Ônibus e Mercado: Inseguranças nas licitações e tarifas congeladas contribuem para queda nas vendas de 0 km

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Ônibus urbano em São Paulo. Emplacamentos de ônibus no primeiro trimestre acumulam queda na comparação com o mesmo período do ano passado. Congelamento de tarifas e indefinições quanto às licitações são alguns dos motivos que impedem renovação maior da frota em todo o País. Foto: Adamo Bazani.

Mercado: Vendas de ônibus acumulam queda no primeiro trimestre
Indefinição sobre licitações e congelamento das tarifas são apontados como principais motivos para a atraso nas renovação das frotas
ADAMO BAZANI – CBN
As vendas de ônibus no Brasil acumularam no primeiro trimestre de 2014, queda de 6,97% na comparação com os primeiros três meses do ano de 2013.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, dia 02 de abril de 2014, pela Federação Nacional da Distribuição e Veículos Automotores – Fenabrave.
De acordo com a entidade, no primeiro trimestre de 2013, foram emplacados 8 mil 284 ônibus. Já nos três meses iniciais de 2014, foram 7 mil 707 unidades de ônibus que receberam emplacamento.
Além do desempenho geral da economia brasileira deixar a desejar, há questões específicas que influenciam o desempenho do mercado de ônibus.
Os números do primeiro trimestre de 2013 antecedem as manifestações de junho que ocorreram em boa parte do país contra o reajuste das tarifas de ônibus e pela maior qualidade nos serviços de transportes.
Diversas cidades congelaram o valor das passagens e outras que já tinham concedido os reajustes previstos em contrato com as empresas de ônibus retrocederam aos valores antigos.
Nem todas estas reduções ou congelamentos dos valores das passagens tiveram compensação por parte do poder público. Em alguns sistemas, houve aumento de subsídios, e foram concedidos alguns benefícios fiscais para os operadores de ônibus. Mas, em alguns casos, os subsídios e os incentivos tributários não compensaram os custos acumulados que seriam cobertos pelos reajustes tarifários.
Em 2014, muitas tarifas ainda devem continuar congeladas por questões políticas. O ano é eleitoral e aumentos no valor das passagens não são bem vistos pela população e consequentemente pelos candidatos.
Não bastassem as questões relativas às tarifas, não é oferecido um cenário de segurança em diversas licitações do setor, o que também impacta nas compras.
Em relação aos ônibus interestaduais rodoviários, a licitação da ANTT – Associação Nacional dos Transportes Terrestres, que pretende reformular cerca de 2 mil linhas em todo o País, está emperrada desde 2008.
Governo Federal e empresas de ônibus divergem em diversos aspectos, como divisão de lotes e grupos, taxa de ocupação das linhas, quantidade da frota e cálculos da remuneração, entre outros. A licitação das linhas interestaduais está sendo debatida na Justiça.
Em relação aos sistemas urbanos, há incertezas também.
A licitação da cidade de São Paulo, o maior sistema da América Latina com 15 mil veículos, envolvendo empresas e cooperativas, deveria ser realizado na metade de 2013, quando venceram os contratos com as concessionárias (viações) e permissionárias (lotações).
Após os protestos de 2013, a Prefeitura de São Paulo decidiu recuar e cancelou a licitação que dividiria a concessão em três grandes SPEs – Sociedades de Propósito Específico e o sistema de permissão aumentaria para 11 ou 13 lotes.
A prefeitura deve só realizar uma nova licitação depois que a consultoria Ernest & Young terminar uma auditoria contratada pelo poder público por R$ 4 milhões. Os trabalhos sobre as contas do sistema de transportes devem ser finalizados em julho, mas o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, admite que o prazo pode ser prolongado. Com isso, as empresas na Capital Paulista operam com contratos emergenciais.
Em sistemas de transportes menores também há incertezas. Em Mauá, no ABC Paulista, por exemplo, a licitação anunciada pelo prefeito Donisete Braga ainda não foi realizada e a forma como se deu o descredenciamento das empresas que venceram a licitação anterior causa receio em empresários de outras regiões, já que é marcada por impasses políticos e jurídicos como revelou reportagem exclusiva no Blog Ponto de Ônibus – CBN: http://blogpontodeonibus.wordpress.com/2014/04/01/licitacao-dos-transportes-esta-atrasada-e-novos-empresarios-temem-instabilidades/
MÊS A MÊS:
Se no acumulado do ano, os emplacamentos de ônibus registram queda, nas comparações mensais os números também não são positivos.
As vendas de ônibus em março tiveram queda de 7,08% ante fevereiro, segundo a Fenabrave. Em março de 2014, foram emplacados 2 mil 742 ônibus e em fevereiro os emplacamentos somaram 2 mil 951 unidades.
Já na comparação com março de 2013, o terceiro mês deste ano teve queda de 15,19%. Em março do ano passado, foram emplacados 3 mil 233 ônibus.
MARCAS.
No acumulado do ano, a Mercedes-Benz continua liderando o mercado de ônibus, seguida da Volkswagen/MAN:
1º MERCEDES-BENZ – 3.369 ônibus – 43,71% de participação no mercado.
2º Volkswagen/MAN – 1.830 ônibus – 23,74% de participação no mercado.
3º MARCOPOLO (minionibus Volare) – 1.485 ônibus 19,27% de participação no mercado.
4º VOLVO- 431 ônibus – 5,59% de participação no mercado.
5º IVECO – (contando o mini CityClass) 234 ônibus – 3,04% de participação no mercado.
6º SCANIA – 205 ônibus – 2,66% de participação no mercado.
7º AGRALE – 142 ônibus – 1,84% de participação no mercado.

