Investir somente em vias para carros é jogar dinheiro fora

ônibus

Ônibus para corredor. Estudo da Prefeitura de São Paulo mostra que obras para carros se saturam rapidamente e que o transporte público é a principal solução para os problemas de mobilidade, sendo a ação mais rápida e duradora a implantação dos corredores de ônibus. Foto: Adamo Bazani.

Estudo da CET mostra que ampliar vias só para carros é gastar dinheiro à toa
Todos os benefícios gerados pela construção de nova pista na Marginal Tietê e as restrições a caminhões e fretados desapareceram em poucos meses
ADAMO BAZANI – CBN
Ampliar vias para a circulação de carros, privilegiando o transporte individual, sem investimentos compatíveis no transporte público é jogar o dinheiro da população no lixo. É desrespeitar o espaço urbano, deixo-o cada vez menos democrático e dá margem para que os problemas de trânsito e poluição aumentem.
Isso foi demonstrado por um estudo feito pela Prefeitura de São Paulo e pela CET – Companhia de Engenharia de Tráfego, publicado no Diário Oficial do Município nesta terça-feira, dia 06 de agosto.
De acordo com os dados, de 2011 para 2012 o trânsito piorou em todos os horários, a restrição aos ônibus fretados foi um erro, a restrição aos caminhões abriu mais espaço para carros e obras caríssimas como a ampliação da Marginal do Rio Tietê teve benefícios que duraram por muito pouco tempo.
A velocidade dos veículos nas “vias rápidas” no pico da manhã, das 07h às 10h caiu 13% de 2011 para 2012, indo de 48 quilômetros por hora para 42 quilômetros por hora. No pico da tarde, das 17 h às 20 h, a queda foi de 14%, indo de 26 quilômetros por hora para 22 quilômetros por hora.
Nas vias arteriais, também houve queda na velocidade dos veículos em geral por causa do aumento da frota e do incentivo ao transporte individual. No pico da manhã, a queda de 2011 para 2012 foi de 11% passando de 26 quilômetros por hora para 23 quilômetros por hora, mesmo percentual de queda da tarde, quando a velocidade caiu de 17 quilômetros por hora para 15 quilômetros por hora.
Mas não foram apenas nos horários de pico que em São Paulo os carros andaram mais devagar. Até no entre pico, há congestionamentos.
No horário de pico da manhã, das 07h00 às 10h00, a média de congestionamento de 2011 para 2012 subiu 17%, pulando de 58 quilômetros para 68 quilômetros.
No entre pico, das 10h30 às 16h30, o índice de lentidão cresceu 59% de 2011 para 2012, atingindo 46 quilômetros.
No pico da tarde, das 17h00 às 20h00, a lentidão de 2011 para 2012, cresceu 19%, passando para 92 quilômetros por hora.
AÇÕES QUE NÃO PRIVILEGIAM O TRANSPORTE COLETIVO NÃO TÊM EFEITOS DURADOUROS:
As ações feitas para que a cidade comporte mais carros não tiveram benefícios por muito tempo, confirmando o ciclo vicioso de que mais carros necessitam de mais vias e quanto mais vias são feitas mais carros são atraídos.
Em 2010, foram gastos dos cofres públicos R$ 1,3 bilhão para construir as pistas centrais da Marginal Tietê. O trânsito melhorou de 2010 para 2011, mas a velocidade média voltou a cair ficando menor que antes da ampliação.
A restrição aos ônibus fretados melhorou pontualmente o trânsito por onde estes veículos circularam. Mas poucos meses depois, os congestionamentos pioraram, isso porque, o passageiro do fretado não migrou para o transporte público, mas começou a se deslocar de carro.
A restrição aos caminhões também foi uma medida de efeitos rápidos. No lugar de caminhões, mais carros ocuparam as vias.
A razão de toda a lentidão na cidade de São Paulo, que prejudica a qualidade de vida das pessoas, aumenta a poluição e traz impactos negativos na economia, é explicada no próprio estudo: o crescimento da frota de veículos.
No primeiro ano de rodízio municipal de veículos, em 1997, São Paulo tinha 46,2 veículos para cada 100 habitantes. Em 2012, eram 64,7 veículos por 100 habitantes. A cidade tem sido ainda planejada para carros: de 1997 para 2012, São Paulo recebeu mais carro que gente. O crescimento populacional foi de 12,3% e o da frota foi de 57,3%
TRANSPORTE PÚBLICO É SOLUÇÃO:
O estudo mostra que o transporte público é a principal solução para este problema. Mas é ilusão pensar que a solução passa apenas e tão somente por mais ramais de metrô, que não podem chegar a todos os locais da cidade e região metropolitana e que tem obras que necessitam de um tempo maior para conclusão, com 10 quilômetros carecendo de cerca de 10 anos para finalização. Enquanto se investe na ampliação do metrô, são necessárias ações que deem uma resposta rápida e que não se tornem ociosas com o tempo, não ficando saturadas.
E o crescimento da malha dos corredores de ônibus, segundo especialistas, é a solução urgente com efeitos de longo prazo. Custando 10 vezes menos, um corredor de ônibus BRT – Bus Rapid Transit bem planejado – transporta o equivalente a quase metade do que o metrô atende e pode ser interligado às novas redes metroviárias.
O corredor de ônibus é essencial para atrair pessoas do transporte individual e evitar quem está no transporte público migre para o carro. Não adianta colocar mais ônibus nos congestionamentos. Os ônibus precisam de espaço prioritário porque são meios de transporte democráticos e que aproveitam melhor o espaço urbano.
Em 13,2 metros, um ônibus convencional transporta com conforto 80 passageiros. Levando em consideração que cada carro leva em média duas pessoas apenas, para atender a estes 80 passageiros seriam necessários 40 carros que ocupariam entre 150 metros e 200 metros de via.
Em corredores, no entanto, é possível diminuir a frota de ônibus atendendo mais pessoas. Não é mágica, é lógica. Sem ter de enfrentar congestionamentos, os ônibus não ficam presos e menos veículos podem fazer mais viagens.
Isso sem contar que em corredores, os ônibus podem ser maiores, como articulados e biarticulados, que de uma só vez podem substituir de dois a três ônibus comuns e eliminar linhas sobrepostas, o que inclusive interfere nos custos do sistema, e consequentemente no valor das passagens.
Soluções existem, conhecimento do problema também. Basta que a cultura do discurso político do pragmatismo do carro, que ainda dá voto, mude.
E ao que parece, é mais fácil construir corredores de ônibus e vários quilômetros de metrô, que mudar esta postura retrógrada das políticas de mobilidade.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

2 comentários em Investir somente em vias para carros é jogar dinheiro fora

  1. Amigos, boa notie

    Esse blá blá blá até o meu papagaio “LOKY” já sabe.

    E ai, cade as ações concretas e o trabalho ?

    Tá igual ao Buzão de Sampa sempre atrasado…

    Att,

    Paulo Gil

  2. Ewerton Santos Lourenço (Guarulhos) // 8 de agosto de 2013 às 10:41 // Responder

    Com certeza, nós estamos cansados desta “Caverna do Dragão” rsrsrsrsrsrs, o esquema é o seguinte vamos incentivar a População também quanto a “Carona Solidária” .Para que as pessoas usarem o carros com os amigos e familiares as vias ainda e racharem a Gasolina; com certeza teremos um transporte publico mais eficiente.

    Ah quem me dera ver um Super Articulado destes em Guarulhos, rs não aguento mais andar de MIDI!!!!
    abraços a todos

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