Opinião: Apesar de defeitos, Plano Diretor é avanço ao ligar crescimento imobiliário à transporte público

Plano Diretor Estratégico

Ônibus urbano. Plano Diretor Estratégico liga crescimento imobiliário à oferta de transportes. Apesar de defeitos, modelo do PDE é considerado avanço para a cidade. Foto: Adamo Bazani.

Opinião – Apesar de defeitos, Plano Diretor acerta ao ligar crescimento imobiliário à oferta de transportes públicos
Para ser colocado em prática, no entanto, PDE depende da aprovação de outra lei
ADAMO BAZANI – CBN
Trocadilhos à parte, foi um parto! Após 9 meses, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou nesta segunda-feira, dia 30 de junho de 2014 o PDE/SP – Plano Diretor Estratégico de São Paulo, que vai definir como a cidade deve crescer nos próximos 16 anos.
No entanto, para ser colocado em prática, o PDE depende ainda de mais uma aprovação dos vereadores: da Lei de Uso e Ocupação do Solo – LUOS, que deve chegar à Câmara até o final de agosto.
E esta lei está relacionada diretamente à mobilidade urbana.
Em linhas gerais, o PDE quer aproximar as moradias e adensar as áreas onde há oferta de transporte público de massa, como as regiões onde serão instalados corredores exclusivos para ônibus e que já contam com linhas do metrô e da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.
Nestas áreas poderão ser construídos edifícios altos, mas com poucas vagas nas garagens.
A quantidade de andares e mesmo de prédios em cada região da cidade vai ser definida justamente pela Lei de Uso e Ocupação do Solo.
A demora para a aprovação se deu por vários motivos: pressões de grupos sociais de caráter político, como o MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, por posicionamento partidário dos vereadores e também pelo fato de diversos pontos do Plano Diretor realmente precisarem de melhorias.
Apesar de não ter plenamente conseguido satisfazer todos os parlamentares, inclusive os que votaram favoráveis, mas contrariados, os vereadores consideraram o PDE um avanço para a cidade, em especial no tocante à mobilidade urbana.
Para a maior parte dos parlamentares municipais, apesar de alguns aspectos poderem ter recebido melhorias, é vista como positivo o modelo de ligar o crescimento imobiliário à oferta de ônibus, trens e metrô.
Além disso, a contrapartida de 30% da outorga paga pelas construtoras que, com autorização da prefeitura, extrapolarem as dimensões máximas dos empreendimentos em cada região, para financiar corredores de ônibus é considerada outro avanço.
A lógica é simples. Perto de corredores de ônibus, é certeza de lucro para as construtoras e imobiliárias. Afinal, os imóveis já vão nascer com estímulos quanto à facilidade de construção e certeza de que serão vendidos rapidamente e por um bom valor. Ou seja, o corredor de ônibus vai trazer lucro para as construtoras. Então, nada mais justo que elas revertam parte deste lucro para estas estruturas (corredores) que vão ajudar no ir e vir das pessoas.
E mobilidade não é só transporte coletivo. O principal meio de descolamento na cidade é ainda a caminhada.
Pelo Plano Diretor, os espigões de moradias perto de corredores de ônibus devem ceder 3 metros de área construída para calçadas. Já ao longo dos corredores, a calçada deve ser de 5 metros de largura.
Além disso, os prédios perto dos espaços exclusivos para ônibus não devem ter muros, mas grades ou saídas diretas para a rua para minimizar o impacto visual, já que os corredores também devem ser integrados a área urbana, com canteiros arborizados e ciclovias.
O Plano Diretor ainda limita a oito andares, as edificações em áreas residenciais e fora dos eixos dos transportes.
O PDE na verdade é um substitutivo apresentado pela Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente, e recebeu o voto favorável de 44 vereadores e oito contrários.
A cidade precisa de uma descentralização econômica. O modelo pelo qual o morador precisa cruzar todo o município para trabalhar não funciona mais. O PDE erra ao ser tímido em relação a isso. Poderia haver mais ousadia e incentivo, já que por maior que seja a oferta de transportes, sem descentralização não há conjunção de modais que dê conta da demanda.
É o caso da ligação Leste – Centro. A linha 3 Vermelha do Metrô está saturada, as linhas 11 e 12 da CPTM operam com quase toda a capacidade e um corredor de ônibus na Radial Leste é mais que necessário. Mas mesmo com uma linha de metrô, duas de trem e um corredor de ônibus, ainda sim a demanda pressionará os meios de transportes. Assim, para o bem da mobilidade urbana, se parte dos moradores da zona Leste conseguir emprego e renda na própria zona Leste, mesmo que usem apenas ônibus alimentadores, já haveria benefícios grandes.
Tais moradores se deslocariam para o centro eventualmente, como para passear, freqüentar equipamentos de cultura e realizar compras.
O mesmo ocorre na zona Sul de São Paulo, onde no seu extremo, a oferta de transporte público, apenas com ônibus sem corredores de fato, já mostra ser insuficiente.
CONFIRA A LISTA DOS VEREADORES E AS VOTAÇÕES:
Vereador Partido Voto
Adilson Amadeu PTB Sim
Alfredinho PT Sim
Andrea Matarazzo PSDB Não
Ari Friedenbach PROS Não votou
Arselino Tatto PT Sim
Atílio Francisco PRB Sim
Aurelio Miguel PR Sim
Aurélio Nomura PSDB Não
Calvo PMDB Sim
Claudinho de Souza PSDB Não
Conte Lopes PTB Sim
Coronel Camilo PSD Sim
Coronel Telhada PSDB Não
Dalton Silvano PV Sim
David Soares PSD Sim
Donato PT Sim
Edir Sales PSD Sim
Eduardo Tuma PSDB Sim
Eliseu gabriel PSB Sim
Floriano Pesaro PSDB Não
George Hato PMDB Sim
Gilson Barreto PSDB Sim
Goulart PSD Sim
Jair Tatto PT Sim
José Américo PT Sim
José Police Neto PSD Sim
Juliana Cardoso PT Sim
Laércio Benko PHS Sim
Marco Aurélio Cunha PSD Sim
Mario Covas Neto PSDB Não votou
Marquito PTB Sim
Marta Costa PSD Sim
Milton Leite DEM Sim
Nabil Bonduki PT Sim
Natalini PV Não
Nelo Rodolfo PMDB Sim
Netinho de Paula PCdoB Sim
Noemi Nonato PROS Sim
Ota PROS Sim
Patrícia Bezerra PSDB Não
Paulo Fiorilo PT Sim
Paulo Frange PTB Sim
Pr. Edemilson Chaves PP Sim
Reis PT Sim
Ricardo Nunes PMDB Sim
Ricardo Teixeira PV Sim
Ricardo Young PPS Sim
Roberto Tripoli PV Não votou
Sandra Tadeu DEM Sim
Senival Moura PT Sim
Souza Santos PSD Sim
Toninho Paiva PR Sim
Toninho Vespoli PSOL Não
Valdecir Cabrabom PTB Sim
Vavá PT Sim
Totais
Sim 44
Não 8
Abstenção 0
Não votou 3
Total 55
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

