Marcopolo tem queda no lucro e receita, mas mantém previsão para 2014

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Ônibus da Marcopolo. Mesmo com queda do desempenho no primeiro trimestre, empresa mantém previsão de lucro e produção para 2014. Foto: Adamo Bazani

Marcopolo tem queda na receita e no lucro, mas mantém previsão para 2014
Fabricantes sentem atrasos nas obras para mobilidade urbana, indefinições da licitação pela ANTT e fraco desempenho da indústria do setor automotivo
ADAMO BAZANI – CBN
O cenário no primeiro trimestre deste ano para a indústria de ônibus teve resultados abaixo do esperado pelo mercado.
O setor automotivo passa por um momento delicado, com altos estoques e queda de produção, o que tem levado as montadoras a abrir programas de demissões ou conceder férias coletivas.
Se as montadoras sentem, as encarroçadoras de veículos seguem a tendência, mesmo que não necessariamente ao mesmo tempo, já que normalmente logo após escolher os chassis, os frotistas encomendam as carrocerias.
A Marcopolo, a maior encarroçadora de ônibus do País, divulgou nesta segunda-feira, dia 12 de maio de 2014, os resultados do primeiro trimestre.
O lucro líquido foi de R$ 54,3 milhões, queda de 2,5% em relação ao mesmo período de 2013.
Ainda na comparação dos primeiros trimestres de 2014 e 2013, neste ano, a receita líquida caiu 3,3%, chegando a R$ 741,8 milhões. A queda foi puxada pelo mercado interno, que registrou baixa de 9,9% na receita líquida somando R$ 531,2 milhões. Já a receita referente às exportações e negócios das unidades da Marcopolo fora do País, acumulou no primeiro trimestre deste ano R$ 210,6 milhões, alta de 17%.
O Ebtida, que é a sigla em inglês para explicar o lucro antes de pagamento de juros, impostos, depreciação e amortização, teve queda de 7,7%, chegando de janeiro a março de 2014 a R$ 74,8 milhões.
Além do cenário geral da indústria automobilística, há fatores específicos ao mercado de ônibus.
O congelamento das tarifas de ônibus, depois das manifestações de junho do ano passado, fez com que, mesmo com subsídios em alguns sistemas, as empresas modificassem seus planos de renovação de frota. Os serviços sem subsídios sentiram mais.
Muitas obras de mobilidade urbana para a Copa atrasaram é só agora as encarroçadoras receberam mais encomendas, o que não pode ser refletido no primeiro trimestre.
Além disso, indefinições de concorrências públicas, como das linhas rodoviárias interestaduais e internacionais gerenciadas pela ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, têm feito com que as empresas aguardem para renovar as frotas.
Apesar da queda no primeiro trimestre, a Marcopolo diz acreditar em recuperação e mantém para este ano a previsão de investimentos de R$ 160 milhões, receita líquida consolidada de R$ 3,8 bilhões e produção de 20 mil 850 ônibus.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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