Empresas de ônibus adotam ações de combate ao desperdício de água

ônibus

Ônibus da Gatusa, na Capital Paulista, na área de limpeza. De acordo com SPUrbanuss, empresas da cidade investiram em sistemas de reuso de água que podem poupar 25 mil litros por hora. Foto: Divulgação SPUrbanuss – Texto: Adamo Bazani

Empresas de ônibus no combate ao desperdício de água
Companhias da cidade de São Paulo, região do ABC Paulista e do Paraná adotam medidas que permitem economia de milhões de litros por ano
ADAMO BAZANI – CBN
Com os níveis cada vez mais baixos no Sistema Cantareira, formado em São Paulo por seis represas que abastecem na Capital Paulista e Região Metropolitana 8,8 milhões de consumidores, as discussões sobre a necessidade de se economizar água ganharam força.
Na verdade, o problema é antigo. O Brasil possui a maior reserva de água potável do Planeta (excluindo geleiras). Mesmo assim, o risco de desabastecimento é alto e economizar água não é apenas uma medida com base em discursos de ecologistas (pouco ouvidos num passado não muito distante), mas virou condição para que a qualidade de vida não seja ainda mais prejudicada nas cidades.
O setor de transportes de passageiros é uma das atividades econômicas onde se usa muita água. É necessário manter as garagens, os terminais, as áreas administrativas, os setores de mecânica e lavar diariamente os ônibus e peças.
Antes mesmo, no entanto, de o risco real de um dia a água faltar ser percebido de maneira mais clara pela população depois do que ocorreu com o Sistema Cantareira, empresas de ônibus de diversas regiões do País investem em garagens ecológicas e equipamentos que proporcionam o reuso da água
De acordo com o SPUrbauss – Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros, que reúne as viações da Capital Paulista, em algumas garagens é possível reutilizar de 70% a 90% da água consumida. A economia pode chegar a 216 milhões de litros de água por ano. Algumas empresas conseguem poupar 25 mil litros de água por hora.
Segundo a entidade, essa economia se dá por diversas ações como “investimentos em tecnologias que minimizam o desperdício, promoção de campanhas internas para conscientizar colaboradores e externas para atingir as comunidades do entorno das garagens. Acompanhamentos diários do consumo de água, instalação de hidrômetros e de grandes estações de tratamento estão entre os maiores investimentos das empresas. Na garagem, depois de toda a água passar pela estação de tratamento, ela pode ser reutilizada na lavagem dos veículos, limpeza dos pisos ou nas torneiras e descargas dos toaletes, dispensando o gasto da água convencional.”
Entre as empresas citadas pelo SPUrbanuss que possuem estações de tratamento estão Viação Gato Preto, Transkuba, Ambiental Transportes, Gatusa, Viação Santa Brígida, Tupi – Transporte Urbano Piratininga, Grupo VIP, Via Sul e Viação Cidade Dutra.
Apesar de atualmente a crise da água chamar mais atenção no Estado de São Paulo, o problema é nacional e empresas de outros estados também possuem sistemas para economia de água.

ônibus

Apesar de hoje as discussões sobre a falta de água se destacarem em São Paulo, por causa dos baixos níveis do Sistema Cantareira, o problema é nacional e empresas de outros estados também investem em sistemas que possibilitam economia. No Paraná, Grupo Leblon Transporte de Passageiros, além de reutilizar a água da lavação dos ônibus, consegue aproveitar a água da chuva. Foto: Divulgação Grupo Leblon – Texto: Adamo Bazani.

O Grupo Leblon Transporte de Passageiros, que opera linhas metropolitanas e urbanas nas cidades de Mandirituba, Fazenda Rio Grande e Curitiba, todas no Paraná, conseguiu economizar entre janeiro de 2013 e março de 2014, 11 milhões e 100 mil litros de água do sistema que abastece o município de Fazenda Rio Grande, onde está localizada a garagem.
Além de estação de tratamento para o reuso da água, a sede do grupo no Paraná, que reúne a Leblon Transporte de Passageiros e a Viação Nobel, também conta com um sistema que capta e aproveita a água da chuva.
O Grupo Leblon também afirma que realiza palestras e treinamentos para os funcionários com o objetivo de criar uma cultura de uso inteligente da água e torná-los multiplicadores de boas práticas na família, entre os vizinhos e amigos.
Voltando ao Estado de São Paulo, na região do ABC Paulista, a Metra, operadora do Corredor Metropolitano ABD, informa que os investimentos em tecnologias de reuso possibilitam que a empresa, com sede em São Bernardo do Campo, consiga poupar 10 milhões de litros de água por ano.
Aproximadamente 30 mil litros de água são tratados por dia.
“Essa água é devidamente tratada e reaproveitada, tanto para a lavagem dos próprios veículos como também para a limpeza das 110 paradas de ônibus da empresa”, explica Sueldes Pimentel, responsável pela área de gestão ambiental da Metra.
A unidade da Auto Viação Urubupungá, em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, recebeu a certificação LEED – Leadership in Energy and Environmental Design – Liderança em Energia e Design Ambiental e é considerada a primeira garagem de ônibus sustentável da América Latina.
A construção do pátio, das oficinas e prédios administrativos utilizou materiais e soluções que minimizam os impactos da atividade da garagem sobre o meio ambiente.
A empresa diz que consegue economizar 49% de água potável do sistema de abastecimento. Umas das inovações é que além de reaproveitar a água da lavação dos ônibus, há um sistema que abastece as pias e descargas de vasos sanitários com água captada pela chuva.
Apesar de todas estas empresas investirem em economia, em todo o País ainda é pequeno o número de garagens de ônibus com sistemas que permitem um consumo menor de água.
No entanto, as ações destas companhias podem servir como exemplos para outros empreendimentos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

3 comentários em Empresas de ônibus adotam ações de combate ao desperdício de água

  1. Amigos, boa noite

    Já está na hora de lavar os buzões A SECO, como se lavam os carros em shoppings.

    Será que alguma empresa de buzão já pensou nisso, avaliou ou já testou ??????

    Exceto a Sambaíba, que lava os buzões internamente a seco, ou seja nunca lavam.

    Há uma boa relação custo benefício ?

    Água é um produto em extinção.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Um simples passageiro, // 5 de junho de 2014 às 13:27 // Responder

    Realmente os ônibus da gatusa são “quase” um exemplo de higiene interna em relação às outras empresas. Agora uma coisa me intrigou, a santa brígida lava seus veículos? Não parece pelo o que eu vejo nos articulados. Os mondegos e os milleniuns estão uma nojeira!

  3. Este ônibus da GATUSA já vem com uma placa pronta pra “felicitar” cada miniônibus de cooperativa que ele cruzar…

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: