Capital e Grande São Paulo devem ter 500 ônibus elétricos

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Ônibus elétrico híbrido da no Salão do Veículo Elétrico. Estimativa é de crescimento, mas investimentos e financiamentos públicos no setor poderiam ser maiores para que estes ônibus menos poluentes representem uma parcela significativa das frotas das cidades. Foto: Antônio Moreira.

A tendência limpa
Ônibus elétrico híbrido e trólebus foram destaques no Salão de Veículos Elétricos como alternativas para transporte público sobre pneus menos poluente
ADAMO BAZANI – CBN
Nos próximos dois anos, a Grande São Paulo e Capital Paulista devem ter cerca de 500 ônibus elétricos híbridos e trólebus.
A estimativa é de profissionais do setor que participaram do primeiro dia do Salão Latino Americano de Veículos Elétricos, Componentes e Novas Tecnologias.
Hoje em São Paulo, os ônibus que poluem menos com tração elétrica representam uma pequena parcela da frota da cidade. De acordo com a SPTrans, são 192 trólebus e 48 elétricos híbridos em operação, num total de cerca de 15 mil veículos para o sistema municipal.
No Corredor Metropolitano ABD, que liga São Mateus, na zona Leste de São Paulo, ao Jabaquara, na zona Sul, passando por Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema, com extensão entre Diadema e a região da Berrini, zona Sul de São Paulo, são cerca de 100 veículos com tração elétrica, entre trólebus e ônibus elétricos híbridos.
No Litoral Paulista, operam apenas seis trólebus de 1988 pela Viação Piracicabana, em uma linha.
As estimativas para os 500 veículos incluem inicialmente as mesmas cidades, com ampliação principalmente dos elétricos híbridos na Capital Paulista e no corredor ABD. Santos não tem previsão de ampliar a quantidade de elétricos.
Há também ônibus elétricos híbridos em Curitiba, onde a frota deve chegar a 60 unidades, e Porto Alegre, Foz do Iguaçu e Recife estudam adquirir estes veículos.
Com tecnologia nacional, um ônibus elétrico híbrido custa cerca de R$ 500 mil, valor superior aos R$ 350 mil de um convencional a diesel. Mas este valor foi maior e hoje um elétrico híbrido custaria cerca de R$ 1 milhão se fosse produzido da mesma forma que há pouco mais de uma década, quando boa parte dos componentes era importada.
No país existem duas fabricantes de ônibus elétricos híbridos, a Eletra em parceria com a Mercedes Benz, de São Bernardo do Campo, e a Volvo, de Curitiba.
Com características operacionais diferentes, os veículos têm a mesma função, reduzir a poluição, não apenas atmosférica, mas sonora, já que o nível de ruído de um ônibus elétrico é muito baixo.
O Híbrido BR da Eletra tem dois motores que funcionam em série, chamado de híbrido série ou híbrido seriado: o motor a combustão serve apenas para gerar energia para o motor elétrico, que é responsável por 100% da movimentação do ônibus. Já o Hybridus da Volvo tem funcionamento paralelo de motores. O motor elétrico funciona nos momentos de parada nos pontos, em semáforos, para ligar o ônibus e até 20 quilômetros por hora. A partir desta velocidade, o ônibus é movido a diesel ou biodiesel. Nas situações em que o motor elétrico traciona o veículo, é quando há maior emissão de poluição se o ônibus fosse somente a diesel.
Um elétrico híbrido pode reduzir entre 50% e 80% a emissão de alguns tipos de poluentes e cerca de 35% o consumo de óleo diesel.
Já o trólebus não depende do diesel, mas necessita da rede aérea.
Uma das novidades em relação ao trólebus é a chamada marcha autônoma, presente em unidades da Ambiental Transportes, que serve a Capital Paulista, e da Metra, no Corredor ABD.
Os trólebus contam agora com baterias armazenadoras. Caso o fornecimento de energia elétrica seja interrompido, haja rompimento nos cabos ou mesmo queda na alavanca do trólebus, o veículo pode circular em trajetos de 7 quilômetros de extensão, mesmo sem estar conectado, só dependendo das baterias. Parece pouco, mas é suficiente para o veículo chegar a outro ponto do trajeto que não esteja com problema ou mesmo até um recuo, terminal ou garagem, sem atrapalhar o trânsito.
Para a gerente comercial da Eletra, Ieda Maria Alves de Oliveira, tecnologia e capacidade de produção o Brasil tem. Mas o ônibus elétrico no País ainda não tem maior escala por falta de incentivos.
“Quando há uma tecnologia não poluente, os governos em diversos países são os primeiros a adquirir estes veículos em frota pública. O elétrico híbrido e o trólebus aqui são comprados por empresários. Deve haver incentivos. Até há pouco tempo, as taxas de juros do Finame para financiar ônibus elétricos eram maiores que para os movidos a diesel. Hoje é de 0,5% menos, muito pouco ainda perto dos benefícios ambientais que os ônibus elétricos trazem e que representam menos custos com saúde pública e outros agravantes gerados pela poluição. Além disso, deve-se dar mais tempo de vida útil para estas frotas que podem durar entre duas e três vezes mais que os ônibus convencionais por causa das características de operação” – disse Ieda.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

3 comentários em Capital e Grande São Paulo devem ter 500 ônibus elétricos

  1. A prefeitura tem que aumentar as redes de trólebus na cidade de São Paulo e incentivar a compra de mais trólebus, assim vamos ajudar a despoluir a cidade de são Paulo de forma mais eficiente,

  2. 500 ônibus elétricos existiam há cerca de 30 anos atrás (se não me engano 517) só na cidade de Sampa sem contar com os sistemas de Ribeirão “Palocci” Preto, Santos, Araraquara e por aí vai.
    DUVIDO ! Que a cidade de São Paulo + o corredor da EMTU terão a mesma quantidade somada de trólebus que haviam só na cidade de São Paulo há 30 anos atrás ! DUVIDO ! O ninho tucano está há looogos 20 anos no poder e SP está cada vez “melhor”! –

  3. Amigos, boa noite.

    Em 2 anos não chegaremos a 500 carros, rodando não.

    Seria ótimo, mas ainda tem muita lenha para queimar.

    Att,

    Paulo Gil

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