EXCLUSIVO: As estimativas da Volvo e da Auto Sueco para São Paulo

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Ônibus B 270 F para fretamento de test drive na representante da Volvo em São Paulo, Auto Sueco. Concessionária e fabricante querem aumentar participação no estado e para isso, arregaçam as mangas e visitam garagens cedendo ônibus. Foto: Adamo Bazani

Volvo estima crescimento das vendas de ônibus para São Paulo e Região Metropolitana
Adiamento da licitação da Capital Paulista impactou no cronograma e crescimento para este ano seria maior
ADAMO BAZANI – CBN
O crescimento da participação da Volvo na cidade de São Paulo, na região Metropolitana e em parte do Interior Paulista foi significativo desde 2009, quando foram emplacados apenas cinco ônibus.
Em 2012, o número de emplacamentos de veículos de transporte coletivo de passageiros da marca chegou a 198 em parte de São Paulo.
Os números são da Auto Sueco, representante da marca no estado.
A concessionária espera um crescimento de vendas entre 15% e 20% em relação ao ano passado. Mas o número poderia ser maior, como explica o diretor-executivo da Auto Sueco, Mário Oliveira.
“O adiamento da licitação dos transportes da cidade de São Paulo vai impactar o desempenho de vendas para este ano. Aguardando as novas regras da licitação, alguns empresários que iam comprar agora vão esperar mais um pouco. Mas a mudança será apenas de cronograma, já que a vinda de mais ônibus novos para a cidade será inevitável. E a Volvo já prospecta negócios maiores para São Paulo.” – disse Mário Oliveira.
As indefinições sobre os transportes coletivos em São Paulo também influenciam no início das operações dos ônibus elétricos híbridos da Volvo.
“Os veículos já estão prontos e aguardando encarroçamento. Acreditamos que o ônibus híbrido será tendência em São Paulo. Os híbridos da Volvo foram bem aceitos em Curitiba, que começou com 30 unidades em Foz do Iguaçu oito unidades vão começar a circular em breve. Pode ter certeza que o híbrido vai representar boa parte da frota da cidade de São Paulo e de outros municípios” – prevê o gerente comercial de ônibus da Auto Sueco, Marcos Meggiolaro Eugênio.
Apesar do atraso da licitação em São Paulo, motivado pela onda de protestos sobre os transportes que marcou a Capital Paulista e a Região Metropolitana em junho deste ano, é consenso de que as reivindicações por melhores condições na mobilidade urbana são legítimas. Para Mário Oliveira, o Brasil ensinou ao mundo a receita de uma das principais soluções de mobilidade, o BRT – Bus Rapid Transit. Segundo ele, o cenário de projetos e perspectivas para a ampliação das redes de corredores de ônibus é bom, basta agora que as obras saiam do papel.
“O BRT é uma excelente solução para o que as cidades precisam que é garantir o ir e vir das pessoas, com economia e sem agressão ao meio ambiente. O BRT é claro que não é a única solução de mobilidade. O ônibus eficiente em corredores deve fazer parte de uma rede que não pode dispensar o transporte ferroviário. Mas o BRT tem as características essenciais das necessidades dos centros urbanos: as soluções precisam ser rápidas, não podemos novamente deixar os problemas se acumularem. A instalação de um corredor de ônibus é rápida em comparação a outros meios de transporte, além de ser a alternativa com o menor custo para a população. E o fato de ser um sistema de implantação com custo e tempo baixos, não significa que é uma solução momentânea que depois fica saturada. Um corredor de ônibus bem planejado já pensa no crescimento da demanda e pode dar conta deste crescimento. As cidades também precisam de transportes limpos e o ônibus elétrico híbrido é uma resposta para isso” – disse Mário Oliveira.
No ano passado, a Volvo começou a produzir na unidade de Curitiba, no Paraná, seu modelo de ônibus híbrido. O Brasil é o primeiro país a fabricar ônibus híbridos da Volvo no mundo, além da sede, na Suécia.
Os ônibus híbridos possuem dois motores, um a diesel ou biodiesel e outro elétrico.
A tecnologia da Volvo é chamada de paralela, pela qual tanto o motor a combustão como o elétrico funcionam para fazer o ônibus andar. Nos arranques, enquanto o ônibus está parado ligado (como em pontos ou semáforos) e até 20 quilômetros por hora, quem faz o ônibus operar é o motor elétrico. São nestas situações que as emissões de poluentes de ônibus são maiores. Em relação à tecnologia Euro III de ônibus a diesel (que parou de ser fabricada em 2012, sendo substituída pelos padrões Euro V), a redução de emissão de poluentes varia entre 40% e 90%, dependendo do material lançado no ar. A diminuição no consumo do diesel, ainda usando como base o Euro III, que representa ainda a maior parte da frota brasileira, pode chegar a 35%.
