Pela inflação, tarifa de ônibus deveria ser de R$ 2,16 em São Paulo

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Ônibus de São Paulo. Se a inflação desde o Plano Real fosse seguida, tarifas seriam de R$ 2,16. Foto: Adamo Bazani

Pelo acumulado da inflação desde o Plano Real, tarifa de ônibus deveria ser de R$ 2,16 em São Paulo
Reajuste este ano só foi menor por causa de subsídios, desonerações e medo de descontrole do Governo Federal.
ADAMO BAZANI – CBN
O mais recente aumento nas tarifas de ônibus municipais de SãoPau8lo, ônibus intermunicipais da EMTU, metrô e trens da CPTM, que ocorreu no dia 2 de junho, ficou abaixo da inflação de dois anos. As passagens de ônibus municipais da Capital Paulista não tinham aumentos desde 2011. Por ser ano de eleições municipais, o então prefeito, Gilberto Kassab, decidiu congelar as tarifas em 2012 porque sempre aumentos de passagens não trazem boa imagem política. As tarifas do Metrô, dos trens da CPTM – Companhia de Trens Metropolitanos e dos ônibus intermunicipais da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, não tinham aumento desde 2012.
Passando de R$ 3,00 para R$ 3,20, as passagens dos transportes em São Paulo ficaram abaixo dos índices inflacionários dos períodos contando desde os últimos aumentos.
Os objetivos principais não foram a mobilidade, mas o temor do Governo Federal em não perder o controle da inflação.
Os reajustes em São Paulo, tanto dos transportes municipais como de metropolitanos, deveriam ser aplicados em janeiro e fevereiro. Mas a presidenta Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda Guido Mantega solicitaram para o rival Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, e para prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, segurarem o aumento das tarifas.
O aumento foi realizado então em junho. Mas contanto com o acumulado do ano passado e do ano retrasado mais os seis meses do pedido da equipe de Dilma, os reajustes seriam maiores e impactaria na inflação. Afinal, houve aumento de salários de motoristas, cobradores, fiscais, mecânicos, dos pneus, lubrificantes, dos ônibus (mudaram de tecnologia de restrição a poluição e ficaram 15% mais caros) e do diesel, que foi elevado por duas vexzes este ano, depois do congelamento dos preços da Petrobrás.
Então, Guido Mantega e Dilma decidiram isentar das receitas das empresas de ônibus, trens e metrô o PIS/COFINS, que pesavam 3,65% no valor das tarifas. Por isso, as passagens foram para R$ 3,20. Em outras cidades, onde o valor era de R$ 3,30, a tarifa foi baixada para R$ 3,20, como Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Mauá, Ribeirão Pires, entre outros.

DESDE PLANO REAL, PASSAGENS ESTÃO MUITO ACIMA DA INFLAÇÃO:

O prefeito Fernando Haddad disse que se não fossem os subsídios e as desonerações, hoje as tarifas deveriam ser de R$ 4,15, em vez dos R$ 3,20 e que para atender o pedido do Movimento Passe Livre para que a passagem fosse reduzida de R$ 3,20 para R$3,00, os subsídios ao sistema deveriam pular de R$ 1,25 bilhão para R$ 1,5 bilhão no mínimo.
O custo mensal para manter um ônibus urbano em operação é de R$ 32 mil segundo planilhas da prefeitura. O fato de haver poucos espaços exclusivos para ônibus, fazendo com que eles fiquem presos no trânsito, mesmo transportando mais pessoas e aproveitando melhor o espaço urbano, também aumenta os custos operacionais. Num corredor exclusivo, os ônibus podem consumir até 20% menos de diesel.
O Secretário Municipal dos Transportes, Jilmar Tattto, disse que os corredores (que são bem diferentes de faixas) só devem ter licitação finalizada, se nada der errado, apenas em novembro. Menos custos operacionais, menor tarifa também, passam justamente pela prioridade ao transporte coletivo.
Mas nos últimos cerca de 20 anos, os ônibus deram uma goleada na inflação.
No ano de 1994, o paulistano pagava R$ 0,50 para andar de ônibus. Já em 2004, dez anos depois, a inflação tinha acumulado 162% e a passagem teve reajustes de 240%. E 2004, a passagem de ônibus em São Paulo custava R$ 1,70. O ritmo do crescimento dos valores das passagens de ônibus começou a cresceu ainda mais. Entre 1994 e 2013, a inflação acumulou 332%, mas as passagens de ônibus subiram 540%. Se esse índice de inflação fosse seguido, hoje a tarifa de ônibus seria de R$ 2,16 na Capital Paulista.
DEPUTADA E EX-PREFEITA ACREDITA AINDA QUE TRANSPORTES PODERIAM NÃO TER TARIFAS:

