Eles devem (e muito) para os trabalhadores

empresários de ônibus

Da esquerda para a direita e de cima para baixo: José Ruas Vaz, Baltazar José de Sousa, Antônio Eroles e Wagner Canhedo. Empresários do setor de transportes figuram na lista do Tribunal Superior do Trabalho dos cem maiores devedores trabalhistas de todo o País. A lista se refere a processos finalizados, sem mais possibilidade de recursos, cujos empresários já deveriam ter recebido. Montagem Adamo Bazani. Fotos: Reportagens de arquivo na internet.

Companhias e empresários de transportes entre os maiores devedores trabalhistas do País
Nomes como José Ruas Vaz, Baltazar José de Sousa, famílias Niquini, Eroles, Canhedo e empresas como Caio, Mito, Viplan marcam a lista do Tribunal Superior de Trabalho
ADAMO BAZANI – CBN
As empresas e donos de companhias de transportes figuram entre os principais devedores trabalhistas de todo o País.
Os dados fazem parte de uma lista oficial divulgada pelo TST – Tribunal Superior do Trabalho. Mas os processos trabalhistas contra estes empresários são bem maiores, já que também existem ações nos tribunais regionais e outras em andamento.
Além disso, os dados se referem a processos ganhos, ou seja, dívidas mesmo que não foram quitadas de processos que não cabem recursos mais. A lista exclui ações que ainda estão sendo analisadas.
Entre as pessoas físicas, encabeçam a lista os integrantes da família Canhedo.
Wagner Canhedo Azevedo perdeu 1 mil 173 processos. Wagner Canhedo Azevedo Filho teve 1 mil 126 processos perdidos e não pagos. Eles são respectivamente o primeiro e segundo lugares da lista de maiores devedores trabalhistas.
A maior parte de processos se refere ainda à Vasp – Viação Aérea de São Paulo, que ocupa o primeiro lugar entre as pessoas jurídicas, com 4 mil 913 processos perdidos.
Mas há empresas de ônibus da família no ranking, como a Viplan – Viação Planalto Limitada, que figura na 15ª posição das 100 empresas mais devedoras de todo o País com 1424 processos já julgados cujos trabalhadores tiveram ganho de causa mas não receberam ainda um centavo sequer, segundo o Tribunal Superior do Trabalho.
Nesta quarta-feira, dia 20 de fevereiro de 2013, a Justiça desocupou um prédio e um terreno da Wandel Transportes, também da família. Os imóveis foram leiloados no ano passado para quitar dívidas trabalhistas. A data limite da desocupação era nesta quarta, mas nada havia sido retirado. A Justiça retirou caminhões, caminhões- tanque e ônibus antigos da Viplan. Mas os veículos continuam sendo da família Canhedo.
A família Niquini, dos transportes em São Paulo, também está na lista dos maiores devedores trabalhistas do Brasil. Romero Teixeira Niquini aparece em sétimo lugar com 609 processos perdidos.
Antônio Eroles, que atuava nos transportes coletivos de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, desde os anos de 1960, cuja empresa foi cassada pela prefeitura em 2009, é o 12º da lista, com 476 processos devidos, seguido por Marli Eroles, que ocupa a 13ª posição com 472 processos, e por Antônio Alexandre Eroles cno 14º lugar com 468 ações perdidas e não pagas, segundo a classificação do TST. Outros integrantes da família também fazem parte da lista.
EMPRESÁRIOS NA ATIVA DEVEM BASTANTE:
Mas não são apenas donos de empresas de ônibus cassadas ou que pararam de operar que figuram entre os inadimplentes da Justiça.
O poderoso empresário de ônibus da capital paulista, que detém quase metade do sistema de São Paulo e é dono da encarroçadora Caio, José Ruas Vaz, está em 39º lugar no ranking dos devedores na justiça federal trabalhista. Ele não pagou 274 ações que perdeu e não pode recorrer mais.
A encarroçadora de Ruas Vaz, Companhia Americana Industrial de Ônibus – Caio, está na 34ª posição entre as cem maiores pessoas jurídicas devedoras do País. São 1062 processos nos quais os trabalhadores deveriam ter já recebido, segundo lista do TST, elaborada no segundo semestre do ano passado.
O empresário do ABC Paulista, Baltazar José de Sousa, também está entre os empresários que mais desrespeitam decisões judiciais trabalhistas no Brasil. Segundo a lista do Tribunal Superior do Trabalho, entre todos os empresários no País que perderam ações trabalhistas federais, Baltazar está na posição de número 71. São 189 processos que Baltazar perdeu na última instância e que não pagou, segundo o TST.
Uma das práticas de Baltazar, para driblar fiscalizações e apreensões, é passar as empresas para os nomes de outras pessoas (parentes ou não) ou mesmo trocar os nomes das empresas. A prática também é uma manobra para participar de licitações. Não é possível fazer parte de certames com este tipo de débito, julgado e não pago depois de todos os recursos.
Com a mudança de nomes de empresas ou de controladores, a prática também consegue ludibriar fornecedores de peças, combustível e até fabricantes que sofrem com a inadimplência de muitos destes empresários.
Viação Barão de Mauá virou Viação Cidade de Mauá. Mas esta também já está com notificações judiciais. Viação São Camilo virou Empresa Urbana Santo André. Como a Viação Januária não poderia participar da licitação do lote 02 de Mauá, Baltazar criou as empresas TransMauá e Viação Estrela de Mauá, ambas não estão mais em nome de Baltazar.
O Tribunal Superior do Trabalho acha importante a divulgação destes nomes para despertar a atenção de muitos trabalhadores que estão em dúvida para buscarem seus direitos. Todas as ações que estão na lista foram ganhas e a Justiça pode usar bens como garagens, ônibus e materiais para garantir o direito ao trabalhador.
Para a sociedade é importante para saber que tipo de empresário presta serviços de transportes em suas cidades ou regiões metropolitanas e para os fornecedores de carrocerias, chassis, peças e combustíveis é uma forma de identificar os riscos a possíveis financiamentos para estes empresários.
É importante destacar que não se deve generalizar ao erroneamente taxar todos os empresários de ônibus.
Há donos de viações honestos, que trabalham corretamente e que não podem ser confundidos com esta minoria.
Mas é dever jornalístico deste espaço tornar público o que muitos órgãos de imprensa não têm coragem ou interesse de divulgar.
Os passageiros, trabalhadores, fornecedores e bons empresários agradecem.

