Empresas de Ônibus: Novos nomes, velhos problemas

ônibus

Ônibus que atualmente serve o Esporte Clube Santo André,que já foi presidido por Ronan Maria Pinto. Veículo serviu às empresas dele que ao lado do concunhado e a parceiro de negócios, Baltazar José Sousa, tem o hábito de mudar os nomes das empresas como estratégia para participar de licitações. Foto: Adamo Bazani.

Novos nomes para velhos problemas
Prática de mudança de nomes por parte de empresas de ônibus em São Paulo e no ABC Paulista é estratégia para operar com irregularidades

ADAMO BAZANI – CBN

Imagine uma pessoa que se chama José da Silva. Ele está cheio de dívidas, com nome no SPC, título de eleitor vencido, procurado pela Justiça, em resumo, com o nome sujo. Mas repentinamente, ele muda o nome para João da Silva e grande parte de seus problemas está resolvida.
Algo que é impossível para pessoas físicas, é uma prática muito comum entre os empresários de ônibus que é de conhecimento das autoridades mas que a população não sabe é trocar o nome de suas companhias problemáticas e conseguir continuar operando.
Somente nesta quinta-feira, após a greve de ônibus na Zona Leste de São Paulo é que ficou conhecido o nome Empresa de Transportes Itaquera Brasil S. A.. A empresa nada mais nada menos é a Viação Novo Horizonte, considerada a pior companhia da cidade de São Paulo pela SPTrans e que é alvo de processos, inclusive pelo Ministério Público Estadual por má prestação de serviços e suspeitas de confusão jurídica, enriquecimento ilícito dos diretores e desvios de verbas públicas.
A Happy Play, do mesmo Consórcio Leste 4, que já recebia repasses de verbas da prefeitura de São Paulo, sem ter nenhum ônibus, depois da intervenção do Ministério Público, teve ônibus pintados em seu nome.
No ABC Paulista, a prática é exatamente igual. Muita gente pensa que está usando os serviços de uma empresa nova, mas os donos das companhias são os velhos barões dos transportes.
Aliás, a prática é tão descarada que tanto no ABC Paulista como na Capital (em outras cidades também) o que só muda mesmo é o nome: funcionários, garagens, direção e até os ônibus são os mesmos. Às vezes a pintura recebe uns retoquezinhos.
As licitações não permitem que empresas com altos débitos trabalhistas e fiscais, além das que são alvos de investigação até por crimes, participem das disputas para continuarem nos sistemas.
Mas em vez de o poder público impedir a permanência destes maus empresários, aceita que os novos nomes de empresas apareçam, apesar de não haver mudança nenhuma. E o melhor para estes empresários: mudando de nome, suas dívidas e problemas antigos deixam de se acumular.
E como eles fazem isso? Abrindo empresas de gaveta. Para eles, abrir uma empresa de ônibus é mais fácil que o cidadão comprar um misto quente no bar.
A empresa é aberta e fica paradinha. Quando há uma nova licitação ou alguma ameaça de descredenciamento, esta empresa é retirada da gaveta e substitui a viação podre.
Assim foi em Santo André em 2008, por exemplo, na polêmica licitação na qual a empresa de Mogi das Cruzes, Júlio Simões, ofereceu repasses à prefeitura quatro vezes maior que a concorrente Consórcio União Santo André, mas mesmo assim foi desclassificada por critérios técnicos que ainda deixam dúvidas.
Na ocasião, Empresa Auto Ônibus Circular Humaitá, de Ronan Maria Pinto, já tinha se transformado em Viação Guaianazes. ENSA – Expresso Nova Santo André, também de Ronan, dono do jornal Diário do Grande ABC, com outros empresários, virou ETURSA – Empresa de Transportes Urbanos Rodoviários de Santo André e a Viação São Camilo, de Baltazar José de Sousa, virou EUSA – Empresa Urbana Santo André. Ela continua com este nome nas linhas intermunicipais porque não houve licitação na área 5 da EMTU.
Já a Viação Vaz, em Santo André, surgiu em 2002, com nova diretoria, mas ocupando as instalações da Viação Padroeira do Brasil, que era de Baltazar com a família Romano.
Em Mauá, a Viação Cidade de Mauá é a mesma coisa que a problemática Viação Barão de Mauá. Se a Leblon, empresa que não pertence aos empresários antigos do ABC, não tivesse vencido o lote 02, a Viação Januária hoje se chamaria TransMauá ou Viação Estrela de Mauá, criadas pro Baltazar para licitações.
Em Rio Grande da Serra, hoje a empresa Talismã é do mesmo grupo da Pérola da Serra, que teve suspeitas de envolvimento até mesmo em crimes contra prefeitos que foram assassinados.
Algumas empresas mudam de nome porque de fato mudaram a direção. O nome Publix é relativamente novo. A empresa opera as linhas intermunicipais que eram de Ronan Maria Pinto, da Empresa Auto Ônibus Circular Humaitá e Inter-Bus. A Publix é da família Setti Braga, a mesma que controla a SBCTrans em São Bernardo do Campo, a Auto Viação ABC e os ônibus e trólebus da Metra.
A família costuma manter os nomes das empresas. A Viação ABC tem esta denominação desde 1956. O mesmo ocorre com a TCPN – Transportes Coletivos Parque das Nações, de Santo André, de Carlos Sófio. A empresa também mantém o nome desde 1956 e, apesar das pressões financeiras por ser uma companhia pequena e sofrer e muito por causa dos empresários maiores, consegue permanecer com a situação regular.
Mas de uma maneira geral, os empresários continuam os mesmos, com empresas de nomes novos, mas práticas antigas. E, na brecha da lei, o poder público faz de conta que é moral e normal.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

