PODE FALTAR COMBUSTÍVEL NO BRASIL, DIZEM TÉCNICOS

COMBUSTÍVEL

Brasil pode ter falta de combustível nos próximos meses. O alerta é de técnicos da ANP, Ministério de Minas e Energia, Petrobras, distribuidores e produtores. Um dos motivos é o aumento do consumo de gasolina motivado pelo crescimento e uso pouco racional da frota de carros depois dos estímulos à indústria automotiva, admitem. Transporte público é alternativa para evitar problemas como este no futuro, ainda mais agora, já que trens e ônibus estão mais independentes de petróleo. Foto: Adamo Bazani

Brasil pode sofrer com falta de combustível
Tema preocupa ANP, Petrobrás e distribuidores. Isenção do IPI para carros, com aumento de frota, é apontada como um dos fatores. Com incentivo, a autossuficiência do Brasil em Petróleo em breve pode não mais existir
ADAMO BAZANI – CBN
O Brasil corre um sério risco de ainda este ano sofrer com desabastecimento de combustíveis em algumas regiões.
O alerta não é nenhuma mensagem “catastrofista”, mas é um fato que desde outubro tem assustado técnicos do governo e profissionais do setor. Por isso, desde este mês têm sido mais constantes as reuniões entre a ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Ministério de Minas e Energia – MME, Petrobras, distribuidores e produtores de combustíveis.
As regiões que devem ser as mais afetadas são o Norte, Nordeste, Centro-Oeste e os estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Ente as causas apontadas por estes técnicos, mesmo que não assumidas publicamente para não contrariar as decisões impostas pela política econômica, está o consumo recorde de gasolina este ano, impulsionado pelos incentivos à indústria automobilística que proporciona um crescimento na frota de veículos, em especial de carros particulares.
Ninguém é contra o crescimento da indústria de automóveis, que gera emprego e tem um papel importante na economia brasileira.
Mas não adianta crescer sem ter condições, sem o crescimento ser sustentado.
Entocar as ruas de carro sem estrutura de fornecimento de combustível, viária e sem alternativas para que o uso dos veículos seja racional é no mínimo não ponderar e mensurar os impactos que o aumento de frota pode ocasionar.
Não se trata de ser contrário à produção, venda e uso do automóvel. Mas a política que privilegia o transporte individual e não dá a atenção que o transporte público necessita pode causar dados à qualidade de vida nas cidades, como os congestionamentos e poluição (que é responsável por perdas de vidas) como também é um duro golpe à própria economia.
O Governo Federal até agora tem se esforçado para manter os preços dos combustíveis, em especial da gasolina, sem novos aumentos. Mas os custos disso têm sido muito altos. Só neste ano, os subsídios da Petrobras provocaram prejuízos de quase R$ 13 bilhões. O objetivo do Governo é usar a gasolina e os demais combustíveis como uma taxa Selic disfarçada para conter a inflação. De acordo com o CBIE – Centro Brasileiro de Infraestrutura, com a correção dos preços em 10% nas bombas, a inflação iria para 5,85% este ano, 0,4% acima dos 5,45% estimados para 2012, que já superam a meta de 4,5%. Vai dizer que isto não é dependência de Petróleo?
Além disso, o pior é que nos congelamentos, os veículos movidos a gasolina, na maioria carros de passeio e motos, têm mais uma vez o privilégio. O diesel não conta com tantos benefícios, mesmo sendo a principal matriz energética de veículos que são essenciais para a movimentação econômica como ônibus e caminhões.
A tão propagada autossuficiência de petróleo que o Brasil disse ter atingido está ameaçada. Uma porque esta autossuficiência não é suficiente (por mais estranho que possa parecer). O Brasil até exporta petróleo cru, mas ainda é dependente de gasolina e diesel refinados no exterior, que têm maior valor.
Além disso, com o aumento do consumo de combustíveis, a capacidade de produção das refinarias já está no limite. De acordo com a Petrobras chegou a 98% no último trimestre.