LISTA COMPLETA DAS PESSOAS FÍSICAS:

http://www.tst.jus.br/documents/10157/98764eed-bab0-4202-a553-023da13d3115

LISTA COMPLETA DAS PESSOAS JURÍDICAS:

http://www.tst.jus.br/documents/10157/070672fb-8d29-4b04-a20f-6edb244c2807

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

11 comentários em Eles devem (e muito) para os trabalhadores

  1. faltou ai na lista roberto jose de carvalho empresario mineiro dono de algumas empresas como rodopass em bh valadarense em gov valadares e viaçao primor em sao luis no maranhao vc sabe algo a respeito dele adamo o cara manda e desmanda principalmente em gov valadares onde opera por quase 20 anos sozinho e ainda ganhou mais 20 anos

  2. Josue Marcio Lopes // 21 de Fevereiro de 2013 às 16:36 // Responder

    Se o trabalhador faz qualquer errinho, ja vem os malditos RHs, que de Humanos nao tem nada, fazerem escandalos com arogancia citando leis. Quando os empresarios erram eles sao condenados mas nao sao punidos.
    100, 200 ate 1000 acoes perdidas e eles continuam impunes.

  3. *Uma questão que tenho levantado muito: se o Canhedo e suas empresas realmente perderem a licitação e saírem do sistema de transporte em Brasília, como ficará a situação dos atuais empregados da Viplan, Condor e Lotaxi? Há uma grande e cruel possibilidade desse pessoal sair com uma mão na frente e outra atrás. O Canhedo não vai pagar nada, nenhum dos direitos deles. Imagine ainda se ele está depositando FGTS, repassando os valores da Previdência… Muita gente vai perder nessa história.