14 comentários em Empresas de Ônibus: Novos nomes, velhos problemas

  1. Adamo isso aconteceu com a Imigrantes ou a Mobibrasil é uma nova empresa pois aparentemente a condições dos carros melhorou não sei o serviços aos usuários pois não uso os serviços da empresa um abraço e obrigado

  2. Identifiquei muito com essa noticia, aqui no Guarujá por exemplo acontece a mesma coisa que no ABC paulista, a Viação Guarujá por exemplo usa agora a fachada “Translitoral”, e usou este artificio para opelar linhas municipais há 13 anos atrás.

  3. Jair Belisário da Silva // 19 de julho de 2013 às 11:56 // Responder

    Os serviços da Mobibrasil em linhas intermunicipais tá um a porcaria. Muitos carros são muitos velhos, quebras constantes, atrasos, entre outros problemas…A linha 112 Term. Piraporinha x Santo Amaro é uma delas. Semana passada , dia de sabádo esperei por 1h20 por um ônibus pro Term. Piraporinha e não passou nenhum. Ou seja ela não está cumprindo com os horários estabelecidos pela EMTU. E ainda quebra muitos ônibus. Devia se chamae Moquebrasil.

  4. Taí uma matéria realmente de utilidade pública. Acho que outros órgãos poderiam investir nisso.
    Parabéns Adamo

  5. Não posso me indentificar // 19 de julho de 2013 às 12:20 // Responder

    Sou motorista de ônibus de uma dessas emprezas que voçê falou.
    Além de inganar o povo, os empresários mudando nome das empresas enganam os trabalhadores e deixam de pagar um monte de direito.
    Somos obrigados a trabalhar na nova empresa e as dívidas das antiga é esquicida e fica anos na Justiça.

