Ônibus: um meio de transporte para sempre!

Publicado em: 18 de novembro de 2012

onibus

Os que dizem que a expansão de outros modais vai colocar em segundo plano a importância dos ônibus, ou não possuem conhecimento ou o fazem por interesse de marketing político. O ônibus, na verdade, sempre vai atender às necessidades da população e por suas características únicas de flexibilidade, quando um outro meio de transporte evolui, aí é que o ônibus se torna essencial. Foto: Trolebus na Favela da Catatumba, no Rio de Janeiro, em 1964. Acervo: Marcelo Almirante.

Ônibus: um meio de transportes que nunca vai acabar
Flexibilidade e baixo custo para implantação dos serviços são alguns dos pontos que provam que esse meio de transporte sempre vai servir à população e que se torna ainda mais importante co m a expansão de outros modais
ADAMO BAZANI – CBN
Quando se fala em novos modais de transportes e na expansão dos serviços ferroviários urbanos, muitos, por desconhecimento ou puro oportunismo de marketing político, dizem que em breve boa parte dos serviços de ônibus em diversas cidades será extinta ou se tornará obsoleta.
Há ainda os que classificam o ônibus como um meio de transporte ultrapassado, mesmo em corredores exclusivos.
O fato é que discursos como estes servem apenas para confundir a população e criar em algumas figuras públicas a falsa imagem de “inovadores”, “paladinos do progresso e da modernização”.
Os especialistas e profissionais que defendem a utilização de ônibus, a instalação de corredores exclusivos do tipo BRT e o estímulo a este meio de transportes, ao contrário do que muitos pensam, não são em hipótese nenhuma contra a ampliação das malhas ferroviárias.
Pelo contrário, têm a consciência plena de que hoje em dia, muitas demandas só serão satisfatoriamente atendidas por sistemas de grande porte como o metrô (metrô de fato, é bom destacar).
Mas tais estudiosos sabem também que há demandas que só podem ser atendidas pelos ônibus.
As razões são várias. Primeiro porque o ônibus, seja convencional, midi ou em alguns só micro mesmo, chega aonde o trilho jamais conseguiria, por mais avançados que sejam hoje os processos de engenharia. Quando se fala em mobilidade urbana, logo o fascínio pelas metrópoles é despertado. Mas o país tem dimensões de continente e cidades de todos os tipos, relevos, topografias e até condições climáticas. Para todas essas situações, há um ônibus apropriado. E até mesmo nas chamadas metrópoles, as realidades mudam em questões de poucos quilômetros percorridos.
Outro fato importante é a realidade financeira das cidades. Nem todas têm condições de implantar em tempo rápido um modal metroferroviário. Os sistemas de corredores de ônibus segregados, como os modernos BRTs – Bus Rapid Transit, ou mesmo corredores expressos simples, têm se revelado formas eficientes e economicamente responsáveis de melhorar e agilizar os transportes para os cidadãos.
Além disso, o ônibus é extremante flexível. Isso a história dos transportes coletivos mostra. É o único meio que consegue atender de maneira rápida ao crescimento populacional e econômico de várias regiões. Quantas vezes um investimento público ou privado repentinamente tornou um bairro, vila ou cidade interessante e provocou de forma imediata crescimento da população local. Nem sempre havia tempo de projetar e implantar uma ferrovia, mas o ônibus já estava lá atendendo à demanda. Depois é que seria possível analisar se o ônibus continuaria dando conta ou se seria interessante investir também em outro modal.
As cidades são dinâmicas e muitas vezes mudam seus perfis econômicos e de ocupação. Quantas áreas eram majoritariamente industriais e por motivos marcoeconômicos ou mesmo políticos mudavam as suas características para, por exemplo, o setor de serviços. Foi o que ocorreu com o ABC Paulista, cuja cidade de Santo André, tem uma via chamada Industrial, por causa das fábricas e que hoje praticamente não tem nenhuma indústria. O ônibus consegue ter suas linhas e serviços adequados para cada realidade nova que exige perfis de deslocamentos diferentes
Nos anos de 1970, quando o Metrô de São Paulo foi implantado (tardiamente, é bom frisar), muitos diziam que seria o fim de boa parte dos serviços de ônibus na maior cidade da América Latina.
Que nada. O que houve foi apenas uma readequação dos serviços de ônibus. E mais, a história mostra que quanto mais se investe em modal metroferroviário, mais o ônibus ganha importância. Afinal, as pessoas precisam chegar de maneira eficiente a um transportes de grande demanda também eficiente.
Por isso que todo investimento em linhas de trens e metrô deve vir acompanhado de investimentos para a modernização e melhor operação dos sistemas de ônibus. Afinal, um meio de transporte complementa o outro.
Assim, o ônibus sempre será essencial em qualquer cidade, independentemente do porte do município. O papel não apenas econômico, mas social e de integração do ônibus, unindo pessoas e dando acesso aos serviços básicos, jamais será anulado e sempre estará a serviço da população.
Adamo Bazani, repórter da Rádio CBN, jornalista especializado em transportes.