Há também a tecnologia em série, ou seriada, pela qual o motor diesel é menor e funciona constantemente, mas ele não é responsável pela operação do ônibus. Ele serve como gerador de energia para o motor elétrico, responsável por 100% das operações do ônibus. Essa tecnologia é usada pela empresa Eletra, com sede em São Bernardo do Campo.
AMBIENTE ECONÔMICO E SOCIAL MELHOR COM MOBILIDADE MAIS EFICIENTE:
Logo de início, o fato de um revendedor de ônibus defender o BRT parece ser óbvio. Afinal, o sistema exige ônibus novos, o que aquece a produção e as vendas do setor.
Mas Mário Oliveira revela que a defesa pelo BRT se dá mais pelos benefícios que ele traz à sociedade e produtividade geral da economia do que pelo lucro imediato que ele pode dar para a indústria.
Com o BRT e uma mobilidade maior, o lucro da indústria e da sociedade, segundo Mário Oliveira, se dá pela consolidação de um ambiente econômico e social melhor. Isso porque, tanto indústrias, comércios e trabalhadores perdem muitos recursos e tempo com o trânsito.
Por isso, segundo Mário Oliveira, a defesa pelo BRT diante do seu custo e facilidade de implantação.
Mas se for considerados apenas números de vendas e ganhos com o pós venda, Mário Oliveira diz que o BRT não é o mais lucrativo para a indústria e revendedores.
“Defendemos o BRT como solução de mobilidade mesmo. Os três maiores custos que envolvem um ônibus são: manutenção, sinistro e combustível. Uma concessionária tem esses aspectos como lucro. Um ônibus em corredor gasta menos combustível, tem menor índice de quebras e acidentes. Assim, temos menos pós-venda. O preço maior de aquisição de um ônibus padrão BRT é mais repassado ao fabricante da carroceria e não do chassi, que é quase o mesmo dentro ou fora de um corredor, no caso de ônibus de piso baixo, articulado ou biarticulado. Mas as carrocerias de ônibus BRT são diferenciadas, tanto nos desenhos como em itens de conforto, elevando o preço. Também não podemos esquecer que um biarticulado, por exemplo, substitui de dois a três ônibus. Como revendedor, é mais lucrativo comercializar três ônibus convencionais que um biarticulado e depois fazer a manutenção deles. Claro que a indústria de ônibus defende o BRT, é mercado para ela, mas os ganhos maiores são por causa das vantagens que um bom sistema de mobilidade traz à economia como um todo” – explica Mário.

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Da esquerda para a direita: Mário Oliveira, diretor-executivo da Auto Sueco, Adamo Bazani, repórter, e Marcos Meggiolaro, gerente comercial de ônibus da Auto Sueco: com bom planejamento, sistemas de ônibus são soluções duradouras para mobilidade. Foto: Thiago Barbieri.

SEGURANÇA MONITORADA CONSTANTEMENTE:
O gerente comercial de ônibus da Auto Sueco, Marcos Meggiolaro Eugênio, destaca que a Volvo é pioneira em veículos sobre pneus de alta demanda como os biarticulados.
Além disso, ele diz que a cobrança da marca em cima das representantes em relação à segurança é bem severa e que em casos de acidentes graves noticiados pela imprensa, a fábrica entra em contato com as concessionárias para pedir esclarecimentos e pesquisar sobre as causas das ocorrências.
“Desde 1933, com o lançamento do cinto de três pontos, a Volvo é sinônimo de segurança no DNA de todos os seus veículos, como carros, caminhões e ônibus urbanos e rodoviários. Tanto é que o símbolo da Volvo, com uma faixa em ângulo representa o cinto de segurança. Essa e uma das reputações da empresa que a fabricante quer continuar mantendo. E o diálogo entre a fábrica, as concessionárias e as transportadoras é intenso. Toda a vez que há um acidente de destaque, a Volvo quer pesquisar o motivo para ver se algo em relação à segurança pode ser aperfeiçoado. A fábrica também nos procura para saber se o ônibus acidentado estava com as revisões e manutenções em dia” – revelou Marcos Eugênio.
O MOTOR DIANTEIRO CONTINUARÁ SENDO UM DOS PRINCIPAIS PRODUTOS NO PAÍS:
Mais de 60% dos transportes por ônibus no Brasil são feitos por veículos de motor dianteiro. E os motivos são vários, desde as más condições das vias no País, mesmo nos grandes centros urbanos, que não permitem com que ônibus de piso baixo e motorização dianteira ou traseira trafeguem com segurança, até o fato da cultura de o empresário ser conservadora e ao mesmo tempo pragmática, ao pensar em lucrar mais com investimentos menores. Ônibus com motores dianteiros são mais baratos para a aquisição e com manutenção com preços menores.
