Financiamento do transporte público pelos meios individuais

ônibus

Ônibus urbano. Especialistas dizem que a solução para mobilidade urbana e para a melhoria de qualidade de vida requer ações de coragem dos governantes para que as pessoas que usam o transporte individual financiem o transporte público. Foto: Adamo Bazani.

Financiamento para o transporte público: R$ 0,50 de gasolina subsidiariam R$ 1,20 para o ônibus
È consenso que as pessoas que usam o transporte individual contribuam para o transporte público
ADAMO BAZANI – CBN
A lógica é simples: quem usa mais e gasta mais, paga mais e ajuda quem economiza.
Assim que deve ser encarado o uso do espaço urbano e os impactos desta utilização.
Essa foi uma das principais conclusões do evento realizado nesta terça-feira, dia 13 de agosto sobre mobilidade urbana.
Os debates e exposições foram organizados pela Rede Nossa São Paulo em parceria com a Frente Nacional dos Prefeitos.
A Fundação Getúlio Vargas apresentou simulações sobre financiamentos para o transporte público para que as tarifas caiam e para que haja mais investimentos no setor.
E o consenso é que por uma questão de justiça social e democratização do espaço urbano, quem só se locomove de transporte individual deve ajudar a baratear o deslocamento de quem usa transporte público.
Não é penalizar quem prefere andar só de carro, mas é equilibrar a balança dos custos na cidade.
Quem usa carro ocupa ao menos 10 metros quadrados do espaço urbano. Quem anda de ônibus, trem ou metrô usa 1,96 metro para se deslocar.
Quem usa carro ou moto polui de 17 a 34 vezes mais do que as pessoas que se deslocam de transporte público.
Um ônibus simples, que transporta 80 pessoas com conforto e ocupa 13,2 metros, substitui mais de 40 carros que ocupam cerca de 170 metros.
Assim, na prática, o deslocamento de carro ocupa mais área na cidade e causa mais gastos relacionados à infraestrutura e à saúde pública, neste caso por causa de doenças agravadas pela poluição devido ao excesso de veículos e aos acidentes de trânsito.
A locomoção pelo transporte público ajuda a aproveitar melhor os espaços nas cidades, que perdem com o tempo mais áreas verdes e de convivência para construção de vias para uma quantidade maior de carros.
No entanto, quem anda de ônibus, trem ou metrô acaba proporcionalmente pagando muito mais pela cidade.
Entre as propostas para o financiamento do transporte público, para que ele se torne mais barato e atrativo, é a utilização da Cide – Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico, o chamado imposto da gasolina, para subsidiar tarifas e criar fundos para investimentos em corredores de ônibus e linhas de trem e de metrô pesado, os principais modais para uma rede de mobilidade urbana.
A ideia voltou a ser defendida pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que participou do evento.
Segundo estimativas apresentadas nas apresentações, a cada R$ 0,50 de aumento na gasolina seria possível subsidiar a tarifa em R$ 1,20.
Mas por que a diferença? Por que R$ 0,50 viram R$ 1,20 em vez de ficarem em R$0,50?
A resposta é simples: porque ao usar melhor a cidade e transportar mais pessoas em menos espaço poluindo menos, sem que haja perda de conforto, os meios coletivos aproveitam melhor o dinheiro público.
Assim, investir em corredores de ônibus, trens e metrô de fato é uma solução acima de tudo humana, pois permite mais qualidade de vida (menos tempo e estresse nos congestionamentos), mas não deixa de ser uma ação inteligente do ponto de vista financeiro pura e simplesmente..
O que se ganha inicialmente com as vendas de veículos e combustíveis se perde muito mais em qualidade de vida, ampliação de infraestrutura para carros, em gastos com saúde pública e perda da produtividade de milhões de pessoas em todo o País presas nos congestionamentos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

8 comentários em Financiamento do transporte público pelos meios individuais

  1. Subsídio cruzado já existe, é o que explica os preços do álcool e do óleo diesel serem mais baratos do que os da gasolina… O problema é fazer esse dinheiro levar a uma redução de tarifas… E o problema essencial – que está na raiz das propostas de tarifa zero – se mantém, o custo do sistema continua todo em cima do passageiro, basicamente…

