Paralisação Motoristas em São Paulo: Ministério Público vai abrir inquérito e Polícia Federal pode entrar no caso

ônibus

Primeira manifestação desta terça-feira ocorreu na região central da cidade. Ministério Público vai investigar responsabilidades. Polícia Federal também pode atuar. Foto: Elaine Freires.

Ministério Público vai investigar paralisação de motoristas e cobradores de ônibus em São Paulo
Movimento é atribuído a ala dissidente de sindicato que se diz insatisfeita com acordo feito entre a entidade e as empresas de ônibus
ADAMO BAZANI – CBN
O promotor Saad Mazloum, do Ministério Público do Estado de São Paulo, vai abrir um inquérito para apurar as responsabilidades e as irregularidades cometidas pelo grupo que paralisou desde as nove horas da manhã desta terça-feira, dia 19 de maio de 2014, parte dos serviços de transportes coletivos na Capital Paulista.
A informação foi divulgada no início da noite desta terça pelo secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto.
Ao lado do secretário, o prefeito Fernando Haddad, disse que o movimento de greve é “inesperado, incompreensível e inadmissível”.
A reportagem da Rádio CBN acompanhou a entrevista.
Haddad ainda disse que “mesmo que a causa fosse justa – e eu desconheço a causa, pois não houve nenhum pedido formal – esta não seria a melhor forma de protestar”.
O prefeito classificou o movimento como desconhecido.
O secretário de transportes, Jilmar Tatto, também avalia a possibilidade de a Polícia Federal investigar o movimento, já que há suspeita de leis trabalhistas nacionais terem sido descumpridas.
Também em entrevista à Rádio CBN, o presidente do SPUrbanuss – – Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo, Francisco Christovam, afirmou que a paralisação foi ilegal e que não há possibilidade de negociações.
“Os responsáveis pela paralisação não têm representatividade. Com quem vamos negociar?”, disse à CBN.
A paralisação é atribuída a uma ala dissidente do Sindimotoristas – Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo, que é o sindicato que representa 37 mil rodoviários em São Paulo.
O grupo se diz contrário ao acordo firmado entre SPUrbanuss e Sindimotoristas que garantiu aumento salarial de 10% para os motoristas e cobradores de ônibus, sendo aprovado por parte da categoria em assembleia nesta segunda-feira, dia 19 de maio de 2014.
Os dissidentes disseram que querem aumento de 30% nos salários.
Dos 28 terminais de ônibus de São Paulo, ao menos 15 foram fechados pelo grupo, entre eles Amaral Gurgel, Barra Funda, Bandeira, Butantã, Casa Verde, Lapa, Parque Dom Pedro, Pinheiros, Pirituba, Princesa Isabel, Sacomã, Santana e Vila Nova Cachoeirinha o terminal/estação Mercado, que faz parte do Expresso Tiradentes.
Os motoristas e cobradores de ônibus que não faziam parte da manifestação também eram obrigados a parar.
Os veículos eram invadidos, os passageiros retirados à força e os pneus esvaziados. As chaves dos ônibus também eram levadas pelos manifestantes.
A CET – Companhia de Engenharia de Tráfego suspendeu o rodízio municipal de veículos entre às 17 horas e 20 horas.
Às 19h00, segundo a CET, a cidade bateu recorde de congestionamento do ano para o pico da noite: 261 quilômetros de lentidão.
Além do Metrô e dos trens da CPTM, os serviços das Cooperativas de Transportes de São Paulo atenderam parte dos passageiros.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse que a administração municipal foi pega de surpresa com a paralisação de parte dos motoristas e cobradores de ônibus.
Haddad disse que não está descartada a possibilidade de multas a quem estiver envolvido com a paralisação.
Para ele, se houve um acordo, então deve ser cumprido.