8º INTERNATIONAL – 9 ônibus 0,12% de participação no mercado.
GERAL:
Considerando todos os veículos automotores, o que inclui carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, a Fenabrave registrou queda de 7,15% nos emplacamentos em março com 240 mil 807 unidades em relação a fevereiro. No ano, os emplacamentos acumulam queda de 2,13%. Somados os três primeiros meses de 2014, foram emplacados 812 mil 750 veículos.
O segmento de caminhões registrou queda de 10,78% em março na comparação com fevereiro, somando 9 mil 337 unidades. No acumulado do ano no comparativo com os três primeiros meses de 2013, a queda de emplacamentos de caminhões foi de 11,23%.
Segundo a Fenabrave, no primeiro trimestre de 2014, foram emplacados 30 mil 643 caminhões
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

4 comentários em Ônibus e Mercado: Inseguranças nas licitações e tarifas congeladas contribuem para queda nas vendas de 0 km

  1. Roberto Santana // 2 de Abril de 2014 às 22:16 // Responder

    Já imaginava que isto aconteceria, querem ônibus novos, com preços de 2014 e tarifas de 2012. Mais vale a pena vender a empresa e sair fora do país do que continuar a remar contra a maré.

  2. VIU HADDAD…SUA LERDEZA CAUSA ISSO! SUA LERDEZA E A POUCA VERGONHA DE SEU SAFADO ANTECESSOR…O KASSAB…DEU NO Q DEU! AINDA BEM Q ESSES INDUSTRIAIS NÃO DEPENDEM SÓ DO ESTADO E DA CIDADE DE SP…AS LICITAÇÕES E OS MERCADOS DE ÔNIBUS NOVOS ESTÃO AGITADÍSSIMOS BRASIL AFORA E PELO MUNDO…!

  3. INTERTATIONAL com 9 unidades vendidas em março de 2014 ? Que empresa comprou esses chassis? A International passou a fabricar em série chassis de ônibus no Brasil no fim de março de 2014 ? Alguém poderia me dizer algo a respeito ?
    Observo ainda que a IVECO já tem algum tempo e até agora ainda não decolou em vendas apesar de já ter chassis de motor dianteiro equivalentes ao 17230 da VW e ao OF1721 Bluetec 5 da Mercedes Benz (DaimlerChrysler do Brasil)

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