Aniversário de São Paulo: A importância dos ônibus na cidade receptiva

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A Rodoviária Júlio Prestes, além de ser o primeiro contato de muita gente com São Paulo, era um dos cartões postais que ficaram marcados na memória e que mostravam que a cidade tinha se tornado metrópole. Foto: Acervo Público de São Paulo

A sempre receptiva São Paulo
Essa imagem da maior cidade da América Latina se deve ao seu povo, ao crescimento e aos seus ônibus.
ADAMO BAZANI – CBN
A cidade que faz 459 anos nesta sexta-feira, dia 25 de janeiro, tem diversas imagens.
São Paulo, a Metrópole, São Paulo, a cidade de muitas faces, São Paulo, a cidade querida e cheia de problemas, São Paulo, a terra da garoa (ultimamente só o nome na lembrança), São Paulo que amanhece trabalhando, São Paulo que nunca dorme, enfim, a cidade tem diversas designações.
Uma delas, com certeza que merece destaque é que São Paulo é uma cidade receptiva, sempre acolhedora.
A cara de São Paulo é formada por diferentes rostos. Não é exagero dizer que o mundo está em São Paulo.
E por maiores que sejam os problemas de violência urbana da cidade, o mundo deveria se espelhar em São Paulo. Povos que em suas regiões fazem guerra, na maior cidade da América Latina, vivem em paz, ou ao menos se toleram.
São Paulo recebeu e recebe muita gente, muitas culturas, muitas histórias.
E além do calor do seu povo, São Paulo sempre foi receptiva por conta da batalha dos pioneiros e dos profissionais dos transportes. E aí devem ser incluídos os empreendedores dos serviços de ônibus, motoristas, cobradores, mecânicos, bilheteiros (sim, São Paulo já teve essa simpática figura nos transportes), funileiros, borracheiros, enfim, uma cadeia inteira de emprego que o transporte coletivo é responsável.
Não importa como as diferentes pessoas, de diferentes lugares chegavam à cidade de São Paulo: sempre havia um ônibus para recepcioná-las.
No início da consolidação de São Paulo como metrópole, muitos imigrantes desembarcavam no Porto de Santos e seguiam de trem para Capital Paulista.
O fluxo começava a se tornar tão grande que em 1910, a Hospedaria dos Imigrantes, na região do Brás (um dos mais tradicionais bairros de São Paulo) mandou fazer um ônibus especial para atender à população recém chegada. A encomenda foi feita aos irmãos Grassi, que fizeram um ônibus rústico, de madeira, com 45 lugares em bancos transversais, sobre um chassi francês De Dion Bouton. Este ônibus foi o início da carreira profissional de muita gente que vinha para São Paulo trabalhar em diversos ramos e também marcou o início da produção profissionalizada (para os padrões da época) de carrocerias de ônibus. Uma década depois, os Irmãos Grassi começaram a produzir em escala (também para a realidade daquela época), carrocerias de ônibus.
Era o transporte integrador. São Paulo começou a crescer para muito além de onde estavam as estações de trem e num ritmo muito maior que a colocação de trilhos de bondes. E foram justamente os ônibus que levavam as pessoas a locais onde nenhum meio de transporte conseguiria chegar. Muitas empresas de ônibus, inclusive, nasceram de empreendimentos imobiliários, como a Auto Viação Jabaquara, precursora da gigante Viação Cometa.

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Quem chegava a São Paulo por avião, também era recepcionado pelos ônibus da cidade. O aeroporto de Congonhas foi um dos grandes laboratórios da indústria de ônibus, onde eram testados novos modelos, com dimensões diferentes e com combustíveis alternativos.

Se as pessoas chegassem a São Paulo por aviões, pelo Aeroporto de Congonhas, inaugurado em 1936, havia um ônibus para recebê-las. Aliás, Congonhas também foi um grande “laboratório” para a indústria de ônibus. Modelos novos, com dimensões diferentes, com combustíveis alternativos ao petróleo e com diversas configurações circularam pelo aeroporto de São Paulo.
Os ônibus não só recebiam, mas como traziam (e trazem) pessoas para São Paulo. Aí nota-se o desenvolvimento do setor de transportes intermunicipais, interestaduais e internacionais de passageiros. E um dos belos marcos deste desenvolvimento foi a Rodoviária Júlio Prestes ou Terminal Rodoviário da Luz.
A rodoviária foi um presente para a cidade de São Paulo, inaugurada em seu aniversário, 25 de janeiro de 1961.
Quantas pessoas tiveram o local como portal de entrada na cidade e se encantavam com seu chafariz central e os imponentes vitrais com pastilhas coloridas. Era uma obra de arte em forma de construção que recebia ônibus que mostravam arte em forma de metal: os Ciferal Turbo Jumbo, da Cometa, os Diplomata Nielson da Expresso Brasileiro, os monoblocos Mercedes Benz, de várias empresas, mostravam que os ônibus se modernizavam, assim com a cidade para a qual diariamente traziam milhares de pessoas novas.
Júlio Prestes funcionou até 1982, quando foi inaugurado o Terminal Rodoviário do Tietê. Apesar de sua grandiosidade, o Terminal da Luz ficara pequeno, mas gigante ainda na memória de quem foi recebido por São Paulo naquela época.