A ala dissidente é contra o acordo entre o SPUrbanuss – Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo, e o Sindimotoristas.
O acordo possibilitou reajuste de dez por cento nos valores dos salários e aumento no valor de benefícios.
Hoje, um motorista na Capital Paulista recebe R$ 1955 passando para R$ 2150,50, e um cobrador ganha R$ 1130 indo para R$ 1243.
A licença-maternidade para as mulheres que trabalham no setor passa de quatro meses para seis meses.
O reconhecimento de insalubridade para cálculos de aposentadoria também faz parte do acordo entre o SPUrbanuss, sindicato das empresas de ônibus, e o Sindimotoristas, que representa 37 mil trabalhadores de transportes na cidade de São Paulo.
Com isso, há possibilidade de aposentadoria especial com 25 anos de trabalho.
O vale-alimentação passa para R$ 445,50 e participação nos lucros e produtividade será de R$ 850.
DISPUTAS INTERNAS:
O Sindimotoristas é marcado historicamente por disputas internas.
Há vários inquéritos policiais, inclusive de homicídios, que apuram crimes que teriam sido motivados por estes embates.
Na metade do ano passado, o atual presidente do Sindimotoristas, José Valdevan, o “Noventa”, que na época era de oposição, chegou a usar o mesmo expediente e parou terminais na cidade de São Paulo contra o antigo mandatário do sindicato, Isao Hosogi, o Jorginho.
As eleições para a presidência da entidade, que deveriam ocorrer em julho, foram marcadas por violência e até tiroteio na sede do sindicato.
Somente em setembro foram realizadas, quando José Valdevan, o “Noventa”, venceu Isao Hosogi, o Jorginho, com 57% dos votos.
RODÍZIO SUSPENSO:
Por causa da paralisação, a CET – Companhia de Engenharia de Tráfego suspendeu o rodízio municipal de veículos entre às 17h e às 20h desta terça-feira.
EM NOTA, SPTRANS REPUDIA PARALISAÇÃO E FALA EM SABOTAGEM:
“A SPTrans já acionou a Polícia Militar e solicitará ao Ministério Público a apuração das responsabilidades sobre as paralisações registradas na manhã desta terça-feira, que prejudicam a operação do sistema para os usuários de ônibus especialmente na região Central e Zona Oeste da cidade.
A SPTrans repudia com veemência os fatos ocorridos, como a retirada de chaves dos coletivos, impedindo sua circulação, considera os atos sabotagem ao sistema e irá agir com o rigor necessário à apuração e punição dos envolvidos e responsáveis.”
CET RECOMENDA QUE MOTORISTAS EVITEM O CENTRO DE SÃO PAULO, CONFORME A NOTA:
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) recomenda aos motoristas que evitem circular pela região central da cidade, em razão de manifestações que bloqueiam o acesso dos terminais Princesa Isabel, Amaral Gurgel e Bandeira. O bloqueio do Viaduto Diário Popular prejudica o funcionamento dos terminais Dom Pedro e Mercado.
Os bloqueios também acontecem em vários terminais, como Cachoeirinha, Pirituba, Lapa, Sacomã, Pinheiros, Casa Verde, Santana e Barra Funda. Em razão das ocorrências o Expresso Tiradentes também não está operando.
A circulação dos ônibus nos corredores Francisco Morato/Eusébio Matoso/Rebouças/Consolação; Rio Branco/Marquês de São Vicente; Figueira/Senador Queiróz e São João/General Olímpio da Silveira também está prejudicada.
Agentes da CET e da SPTrans monitoram o trânsito e o transporte nas regiões, orientando passageiros e motoristas.
Ressaltamos que o rodízio municipal de placas, para os finais 3 e 4, está suspenso para o período da tarde.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

3 comentários em Paralisação Motoristas em São Paulo: Ministério Público vai abrir inquérito e Polícia Federal pode entrar no caso

  1. E como sempre sobre pra populaçao,precisa de mais.

  2. PF o cacete, mete a ROTA na jogada p descer a borracha nessa cambada de fdp

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