Ônibus cada vez mais conectados

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Ônibus com Wi-Fi da Viação Campo Belo, que atende zona Sul da Capital Paulista. Sistemas de acesso à internet no transporte público precisam evoluir e há ainda poucas cidades com essa possibliidade, mas com as mudanças de hábitos dos passageiros e popularização dos celulares com internet, os serviços tendem a ficar cada vez mais comuns e devem fazer parte em breve as exigências de quem usa transporte coletivo. Foto – Divulgação SPUrbanuss/Viação Campo Belo – Matéria: Adamo Bazani.

Ônibus e internet cada vez mais conectados
Sistemas ainda não são ideais e apresentam instabilidades, mas são avanços que mostram uma nova exigência dos passageiros
ADAMO BAZANI – CBN
Pode até parecer irônico destacar o fato de que alguns sistemas de ônibus testam ou oferecem já de forma consolidada internet gratuita no transporte urbano enquanto em diversas regiões do País, inclusive as mais lucrativas do ponto de vista operacional, são marcadas por falta de prioridade ao transporte coletivo no espaço urbano, atrasos, superlotação, operações sem contratos de licitação básicos ou após processos licitatórios conturbados, polêmicos ou com suspeitas de direcionamento.
Mas os transportes devem seguir as exigências e as realidades sociais.
Com o acesso mais fácil a dispositivos móveis, como celulares mais modernos com acesso à internet, os hábitos da população têm mudado e hoje ver um e-mail, atualizar um perfil numa rede social ou usar aplicativos de trocas de mensagens de qualquer lugar faz parte do dia a dia das pessoas.
Por isso, a quantidade de sistemas de ônibus que estão testando ou já oferecem os serviços de acesso à internet grátis tem aumentado e se tornado um negócio em ascensão no segmento.
Boa parte das conexões apresenta diversas instabilidades: sinal fraco, limitações para “navegar” pelos sites, quedas nas redes ou lentidão para abrir uma página. Tudo isso faz parte da realidade de quem depende da internet no ônibus.
Mesmo assim, o passageiro sente o diferencial e aprova a possibilidade de poder conectar-se com o restante do mundo (apesar de, ironicamente também estar cercado de pessoas), tendo a esperança de que futuramente as conexões serão melhores.
Exemplos de sistemas de ônibus conectados à rede mundial não faltam.
Em Santos, no Litoral Paulista, toda a frota de ônibus municipais operada pela Viação Piracicabana já conta com o chamado “wi-fi”.
No ABC Paulista, os passageiros que usam o Terminal João Setti, no centro de São Bernardo do Campo, podem se conectar a rede sem cadastro. Ao menos 25 ônibus articulados modelo Caio Millennium BRT Mercedes-Benz O 500 UA, da SBCTrans, operadora exclusiva da cidade, também oferecem serviço de internet.
Na Capital Paulista, apesar de ser o maior sistema de ônibus da América Latina, são poucos os veículos que oferecem acesso à rede mundial de computadores e as conexões estão em fases de testes ainda.
Houve experimentações em linhas como 6030-10 Unisa Campos I/Terminal Santo Amaro, 509M-10 Jardim Miriam-Princesa Isabel e agora são realizadas em quatro veículos superarticulados operados pela Viação Campo Belo de um lote de 20 veículos com ar-condicionado para as linhas 809P – Terminal Campo Limpo – Pinheiros e 857P – Terminal Campo Limpo – Paraíso.
Em cada um destes novos veículos, o Wi-Fi “suporta” até 46 acessos simultâneos. Cada ônibus superarticulado pode transportar de uma só vez de 180 a 200 passageiros.
Na cidade de Campinas, no Interior Paulista, também há veículos com o sistema.
Em Blumenau, Santa Catarina, um convênio entre o Consórcio Siga e a prefeitura permite Wi-Fi nos terminais de ônibus.
Há outros caso já concretizados ou ainda sendo testados.
Ainda sobre os transportes urbanos, o uso da internet não serve apenas para entretenimento ou extensão do trabalho do passageiro. Com uma série de aplicativos que informam dados como linhas de ônibus, pontos, terminais, horários e referências por onde passam os veículos, o acesso à internet torna-se também um complemento dos serviços inseridos dentro das atividades dos transportes.
O maior entrave para que as conexões não sejam melhores não é nem a questão técnica. Os veículos podem receber equipamentos modernos e há redes disponíveis. Não se pode negar, entretanto, que do ponto de vista tecnológico, há necessidade de muita evolução.
Mas uma vez o problema é o custo de instalação, operação e uso das redes.
Na grande parte dos casos onde o acesso já é algo real ou ainda está em teste, os financiamentos vêm pela iniciativa privada, seja pelas companhias de ônibus ou mesmo por empresas de tecnologia interessadas em desenvolver novos sistemas e estarem preparadas para o crescimento deste mercado.
RODOVIÁRIOS:
Já os ônibus rodoviários oferecem acesso à internet há mais tempo que os urbanos.
Normalmente é possível se conectar gratuitamente, mas é necessário ter a senha que é disponibilizada nos veículos.
O sinal também não é dos melhores, mas funções básicas como ver um e-mail rapidamente ou usar uma ferramenta de conversação podem ser acessadas sem dificuldades.
Como os veículos rodoviários fazem linhas longas e muitas vezes passam em locais sem estrutura para internet, como áreas rurais, de serras e distantes de centros urbanos, o passageiro de ônibus deste tipo não deve esperar que seja possível dar uma olhadinha em algum site em qualquer momento da viagem.
Algumas empresas de ônibus de serviços rodoviários investiram em aplicativos onde é possível comprar passagens, consultar linhas e horários e até mesmo saber um pouco da história da companhia, como é o caso da Viação Cometa.
De uma maneira geral, os aplicativos das viações poderiam ser melhores, mas o que está ocorrendo com os rodoviários e com os urbanos é visto por especialistas em tecnologia como um bom sinal (sem trocadilhos), já que a tendência é de que o passageiro, mesmo que indiretamente, comece a exigir estes serviços nos ônibus.
Afinal, hoje um número significativo de passageiros possui celular com internet. Aliás, esta matéria pode, inclusive, estar sendo lida neste momento a bordo de algum ônibus.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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