Opinião. Teve Copa! E agora?

Copa do Mundo no Brasil

Shakira no show de encerramento da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Mundial felizmente não foi catastrófico, mas o deixado foi muito inferior ao prometido, ainda mais na área de mobilidade urbana. Foto:Shakiramedia

Teve Copa. E agora?
Obras de mobilidade estão atrasadas, mas ainda devemos cobrar o que nos venderam como legado
ADAMO BAZANI – CBN
Deixando o fiasco da equipe de Luiz Felipe Scolari de lado, a Copa do Mundo no Brasil não foi aquela maravilha anunciada pelo Governo Federal, mas felizmente não foi a tragédia alardeada por diversas correntes de opinião.
Fatos lamentáveis ligados a Copa ocorreram, como o desabamento de um viaduto do BRT – Bus Rapid Transit MOVE, em Belo Horizonte, matando duas pessoas que estavam num micro-ônibus. O BRT MOVE, mesmo ainda não concluído, faz parte dos investimentos prometidos para o mundial.
De uma maneira geral, os transportes públicos não foram caóticos, como previam os mais catastrofistas, mas poderiam ser melhores.
Nos aeroportos, nada de apagão aéreo. Mas longe do conforto dos terminais de diversos países.
Na área da segurança pública, também não houve caos. Mas um jornalista argentino morreu ao ter o táxi atingido por outro veículo que fugia da polícia, furtos, roubos e vandalismo foram registrados.
Os turistas estão indo embora. E nós, como ficamos?
Levantamento de O Estado de São Paulo mostra que o legado da Copa para o cidadão será menor do que o anunciado pelo Governo Federal e mais caro.
As 83 obras de mobilidade urbana, estádios, aeroportos e portos custariam nas 12 cidades-sede R$ 23,5 bilhões. Mas só 71 obras permaneceram na lista e as que foram entregues ou estão inacabadas já custaram R$ 29,2 bilhões.
A área de mobilidade urbana foi a pior. De 50 projetos, 32 foram mantidos. A previsão era de R$ 8 bilhões de investimentos para corredores de ônibus, trens e metrô. Mas destes recursos, apenas R$ 3,04 bilhões foram empenhados, saíram do papel.
Obras como de VLT – Veículos Leves sobre Trilhos e monotrilhos, mais complexas e caras, foram as que mais decepcionaram. Exemplos dos VLTs de Brasília e Manaus e do monotrilho da linha 17, que chegou a ser incluído nas previsões para a Copa, por atender a região do aeroporto de Congonhas. Nas construções desta linha, também uma viga caiu e matou um operário.
Mas houve atrasos nos corredores de ônibus BRTs também, como de Porto Alegre e até em Curitiba, conhecida por ser pioneira neste tipo de transporte.
Na África do Sul, também houve atrasos, mas depois da Copa, as obras continuaram e a rede de BRT e trem rápido trouxe benefícios sentidos hoje pela população.
E é isso que deve acontecer. O dinheiro já foi liberado e boa parte das obras já começou. Então, que terminem com qualidade.
Que a sociedade saiba cobrar.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

3 comentários em Opinião. Teve Copa! E agora?

  1. É o Princípio dos Vasos Comunicantes : Passa de um bolso para outro…

  2. Amigos, boa noite

    O importante é que tanto o viaduto do BRT de MG MOVE e a viga do Aerotem ta,bém MOVE.

    Agora é só MOVE os buzões novos e VAMOVE os Apachezinhos baleadaços e Encardidaços voltando todos repintados as ruas.

    Sem esquecer que a seleção é 10 !

    7 + 3 = 10

    Mais uma PREVISÍVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Att,

    Paulo Gil

  3. Ótimo texto, Ádamo.
    Na medida.

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