SPTrans diz que sistema de ônibus perde R$ 524 milhões

Publicado em: 26 de julho de 2013

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Ônibus em São Paulo. SPTrans diz que sistema transporta mais pessoas mas que deixa de arrecadar R$ 524 milhões após consolidação do Bilhete Único. Foto: Adamo Bazani

Para SPTrans, sistema arrecada R$ 524 milhões a menos em comparação ao ano que o Bilhete Único se consolidou
Diretor financeiro da SPTrans defende que as pessoas que usam o transporte individual ajudem no financiamento do transporte coletivo
ADAMO BAZANI – CBN
O sistema de transportes de São Paulo arrecada por ano R$ 524 milhões a menos em comparação ao ano de 2005, quando o Bilhete Único foi implantando integralmente nos serviços, mesmo com maior demanda de passageiros.
A informação foi dada nesta sexta-feira, dia 26 de julho de 2013, pelo diretor de gestão econômico-financeira da SPTrans, Adauto Farias, na sessão da CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito dos Transportes na Câmara Municipal de São Paulo.
Este é um dos motivos, segundo o técnico, de os subsídios da Prefeitura às empresas de ônibus terem crescido. Em 2005, os subsídios foram de R$ 224 milhões. No Orçamento para este ano de 2013 a previsão era de R$ 660 milhões de subsídios, mas o número, segundo a prefeitura pode chegar a R$ 1,425 bilhão pela redução da passagem para R$ 3,00 e pela implantação do Bilhete Único Mensal, pelo qual, pagando um valor fixo, que deve ser em torno de R$ 140, o passageiro pode usar quantos ônibus quiser no mês.
As integrações com os trens da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e o Metrô, além da possibilidade do uso de mais ônibus com o pagamento de uma só passagem, o que foi consolidado a partir de 2005, fizeram com que a demanda crescesse, mas a arrecadação do sistema não acompanhasse o mesmo ritmo.
Adauto explicou que em 2005, considerando “passageiro pagante de tarifa inteira” e “passageiro pagante de meia, como os estudantes” por mês naquele ano, a média de usuários que pagavam passagens era de 120 milhões de pessoas. Ainda em 2005, por mês eram realizadas 209 milhões de viagens. Fazendo as contas entre pagantes de inteira, de meia e número de viagens, cada passageiro pagava R$ 1,15 da tarifa que na época custava R$ 2,00. Ou seja, os passageiros eram responsáveis pelo pagamento de 57% dos valores.
Em 2012, o número de passageiros pagantes por mês, em média, subiu para 249 milhões, mas o crescimento de arrecadação foi proporcionalmente menor, atingindo mensalmente R$ 125 milhões. Os passageiros pagantes, no entanto, hoje são responsáveis por arcarem por 51,55% das tarifas ante os 57% de 2005. Se estes 57% fossem mantidos, hoje o sistema teria acumulado R$ 524 milhões a mais.
ACIMA DE INFLAÇÃO:
Segundo Adauto, desde 2001 até 2013, a tarifa subiu acima da inflação, de R$ 1,40 para R$ 3,00. Esse aumento é de 140%. Já o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo foi de 133,31%.
TRANSPORTE INDIVIDUAL DEVE FINANCIAR O COLETIVO:
Como solução para que a queda de arrecadação no sistema não reflita em tarifas mais altas ou em maiores subsídios, Adauto Farias defendeu que o transporte individual financie o transporte público até por uma questão democrática.
O usuário do carro ocupa 10 metros quadrados no espaço urbano e polui individualmente 17 vezes mais que o usuário de ônibus que ocupa 1,96 metro quadro.
Assim, o passageiro do carro ocupa mais área urbana e com a poluição e uso maior da infraestrutura deveria pagar por isso e auxiliar quem aproveita melhor o espaço na cidade, segundo a lógica.
Entre as propostas defendidas por Adauto, está a municipalização da Cide – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, o chamado imposto da gasolina, proposta já difundida pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

Comentários

  1. José disse:

    se fizerem isso vamos todos abastecer no ABC. Chupa governo!

  2. Joaquim Barbosa disse:

    Amigos da São Paulo Transporte e secretário Jilmar Tatto, acabe com o Rodizio, e implante no centro expandido o PEDÁGIO URBANO e que este dinheiro seja aplicado direto no transporte público.

    1. Luis disse:

      Joaquim você acredita realmente que se implantasse pedágio urbano o dinheiro arrecadado seria aplicado no transporte público? Realmente você acredita? Você acreditou quando implantaram o IPVA que sua receita seria investida em melhorias nas rodovias e nas ruas das cidades? Melhor você deve ter acreditado tambem quando implantaram a CPMF que o dinheiro seria revertido para a saúde?

  3. Luiz Vilela disse:

    Inacreditável como SPTrans e seu diretor financeiro nem mencionam a política de cobrança injusta, que só usa o bilhete único para nivelar viagens curtas/rápidas com as longas/demoradas.

    É óbvio que o problema de São Paulonão é os 6% / 500 milhões.

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