medições levaram a falhas na obra

Em diversas partes dos relatórios de acompamento da obra, as empresas fiscalizadoras informam ao governo estadual que não receberam relatórios e documentos suficientes para fazer seu trabalho. por causa disso, se eximem de qualquer responsabilidade caso sejam encontrados problemas na obra, como no caso, por exemplo, do assentamento dos trilhos no viaduto do Aeroporto:

6 – Problemas de infiltrações e acabamento
Há mais de uma dezena de apontamentos da empresa gerenciadora de problemas infiltração, umidade não controlada e de acabamento em diversas partes da obra. isso obrigará a administração atual a ordenar retrabalhos e correções em estruturas que acabaram de ser cosntruídas. É o caso, por exemplo, do viaduto do Aeroporto, conforme mostra relatório de acompanhamento da obra.

7 – Asfalto e pavimentação de má qualidade

Foram identificados problemas técnicos na colocação de asfalto e pavimentação em boa parte das vias que tiveram que ser reformadas, construídas ou desviadas em virtude do projeto do VLT. De acordo com a empresa gerenciadora da obra, as falhas podem levar ao surgimento de buracos nas vias e até “à ruína total” da malha asfáltica. Por causa disso, o atual governo tem que decidir se ordenará que todo o trabalho de colocação de asfalto nas vias públicas afetadas pelo VLT seja refeito ou se irá esperar que os buracos comecem a surgir para, então, consertá-los.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CXBN, especializado em transportes
Com informações UOL Esportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    A solucao e simples.

    1) identifique os culpados, pela via judicial;

    2) Aplique a penalidade legal;

    3) Acao de cobranca dos prejuizos e danos materiais pelo inferno causado.

    4) Implode tudo;

    5) Faz-se o BRT.

    Esse filme todo mundo ja conhece, aplica-se 1 a 5 e bola pra frente.

    A ladainha todos ja conhecem.

    Att,

    Paulo Gil

  2. vagligeirinho disse:

    E no final aconteceu meio que o mesmo que houve com o VLT de Campinas. Pior é pensar que isso pode acontecer com o VLT de Santos, se não tomarem cuidado…

  3. Luiz Vilela disse:

    Vagligeirinho, é inacreditável sua comparação, caso você conheça minimamente os dois projetos.
    O grande erro deste VLT foi a opção pelo RDC da Copa 2014: teriam que fazer uma operação militar e atropelar todos os cronogramas – inclusive o físico-financeiro – para entregar duas estações para a Copa.

    O resto está envolvido em disputas e oportunismo político do pior nível.
    O texto faz várias afirmações duvidosas sendo algumas claramente infundadas, além de generalizações do tipo “leva nada a lugar nenhum”. Quem acompanha obras de ferrovias urbanas no Brasil sabe que a linha 5 Lilás – sim, exatamente o Metrô da Zona Sul! – já foi acusado de “ligar nada a lugar nenhum” mesmo quando transportava mais de 200.000 passageiros/dia.

    Morei 7 meses em Cuiabá, acompanho o projeto desde o início, portanto me sinto a vontade para comentar.
    Ah sim: antes de tudo tenho respeito pelos cidadãos cuiabanos que estão penando com a agressividade das obras, agora praticamente paralisadas.

    Uma matéria sobre este assunto neste momento precisaria, no mínimo, ouvir prós e contras competentes.

    1. Paulo Gil disse:

      Luiz Vilela, boa noite.

      Se vc puder contribuir mais com o post sera legal, pois vc vivenciou de perto e tece comentarios sinceros.

      Entendo que o pior de tudo, e o desrespeito com os brasileiros e contribuintes, bem comoo monstro inacabado deixado e todas as mesmisses utilizada em toda obra publica.

      Ja chegou a hora de acabar com as licitacoes e “deletar a 8666 – lei de licitacoes, uma vez que esta comprovado que alem da perda de tempo a licitacao nao resolve a questao das vantagens seja de uma forma ou de outra.

      Licitacao e coisa do passado.

      Na pior das hipoteses faz- se um novo Codigo Penal, com pena de morte para esse tipo de crime publico, hediondo e inafiansavel.

      Em breve teremos msiss um espetaculo a licitacso de Sampa, so nao se sabe quando sera disponibilizado o edital na Internet, sem venda de CD’s, pois agora ha a lei de transparencia.

      Sem falar do lote 5 da EMTOSA – ABC

      Abcs,

      Paulo Gil

      1. Luiz Vilela disse:

        Sem dúvida, a 8666 hoje em dia responde pelo atraso do país e por boa parte dos esquemas de corrupção.

        Este VLT precisa ajustar cronogramas e financiamento; estabelecer (difícil!) fiscalização e medição decentes para as obras; buscar projeto de integração a exemplo do SIM da Baixada Santista. As rotas são coerentes e serão extremamente úteis para a mobilidade de Cuiabá. As estações estão bem posicionadas e têm bom projeto. As transposições de cruzamentos e viadutos são superiores ao projeto da Baixada Santista, que desprezou o cruzamento mais importante da cidade: Francisco Glicério X Ana Costa. Onde obviamente deveria haver trincheira ou túnel. O paisagismo previsto deixará a cidade e suas avenidas mais bonitas que atualmente; o que não é pouco em projetos de transportes sobre trilhos.

        Acho negativo passar relativamente longe do estádio da Copa. Usaram o mesmo conceito de só liberar a estação Artur Alvim para o Itaquerão nos jogos (e não a Itaquera, mais próxima) e fechar a estação do monotrilho do estádio do Morumbi nos jogos. Coisa de segurança pública, bem polêmica nos estádios.

      2. Paulo Gil disse:

        Luiz Vilela, boa noite.

        Que bom que vc concorda com a obsolecencia da 8666.

        Obrigado pelas informacoes, gostei.

        Se o projeto e legal, entao o buraco e mais embaixo, tem gato nessa tumba.

        So pelo fato de nao haver cruzamentos em nivel, ja demostra um bom projeto ao contrario do da baixada que desprexou cruzamentos importantes.

        Se estamos no inferno vamos abracar o capeta.

        Espero que os cuiabanos presdionem e conquistem o termino da obra.

        Agora que o dedign do VLT Cuianao e frio isto e.

        Rssssss

        Abcs,

        Paulo Gil

    2. vagligeirinho disse:

      A comparação é válida devido aos seguintes fatos:

      – A criação do VLT de Campinas também tinha intuitos políticos, não técnicos. Tanto que sempre disseram que o traçado do VLT não atingia boa parte da população.

      – No caso da Linha 5, tal comparativo era feito devido a ligar regiões “pobres” de São Paulo, além de se imaginar que não tinha conexão a linha 5 com a 9 atual.

      – O VLT de Campinas teve uma vida extremamente breve.

      Apesar da Wikipedia não ser um lugar 100% confiável, vale a leitura: http://pt.wikipedia.org/wiki/VLT_de_Campinas

      1. Luiz Vilela disse:

        Mas o VLT de Cuiabá e Várzea Grande atinge a maior parte de Cuiabá e boa parte de Várzea! Constatei pessoalmente. É muito diferente da rota do projeto fracassado de Campinas.
        E não tem comparação a RM de Cuiabá com a RM de Campinas, claro.

  4. Marcos Paulo disse:

    O pior de tudo..propina e superfaturamento e qdo descobrem…..o autor nao vai preso pois paga fiança, mas tb nao devolve o dinheiro desviado…coisas de Brasil…

Deixe uma resposta