Ônibus e caminhões puxaram queda na indústria automotiva

A indústria automobilística vive realidades diferentes. Pelas ações de incentivo aos transportes individuais, as vendas de carros de passeio e de comerciais leves em 2012 acumularam alta de 6,11% em relação a 2011. Já o segmento de ônibus e caminhões registrou expressiva queda, em parte por causa da entrada de uma nova tecnologia de redução de poluição que deixou os veículos pesados mais caros. Modelo Marcopolo Paradiso sobre chassi Mercedes Benz foi o segundo modelo rodoviário mais vendido, de acordo com a Fenabrave

Vendas de carros no País bate recorde em 2012, mas ônibus e caminhões registram expressivas quedas.
De acordo com a Fenabrave, se forem considerados só carros e comerciais leves, a alta foi de 6,11%, mas se foram colocados na conta todos os tipos de veículos, a queda foi de 2,25%
ADAMO BAZANI – CBN

O desempenho de vendas da indústria de automóveis em 2012 foi bom? Sim e Não – depende do aspecto a ser analisado.
Os dados divulgados nesta quinta-feira, dia 03 de janeiro de 2013 pela Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores mostram realidades bem diferentes de acordo com o segmento de veículos.
Se forem levados em consideração os números de carros de passeio e comerciais leves, os motivos são para comemoração. Em relação a 2011, o acumulado de 2012 mostra uma elevação de 6,11%, com 3 milhões 634 mil 421 automóveis ante 3 milhões 425 mil 270 unidades.
No entanto, o número geral de veículos comercializados em 2012, incluindo motos, carros de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus revela uma queda de 2,25% em comparação com o acumulado de 2011, com 5 milhões 586 mil 586 automotores contra 5 milhões 715 mil 248 veículos.
A alta das vendas de carros de passeio pode ser explicada pelos incentivos do Governo Federal ao transporte individual, como a redução do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados dos carros de passeio, contenção do preço da gasolina com ferramenta de controle inflacionário e as faltas de prioridade dos governos locais ao transporte público, que deixam as locomoções por ônibus, trem e metrô caras e pouco atraentes por conta da baixa qualidade.
A baixa no número geral de veículos comercializados foi puxada principalmente por conta dos setores de veículos pesados e motos.
As vendas de caminhões acumularam em 2012 baixa de 20,22% com 137 mil 722 unidades e as de ônibus tiveram queda de 14,96% com 29 mil 716 veículos de transporte coletivo, entre miniônibus, micro-ônibus, midis, ônibus urbanos convencionais, articulados, intermunicipais, rodoviários e fretamento e rodoviários DD – Double Decker – ônibus de dois andares.
No ano passado, foram vendidos 172 mil 628 caminhões e 34 mil 944 ônibus.
No caso dos veículos pesados a diesel, a entrada de uma nova legislação em janeiro de 2012 de restrição a poluição, com base nas normas internacionais Euro V, explica em parte a queda das vendas. Para atender a sétima fase do Proconve – Programa Nacional de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores – P 7, os ônibus e caminhões incorporam tecnologias mais avançadas e por conta disso ficaram entre 10% e 15% mais caros. Sabendo da mudança, os empresários de ônibus e donos de frotas de caminhões anteciparam em 2011 as renovações previstas para 2012, o que impactou os números. A desaceleração da economia, com PIB – Produto Interno Bruto em torno de 1%, e a crise internacional também são motivos para a queda nos emplacamentos de ônibus e caminhões.
Com a proximidade da Copa do Mundo, as obras de mobilidade urbana, as licitações de serviços de transportes e o crescimento do turismo, a estimativa é de elevação de até 8% nos segmentos de ônibus e caminhões para 2013.
Em relação às motocicletas, foram comercializadas em 2012, 1 milhão 637 mil 481 unidades contra 1 milhão 940 mil 533, uma queda de 15,62%, também expressiva. O principal fator, segundo o mercado, foi a restrição ao crédito. Boa parte do consumidor de moto, compra o veículo em várias parcelas e, temendo a inadimplência, os bancos tornaram mais rigorosas as liberações de financiamentos.

ÔNIBUS:

Programas governamentais como o Caminho da Escola, o prolongamento das taxas baixas de juros para financiamentos de ônibus e caminhões pelas regras do PSI – Programa de Sustentação do Investimento e o Programa Pro-Caminhoneiro foram considerados pelo mercado essenciais para que as vendas de ônibus e caminhões não fossem mais baixas ainda.
Entre as marcas de chassis de ônibus, a Mercedes Benz liderou o setor, mas a Volvo foi uma das empresas que mais cresceu.
Confira as vendas de 2012:
1º) Mercedes Benz – 12 mil 856 unidades – 43,26% de participação no mercado total.
2º) Volkswagen/MAN – 8 mil 51 unidades – 27,09% de participação no mercado total.
3º) Marcopolo (integrais Volare) – 3 mil 427 unidades – 11,53% de participação no mercado total.
4º) Iveco – 1 mil 743 unidades – 5,87% de participação no mercado total.
5º) Volvo – 1mil 689 unidades – 5,68% de participação no mercado total.
6º) Scania – 1 mil 36 unidades – 3,49% de participação no mercado total.
7º) Agrale – 668 unidades – 2,25% de participação no mercado total.
8º) International – 58 unidades – 0,20 % de participação no mercado total.

De acordo com a Fenabrave, os modelos de ônibus mais vendidos em 2012 foram:

– Micro-ônibus: Marcopolo Volare W 9 – 933 unidades, com 14,42% de participação no segmento.
– Ônibus Midi: Mascarello Gran Mid sobre chassi Mercedes Benz – 227 unidades, com 31,93% de participação no segmento
– Ônibus Urbanos: Marcopolo Torino U sobre chassi Mercedes Benz – 2 mil 726 unidades, com 26,18% de participação no segmento
– Ônibus Rodoviários: Marcopolo Ideale sobre chassi Mercedes Benz – 941 unidades, com 15,58% de participação no segmento.

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

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