VLT de Cuiabá vai trazer prejuízos de R$ 73,8 milhões por ano, diz estudo da CGU

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VLT de Cuiabá vai ser deficitário, aponta estudo da Controladoria Geral da União que criticou governo do estado do Mato Grosso por não optar por BRT. Governo admite prejuízo, mas em valor menor por causa de integração com o sistema de ônibus.

Operação do VLT de Cuiabá vai gerar prejuízo mensal de R$ 1,64 milhão, diz CGU
Órgão federal faz duras críticas ao governo do estado de Mato Grosso por trocar BRT por VLT. Secopa se defende e diz que estudo analisa VLT de forma isolada, mas admite que sistema é deficitário
ADAMO BAZANI – CBN
Com informações G 1 Mato Grosso e TV Centro América
Um prejuízo mensal de R$ 1,64 milhão é o que deve gerar a operação do VLT – Veículo Leve sobre Trilhos entre Várzea Grande e Cuiabá, no estado de Mato Grosso.
É o que mostra um relatório técnico da CGU – Controladoria Geral da União com base em dados de diversas fontes, como fiscalizações independentes das obras, informações de órgãos do governo do estado do Mato Grosso e análises do projeto licitado pela Secopa – Secretaria Extraordinária da Copa, pasta estadual. O modal deveria ficar pronto até a Copa do Mundo, em junho deste ano.
A análise técnica da CGU faz duras críticas à decisão do governo do Mato Grosso em escolher o VLT como modal de transporte para a ligação. A primeira opção, que foi trocada pelo Estado, era um sistema de corredores de ônibus de trânsito rápido – BRT (Bus Rapid Transit).
Na nota, a CGU classifica como equivocada a troca de BRT por VLT:
“A escolha do VLT em relação ao BRT (…) foi uma escolha equivocada que tende a apresentar impactos negativos ao erário”
O estudo também teve como base as informações de custos enviadas pelos órgãos gestores e financiadores do VLT. Os valores das obras são muito superiores ao custo do BRT para um atendimento semelhante de número de passageiros, segundo o parecer técnico.
A nota ainda diz que levando em consideração os insumos implantados para a operação de um sistema que é mais complexo e os custos de manutenção, o VLT – Veículo Leve Sobre Trilhos vai custar mensalmente R$ 6,1 milhões para ser operado.
Contabilizando as receitas, em especial a de tarifas, os valores não seriam suficientes para cobrir os custos, o que resultaria, de acordo com os cálculos da GCU, este prejuízo mensal de R$ 1,64 milhão.
Com base no estudo técnico da Controladoria Geral da União, por ano o prejuízo da operação do VLT será de R$ 73,8 milhões.
Se fosse mantido o projeto original de corredores de ônibus em vez de VLT, o sistema custaria em vez de R$ 6,1 milhões, um valor bem inferior: R$ 3,5 milhões por mês.
Para ser construído, o VLT de Cuiabá consome R$ 1,5 bilhão. O custo do BRT seria de R$ 600 milhões atendendo demanda semelhante.

SECOPA CONTESTA NÚMEROS DA CGU, MAS ADMITE PREJUÍZO:
A Secopa contesta o estudo da Controladoria Geral da União e afirma que os estudos não levam em conta a integração do VLT com os ônibus que já operam a região metropolitana de Cuiabá.
Mesmo assim, levando em consideração a interligação com os ônibus, o VLT do ponto de vista financeiro ainda não seria vantajoso, causando prejuízos de R$ 991 mil por mês.
Ou seja, os ônibus diminuiriam os déficits causados pelo VLT, no entanto, o modal continuaria trazendo impactos negativos aos cofres públicos.
Em entrevista ao G1 Mato Grosso e à TV Centro América, o assessor técnico de mobilidade urbana da Secopa, Rafael Detoni, diz que “a grande maioria dos sistemas de metrô implementados pelo poder público no mundo são deficitários por natureza.”.
Ele também ironizou os estudos comparando o VLT de Cuiabá com o Metrô de São Paulo:
“Desafio qualquer um a trazer para mim um exemplo de sistema ferroviário que seja superavitário. Senão, temos de suspender o metrô de São Paulo”, ironizou.
Ele também disse que nos sistemas de transportes, sempre a tarifa técnica (que corresponde aos custos de cada passageiro) é maior que a tarifa cobrada nas estações e afirmou que o Governo do Estado do Mato Grosso já está subsidiando o VLT porque o poder público já está bancando os custos das obras e não a concessionária que vai operar o sistema.
A forma de concessão para a operação ainda vai ser definida.
Rafael Detoni ainda disse que a tarifa única da região metropolitana de Cuiabá será em torno de R$ 2,99.
Ele reconheceu que o sistema de ônibus é superavitário e vai ajudar a reduzir os déficits ocasionados pela operação do VLT.
“A tarifa única na região metropolitana consistirá na média dos custos por passageiro no VLT e no sistema de ônibus. Por acumular tecnologia diferenciada e abranger os custos de manutenção de viadutos e trincheiras em seu trajeto, o VLT naturalmente possui custo individual mais elevado, mas que deverá ser balanceado pelo custo mais baixo do sistema de ônibus (que é superavitário).” – diz a reportagem.
TARIFA SUBIU 386%:
O VLT vai provocar tarifas mais altas para os passageiros de acordo com a CGU com base nas informações do próprio governo do estado que abandonou o projeto de corredores de ônibus.
Em 2011, a Secopa disse que o custo por passageiro do VLT seria de R$ 0,80. Este ano, a projeção já é de R$ 3,89. E a tendência é de ser maior ainda até a inauguração.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes
Com informações G1 Cuiabá e TV Centro América

3 comentários em VLT de Cuiabá vai trazer prejuízos de R$ 73,8 milhões por ano, diz estudo da CGU

  1. Adamo, o problema no Brasil e que todos os cálculos são imediatistas, pelo que vejo o VLT e um sistema elétrico, quer dizer já nasceu atual, energia limpa e futuristica, e no futuro acredito que se adeque a realidade do local, precisamos parar de escolher sempre o mais barato, o que é 1 bilhão se perdemos mais de 200 bilhões com a corrupção no Brasil, acredito que prejuízo mesmo e terem gasto 1 bilhão num estadio de futebol que vai ficar as moscas, em termos de gasto mesmo que mal projetado, pelo menos foi a favor da população, agora na hora de projetarem o custo a R$ 0,80 por passagem, e na hora que termina fica R$ 3,80, ai sim e um absurdo, que so se explica por pura ma fé.

  2. Impressionante o nível de oportunismo canalha em torno deste VLT.
    Resta esperar que após as eleições surjam avaliações/análises das obras que permitam saber/entender o que realmente acontece.

    Os argumentos e justificativas insistentemente divulgados pela mídia local não resistem a mais simples avaliação de quem conhece minimamente modais de transporte público coletivo.

  3. Amigos, boa noite.

    Colocar o cadeado depois que a porta foi arrombada e pura perda de tempo, so resultando em mais prejuizo ainda, uma vez que o prejuizo nunca mais sera recuperado, pelo contrario, aumentara em funcao do tempo e da ineficiencia da gestao operacional.

    Afinal, so esse pode ser o resultado esperado.

    Att,

    Paulo Gil

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