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Comentários

  1. Jackson disse:

    Eita favelão da p… e o trólebus enfrentava passar lá dentro ! http://onibusbrasil.com/foto/1240703/

  2. Se o trólebus em 1964 já enfrentava lugares assim, imagine hoje com os avanços tecnológicos. Só dá para concluir, portanto, que o sistema de ônibus elétricos só não se expande por falta de vontade mesmo. E se o trolebus, que ainda depende da rede aérea, já demonstrava essa flexibilidade, está mais que provado que o ônibus é o meio de transporte para atender a qualquer necessidade e que não está em nada ultrapassado.

  3. Kaio Castro disse:

    Excelentes considerações. Esse meio de transporte é um membro de nosso corpo físico sem o qual não sobrevivemos. Adaptá-lo o melhor possível à nossa realidade levando em conta as possibilidades de tê-lo não agredindo o meio ambiente, o conforto sempre buscado e sua pontualidade, evolução havida permanentemente, o torna uma opção de transporte da melhor qualidade.

  4. Gustavo Cunha disse:

    Bom dia.

    1. Ônibus é versátil. Pode ir a muitos lugares, onde a ferrovia, jamais chegará, como bem expôs você, Ádamo. Entretanto, o próprio usuário, amaldiçoa este modal. Ora, pelo desconforto, ora pelo atraso, ora pelos dois e mais outras considerações.

    2. O ônibus será pontual, se o fluxo de trânsito ajudar. Desnecessário colocar vários carros de uma mesma linha, um atrás do outro, para todos ficarem enfileirados, no congestionamento. A pontualidade, ajudará até mesmo no conforto, pois, quanto menor o intervalo, melhor será a distribuição dos usuários, nos coletivos.

    3. Por fim, não me canso de dizer que, todo o veiculo têm a sua aplicação. Portanto, continuarão a existir, os com motor atrás, com motor na frente (caminhão com carroceria de ônibus, pois, são verdadeiros TANQUES DE GUERRA, PAU PARA TODA OBRA), os micros, midis da vida, os trólebus, entre outros, quer gostem ou não.

    Nossas palavras, textos aqui escritos, podem soar até mesmo como um pleonasmo, mas, ser partidário de uma convicção, perseverar pela integração dos recursos de transportes que dispomos, com harmonia e inteligência, penso humildemente, não é demais; ao contrário, é sempre bem vindo.

    ABRAÇO.

  5. André disse:

    bus forever – ônibus para sempre

  6. Luiz Vilela disse:

    A RMSP desperdiça, na figura da STM, SPTRANS e EMTU, o melhor que o ônibus tem a oferecer: a capacidade de adaptação a diferentes rotas e capacidades.

    O bom texto mostra que as cidades e sua vocação mudam – e como mudaram! Mas um monte de linhas de ônibus permanece imutável, desperdiçando serviços e expostas a congestionamentos.

  7. André disse:

    Até o próprio sistema ferroviário depende dos ônibus! Essa semana a CPTM precisou de alguns ônibus para fazer ligação entre as estações Berrini e Morumbi devido a “manutenção”. Isso sem falar do PAESE em caso de problemas gerais.
    O ônibus é parte de um sistema. Se esse sistema não for bem administrado é claro que o veículo não dará o resultado que se espera dele. Por exemplo: os micro/midi-ônibus não atendem a demanda de SP. Basta considerarmos que a cidade usa de ônibus básico (motor dianteiro), passando por biarticulados até metrô. O que faz duas categorias chamadas micro e midi nessa equipe?
    É injusto descarregar no ônibus a culpa de administrações anteriores que colocaram o trem em decadência em nome dos interesses das montadoras voltadas para o seguimento de carros – montadoras também produzem ônibus. O ônibus não foi feito para subistituir o trem, mas essa foi a tarefa imposta a eles.
    Não existe veículo mais discriminado na sociedade brasileira que o ônibus. Nem o caminhão com seu geito desengonçado é tão rebaixado assim pelos brasileiros.

  8. leonardo-pe disse:

    o problema é mudar essa mentalidade triste de boa parte da sociedade Brasileira,cada vez mais egoista!Carro não é a solução.vejam São Paulo,aqui em Recife(onde vivo).e nós deveriamos cobrar da”machadão”roussef q só sabe agradar as montadoras de carros.espero q daqui há alguns anos,o brasileiro aprenda pela dor!

  9. Clovis Alberto disse:

    bela imagem de uma AV..ao lado da favela mas com toda tranquilidade que hj nao se tem mais..ABÇS..

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