Ciclistas e trânsito. Chega de demagogia – EDITORIAL

ônibus

Ônibus na Avenida Paulista com ciclofaixa de lazer ao lado. Bicicleta deve ser reconhecida como meio de transporte e ser integrada com o transporte público. Mas nas atuais circunstâncias, incentivar as pessoas a irem trabalhar de bicicletas é um crime sem precedentes. Foto: Adamo Bazani

Editorial: Ônibus e bicicleta podem conviver num mesmo espaço?
Bicicleta deve ser reconhecida como meio de transporte, mas incentivar uso da bicicleta no meio do trânsito é um assassinato em nome da demagogia
ADAMO BAZANI – CBN
Recentemente, vários acidentes envolvendo ônibus e bicicletas ganharam destaque na mídia e foi levantada a seguinte questão: Ônibus e bicicletas podem conviver no mesmo espaço?
A resposta é NÃO!
Isso pode chocar os sustentáveis de plantão, mas esta é a realidade das ruas.
Incentivar hoje as pessoas a se deslocarem de bicicleta para o trabalho ou escola sem dar condições de segurança em ciclovias e com a conscientização de motoristas, é um assassinato em nome da demagogia.
A bicicleta pode e deve ser encarada como meio de transporte para o dia a dia e deve ser integrada ao transporte público para que as cidades sejam mais limpas, sustentáveis e para que as pessoas se locomovam melhor, poupando o já disputado espaço urbano.
Mas incentivar as pessoas com bicicletas a peitarem os gigantes ônibus e caminhões ou desafiarem o desrespeito de motoristas de carro, é uma irresponsabilidade criminosa!
A ideia de fazer com que as bicicletas compartilhem as faixas de ônibus deveria ser considerada ação hedionda com requintes de crueldade.
Primeiro pela postura dos motoristas, que deve ser mudada. É verdade que hoje a maior parte dos motoristas não respeita quem está bicicleta. Assim, cursos de qualificação são essenciais. Mas deixemos de ser hipócritas.
Só curso não adianta. Tecnicamente é impossível colocar ônibus e bicicleta no mesmo espaço.
A regra de manter 1,5 metro de distância de um ciclista é IMPOSSÍVEL de ser cumprida SIM. Para comportar o trânsito nas cidades, hoje as faixas de rolamento estão cada vez mais estreitas. Tem faixa com 3 metros de largura. Levando em consideração que a largura de um ônibus é entre 2,40 metros e 2,60 metros, manter um metro e meio de distância do ciclista é meio que desafiar a lei da física.
E outra, o ônibus é um veículo grande, um convencional mede entre 12,5 metros e 13,2 metros, fora os de três eixos de 15 metros, os articulados de 18 metros a 23 metros e os biarticulados entre 26 metros e 28 metros de comprimento.
Por mais que a tecnologia evoluiu, com retrovisores modernos que mostram mais áreas na lataria, veículos até com câmeras cujas imagens são exibidas no painel para o motorista, os ônibus ainda têm o chamado “ponto cego” e sempre vão ter.
São áreas na lataria que, dependendo da manobra, o motorista não consegue visualizar.
Quanto menor o volume ao lado do ônibus, como um pedestre, uma moto ou um ciclista, mais difícil será a visualização.
Não é ser contra o ciclista ou motorista de ônibus.
Os dois meios de transporte devem se integrar, com ciclovias e corredores de ônibus que contem com bicicletários. Mas a integração não pode ser de qualquer maneira como os ciclochatos querem.
Essas pessoas, além de pouco usar a bicicleta de verdade, nunca sentaram ao banco de um motorista de ônibus. Não sabem como é difícil num trânsito estressante controlar uma máquina gigante, às vezes com mais de cem pessoas dentro dela, tendo de dirigir, cobrar a passagem às vezes, ouvir reclamação de atrasos que nem sempre são culpa do motorista, campainhas, buzinas, passageiros mal educados, medo de assaltos, funkeiros com som alto, calor, barulho.
Viva a bicicleta. Viva o transporte público. Mas cada um no seu espaço, de forma integrada, e sem hipocrisia. O cicloativismo é mais uma das modinhas que não contribuem em nada para a sociedade, muito menos para os ciclistas.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

19 comentários em Ciclistas e trânsito. Chega de demagogia – EDITORIAL

  1. Boa noite !

    Sem polemizar.

    Na minha humilde opinião, a matéria está certa.