Para aumentar a capacidade de produção, é necessário investir, mas como investir se os prejuízos beiram R$ 13 bilhões ? A produção de petróleo no Brasil deveria estar 6,8% maior que em 2011, mas no último trimestre caiu 3%.
Os transportes coletivos são sem dúvida nenhuma uma das alternativas para o fim ou diminuição de nossa real dependência do petróleo, que afeta o dia a dia de todo o brasileiro, impactando desde o preço do pãozinho até de bens de alto valor.
Redes de trens e metrô bem planejadas e ônibus eficientes em corredores ou em outros espaços preferenciais diminuem o tempo de viagem nos transportes públicos e os tornam mais atraentes. Isso tudo acompanhado de um trabalho que conscientize as pessoas acostumadas a andarem somente de carro e as façam preferir os meios coletivos pelo menos em alguns deslocamentos.
Por unidade, um ônibus consome mais combustível que um carro. Mas um veículo convencional, que transporta 80 passageiros, pode substituir 40 carros, já que em média, apenas duas pessoas usam os veículos particulares. Isso sem contar que num trajeto há embarques e desembarques constantes no ônibus, o que faz com que ele transporte ao longo de uma viagem bem mais que 80 passageiros. No final da contas, o ônibus consome muito menos combustível.
Soma-se a isso o fato de que hoje o transporte público tem se tornado mais “autossuficiente” de petróleo. Os trens e metrô são elétricos, os ônibus elétricos híbridos têm se tornado economicamente viáveis e os trólebus estão mais modernos e, quando bem operados, agradam os passageiros. Prova disso é o alto índice de aprovação dos passageiros da Metra, empresa que liga São Mateus (zona Leste de São Paulo) a Jabaquara (zona Sul) por municípios do ABC Paulista, com boa parte formada por trólebus. Os 101 novos trólebus que aos poucos têm sido entregues para a Ambiental Trans na cidade de São Paulo são provas também de que este tipo de veículo se modernizou. Com itens de acessibilidade, podendo contar com baterias armazenadoras que permitem que os trólebus circulem por alguns quilômetros independentemente de rede aérea, e com 15 metros de comprimento, os veículos têm motor elétrico WEG, sistema Eletra, chassi Scania e carroceria Caio.
Em Curitiba, há ônibus híbridos, cuja frota deve chegar a 60 unidades até o início do ano que vem, e tanto na cidade quanto na região metropolitana o uso de biodiesel é maior.
Além do alto consumo por conta do aumento da frota de carros e da baixa capacidade de produção motivada pela falta de investimentos decorrente da política de preços, problemas na distribuição e no armazenamento do combustível produzido também contribuem para que a autossuficiência e até o risco de falta de diesel e gasolina sejam uma realidade que bate a porta sem alardes.
Isso mostra que o transporte coletivo não é a única solução para a dependência extrema do petróleo e até mesmo para evitar o desabastecimento, mas está entre as ações mais importantes para a economia e, sobretudo, para a qualidade de vida, já que os transportes públicos também trazem benefícios ambientais.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

7 comentários em PODE FALTAR COMBUSTÍVEL NO BRASIL, DIZEM TÉCNICOS

  1. Toma Dilma,toma governo do Brasil,é o que dá não investir pesado em transporte público e mobilidade urbana.

  2. Concordo plenamente

  3. E agora José?

  4. o”culto ao carro”.nem no berço do automovel,os Estados unidos,é tão seguido a risca como é aqui no Brasil.essa”independencia”já estamos sentindo na pele todos os dias no trânsito.mas governo populista e Burro,merece isso(assim feito nossa tão igualmente BURRA Sociedade)!esse é o legado da copa daqui há 2 anos caros!carros e mais carros nas ruas!

  5. Viva os trólebus, viva o metrô! Imagina faltar diesel e a cidade de São Paulo só contar com 192 trólebus!!

    Isso se não tiver um apagão também por parte deste desgoverno Dilma……..

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