Caminho da Escola: educação, indústria, números e política

ônibus

Ônibus escolares. Programa Caminho da Escola foi responsável desde a criação em 2007 pela entrega de mais de 25 mil ônibus escolares. Além de incentivar a indústria e o acesso a educação, trouxe também benefícios políticos à imagem do Governo Federal. Foto: Adamo Bazani.

Ônibus do Caminho da Escola chegaram a mais de 9 mil unidades em 2012
Só no primeiro trimestre deste ano foram 1 mil 399 veículos. Desde a criação do programa, foram 25 mil ônibus
ADAMO BAZANI – CBN
O número de ônibus escolares financiados pelo Governo Federal para o Programa Caminho da Escola entregues em 2012 quase foi cinco vezes maior que em 2011 e chegou a 9 mil 283 unidades.
Só de recursos federais foi aplicado R$ 1,8 bilhão, isso sem contar com a contrapartida de estados e municípios em algumas aquisições somente.
Os dados são do Ministério da Educação e Cultura.
O objetivo do Programa, criado em 2007, é diminuir a evasão escolar ao facilitar o acesso aos estabelecimentos de ensino, principalmente em áreas de tráfego difícil ou regiões rurais.
Até este trimestre, desde o início do programa, foram entregues 25 mil 020 ônibus escolares em todo o País, ainda segundo o Ministério da Educação.
Além de coibir a evasão escolar, os ônibus oferecem mais segurança nos transportes de estudantes, já que são novos e oferecem equipamentos de prevenção de acidentes, freios e carroceria reforçados especiais para as condições de tráfego precárias e dispositivos de emergência. No entanto, ainda grande parte do transporte escolar no País é feita por ônibus antigos e mal conservados, dispensados dos serviços urbanos, e até em carros pequenos e caminhões.
De acordo com o Ministério da Cultura, são quatros os modelos de ônibus do Programa Caminho da Escola:
– Ônibus Rural Escolar Pequeno (ORE-01) – adequado para pistas pavimentadas ou de terra com boas condições de trafegabilidade, transporta entre 23 e 29 alunos sentados;
– Ônibus Rural Escolar Pequeno 4×4 (ORE-01 4×4) – adequado para pistas pavimentadas ou de terra com limitações de trafegabilidade, transporta 23 alunos sentados;
– Ônibus Rural Escolar Médio (ORE-02) – adequado para pistas em condições precárias, tem capacidade para transportar entre 31 e 44 alunos sentados;
– Ônibus Rural Escolar Grande (ORE-03) – adequado para pistas em condições precárias, tem capacidade para 44 a 59 alunos sentados.

SALVAÇÃO DA INDÚSTRIA:
Além de ser uma ação para aprimorar o acesso à educação, o Caminho da Escola foi uma tábua de salvação para a indústria de ônibus.
No ano passado, entrou em vigor um novo conjunto de normas de restrição à emissão de poluição para veículos diesel, com base nos padrões internacionais Euro V. Os ônibus ficaram menos poluente só que mais caros. Por causa disso, em 2011, os empresários, também com receio das inovações tecnológicas que não eram claras até o momento e acima de tudo para gastarem menos, anteciparam para 2011 as renovações e aproveitaram as últimas unidades da tecnologia anterior Euro III. Isso provocou grande desaquecimento nas vendas de ônibus em 2012 que só não foi maior por causa do número recorde de veículos para o Caminho da Escola e para o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – Equipamentos, que também inclui a aquisição de ônibus escolares.
As vendas de ônibus escolares representaram quase 25% do mercado do ano passado.
Entre as marcas estão chassis Mercedes Benz e Volkswagen, com carrocerias Caio, Marcopolo e Mascarello, além dos produtos já entregues prontos, sem necessidade da compra separada de chassi e carroceria, da Volare (Marcopolo e Agrale) e o CityClass (Iveco e Neobus).
Para se ter uma ideia, Iveco , Agrale e Neobus contam as encomendas de ônibus escolares como entre as mais importantes de suas linhas de produção.
BÔNUS E ÔNIBUS POLÍTICO:
Os efeitos do Caminho da Escola não se limitam à educação e ao estímulo à indústria de ônibus, seja de chassis e carrocerias.
È inegável que, mesmo que não seja esse o principal objetivo do Caminho da Escola, politicamente ele trouxe vários ganhos ao Governo Federal.
Na época de campanha, quando tentava a eleição, Dilma intensificou sua presença, ao lado de Lula, nas cerimônias de entregas dos ônibus escolares em todo o País.
Estrategicamente, ainda Dilma comparece a estas entregas, em especial nos redutos de adversários ou onde o PT pode perder aliados políticos.
NÚMEROS:
O balanço das entregas dos ônibus escolares mostra ritmo ascendente, com poucas variações negativas, mas sempre com crescimento em anos eleitorais, sejam de pleitos federais ou locais:
2008 : 2.391 ônibus escolares – 1.151 veículos por meio de financiamento do BNDES; 641 por meio de convênios com o FNDE; e 599 com recursos próprios dos municípios.
2009: 3.475 veículos – 2.186 por meio de convênios com o FNDE; 1.004 com recursos próprios dos municípios; e 285 por meio de financiamento do BNDES
2010: 6.225 veículos – 4.363 por meio de convênios com o FNDE; 1.115 com recursos próprios dos municípios; e 747 por meio de financiamento do BNDES
2011: 2.247 veículos – 1.447 por meio de convênios com o FNDE; 554 com recursos próprios dos municípios; e 246 por meio de financiamento do BNDES
2012: – 9 283 (ainda sem especificação das fontes de recursos)
2013: (até março) – 1.399 (ainda sem especificação das fontes de financiamentos)
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

1 comentário em Caminho da Escola: educação, indústria, números e política

  1. Amigos, boa noite

    Tudo tem cunho político; mas pelo menos o Programa Caminho da Escola, foi, é, e está sendo uma ação louvável.

    Reforço que o MEC deveria solicitar para a ANTT, fiscalizar os cuidados que estão sendo dados a estes
    Buzões, bem como estabelecer um plano de manutenção..

    Pois em Dezembro nas férias, vi muitos deles parados debaixo de um sol escaldante, sem ao menos
    uma cobertura de sapé (sapê).

    Ai vira sucata rapidinho e depois não vale reclamar que o Governo Federal, não fez a sua parte, ai volta todo mundo pro pau de arara de novo.

    Não deixem desperdiçar o Patrimônio Público.

    Att,

    Paulo Gil

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