  2. Adamo, você utiliza o mesmo argumento daqueles que falam “não adianta ficar incetivando o uso de ônibus, em quanto não melhorarem a qualidade do transporte coletivo, vou continuar usadno meu carro”. A mesma coisa se aplica a bike, se for ficar esperando haver um sistema de ciclovias e ciclofaixas para se andar de bicicleta, melhor esperar sentado porque não vai acontecer tão cedo. Aliás, somente com grande quantidade de gente usando a bicicleta que a pressão por melhorias vai aumentar. Eu concordo que há vias que devem ser evitadas por ciclistas, principalmente as vias com grande fluxo de ônibus, mas esta opinião estã muito longe do que foi colocado no seu texto.

  3. Eu acho que o desrespeito e mútuo, não só dos motoristas para com os ciclistas, mas dos ciclistas para com os motoristas também, pois estou cansado de ver ciclistas andando na contra-mão, passando semáforo fechado, atravessando em meio as pedestres nas faixas (e não é empurrando a “magrela”), andando sobre a faixa que divide a rua (hoje mesmo vi um andando assim na Av. Sapopemba, num horário bastante movimentado, 18:45h, em meio aos vários ônibus e carros que estavam circulando por la), andando no meio da faixa, sem ceder passagem para o veículo que esta vindo com mais velocidade (inclusive caminhões e ônibus). Concordo com o termo adotado: CICLOCHATOS mesmo, pois se depender deles, a cidade só vai se locomover de bicicleta, não haverá carro, nem ônibus, nem caminhão nem nada. Acho também que não deve haver curso apenas para quem dirige, mas para quem utiliza bicicleta como meio de transporte (ou seja, os maiores de 18 anos, além de meios para fiscalizar aos ciclistas também) e para os pedestres que insistem em não respeitar quem dirige (mas exigem respeito dos mesmos). Para mim, já passou da hora dessa hipocrisia (muito bem lembrada aqui na reportagem, mas que não acontece somente neste tema, mas em praticamente tudo o que se vê hoje em dia, com essa onda de “politicamente correto”) ser banida e as pessoas deixarem de adotar essa bandeira pra tudo que é assunto abordado nas políticas públicas.

  4. Eu também estou de acordo, pois acho que nossas vidas vale mais que qualquer coisa e não adianta a incentivar a usar bicicleta como meio de transporte e ao mesmo tempo dividindo espaço com ônibus, isso é algo inaceitável e totalmente contra a realidade, até mesmo as leis da física. Deve-se promover a construção de ciclovias para que possam caminhar com suas bicicletas, do contrário, quantos ciclistas terão suas vidas perdidas por causa desse absurdo?

  5. Concordo plenamente com a materia, e digo mais, os “ciclochatos” de fato é a grande maioria, pois não tem a menor consciencia da responsabilidade dos motorista desses veiculos gigantes que transportam a população.

  6. Adamo,
    Vc está errado, pois na holanda tudo funciona bem, é possivel todos os meios de transporte conviverem juntos, o que falta é educar as pessoas para esse sistema.

    • Exato, o que falta aqui é educação, e como conseguir isso é quase missão impossível, as coisas não devem mudar tão cedo…

    • Claro que na Holanda funciona. Lá as cidades possuem rígidas normas urbanísticas, são cidades planejadas, com vias com tamanho fixo, pavimento de alta qualidade,etc. Agora querer colocar ciclistas no meio do trânsito nas cidades do Brasil que são desorganizadas, não seguem nenhum padrão urbanístico, com vias estreitas, traçadas no século XIX para a passagem de carros de boi, com asfalto remendado, curvas fechadas demais, calçadas estreitas e em mal estado, achando que apenas a educação vai resolver todos esses problemas de urbanismo é ser, no mínimo, ingênuo.

      A bicicleta só conseguirá conviver no trânsito brasileiro da mesmo forma que convive no trânsito holandês no dia em que foram consertados todos esses problemas urbanísticos. E isso custa muito , mas muito tempo e dinheiro e em alguns locais é inviável realizar tais modificações (pois são áreas consolidadas).

      Então falta pé no chão e humildade para os cicloativistas brasileiros. Enquanto ficarem filosofando sobre a Holanda, nada vai mudar e ciclistas continuarão morrendo nas grandes cidades.

