Ônibus rodoviários impedem queda maior na produção acumulada do ano

ônibus

Produção de ônibus rodoviários registra bom desempenho, mas segmento de urbanos puxa a indústria para baixo. Foto: Adamo Bazani.

Produção de ônibus cai no acumulado do ano, mas agosto registra recuperação
Segmento rodoviário traz mais otimismo e cresceu quase 200% entre julho e agosto
ADAMO BAZANI – CBN
Agosto pode ser considerado o mês dos ônibus rodoviários em 2014 até agora, a não ser que seja superado pelos próximos meses.
Pelo menos é o que revela o balanço de produção divulgado nesta quinta-feira, dia 04 de setembro de 2014 pela Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.
A produção deste tipo de ônibus cresceu 198,5% em agosto na comparação com julho. Foram 1.779 unidades no oitavo mês do ano ante 596 ônibus produzidos no mês anterior. Se forem comparados o mês de agosto de 2014 e o mês de agosto de 2013, o crescimento foi ainda mais expressivo: 380,8%. Se em agosto deste ano foram feitos pelas indústrias filiadas a Anfavea, 1.779 ônibus rodoviários, em igual mês do ano passado, a indústria produziu somente 370 veículos.
O fim da queda de braço entre empresas de ônibus e Governo Federal em relação à licitação da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres que abrangeria quase 2 mil linhas interestaduais e internacionais acima de 75 quilômetros de extensão é um dos fatores que explicam este número positivo.
A licitação era para ser realizada em 2008, quando venciam as permissões provisórias que regiam a maior parte das linhas. Mas as empresas de ônibus não aceitavam o modelo da ANTT, que estipulava uma frota segundo as companhias menor do que a necessária e dividia o sistema em 56 lotes dentro de 18 grupos, o que, ainda de acordo com as companhias de ônibus, poderia desestruturar serviços estabelecidos há décadas.
Na queda de braço, as empresas de ônibus venceram. A ANTT agora vai conceder as linhas por meio de autorizações individuais, com características semelhantes ao setor aéreo.
Os empresários que estavam receosos sobre a licitação, após ela ser abolida, foram às compras.
Soma-se a isso o fator de algumas frotas já estarem ficando muito velhas o que também forçou as renovações.
No acumulado do ano, a produção dos ônibus rodoviários acumula alta significativa também : 20,3%.
Entre janeiro e agosto de 2013, a indústria nacional de ônibus fabricou 4.478 rodoviários ante 5.387 nos oito meses de 2014.
URBANOS AINDA ESTÃO ANDANDO DE RÉ:
Já em relação aos ônibus urbanos, o cenário é bem diferente.
O segmento registra queda de 13,7% no acumulado deste ano até agosto. De janeiro a agosto de 2014, foram feitos 20.823 urbanos. Nos oito primeiros meses do ano passado, a indústria fez 24.139 ônibus urbanos.
Entre julho e agosto deste ano, a produção de ônibus urbanos registrou alta de 4,3%. Em agosto saíram das fábricas 2.366 ônibus urbanos enquanto que em julho foram 2.268 unidades. Já na comparação entre os meses de agosto, a queda foi de 19,4% já que no oitavo mês do ano passado foram feitos 2.936 veículos para os transportes com características urbanas.
Os números são explicados por diversos fatores conjunturais macroeconômicos, como a desaceleração de toda a economia brasileira, e por realidades específicas à indústria de ônibus.
As obras de mobilidade para a Copa do Mundo de 2014 ficaram na promessa. A minoria foi entregue, o que significou produção e venda abaixo do que o mercado esperada.
O congelamento das tarifas de ônibus ocorrido após as manifestações de junho do ano passado ainda surte reflexo na indústria. Os empresários dizem que, mesmo os sistemas com subsídios, não têm oferecido o retorno financeiro e a segurança para a compra de veículos novos já que outros custos, como salários, peças e óleo diesel continuaram subindo. Algumas tarifas estão com os mesmos valores desde 2011 e 2012.
Além disso, há problemas em várias licitações, como em São Paulo, cuja frota é de 15 mil ônibus, que deveria ser realizada em 2013, mas também após as manifestações, foi cancelada para auditorias nas contas do sistema.
PRODUÇÃO GERAL DE ÔNIBUS:
Como o número de ônibus urbanos, com o segmento em queda, representa a maior parte da produção da indústria brasileira de veículos de transporte coletivo, o desempenho geral do setor é empurrado para baixo.
No acumulado do ano, entre janeiro e agosto, foram produzidos 26.210 ônibus, número 8,4% inferior às 28.617 unidades de semelhante período do ano passado.
De julho a agosto deste a alta na produção geral de ônibus foi de 44,7% indo de 2.864 veículos de transporte coletivo urbano ou rodoviário para 4.145 unidades, que por sua vez, representam alta de 25,4% diante dos 3.306 ônibus produzidos em agosto do ano passado.
LICENCIAMENTOS E MARCAS:
Se a produção geral de ônibus acumula queda de 8,4% nos oito primeiros meses deste ano, os licenciamentos registram baixa de 16,5%, segundo a Anfavea.
Neste ano, de janeiro a agosto foram licenciados 17.782 ônibus e em igual período do ano passado, o número foi de 21.298 unidades.
Em relação às marcas e modelos, o ranking de licenciamento do acumulado de 2014 até agosto é o seguinte:
1º) Mercedes-Benz: 7.817 ônibus – queda de 5,5% em relação ao ano passado
2º) MAN/Volkswagen: 4.647 ônibus – queda de 24,5% em relação ao ano passado
3º) Agrale – incluindo minionibus Volare: 3.194 ônibus – queda de 18,4% em relação ao ano passado
4º) Volvo: 1.051 ônibus – queda de 12,9% em relação ao ano passado
5º) Scania: 636 ônibus – queda de 15,5% em relação ao ano passado
6º) Iveco: 406 ônibus – queda de 57,7% em relação ao ano passado
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

1 comentário em Ônibus rodoviários impedem queda maior na produção acumulada do ano

  1. Amigos, boa noite.

    Bem lembrado, a auditoria.

    Ja foi concluido o relatorio final ?

    Quando sera publicado o resultado final ?

    Att,

    Paulo Gil

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