Menos gente usa ônibus e trânsito e poluição pioram

Ônibus no início dos anos de 1990. Os dados são preocupantes. Enquanto o número de passageiros de ônibus diminuiu significativamente de 1995 a 2011, a quantidade de carros licenciados no mesmo período cresceu 88%. A solução é priorizar o transporte público e fazer com que o ônibus seja atraente pelo seu conforto e aumento de velocidade. Caso contrário, congestionamento e poluição serão problemas que farão com que mais pessoas percam a qualidade de vida. Foto: Internet

Menos gente usa ônibus e trânsito e poluição pioram
Transporte coletivo não recebe a prioridade e os investimentos que necessita e frota de carro particular aumenta
ADAMO BAZANI – CBN
A falta de investimentos sérios e de prioridade nos transportes coletivos tem cada vez mais refletido negativamente na vida das pessoas.
Pesquisa da NTU – Associação Nacional dos Transportes Urbanos, realizada em nove capitais, mostra que o número passageiros de ônibus tem caído de forma expressiva enquanto que no mesmo período a frota de carros de passeio tem subido.
Os resultados são: trânsito mais complicado pelo excessivo número de veículos nas ruas, espaço urbano mal utilizado, índices de poluição em elevação, o que compromete a saúde pública, muito estresse nas ruas e nas avenidas e aumento dos custos das passagens de ônibus que, presos em congestionamentos, realizam menos viagens, sendo necessários mais veículos para atender a mesma demanda. É mais diesel, mais peças, mais ônibus sendo desgastados.
De acordo com os dados da NTU, em abril de 1995, a média de passageiros transportados era de 2,59 por quilômetro. Em novembro de 2011, esse número caiu 37% indo para 1,63 passageiros por quilômetro.
No mesmo período, entre 1995 e 2011, a frota de carros de passeio subiu 88%. Em 1995, foram licenciados 1 milhão 407 mil 073 carros e em 2011, 2 milhões 647 mil 245.
Desde os anos de 1950, para incentivar a instalação da indústria automobilística no País, foi criada no brasileiro uma forte cultura de admiração ao carro de passeio, que passou a ser sonho e símbolo de status.
Assim, o brasileiro cultiva o desejo de ter um veículo particular. Mas isso não seria tão problemático se os transportes coletivos tivessem recebido os investimentos e a prioridade necessários no espaço urbano. Assim, esse sonho do carro de passeio que era uma tática comercial passou a ser uma estratégia política, nada inteligente, mas imediatista com foco apenas no voto.
Da metade dos anos de 1990 para cá ficou mais fácil comprar carros, com veículos mais baratos e incentivos tributários, enquanto se tornou mais difícil andar de ônibus.
Se o brasileiro já tem um desejo de ter o seu carro como símbolo de status e encontra um transporte coletivo que não atende suas necessidades de deslocamento, é natural o aumento dos veículos individuais.
A mesma pesquisa da NTU mostra que o principal item levado em consideração pelos brasileiros nas capitais é o tempo de deslocamento. Sendo assim, o ônibus só voltaria a se tornar atraente se ganhasse em velocidade. E para o ônibus ter velocidade e conforto ele não pode ficar preso no mesmo congestionamento dos carros. Afinal, entre ficar parado num congestionamento sozinho, dentro do carro, com ar condicionado e música e ficar na mesma situação em pé, num veículo lotado, é claro que as pessoas vão optar pelo transporte individual.
É consenso entre os estudiosos de transportes que os corredores de ônibus são parte da solução para a mobilidade das pessoas. Nos corredores, menos ônibus conseguem fazer mais viagens e atender a mais gente, o que diminui os custos dos sistemas, empreendem mais velocidade, o que reflete em viagens mais rápidas e, pelos corredores serem espaços exclusivos, há possibilidade de uso de veículos maiores como articulados e biarticulados e que oferecem mais conforto, como motores traseiros, ar condicionado, mais espaço interno, sistemas de informação e som.
Mas é importante deixar claro que os ônibus precisam de corredores de fato, que permitem acessibilidade nos embarques e desembarques, sistemas de pagamento de passagem antes da entrada no ônibus para diminuir o tempo de parada e pontos de ultrapassagem, para evitar longas filas e congestionamentos de ônibus perto das paradas e estações. Não adianta separar uma faixa com uma mureta ou apenas uma pintura no asfalto e chamar isso de corredor.
A prioridade aos ônibus e os investimentos em corredores não anulam e não substituem os investimentos necessários em modais metroferroviários. Pelo contrário, os aperfeiçoam, pois de nada adianta um sistema de metrô e trens moderno se não houver um serviço de ônibus que conduza de forma eficiente os passageiros até as linhas ferroviárias e no sentido oposto, leve as pessoas com qualidade do trem e metrô até suas casas.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