  7. Já estive na holanda e vi como que funciona bem

  8. Desculpem pessoal pela demora em aprovar todos os comentários. Tive problemas com o computador.
    Obrigado e continuem participando.
    Abraços a todos e obrigado pelas opiniões

  9. eh bem dificil você andar de bike perto de um ônibus ou caminhão, aqui em Itabuna eu fico com medo de ser atropelado! pois aki não tem ciclo faixa! agora city onde eu morava, Praia grande SP, as principais vias da cidade e dotada de ciclovias em quase toda sua extenção,mas o problema principal de lá são os frequentes roubos e furtos de bicicletas

  10. Sergio Santo André // 16 de Maio de 2013 às 15:54 // Responder

    Certo, temos diversas opiniões à respeito, gostaria também de emitir a minha: o que falta é educação, a educação deve vir de berço, quando seus pais foram devidamente educados e passam prá vc. Aqui, a palavra educação para os nossos governandes é sinônimo de lixo. Se houvesse interesse na educação da população, com certeza podería-mos ter ciclovias a vontade que as mesmas seriam respeitadas. Mas, como respeitar uma ciclovia com motoristas “bêbados”, que matam e simplesmente não vão para a cadeia ??? Como se respeita uma ciclovia se um “filhinho” de papai atropela, mata, e nada acontece ??? Como se respeita uma ciclovia, se o motorista sai da auto-escola depois de pagar propina ??? Como se respeita uma ciclovia se a cidade já foi planejada errada ??? Como se respeita uma ciclovia quando o próprio ciclista não a respeita, invadindo calçadas e faixas de rolamento ????? Como se respeita uma ciclovia para o ciclista que acha que o semáforo não vale prá ele??? Ciclovia, simplesmente por moda de ecologia, “mata” !!!!!!!!!!!!!!!! Ou será que ninguém se tocou ainda ?????? Ciclovia para políticos se chama voto, custe o que custar.

  11. Sou ciclista e vou continuar pedalando entre ônibus, pois faço isso há 35 anos e mesmo com todas as dificuldades estou aqui, vivo e ileso, provando o contrário.
    SIM é possível compartilhar todas as ruas com patinadores, skatistas, ciclistas, pedestres, motoqueiros, motoristas de ônibus, de caminhões, de táxi, de caminhões, de vans e de automóveis, cada qual em seu respectivo veículo, respeitando todos os demais. A distância de ultrapassagem segura também é possível SIM e sem desafiar qualquer lei da física, basta cumprir a lei e ultrapassar o ciclista como se ultrapassa qualquer outro veículo, mudando de faixa, em condições oportunas e com toda a sinalização necessária. Se não for possível assim, basta esperar atrás do ciclista até que seja encontrada a oportunidade certa. Simples, não?
    Ah! Obrigado pela parte que me compete, sou ciclochato sim e serei sempre que houver desrespeito ao ciclista ou à qualquer condutor de transporte ativo.

    • E ser xingado por todos os demais por estar esperando a boa vontade do ciclista, meu amigo, não é tão simples assim não, sinto informar.

  12. Adamo,

    Sigo seu blog a um bom tempo e acredite, é justamente por conta da bicicleta que faço isso. Porque foi através dela que eu descobri uma alternativa ao carro particular que só me dava transtornos e despesas e ao ônibus que era lento e demorado demais para as minhas necessidades.

    Nesses anos pedalando no meu Rio de Janeiro natal e São Paulo (onde moro há 5 anos), já ouvi e li muitas análises rasas, algumas preconceituosas e outras até agressivas. A sua carrega um pouco dos dois, uma pena.

    Mas recomendo que você se informe mais antes de emitir opinião e não desmereça todo um grupo, cada vez mais engajado, como “ciclochatos”. Não ganharás nada com isso a não ser atrair os mais chatos para xingar sua análise. E acredite, tem mesmo muito ciclista chato por aí! 😉

    Uma boa leitura é sobre “safety in numbers” um conceito ainda não adaptado nem pesquisado no Brasil, mas que até aqui se aplica empiricamente. Quanto mais bicicletas nas ruas, menos ciclistas mortos e feridos gravemente. O dados da Cet dão indicio disso, afinal bem sabemos como tem mais bicicletas nas ruas, e os mortos, seja em ocorrências com ônibus, caminhão, moto ou carro, mantém-se ao redor dos 50/60 ciclistas por ano.

    Fico a disposição para o debate e espero que você seja capaz de entender o que é o transito do lado de fora do ônibus. Ele continua não sendo amigável e muitonagressivo, mas certamente quanto mais ciclistas e motoristas-ciclistas tivermos, menos mortais serão nossas ruas.

  13. Posso usar partes deste seu texto, informado a fonte, claro, em um trabalho final do Curso de Capacitação de Multiplicadores da Educação para o Trânsito que estou participando na Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) de Porto Alegre no Rio Grande do Sul?

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