Especialistas defendem fim de consórcios por região na Capital Paulista

onibus

Sistema de ônibus em São Paulo precisa ser reorganizado, de acordo com especialistas em transportes. Eles defendem a ampliação de corredores, criação de mais sistemas tronco-alimentadores e o fim da regionalização dos consórcios, com linhas que liguem diferentes regiões. Foto: Adamo Bazani

Ônibus em São Paulo são lentos, superlotados e desorganizados
Especialistas defendem corredores de ônibus, mas apontam reorganização do sistema como algo indispensável
O ESTADO DE SÃO PAULO
A construção de corredores exclusivos de ônibus aparece em quase todos os discursos dos candidatos à Prefeitura de São Paulo. Mas um outro problema, ligado à administração do sistema, poderia ajudar bastante, segundo especialistas, a reduzir a espera dos passageiros nos pontos de ônibus: a melhor distribuição das linhas pelos bairros do município.
Sete meses após a posse, o futuro prefeito terá a chance de enfrentar o gargalo. Terminam em julho de 2013 os contratos com as empresas concessionárias de ônibus e com as cooperativas de vans que prestam o serviço de transporte coletivo. São 15 mil veículos que percorrem 1,3 mil linhas espalhadas em oito regiões – as catracas dos ônibus paulistanos rodam, por dia, quase 10 milhões de vezes.
No contrato das concessionárias, em vigência há dez anos, há a possibilidade de prorrogação por mais cinco. Os das cooperativas não podem mais ser renovados.
Em geral, as linhas de ônibus fazem trajetos de cada uma das regiões e bairros em direção ao centro. As cooperativas mantêm as vans com traçados auxiliares entre os bairros e até os 28 terminais de ônibus. Mas faltam linhas entre as regiões da cidade, o que aumenta o tempo de espera dos passageiros nos pontos.
No primeiro semestre, a ouvidoria da São Paulo Transporte (SPTrans) registrou mais de 77 mil reclamações de usuários do sistema. O motivo principal (27 mil) é o intervalo excessivo de espera pelo ônibus. E quando ele chega, já está superlotado. O preço da passagem na cidade é R$ 3 – com o Bilhete Único é possível realizar até quatro viagens num período de 3 horas.
Para especialistas, a licitação permite rever por completo a organização do sistema, estabelecer novas metas de qualidade e redistribuir as linhas – concentrando as de trajeto semelhante em corredores. Segundo consultores em transportes, é indispensável aliar a reorganização ao investimento em corredores exclusivos. A gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) não conseguiu concluir os 66 quilômetros de corredores prometidos em 2008. Só em maio abriu licitação para a construção das vias exclusivas, no valor de R$ 2,3 bilhões.
Para o mestre em Transportes pela USP Sérgio Ejzenberg, os ônibus devem complementar o transporte de massa do metrô – sistema de transporte sob responsabilidade do governo estadual -, fazer a ligação com as estações e terminais. Ele defende que é o momento de rearranjar o sistema, transferindo linhas para corredores com faixa na esquerda, veículos biarticulados e ônibus expressos e paradores. A proposta dele é que, nos bairros, a Prefeitura deixe ônibus menores e com maior frequência de passagem, para reduzir o tempo de espera. “Esperar mais do que 10 minutos numa periferia para trabalhar às 5h da manhã é desesperador. A lotação do ônibus só interessa ao transportador.”
O engenheiro de trânsito Flamínio Fichmann defende que a nova licitação acabe com a regionalização dos consórcios: “Os editais só atendem ao interesse dos empresários, em função das áreas tradicionais em que eles operam”. Para Fichmann, São Paulo precisa criar mais linhas “perimetrais” – entre as regiões -, baseadas em necessidades de viagem que já podem ser identificadas pela SPTrans com análise de informações de sistema GPS dos veículos e do bilhete único dos passageiros. “Assim haveria maior cobertura, com linhas novas e ônibus de menor capacidade, que operam onde grandes não entram.”
Mestre em Transportes pela USP, Horácio Figueira aposta na criação de linhas-tronco, que façam percursos fixos em corredores de ônibus conectados por GPS com os semáforos, para acelerar as viagens. “É só colocar as linhas em corredores. Precisamos deixar o ônibus andar, dar velocidade”, afirma.
Matéria original publicada no Jornal O Estado de São Paulo

16 comentários em Especialistas defendem fim de consórcios por região na Capital Paulista

  1. ja imagino a sta brigida com linhas na zona sul a tupi com linhas na area 1 a gatusa na area 3 a gato preto na area 2 e assim por diante empresas sao da cidade nao de uma regiao do mucuipio concordo com o fim dos consorcios e o fim da padronizacao

  2. Todos falam a mesam língua, a menos de detalhes. É bom presságio.

    Entendo que não seriam “as linhas para os corredores”, mas poucas linhas nos corredores com intervalos pequenos. E sem entra-e-sai: linhas perimetrais curtas, com ônibus menores, atingiriam os corredores.

    Vejamos se o novo Prefeito terá coragem, determinação e empenho para fazer tudo isto.

  3. Sou a favor do fim dos consórcios, afinal tudo já virou bagunça…na área 8 tem várias linhas operadas pelo Consórcio 7. Mas sou a favor de duas ou três linhas auxiliares e melhorar atendimento principalmente nas linhas tronco.

  4. O sistema atual tem que ser revisto mesmo, há muitas deficiências que devem ser estudadas e resolvidas. Também não vejo a hora dessas cooperativas e seus serviços pífios sumirem do mapa.

    E é uma boa hora para revisarem o sistema trólebus, exemplo a 9300 em que a SPTrans dá a desculpa de que a concessionária (Sambaíba) não dispõe de tecnologia para a operação dos veículos, e quando se falava em repassar para a Himalaia dizia que não era possível pois a linha pertencia a área 2.

    • Vitor.

      Deveria de criar a área 9 e a ambiental deveria de fazer parte da região 9. Aí daria para voltar com os elétricos para linha 9300 ainda com os novos caio BRT

    • Edson Ferri dos Santos // 24 de setembro de 2012 às 12:58 // Responder

      Vitor concordo com você, tem uma linha aqui perto de casa que é a 3745 – Jardim Imperador -Tatuapé, que sai do ponto inicial praticamente se arrastando, onde eu ando mais rápido que a perua, eles fazem isso pra aglomerar mais gente no ponto e ganharem mais, ai quando encosta uma outra van da mesma linha ai correm que nem loucos parecendo que estão transportando gado
      Quanto a ligação de uma região a outra a SPTRANS faz o contrário como por exemplo, a extinção da linha Penha-Lapa, obrigando os passageiros gastarem mais tempo no ponto do terminal Parque Dom Pedro pra fazer integração

  5. Sou a favor dos fins dos consórcios e a licitação ser realizada por lotes e defendo mais a construção de mais corredores de ônibus e a implantação do BRT.

  6. O sistema de transportes de São Paulo, além de carecer de muitos kms de corredores de ônibus, também sofre com a incompetência da gerenciadora SPTrans. Não há planejamento algum para a criação ou estabelecimento de itinerários. Tantas linhas, tantos atendimentos, horários não concluídos, gargalos em determinados pontos, enfim, pontos que uma simples organização do sistema resolveria. Vejam o exemplo da Cidade Tiradentes, foi construído um terminal na saída do bairro, que hoje serve apenas para passagem, pois vários pontos do bairro possuem partidas sobrepostas para o Metrô Penha, Tatuapé e Itaquera, por exemplo.

  7. Edson Ferri dos Santos // 24 de setembro de 2012 às 13:01 // Responder

    E há também a extinção da linha 3156 Jardim da Conquista-Terminal Parque Dom Pedro, que obriga os usuários a fazerem integração no Terminal São Mateus, e deve haver muitas outras linhas extintas

  8. DR PROTESTO INDIGNADO E P..TO DA VIDA!!! // 24 de setembro de 2012 às 14:58 // Responder

    Sinceramente do jeito que a SPTrans amarrou os consórcios, DUVIDO que o próximo prefeito tenha SACO ROXO para desfazer e voltar às empresas.