3 comentários em Opinião: Apesar de defeitos, Plano Diretor é avanço ao ligar crescimento imobiliário à transporte público

  1. jose clovis pinto tavares // 1 de julho de 2014 às 01:03 // Responder

    É triste ver um estado assim, onde vc nao tem direito de ter o que vc conseguil com muito esfoço e no fim da vida é tomado ou melhor roubado pelo poder publico !!!! O povo tem que se manifestar contrario a este plano estamos numa ditadura disfarçada e não podemos aceitar em ser roubado pelo Estado rsrsr parece brincadeira né mas eu nao vejo um desapropriado se reembolsado justamente , o valor do metro quadrado no local nunca é ofertado justamente o pobre do desapropriado tem que brigar na justiça para tentar o legal que muitas vezes tb não consegue ate mesmo pq muitas vezer o proprio poder judiciário esta corrompido pela safadesa do Governo que ganhar sempre!!!! O país esta precisando de um homen de verdade como JOAQUIM BARBOSA más estamos muito longe disso , não vejo lucro nisso sabia quanto mais tem mais quer e no final morre ai doente sem levar nada !!!! só prejudicou o proximo!!! pq DEUS tem que ser assim, Ganância pra que o que adianta vc ter muito e seu vizinho nao ter nada é natural que ele vai querer o que é seu!!! só um desabafo e que DEUS tenha piedade deste lixos humanos,

  2. E o PSOL, novamente, votando junto com o PSDB… Fala sério. Parabéns aos que votaram a favor do Plano Diretor!

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