Vendas de ônibus têm queda de 13,99% no acumulado de nove meses deste ano

ônibus de dois anadares

Economia fraca no País e problemas relacionados ao setor de transportes fazem com que vendas de ônibus acumulem queda significativa entre janeiro e setembro na comparação com semelhante período do ano passado. Foto: Adamo Bazani.

Vendas de ônibus acumulam queda de 13,9% no acumulado de nove meses em 2014
Entre agosto e setembro, houve uma reação que não foi suficiente para reverter os números negativos
ADAMO BAZANI – CBN
O mercado de ônibus ainda acumula números negativos neste ano.
Segundo balanço da Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, divulgado nesta quarta-feira, dia 1º de outubro de 2014, as vendas de ônibus no acumulado entre janeiro e setembro deste ano tiveram queda de 13,99% em comparação com o mesmo período de 2013.
Neste ano, de acordo com a entidade, foram vendidos 22 mil 372 ônibus ante 26 mil 011 nos nove primeiros meses do ano passado.
Se forem comparados setembro de 2014 e setembro de 2013, a queda é de 15,35%. No nono mês deste ano, foram vendidos 2 mil 498 ônibus. Em setembro do ano passado, foram comercializados 2 mil 951 veículos de transporte coletivo.
Entre agosto e setembro deste ano, houve uma pequena reação. Alta de 3,35% que não foi suficiente para reverter o quadro negativo do setor. Enquanto em setembro, as concessionárias colocaram no mercado 2 mil 498 ônibus, em agosto foram 2 mil 417 unidades.
São vários os motivos que explicam a baixa acumulada.
A economia brasileira não vai bem. Há risco de aumento de inflação sem crescimento econômico. Nova projeção sobre o PIB – Produto Interno Bruto revela que a economia brasileira deve ter crescimento quase nulo, abaixo de um por cento.
Isso inviabiliza os investimentos em diversos setores. Quando a economia está aquecida, há um maior nível de empregos, os deslocamentos nas cidades aumentam, assim como mais pessoas procuram viajar e participar de atividades turísticas. As empresas começam a investir mais, ampliando a necessidade de transporte de trabalhadores. Todos estes fatores influenciam diretamente nas vendas de ônibus para fretamento, transporte urbano e para viagens rodoviárias.
O segmento de ônibus é considerado por analistas financeiros um dos termômetros de como vai a economia de um País.
Além disso, há fatores específicos do mercado de ônibus.
As empresas dizem que os congelamentos das tarifas, após as manifestações em junho do ano passado, não permitiram o crescimento da arrecadação dos sistemas de transportes. No entanto, os custos continuaram aumentando, como reajustes salariais dos rodoviários, preço do diesel, dos lubrificantes, peças, equipamentos e dos próprios ônibus. Mesmo em sistemas onde existem subsídios, os empresários alegam que as complementações não são suficientes para grandes renovações e não há ambiente confortável para investimentos. Eles também alegam que nem todas as cidades possuem condições de subsidiar os transportes, o que agrava a situação.
Além disso, há problemas também relacionados às licitações de grandes sistemas urbanos, como o de São Paulo, que conta com aproximadamente 15 mil veículos de transportes coletivos. Também após as manifestações, que exigiam redução de 20 centavos nas tarifas e mais transparência nas planilhas de custos das empresas, a licitação prevista para 2013 foi cancelada e só deve ser retomada após a conclusão de uma auditoria sobre o sistema que vai custar aos cofres públicos R$ 4 milhões. A empresa Ernest & Young deve concluir os trabalhos neste mês de outubro. A previsão inicial era julho.
Não pode ser esquecida a decepção que foi a Copa do Mundo no Brasil em 2014 não só pelo futebol, mas também sobre o legado prometido pelo Governo Federal.
Boa parte das obras não ficou pronta e uma parcela significativa delas é voltada para a mobilidade urbana, setor que sofre os maiores atrasos.
MARCAS:
Em relação ao ranking das marcas e a participação de cada uma delas no mercado, não houve alterações significativas, de acordo com o balanço da Fenabrave. Os dados são do acumulado do ano:
1º Mercedes-Benz – 10.788 ônibus – 48,22% de participação no mercado
2º Volkswagen/MAN – 5.221 ônibus – 23,34% de participação no mercado
3º Marcopolo/Volare – 3.424 ônibus – 15,30% de participação no mercado
4º Volvo- 1.245 ônibus – 5,56% de participação no mercado
5º Scania- 708 ônibus – 3,16% de participação no mercado
6º Agrale – 489 ônibus – 2,19% de participação no mercado
7º Iveco – 442 ônibus – 1,98% de participação no mercado
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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