Acidente com ônibus. De quem é a culpa? Treinamento mostra que este não deve ser o principal fator a ser levado em conta

treinamento motorista de ônibus

Ônibus da Região Metropolitana de Curitiba. Palestras e treinamentos constantes das empresas da capital paranaense e municípios vizinhos visam um trânsito mais seguro. Companhia de ônibus instrui motoristas que muito mais que saber de quem é ou não a culpa, o importante é agir para evitar as ocorrências de trânsito. Foto: Adamo Bazani.

Setransp e empresas de ônibus de Curitiba e região intensificam ações para redução de acidentes
Entidade que reúne companhias de ônibus promoveu palestra para instrutores de tráfego. Empresa reúne motoristas envolvidos em ocorrências para dar orientações e mostrar que muito que saber de quem é ou não a culpa do acidente, o importante é tentar evitá-lo
ADAMO BAZANI – CBN
A segurança no trânsito depende de conscientização constante dos diversos agentes envolvidos, sejam pedestres, ciclistas, motociclistas, motoristas amadores e motoristas profissionais.
No caso dos condutores profissionais, em especial os motoristas de ônibus, a atenção deve ser ainda maior pelo fato de eles terem sob sua responsabilidade dezenas e até centenas de vidas de uma só vez, visto que dependendo do porte, os veículos de transporte coletivo podem transportar de 50 (micro-ônibus) até 250 (biarticulados) pessoas.
Palestras, trocas de ideias, dinâmicas e atividades de reciclagem dos conhecimentos são essenciais. Por que reciclagem de conhecimento? Porque o trânsito é algo dinâmico como a sociedade. Se o comportamento na sociedade muda, é claro que o trânsito também vai mudar.
O Setransp – Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana promoveu uma palestra destinada a instrutores de tráfego das companhias de ônibus sobre a realidade atual do trânsito da capital paranaense e das cidades vizinhas.
Foram expostos números atuais para mostrar aos instrutores as maiores incidências de acidentes e como evitá-los.
A palestra foi ministrada pelo diretor da Escola Pública de Trânsito, da Secretaria Municipal de Trânsito (Setran), Cassiano Ferreira Novo, que enfatizou o número de ocorrências envolvendo pedestres.
De 86 mortes por atropelamento no ano passado em Curitiba, o automóvel esteve presente em 45, seguido de ônibus (15), motocicleta (9), ignorado, ou seja, não foi possível apurar (8), caminhão (6) e trem (3).
Em Curitiba, o total de mortes no trânsito em 2013 caiu 14% em relação ao ano de 2012. Foram 263 mortes no ano retrasado contra 226 em 2013, quando 86 mortos eram pedestres, 76 ocupantes de motocicleta, 46 de automóvel, 14 de bicicleta, 3 de caminhão e 1 era ocupante de ônibus.
DE QUEM É A CULPA? PARA O TREINAMENTO, NÃO É O PRINCIPAL FATOR:
Quando ocorre um acidente de trânsito, logo uma das questões para diagnóstico dos problemas e registros de ocorrência é sobre de quem foi a culpa.
No entanto, na visão do instrutor de tráfego da Leblon Transporte de Passageiros e da Viação Nobel, Altair de Lima Mazur, que participou da palestra de segurança do trânsito promovida pelo sindicato das empresas de Curitiba e Região Metropolitana – Setransp, é importante sim determinar os culpados num acidente. Mas este não deve ser o principal fator a ser considerado num treinamento de motorista profissional porque o mais importante é instruir como evitar o acidente.
“Sempre procuramos mostrar aos motoristas no Grupo Leblon que o fato de não haver culpa não tira a responsabilidade total do condutor profissional. Afinal, ele recebe o preparo e possui a experiência que os demais motoristas no trânsito não têm. Mostramos também que, justamente por causa disso, sentir-se seguro ao volante é bom, mas o excesso de autoconfiança é extremamente perigoso. Trânsito requer cautela, precaução e os motoristas profissionais devem sempre conseguir prever as piores situações para evitá-las. Não basta apenas dizer: Eu não fui culpado” – explica Altair de Lima Mazur, que considerou positiva a iniciativa do Setransp em promover a palestra que, na visão dele, trouxe dados atuais e importantes para novos treinamentos nas empresas de transporte de passageiros.
Nesta terça e quarta feiras, dias 21 e 22 de outubro, o Grupo Leblon reune motoristas que foram alvos de reclamações por parte de passageiros ou se envolveram neste ano em alguma ocorrência de trânsito na qual não tiveram culpa.
O objetivo é discutir as situações em cada caso e poder evitar outros novos.
“Queremos aumentar a segurança e a satisfação dos passageiros, da comunidade em geral e dos próprios motoristas e cobradores. O intuito destes treinamentos, em relação às ocorrências de trânsito, não é punitivo, afinal, o motorista não teve culpa. Mas é discutir com ele, numa franca troca de ideias de forma democrática e dando a ele oportunidade de falar, como a ocorrência poderia ser evitada independentemente de quem foi culpado. Com isso, não apenas ajudamos na formação constante de bons motoristas de ônibus, mas de motoristas-cidadãos. Afinal, estes profissionais do volante também conduzem seus carros de passeio e suas motocicletas. Não é porque o profissional não está dirigindo um veículo de 13, 18, 28 metros de comprimento que ele deve se tornar menos cauteloso quando está à frente de um veículo menor” – diz Altair de Lima Mazur, que acrescenta.
“O ônibus não é uma máquina em si. É um veículo a serviço das pessoas. Nós do Grupo Leblon temos esta ideia de servir. E para isso, é importante sempre investir na qualificação dos funcionários, aos quais classificamos como colaboradores, para que toda a sociedade seja atendida com a qualidade que merece. Acreditamos que o investimento no funcionário é o melhor que uma empresa pode fazer.” – complementa.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

2 comentários em Acidente com ônibus. De quem é a culpa? Treinamento mostra que este não deve ser o principal fator a ser levado em conta

  1. Ah se toda empresa de ônibus pensasse como a Lebon. Para mim está perfeito este raciocínio. Tem motorista que só porque a culpa não é dele, ele lava as mãos. Mas ele é o profissional, será que ele poderia ter evitado este acidente?
    Perfeita a abordagem.
    Como seria bom mais treinamentos com esta linha adotada pela Leblon. Sou de São Paulo, mas acompanhei aqui no site e em outros lugares: burrada esta de Mauá perseguir e tirar a Leblon.
    Pena que nos transportes não basta tentar ser bom. Tem de pagar por fora para permanecer.
    Grato

  2. Seria melhor ainda se todos (sobretudo pedestres, que são os que mais desrespeitam as regras) tivessem esse pensamento…

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