Mesmo estando no País desde 1978, a Volvo só entrou no mercado de ônibus com motores dianteiros em 2011, com o B 270 F.
E não se arrependeu. Hoje o ônibus urbano da Volvo B 270 F é o mais vendido da marca.
OS URBANOS E OS RODOVIÁRIOS VOLVO MAIS VENDIDOS:
Para este ano, a previsão é de 700 unidades de B 270 F para todo o Brasil, sendo entre 170 e 180 chassis só para São Paulo, pela Auto Sueco.
O segundo ônibus urbano mais vendido da marca é o B 290, sendo a versão B 290 RLE, de piso baixo, sendo o carro chefe para São Paulo. A Auto Sueco pretende comercializar no estado 150 unidades do modelo em 2013.
Em relação aos veículos rodoviários, a Auto Sueco estima comercializar para as empresas em São Paulo entre 80 e 90 veículos, com destaque para o B 340 R. Mas entram nesta conta também unidades do motor dianteiro B 270 F para versões de fretamento e linhas rodoviárias regulares de curta ou média distância.
B 270 F DEVE SE QUALIFICAR:
Como o ônibus de motor dianteiro ainda terá vida longa no País, já que a cultura de investimentos que buscam menos gastos por parte dos empresários e a falta de estrutura no País não devem mudar tão cedo, para atender às normas mais exigentes do poder público e dos passageiros, a solução é oferecer mais conforto a quem está no veículo de motor na frente.
Na Transpúblico 2013, a Volvo anunciou suspensão pneumática integral própria da empresa no B 270 F. Além de oferecer mais conforto aos passageiros, a solução traz também melhores condições de trabalho ao motorista. O bem estar do condutor, além de ser uma questão humana, também representa melhor produtividade do motorista e também profissionais mais satisfeitos interferindo na qualidade do atendimento ao passageiro.
Mas o B 270 F deve evoluir ainda mais, incorporando inovações como câmbio automatizado, ainda sem data para lançamento.
PRESENTE NAS GARAGENS:
Com os investimentos em mobilidade, em parte gerados pela Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016, além dos que virão por novas licitações e criação de sistemas mais qualificados, os próximos anos devem ser promissores para o mercado de ônibus.
A hora de vender e mostrar os produtos é agora.
Mas diante da concorrência no mercado e inovações que se dão de maneira mais rápida, as fabricantes e concessionárias devem estar mais presentes entre os frotistas, que por sua vez estão cada vez mais pragmáticos e com o desejo de ampliar as margens de lucro e reduzir os custos.
Não basta apenas mandar um representante comercial com um folheto na mão ou organizar visitas na fábrica.
É necessário fazer o frotista testar o ônibus, sentir o veículo para que ele veja se o modelo se adeque a sua realidade operacional.
A Auto Sueco diz que promove diversos testes emprestando ônibus às empresas. Nos próximos dias, um modelo B 340 M, articulado deve operar na Viação Miracatiba, na Grande São Paulo, e na Viação Pirajuçara, pertencente ao mesmo consórcio. Em seguida, o ônibus dever operar nas empresas Viação São José e Expresso Guarará, do grupo de Sebastião Passarelli, de Santo André.
Um modelo B 340 MA com carroceria Marcopolo Viale com configurações de ônibus urbano de maior padrão, tipo BRT, já circulou pelo Corredor São Mateus – Jabaquara, pela empresa Metra e em alguns meses deve ser testado pela Leblon Transporte, empresa de Mauá, na Grande São Paulo.
Vale ressaltar que a Volvo tem como um dos alvos a Grande São Paulo.
Na Capital, não é segredo para ninguém que um dos maiores empresários da cidade, Belarmino de Ascensão Marta, é representante da Mercedes Benz, concorrente da Volvo.
Mas até mesmo empresários que são concessionários de uma determinada marca, se interessam por testar e até adquirir modelos de outras fabricantes.
A Auto Sueco oferece também três veículos para testes padrão fretamento e rodoviário. Com carroceria Marcopolo Geração Sete, um B 270 F e um B 340 R passaram por testes na Breda.
Ainda há um veículo Marcopolo Ideale 770, B 270 F, com adesivação de test drive.
E a Volvo, que já cresceu no mercado de ônibus pode ir para o topo?
“É o que queremos, mas tudo ao seu tempo. É o caso do B 270 F. Ninguém nasce grande. As coisas surgem pequenas, crescem e depois de tornam grandes. Basta ver que em 2009 emplacamos 5 ônibus mo mercado. Em 2012 foram 198 e agora em 2013, o número de vendas pode crescer entre 15% e 20%” – reforça Mário Oliveira.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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