    Jaime*

    Em 21 de fevereiro de 2013 12:54, “Blog Ponto de Ônibus” escreveu:

    > ** > blogpontodeonibus publicou: “[caption id="attachment_8103" > align="aligncenter" width="640"] Da esquerda para a direita e de cima para > baixo: José Ruas Vaz, Baltazar José de Sousa, Antônio Eroles e Wagner > Canhedo. Empresários do setor de transportes figuram na lista do Tribunal > Superi”

  4. Parabéns por publicar o que, lamentavelmente, ocorre.

  5. O mais interessante nessa matéria é que os dados ou lista com nomes são oficiais, por muito tempo conversando com motoristas de ônibus uma coisa é certa essas sonegações acabam com a vida desse trabalhador, imaginem uma pessoa que trabalhou anos numa empresa de um desses senhores e de uma hora para outra é demitido ou a empresa fecha as portas, muda de nome sem pagar os direitos.Crueldade é pouco pras coisas que acontecem, outra questão é cadê o ministério publico federal, estadual e municipal . E o mais engraçado é que essas empresas continuam participando de licitações, vide o caso Estrela de Mauá onde foi usado um “testa de ferro” para tentarem manter o monopólio na capital haverá nova licitação e pelo jeito ainda vai permanecer alguns monopólios com risco de aumentarem seus tentáculos na cidade , quem não lembra do legado Niquini na capital paulitana. A historia está ai pra comprovar. Lembrei-me de uma matéria da revista Veja São Paulo de 1993 na qual o título era “Os Tubarões da Catraca” essa matéria foi publicada na época em resposta a um afirmação do então prefeito da cidade Sr. Paulo Maluf, nessa matéria o Sr. Ruas contava como começou seu negócio e também como foi possível ter empresas grande com carros novos, na épocahavia um financiamento do Governo chamada Finame algo parecido com o BNDES atual, pois bem no texto havia um a afirmação na qual dizia “O governo me ajudou ganhar muito dinheiro financiando ônibus novo…”. Pois bem enquanto se ganhava dinheiro muitos pais de familia sucunbiam ao verem seus direitos irem para o ralo da sonegação,

  6. Matéria reveladora sobre empresas que possuírasm por muitos anos a concessão de transporte coletivo.
    Em Mogi das Cruzes, a família Eroles finaciou a companha de muitos prefeitos. Semelhante fato ocorreu em Suzano, com a Visul.
    Em Itaquaquecetuba, a Viação Júlio Simões (hoje CS Brasil), desde 1992 detém o monopólio do transporte coletivo caro e caótico, além do alugel de veículos para a administração municipal, contribuindo para as campanhas dos políticos locais da situação.
    O grupo CS Brasil foi citado em reportagens após os Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, envolvido em superfaturamento…

  7. Amigos, boa noite

    Belo post Adamo, informação de suma importância para toda a sociedade.

    É muito triste ler uma matéria desta, onde se fica sabendo que ainda há empresários que agem
    dessa forma.

    Digo agem, porque de uma forma ou de outra (via Lei do Gerson) ainda continua firmando
    contratos com a Administração Pública.

    Ainda precisamos de muita evolução.

    Att,

    Paulo Gil

  8. luiz policichio // 14 de Maio de 2013 às 15:04 // Responder

    E um absurdo todos são ladrões, roubaram cada pingo de suor dos trabalhadores sem nenhum escrupulo, todos sabem da quadrilha que são, então tomem vergonha na cara e cumpram suas obrigações. A justiça vai um recadinho aprofunden-se mais nas investigações quando celso Daniel morreu alguérm perdeu a conseção do lixo em santo andre onde foi parar os caminhoes do lixo a noite escondido na garagem na estrada do alvarenga. garagem da santa barbara.

  9. E o pior e todos esse empresario picaretas continua atuando no sitema de traspoprtes em todo o pais e niquem poder fazer nada, enquanto eles continua desfrutando do pratrimoni adeguerido com o suor de muitos pais de familias !

  10. Oii pessoal sei q nao tem nada haver eu publicar aq mais preciso da ajuda de vcs ,tenho 14 anos e meu nome é ellen , moro em águas lindas e venho aq pedir a ajuda de vcs pra me ajudar a encontrar meu pai ! ele era ou é ainda nao sei , motorista da viplan se chama josemberg e eu gostaria muito de conhecer-lo , e eu nao tenho informações sobre ele ! eu iria agradecer mt se vcs me ajudassem , sofro mt por nao poder ver-lo e conhecer ! caso vc queira me ajudar numero do whats : 06182454226 ! Obrigada

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