  2. Quem é que de fato e de verdade vai levar vantagem nessa proposta ? – O usuário de coletivo , eu também sou , tem carro , ainda ontem por onde andei se fosse de ônibus , mesmo com corredor , não teria feito a metade do que fiz , ainda falta muito para ter qualidade o coletivo , ainda acredito que mais de vinte minutos de espera é muito tempo , e Adamo te curto muito , mas qualidade em viajar de pé ? – Quando eu uso o Vila Piauí , na Lapa , quando e fico de pé só Jesus na causa , e aqui em Mauá onde eu moro e uso a linha 088 ( Miranda ) operado pela Leblon já cheguei a ficar 50 minutos esperando , se vou de carro eu aproveito muito mais, esse tempo parado desanima , e fica o convite para ti , ir na Leblon e procurar saber porque a linha 088 está tão prejudicada , não é por falta de passageiro , até tem , mas muitos preferem andar muitos metros e embarcar em qualquer um que passa na Av. Barão.

    • William de Jesus // 13 de agosto de 2013 às 23:10 // Responder

      Boa noite Marcos. Cara acho isso relativo. Pensa o seguinte: os intervalos so existem por causa do transito. Se há um engarrafamento, consequentemente esse intervalo dobra, triplica, quatriplica, e ai vai. Com menos carro na rua e mais passageiros no onibus, as empresas obrigatoriamente teriam que aumentar a frota, e tecnicamente o serviço melhoria (menos carro, menos transito; mais passageiro, mais onibus). Agora quanto o carro isso também é verdade. Você pode fazer muito mais estando eu seu proprio meio, pegar atalhos, ir a outros lugares, tudo isso em menos tempo. Tem gente que precisa do carro pra trabalhar (nao estou dizendo sobre o luxo, e sim sobre a necessidade mesmo). Enfim, é muito cedo pra dizer se essa medida daria certo ou nao. Em teoria, sim, mas temos que estudar a prática! Abraço

  3. Nas condições do transporte atual, seria um crime, falta ônibus, corredores, seria subsidiar a incompetêncía e a fraude, este governo esta perdendo toda a confiança depositada pela população, já começou na escolha do secretário.

  4. Amigos, boa noite.

    PREFEITO E VEREADORES DE LONDRES RECEBEM VALE-TRANSPORTE

    Leiam a matéria no link abaixo

    http://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Vida/noticia/2013/08/prefeito-e-vereadores-de-londres-recebem-vale-transporte.html

    Quando será efetuada a entrega do BU ao Prefeito e aos vereadores de Sampa e a devolução dos carros oficiais ????

    Este ideia tem de se estender por todo o Brasil isso sim.

    Att,

    Paulo Gil

  5. Amigos, boa noite

    Isso ai é tudo “balela” é um saco sem fundo.

    Pode dar todo o dinheiro do mundo que vai continuar a mesma porcaria; não há gestão e nem trabalho.

    Tem uma matéria no Blog que diz que a pior ganha melhor.

    Onde estamos ?

    O que é isso?

    E ainda querem que paguemos mais ainda, por este desmando.

    Lembrem-se de um detalhe; pode estar escrito em nossa testa TROXAS; mas MUITO TROXAS,
    NÃO ESTÁ ESCRITO NÃO.

    Que tal vocês irem por um caminho mais correto.

    Pensem nessa ideia.

    Quem avisa amigo é.

    Ou renunciem e se demitam a bem do INTERESSE PÚBLICO.

    Att,

    Paulo Gil

  6. Amigos, boa noite

    Carro novo só na Avenida Paulista.

    De marketing a galera é boa.

    Aqui na “Vila” só Apache baleado.

    Por que não pões as tranqueiras pra rodar na Paulista e o Buzão novo pra rodar na “Vila” ??

    Não precisa responder não cara pálida.

    RÁU CARA PÁLIDA !

    Att,

    Paulo Gil

  7. Amigos, boa tarde

    Que tal ao invés dos meios individuais financiarem o Buzão de Sampa, os políticos do país não passem a fazer a sua parte como os da Suécia fazem.

    É fácil o vídeo ensina como.

    https://www.youtube.com/watch?v=-Yk4NQwpdYA

    Mãos ao B.U. e na obra.

    Att,

    Paulo Gil

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