Estudo da CET reforça a necessidade urgente de prioridade ao transporte público

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Ônibus em faixa exclusiva na Avenida Paulista, em São Paulo. Trânsito na cidade piorou de 2011 para 2012. Transporte coletivo é considera pela CET como principal solução para conter o crescimento dos índices de congestionamentos. Foto: Adamo Bazani

Estudo da CET aponta urgência na ampliação da prioridade ao transporte coletivo
Fora dos horários de pico, congestionamentos aumentaram 50% de 2011 para 2012. Frota de veículos dobrou enquanto população cresceu 19%
ADAMO BAZANI – CBN
Estudo divulgado pela CET – Companhia de Engenharia de Tráfego mostra que o trânsito em São Paulo piorou de 2011 para 2012.
Fora dos horários de pico a situação se agravou ainda mais. Em algumas horas, como às 11 h da manhã, o índice médio subiu cerca de 50%, passando de 34 quilômetros de lentidão para 66 quilômetros.
Nos horários de maior movimento, os congestionamentos também aumentaram de 2011 para 2012. Das 7 horas às 10 horas, a média passou de 53 quilômetros de vias congestionadas para 68 quilômetros.
Já no pico da noite, o aumento foi de 12%, com lentidão passando de 107 quilômetros em 2011 para 120 quilômetros em 2012 às 19 horas.
A CET é enfática em dizer que a principal solução para o trânsito, que tira qualidade de vida, causa prejuízos à economia e aumenta a poluição, é a ampliação de espaços preferenciais para o transporte público, em especial a construção de mais corredores de ônibus, que são soluções de rápida implantação e com resultados permanentes, quando há bom planejamento.
“Só mesmo a mudança das pessoas do carro para o transporte público vai melhorar a situação. Os ônibus precisam ganhar produtividade, velocidade e se tornarem atraentes e sisso só será possível quando eles tiverem mais prioridade no espaço na cidade”, relatou Tadeu Leite Duarte, diretor de Planejamento da CET, à âncora do CBN São Paulo, Fabíola Cidral.
FROTA DE CARRO CRESCE MAIS QUE POPULAÇÃO:
Os dados mostram de fato que as políticas públicas privilegiaram o transporte individual a tal ponto que nos últimos 22 anos houve um grande estímulo para a compra de carros e deslocamentos particulares, o que explica a realidade complicada nas ruas e avenidas.
De acordo com a CET, em 1990, o número de carros para cem habitantes era de 36. Esse número pulou para 64,7 veículos para um grupo de cem habitantes em 2012.
Já a população neste mesmo período cresceu muito menos: apenas 19%.
O tamanho da frota de veículos mais que dobrou neste período chegando a 7,3 milhões de automóveis em 2012 só na cidade de São Paulo.
A Prefeitura de São Paulo promete até 2016 a implantação de cerca de 150 quilômetros de corredores de ônibus, uma boa parte do tipo BRT – Bus Rapid Transit, com estações que permitem embarque no mesmo nível do assoalho dos ônibus, pré-embarque, que é o pagamento da passagem antes da chegada do veículo, pontos de ultrapassagem para evitar filas de ônibus na parada, totens eletrônicos com informações sobre horários e itinerários e estrutura para receber veículos de grande porte, como articulados e biarticulados.
A prefeitura pretende implantar até o final do ano 220 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus. Segundo dados preliminares da CET, os cerca de 80 quilômetros de faixas já instalados na cidade, contribuíram para o aumento da velocidade de 13 quilômetros por hora para 15 quilômetros por hora.
Até setembro devem ser mais 40 quilômetros de faixas, inclusive na Avenida 23 de Maio.
Especialistas vêem de forma positiva a ampliação das faixas e corredores, mas dizem que é necessário um número maior de espaços exclusivos, e como as cidades são interligadas, eles apontam para a necessidade de mais corredores de ônibus metropolitanos intermunicipais.
A CET propõe também a ampliação da área de rodízio municipal de veículos já para setembro.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes
FOTO:
Ônibus em faixa exclusiva na Avenida Paulista, em São Paulo. Trânsito na cidade piorou de 2011 para 2012. Transporte coletivo é considera pela CET como principal solução para conter o crescimento dos índices de congestionamentos. Foto: Adamo Bazani

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