A deputada federal e ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, falou no início desta manhã com o jornalista Milton Yung, no Jornal da CBN, produzido pelos jornalistas Caroline Tamassia e Clésio Botelho, com trabalhos técnicos de Paschoal Júnior. Ela disse que é perfeitamente possível uma cidade como São Paulo ter tarifas de ônibus sem cobrança para os passageiros, mas com custos para o município.
Ela conta que quando era prefeita, em 1991, apresentou um projeto à Câmara Municipal para zerar a tarifa dos ônibus municipais.
Na ocasião, Erundina propôs a criação de um novo tributo, sendo cobrado junto com o IPTU – Imposto Predial Territorial Urbano. Com isso, seria criado um Fundo Municipal para os Transportes com este fim.
A proposta foi reprovada.
Erundina reconhece um desafio quando o assunto é tarifa zero.
“O transporte é um serviço social, como saúde, educação e limpeza pública. Mas é uma atividade econômica. Assim, o importante é não perder o caráter social, mas também dar garantia de lucro ao empresário de ônibus, afinal, para ele é um negócio, e ninguém entra num negócio para perder,o empresário precisa ter retorno para investir. O valor de um ônibus é caro bem como sua manutenção. Por isso, deve haver um equilíbrio” – disse Luíza Erundina.
Em sua gestão, ela tentou remodelar o sistema de transportes de São Paulo, com a chamada “municipalização”, que na verdade não é um termo correto.
Municipalização seria se o poder público tivesse o total gerenciamento e operação do sistema. Mesmo com a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, boa parte da operação era feita pelas empresas particulares, lideradas ainda por três grandes grupos que controlam cerca de 60% dos transportes em São Paulo: José Ruas Vaz, Belarmino de Ascenção Marta e família Saraiva. A nova licitação dos transportes vai dividir a cidade de 15 mil ônibus e que transporta por ano 2,9 bilhões de pessoas, em três SPE´s – Sociedades de Propósitos Específicos, o que deve aumentar a concentração ainda mais do sistema.
O sistema de pagamento às empresas não pelas catracas, mas pelo serviço prestado, chamado popularmente de “quilômetro rodado” acabou não dando certo.
Os transportes melhoraram, mas como recebiam pelos serviços, as empresas sobrepunham linhas e horários, o que onerou os cofres públicos.
A CMTC foi um marco nos transportes de São Paulo, sendo pioneira nos trólebus, nos ônibus movidos a combustíveis alternativos ao Petróleo, em novos modelos e até fabricando ônibus.
Mas como no País sempre as autoridades pensaram que dinheiro público é dinheiro de ninguém, ao longo de sua existência, desde 1946, a CMTC sofreu desvios de verbas e foi um grande cabide de empregos.
A empresa se complicou financeiramente ainda mais na época de Erundina.
O prefeito sucessor, Paulo Maluf, em vez de tentar recuperar a empresa, privatizou a Companhia Municipal de Transportes Coletivos. Foram dois anos de privatização. Primeiro os lotes de ônibus a diesel, em 1993, em seguida o sistema de ônibus limpos (trólebus) em 1994 – que tiveram expressiva redução – e por último o gerenciamento, criando a SPTrans., empresa de economia mista.

REUNIÃO E NOVOS PROTESTOS:

Novos protestos contra as tarifas devem ser realizados nesta segunda-feira. As cúpulas da Polícia Militar e da Secretaria de Segurança Pública devem se reunir com os integrantes do MPL – Movimento Passe Livre. O objetivo é evitar as cenas de violência que ocorreram nas outras ações.
Estão previstos protestos no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Distrito Federal. Os protestos de São Paulo, que devem ser realizados às cinco horas da tarde, terão apoio de grupos que lutaram pela redução das tarifas em Santo André e em Mauá. No caso de Mauá, o grupo protestou contra a possível saída da empresa Leblon Transporte, a única que em 30 anos quebrou o monopólio de Nenê Constantino, Ronan Maria Pinto e Baltazar José de Sousa.
A Leblon diz que até hoje sofre pressão das empresas que querem os serviços totais na cidade de volta.
Assim, além da tarifa, os monopólios dos transportes estão por trás de muitas questões relacionadas à mobilidade.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

8 comentários em Pela inflação, tarifa de ônibus deveria ser de R$ 2,16 em São Paulo

  1. Adamo, análise excelente, oferecendo uma contribuição real para o debate. E, pessoalmente, a escolha da Erundina para comentar o assunto foi muito acertada.

  2. Õnibus grátis e aumenta a conta do IPTU , então não tem nada de grátis , eu não entendi a lógica dessa senhora , que até onde eu me lembro , ela não fez nada pra salvar a CMTC da corrupção , os manifestantes deviam abrir uma empresa de ônibus e depois poderiamos conversar ou , como o BNDS está dando dinheiro para a petroleira , podemos fazer uma troca , ela é ajudada em contrapartida ela financia o transporte público , ou seja , toda grande empresa que é ajudada pelo governo a mesma terá a obrigação de devolver com serviços públicos , sou contra aumento também , mas se pagando já está assim , imaginem se fosse mais barato?