  6. Calixto Zona Leste // 19 de julho de 2013 às 13:27 // Responder

    aqui na nh foi isso mesmo que tá escrito. muitas empresas faz isso e empurram dívidas com a barriga que nunca vão ser pagas

  7. Infelizmente quem trabalha direito não tem benefício algum, já quem trabalha com essas práticas tiram o benefício do governo, da morosidade da justiça e dos trabalhadores. Um exemplo são as vistorias da EMTU, o que muda para empresa tirar nota 10 ou 0 ? Nada, pois quem tira 8…9…10 não tem benefício algum, então para que se esforçar !? O que adianta ter uma empresa com mais de 50 anos como você disse, sendo que ela é tratada igual às empresas de 6 meses que mudou 15 vezes de nome e tira 0 nas vistorias !?
    Enquanto não levarem a sério o transporte, ficaremos na mesma, sonhando…

  8. Pessoal, todos sabemos que nesta historia não tem anjos so demônios, este trambique e organizado a duas mãos, Sptrans, empresa, o péssimo serviço desta organização e defendida internamento pela Sptrans, porque e de la que vem as propinas, depois vem o abafa o caso, por isso eles não tem dinheiro para pagar salários, quanto mais renovar a frota, enquanto não fecharem a Sptrans, isto não vai mudar.

  9. DENUNCIAS NÃO FALTAM
    FATOS NÃO FALTAM

    JÁ PASSOU DA HORA DE
    1) CONSORCIO LESTE 4 SER BANIDO DE SÃO PAULO
    2) RONAN MARIA PINTO E BALTAZAR, PÉSSIMOS EMPRESÁRIOS, SUMIREM DO ABC. OS TRANSPORTES SÃO ATRASADOS NO ABC POR CAUSA DELES E DO PODER PÚBLICO CARNEIRÃO…ELES MANDAM EM MUITOS PREFEITOS, EM ESPECIAL O DONO DESTE JORNAL INCONFIÁVEL, O DIARIO QUE APEQUENA O GRANDE ABC

  10. Legal é que a vontade de criticar o grupo dos mineiros é tanta,que vi até uma defesa a Julio Simões,que tem operaçao pior que as empresas do Baltazar e do Ronan,e ja mudaram de nome trocentas vezes,como as empresas criticadas na reportagem…
    Eu gosto dessas ,mas tem hora que a obsessão pela queda desse grupo ruim é tanta,que tem bobagem dita,sem pensar…

  11. ‘”Assim foi em Santo André em 2008, por exemplo, na polêmica licitação na qual a empresa de Mogi das Cruzes, Júlio Simões, ofereceu repasses à prefeitura quatro vezes maior que a concorrente Consórcio União Santo André, mas mesmo assim foi desclassificada por critérios técnicos que ainda deixam dúvidas.

    Vale lembrar que a Julio Simoes ja mudou de nome varias vezes no alto tiete,e que em Itaqua a operaçao dela é tão ruim que apenas 2 % da poulaçao usa onibus municipais,la ela tem monopolio…
    A operaçao na area 4 emtu tb deixa mto a desejar,linhas com apenas 1 ou 2 carros em intinerarios extensos,portanto se hovesse uma saida de baltazar e ronan,pra entrada de uma julio simoes,o q difrenciaria seria apenas a renovaçao de frota,pq as operaçoes,seriam ainda piores do que sao hj…

  12. A julio simoes e outra porcaria tem alta rotatividade de funcionários,um salario de passar fome,vcs acham que uma empresa com cem por cento dos funcionários insatisfeitos prestaria um bom serviço,respeito todos os comentários mas a maioria que comenta são usuários ,e admiradores,mas não tão no sistema pra ver a bola de neve que e os transportes , concordo que as empresas do Baltazar são ruim mas a única diferença em relação a julio simoes e o ano da frota pois em termos de serviço e horários a julio simoes e a mesma porcaria da eaosa e digo mais os motoristas vao pra julio so pra esquentar a carteira e aprender o trecho depois que fez isso todos vem para o abc em busca de melhores salários, não estou defendendo ninguém mais quem e do sistema sabe do que eu to falando

    • Só um erro de interpretação de texto que é comum em boa parte de leitores. Ninguém disse que a Júlio Simões é boa ou ruim, só levantou o fato do repasse maior oferecido por ela, e mesmo assim ela foi desqualificada. Isso até o Ministério Público apurou.
      É questão de não apenas ler, mas entender um texto.

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