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Bem no início do século passado, surgiam os primeiros serviços de ônibus na cidade de São Paulo. Eles já se mostravam integradores e o único tipo de veículo que conseguia acompanhar o ritmo do desenvolvimento de São Paulo. Foto: Museu da NTU

E São Paulo continua assim, de braços abertos. E por mais que possam haver críticas e necessidades de melhorias nos sistemas de ônibus da cidade, o setor de transportes permanece contribuindo para que São Paulo continue sendo uma das cidades mais receptivas do mundo.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

9 comentários em Aniversário de São Paulo: A importância dos ônibus na cidade receptiva

  1. maravilhoso resgate da julio Prestes e dos onibus de Congonhas.. Tive o prazer de conhecer ambos… e de utilizar desses serviços. À SÃO PAULO, meus agradecimentos… eu vivi e cresciiiiii… em todos os sentidos, nessa cidade que eu amo de paixao. Moro há 26 anos fora daí, mas continuo a defendê-la com unhas e dentes..

  2. Bom dia.

    Ádamo, linda reportagem !

    Conheci a rodoviária Júlio Prestes, já no começo da década de 80 e creio, no seu final. De lá, me deslocava com minha família, através dos saia e blusa, da TUPI rumo à Borges Lagoa.

    Bons tempos.

    Estamos em 2013 e ao que me parece, apesar de todo nosso avanço tecnológico, todo este ferramental, não está nos adiantando, posto que, como pessoas, muitos de nós, regrediram, ao invés de progredir, moralmente.

    O blog mesmo, através das várias notícias estarrecedoras, é a prova do que acabo de escrever.

    Abraço

  3. Adamo, excelente reportagem!

    Digna de um acervo literário!

  4. Amigos, boa noite

    Adamo, grande post.

    Eu vivi nas proximidades da ex Rodoviária Júlio Prestes e esta imagem está gravada na minha memória e para sempre.

    Tinha também os Pássaros Marrons, marrons mesmo, Elizários da Minuano e Penha, Impala, Viação Santa Clara, Empresa Cruz, os Nimbus da Danúbio Azul, Diplomatas da Expresso Brasileiro, os Morubixabas e aquele perfume de óleo Diesel na fumaça preta.

    Esta rodoviária pulsava forte, tinha vida e cores.

    UUUUUUuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

    O Buzão do aeroporto de Congonhas, também tive o prazer de ver, as cores eram creme e vermelho forte, arrisco um palpite acho que era Metropolitana a carroceria.

    Ainda bem que a Jardineira só conheço de foto rsssssssssssss.

    Lamentável o que fizeram e vão fazer com a ex Estação Rodoviária Julio Prestes ; outro dia sugeri que
    o final da linha 4 amarela do Metro deve ser a Praça Júlio Prestes, um local com tradição em transportes
    e além de tudo não criariam mais uma mega estação como fizeram com a estação LUZ do Metrô.

    Mas fazer o que né, não consultam os especialistas….

    Att,

    Paulo Gil

  5. Sérgio Santo André // 28 de Janeiro de 2013 às 23:34 // Responder

    A visão desse terminal deve estar na memória de muita gente, como eu. Essa decoração colorida me remete a minha infância, quando visitava o terminal, com meu saudoso pai, só para subir no mezanino e observar a partida dos ônibus, além do chafaris e das televisões que eram fixadas nos pilares da rodoviária. Tempos gloriosos, de variedades de carrocerias, coloridos sem fim, e que não voltam mais….

    • Sergio, bom dia

      Bem lembrado.

      Os mezaninos e as televisões.

      Nos mezaninos tínhamos uma visão privilegiada dos Buzões.

      Att,

      Paulo Gil

      • Sergio Santo André // 29 de Janeiro de 2013 às 16:52 //

        Pois é Paulo, se a gente começar a puxar pela memória, tem os números das plataformas que eram em preto com fundo plástico no formato de um “dado” retangular, o teto dos “Cometas” que eram maioria, as lanchonetes no mesanino, a vontade de descer nas plataformas mas só quem ia viajar é que podia (imagine, não cabia nem os passageiros quanto mas um busológozinho de meia tigela como eu rsrsrs), a lotérica que ficava no térreo, e nela tinha um cartaz que dizia “quem não arrisca não petisca”, a rotatoria em frente ao terminal, onde ocorria um “balé rodoviário” de empresas, carrocerias e cores, e lembrando que eu gostava de ir ao terminal de “Viripisa”, com seus monoblocos O-352 !!!!! Ôôôôôôô saudade desse tempo….Ah, eu torcia para ver os ônibus da “João Teotônio”, nas cores laranja e azul (eram mosca branca), mas confundia sempre com os carros da “Transcolin” que tinham a pintura parecidíssima.

  6. Pedro César Soares // 7 de Abril de 2014 às 01:12 // Responder

    Minhaprimeira viajem para São paulo em 1974,junto com minha mãe.As duas coisas que mais me marcaram foi as televisões coloridas e a escadas rolantes,isso foi motivo de muitas hitórias na minha escola próximo a Blumenau S.C.Lembro também que fomos com os modernos marcopolo scania da empresa Nossa Senhora da Penha.
    PEDRO CESAR – Curitiba Pr.

  7. Vide na antiga revista Transporte Moderno, quando na ocasião compunha como título das publicações da Editora Abril, na página 74, edição dezembro, de 1969; a foto na qual mostra os guiches, bem como, na página 155, da edição nobembro, 1968, a mesma área, da Rodoviária de São Paulo, mais conhecida como Júlio Prestes, haja vista, esse nome é atribuído à estação ferrovária, localizada à sua frente, e pela praça que antes ocupava o local e foi destruída com o determinado objetivo – construção da primeira rodoviária da cidade, para substituir as agencias de embarque das empresas no centro da cidade. Essa parte do interior, da referida rodoviária, e bastante interessante, nunca aparece nas fotos divulgadas, como das plataformas.

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