  3. Nada é gratuito. Se na catraca não houver pagamento, esse pagamento vai acontecer em outro lugar, de outra forma, que será nova fonte de protestos…O negócio é que, faça o que se fizer, qualquer coisa mesmo relacionada a transporte, NUNCA vai estar bom, nem será suficiente…

  4. Adamo,

    A CMTC nunca foi privatizada, o que se privatizou foi a operação das linhas.
    A CMTC ainda existe, o que houve foi, em 1995, a mudança da razão social para SPTrans.

  5. Amigos, boa noite.

    Levanto aqui algumas questões para debate.

    Se aplicarmos o acumulado da inflação desde o Plano Real, sobre os itens abaixo relacionados, qual seria a cotação deles hoje ? e qual é a cotação real destes itens hoje ?:

    ITEM SÓ A INFLAÇÂO ACUMULADA O REAL EM 17.06.13

    1) IPTU
    2) GASOLINA
    3) ÓLEO DIESEL
    4) PNEUS
    5) IRPF
    6) CESTA BÁSICA
    7) SABÃO EM PÓ
    8) LEITE;
    9) CERVEJA;
    10) IPVA
    11) PEDÁGIO
    12) INSS
    13) PÃO
    14) CAFÉ
    15) TOMATE
    16) LAVAGEM DE VEÍCULOS
    17) FRETE
    19) REMÉDIOS
    20) SERVIÇOS

    E tantas outros itens que nem em sonho os preços acompanharam a inflação, sempre subindo muito além.

    Buzão com tarifa a R$ 2,16, mas nem em MANTEGÓPOLIS no D.F.

    A única coisa de “bom” que a ex Prefeita fez foi enterrar a Avenida Juscelino Kubitschek.

    Imaginem só, o gênio do Prefeito Jânio Quadros há havia feito a escavação da Avenida e a ex Prefeita mandou aterrar.

    No mínimo ela devia ressarcir aos cofres públicos pela aberração cometida e pelo mal que ela causou a população, impedindo que a Juscelino ficasse totalmente subterrânea.

    Fonte em 17.06.13 ás 21:04 hs

    http://notes.abcp.org.br:8080/Producao/clipp/clipp.nsf/59dac160bc7df2ba03256aef00407549/1e29edcc76ca8a9d83256c0d00529e8d?OpenDocument

    “A via expressa, iniciada por Jânio Quadros (1985-1988), foi suspensa por Erundina (1989-1992). Considerando a obra cara, ela mandou recobrir 500 metros que já haviam sido escavados e suspendeu o projeto de ligar a Avenida 23 de Maio ao Morumbi.”

    Leiam o texto na integra confiram a bobagem.

    Conforme consta no post acima:

    “O prefeito Fernando Haddad disse que se não fossem os subsídios e as desonerações, hoje as tarifas deveriam ser de R$ 4,15”

    Modéstia a parte estou “mandando” bem, num comentário anterior previ uma tarifa a R$ 5,00.

    Bom, está tudo errado, a tarifa do Buzão é igual a cotação do Dolar, sempre vai subir.

    PREVISÍVEL…

    E falando em previsível o especialista em conclusões previsíveis Paulo Gil, vai mandar mais uma previsível e certa.

    A Leblon, logo logo, sai de cena seja do jeito “A”, do “B”, do “C” ou do “n” .

    Alguém duvida ? Aguardem .

    Mais uma do Paulo Gil para entrar para a história do Buzão de Sampa, só que agora intermunicipal.

    Amigos volto a repetir, não se iludam, a inflação em nosso país é cultural ela é igual a caminhão.

    “SEM CAMINHÃO O BRASIL PÁRA”, então:

    Com a inflação é a mesma coisa

    SEM INFLAÇÃO A COISA NÃO ANDA, IMPERRA.

    Deixem tudo aumentar na boa, a pior coisa que tem é tudo aumentar mensalmente e o salário não aumentar.

    Alguém duvida ?

    Só duvida quem não faz supermercado.

    Querem tirar a prova dos 9 ?

    Façam uma comprinha básica no supermercado este mês, repitam a mesma compra após 30 dias, ai vocês me digam.

    Mas nem em Mantegópolis os preços se manterão.

    É MENTIRA TERTA ???

    Como prometido, abaixo segue uma sabia citação diferente.

    “ESCREVER É GRAVAR REAÇÕES PSÍQUICAS. O ESCRITOR FUNCIONA QUAL ANTENA – E DISSO VEM O VALOR DA LITERATURA. POR MEIO DELA, FIXAM-SE ASPECTOS DA ALMA DUM POVO, OU PELO MENOS INSTANTES DA VIDA DESSE POVO”

    Monteiro Lobato

    Att,

    Paulo Gil

  6. quero ver falar que o protesto dessa segunda é de bardeneiros e etc…

    Estava lá muitas pessoas com vontade de mudar esse pais, cobrando os politicos que quase nada fazem para melhorar a vida das pessoas

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