6 comentários em Menos gente usa ônibus e trânsito e poluição pioram

  1. Governantes e empresários tem que entender que enquanto não hover organização no transporte público e continuarem com ônibus novos mas de péssima qualidade,mais pessoas emigrarão para os carros e pior o trânsito vai ficar.

  2. Como querem que use onibus sendo que uma das piores empresas de sp é a NH e a Eaosa….ai não..1° Melhore e faça transporte de gente depois pensamos se andamos de onibus.

  3. O Problema é que existe uma politica agressiva de seccionamento de linhas..fazendo com que a população seja obrigada a tomar 2 ou 3 conduções sendo que antes se tomava 1…..o seccionamento tem que se aplicado em linhas sobrepostas e não para corte de custos como acontece..aí para piorar coloca-se micro onibus nos bairros onde os mesmos vão lotados as mulheres são molestadas e os atrasos são constantes devido ao grande número de baldeações….fora que devido ao atraso nas baldeações a viagem acaba ficando mais demorada………tarifas muito caras o que motiva as pessoas tiraram os automóveis da garagem………falta de corredores de ônibus……dificuldade de carga nos cartões de passagem como ocorre em são paulo, já faz mais de 15 dias que não tem sistema de recarga no metrô, obrigando as pessoas que não estão perto de terminais recaregarem nas lótericas, porem nas lotericas vc tem que recarregar de R$8,00 para cima, e quem apenas precisa de 1 tarifa é obrigado a por 3……………………….devido a essas situações a pessoas usaram cada vez mais o carro particular, vejamos a cidade de são paulo tem: metro, trem e bilhete unico, onibus motor traseiro e piso baixo …e o transporte é um lixo porque…..porque se não resolver os problemas que tem que resolver de verdade atendencia é as pessoas pararem de andar de onibus….

  4. Sergio Santo André // 26 de dezembro de 2012 às 01:33 // Responder

    Não adianta tentar mudar a atual situação do transporte enquanto os políticos e os empresários do transporte atuais continuarem os mesmos…todo mundo já percebeu que não há a menor vontade de mudar a situação…agora uma coisa é pontual e nunca sofre atrasos e nem é feita com má qualidade…o aumento de tarifas. Para se chegar as porcentagens no aumento das tarifas sempre se alegam os custos…mas que custos ????? O lixo continua rodante, não se investe em nada, nem em treinamentos, nem em ônibus de qualidade, nem em conforto, nem em benefícios para os passageiros, então onde estão embutidos esses malditos custos ???? Bem, um dos custos com certeza é com propinas e com advogados tentando barrar as empresas que prestam um serviço de melhor qualidade…Bem, que “mauá” nisso não é mesmo.

  5. Pro governo é mais interessante que hajam mais carros nas ruas. Mais carros, mais arrecadação, em impostos, em multas, em taxas. Deixam o transporte coletivo de lado e forçam as pessoas a andar de carro, a hora que as pessoas resolverem partir para a bicicleta, vão inventar mais taxas para andarmos de bicicleta, Nossos governantes são esperto$$…
    As placas dos automóveis já chagaram a letra ”o” … é uma invasão de veiculos nas ruas, que nao tem mais para onde se alargar.

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