  9. Gostaria que a PMSP contra-se direto com os perueiros e acabasse com as cooperativas, pois assim o $$$ seria pago diretamente ao perueiro acabando com a máfia que é as coopers, e a qualidade do transporte iria mudar e muito…

  10. Não precisa ser especialista para perceber que esse modelo consorciado só serviu para acirrar o monopólio de empresas e cooperativas em todas as regiões da cidade, junte-se a isto a incapacidade de fiscalização efetiva da SPtrans em empresas e linhas. Digo isto porque como usuário de ônibus sofremos muito com a força desses monopólios de empresas que dominam regiões inteiras e fazem o que querem com os usuários, recentemente num desses feriados prolongados na região onde moro área 8 Consórcio /Sudoeste ficamos praticamente sem ônibus pois os intervalos chegaram ao absurdo de 2 horas de um ônibus para o outro e ao ligar na central 156 diziam que as linhas da região estavam com atendimento normal para final de semana e feriado, ou seja, diziam que o intervalo seria no máximo 40 minutos, mas na prática não é isso que acontece, pois em função da fiscalização pífia do SPtrans as empresas e coopertivas atuam e fazem o que querem nos bairros mais afastados. Já passou da hora de ser revisto esse modelo, linhas extintas sem necessidade, itinerários alterados só pra atender interesses das empresas e cooperativas entre tantos absurdos.

  11. e disseram q os consorcios eram o modelo”mais avançado”do Brasil.até a cidade de São Paulo,vai para licitação de linhas(mais do q correto)!mas,antes tarde do q nunca!

  12. Amigos, bom dia.

    1) O próximo edital de licitação para os ônibus do município de São Paulo, obrigatoriamente tem de ser publicado neste Blog para conhecimento de todos.

    2) A teoria na prática é outra, quem implanta, gerência e outros, nunca utilizou um BUZÃO
    as 6 da tarde, que tem até ladrão de celular ( outro dia no Ponto da Faria Lima X Corredor Rebouças ocorreu uma prisão em flagrante);

    3) Internamente as carrocerias são péssimas, bancos sem ergonometria, corredor estreitos,
    degrau no meio do carro (inacreditável), cada carro tem uma posição das portas do lado do motorista (qual a melhor?), catraca dos articulados na boca da entrada (pra que se tem espaço para colocar mais para o fundo do carro) – já dei a sugestão, mas ninguém aplica e a muvuca no embarque dos articulados continua dia após dia e tantos outro erros.

    Errar é humano, mas persistir no erro é burrisse

    4) Inclui-se ai carros grandes operando em ruas pequenas (coitado dos pilotos) e os enormes articulados batendo lata aos sábados (quem será que paga esta conta????)

    Adamo, por favor você poderia fazer uma matéria informando:

    Por que num “passe de mágica” a tão comentada VIP passou a ser MOBIBRASIL ?

    Deixo aqui uma reflexão:

    “HÁ TANTO BURRO MANDANDO EM HOMENS COM INTELIGÊNCIA, QUE ÀS VEZES CHEGO A PENSAR QUE BURRICE É UMA CIÊNCIA!” –
    “Rui Barbosa (1849 – 1923)”

    Bom final de semana a todos!

    Paulo Gil

  13. É incrivel como os que se julgam especialistas em transporte e principalmente o jornalista propietario deste blog insistem em ignorarem o bom transporte realizado por cooperativas na cidade de Sao Paulo, tanto que insistem em afirmar e noticiar que os veiculos utilizados por estas cooperativas sao do tipo VAN, um equivoco tendencioso, pois ha mais de 7 anos os veiculos utilizados sao do tipo micro-mid e onibus convencional transportando QUARENTA PORCENTO dos passageiros que utilizam o transporte publico, com 6000 veiculos contra SESSENTA PORCENTO de passageiros transportados pelas Empresas que operam com 9000 veiculos do tipo micro,mid, onibus convencional, articulado e biarticulado.
    Ou seja proporcionalmente aos veiculos em operação as Cooperativas transportam mais passageiros que as Empresas, entretanto recebem uma remuneração que em alguns casos chega a ser a metade que as Concessionarias recebem.
    Gostaria sinceramente que o libado jornalista deste blog deixasse um pouco de publicar os incansaveis elogios a LEBLON e fizesse uma visitinha a SPTrans para obter informações tecnicas do Ranking do Indice de Qualidade no Transporte, onde o mesmo poderá verificar que a unica operadora que recebeu a qualificação OTIMA trata-se de uma Permissionaria.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: