ZF apresenta transmissão automática de 06 marchas para ônibus

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Ônibus Caio, com chassi Volvo, já com a transmissão Ecolife. Z F garante economia de 6% no consumo de diesel, além da redução da poluição e nos custos de manutenção. Sistema é uma evolução da transmissão automática Ecomat, da própria ZF. Foto: Adamo Bazani

ZF apresenta transmissão automática de 06 marchas para ônibus
Já há no Brasil pelo menos 400 ônibus urbanos operando com o modelo Ecolife. ZF diz que as emissões de poluentes são menores e a redução de consumo de combustível pode chegar a 6%
ADAMO BAZANI – CBN
Para que o trânsito e a poluição nas cidades diminuam não há outra alternativa a não ser incluir os transportes coletivos nas políticas de mobilidade urbana.
No entanto, as pessoas precisam ser convencidas a deixar os carros em casa. Para ficar o mesmo tempo na avenida só que num veículo lotado e desconfortável, é lógico que as pessoas vão preferir a comodidade do carro.
Assim, o transporte público deve ser bem planejado, eficiente, rápido e com veículos confortáveis.
Na questão de conforto, as inovações tecnológicas têm deixado os ônibus cada vez mais interessantes. Claro que ainda há espaço para melhorias e que ainda a maioria dos serviços de transportes urbanos é prestada por ônibus simples de motor dianteiro por várias questões que vão desde o empresário que quer poupar custos e as condições severas nas vias dos perímetros urbanos e rurais.
Mas a tendência, aos poucos, começa a mudar. Atualmente, na busca de melhoria da mobilidade urbana e até para preparar as cidades para eventos como a Copa do Mundo de 2014, o número de ônibus mais silenciosos, menos poluentes e com piso baixo tem aumentado.
Para equipar estes ônibus mais modernos, a transmissão automática (o popular câmbio automático) tem sido cada vez mais usada.
“Hoje a proporção de ônibus urbanos com transmissão automática é de 20% da frota contra 80% de veículos manuais. O número é de aproximadamente 15 mil automáticos, a maioria de ônibus urbanos. Hoje os rodoviários usam muito mais os automatizados. Cremos que nos próximos anos, essa relação seja de 35% de urbanos automáticos contra 65% manuais.” – explicou Alexandre Marreco, gerente de desenvolvimento de negócios da ZF, uma das empresas que mais fabricam transmissões no País.
A empresa apresentou a transmissão ZF Ecolife, de 06 marchas, e o Blog Ponto de Ônibus / Canal do Ônibus, participaram de um test drive feito num ônibus urbano carroceria Caio modelo Mondego chassi Volvo B 7 R.
Na apresentação, monitores de computador mostravam em tempo real o desempenho e o consumo do ônibus além da funcionalidade de alguns itens na transmissão apresentados como inovações pela ZF.
Entre estas inovações estão:
– Seis Marchas: Apesar de parecer estranho um veículo urbano ter mais de cinco marchas, Alexandre Marreco explica que é justamente este diferencial que interfere no nível de economia. “Quanto mais marchas, o escalonamento entre as marchas é mais curto e quanto mais curto é o escalonamento, menor é a rotação do motor, o que significa menos gasto de combustível e menor poluição” – explicou o executivo da ZF do Brasil.
– TopoDyn Life: O sistema eletrônico de troca de marchas é capaz de reconhecer o peso veículo, por exemplo, se ele está lotado ou não, e a topografia da área percorrida. A inovação é que ele faz reconhecimentos a cada 10 metros independentemente de ação do motorista ou de um programador de software.
“Isso traz uma economia de acordo com a operação real. Antes, nos sistemas programados, às vezes era necessário selecionar a forma de desempenho máximo por causa de apenas uma parte do trajeto com aclive. Se o ônibus rodasse 90% em piso plano e 10% em subidas e descidas, a programação tinha de se basear nos 10%. Com este sistema, o próprio ônibus reconhece as variações e muda em tempo real a opção da transmissão” – explicou Alexandre Marreco.
– Retarder Primário: De acordo com a ZF, é indicado justamente para operações urbanas. Por conta do direcionamento do fluxo de óleo no sentido contrário na transmissão, o retarder primário pode reduzir a velocidade em até quatro quilômetros por hora sem o uso do freio convencional, mas com o motorista acionando normalmente o pedal. Os outros tipos de retarder reduzem a velocidade em até 30 quilômetros por hora, que no caso dos ônibus urbanos hoje acaba sendo até maior que a velocidade operacional. O uso menor do freio proporciona economia na hora da manutenção e também auxilia no combate a poluição. No Chile, a utilização do retarder em 1800 ônibus foi responsável por tirar do ambiente 19 toneladas de pó de freio por ano, segundo a ZF.
– AIS: O sistema coloca sempre a transmissão no modo neutro quando o ônibus está parado, independentemente da ação do motorista. Isso reduz a queima desnecessária do combustível enquanto o ônibus não está rodando.
– Lock up: Atua com um conversor de torque que tira o veículo da inércia. Isso aumenta a segurança e o conforto, segundo a ZF.
– Óleo sintético: A empresa garante também que o tipo de óleo denominado pela companhia Ecofluid Life pode durar até 240 mil quilômetros rodados sem necessidade de troca enquanto que no óleo mineral o intervalo é de 30 mil quilômetros.

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No ônibus de testes, computador mostrava desempenho da transmissão, funcionalidade de itens novos apresentados pela ZF e economia de combustível em tempo real. Foto: Adamo Bazani

A ZF diz que a transmissão Ecolife pode reduzir em 6% o consumo de diesel, além da manutenção e dos níveis de poluição em relação à geração anterior de transmissão, a Ecomat. A empresa também diz que as operações são mais suaves, com menos trancos e trepidações sentidas pelo motorista e passageiro, além de evitar lesões por esforços repetitivos muito comuns em motoristas que trabalham em ônibus de transmissão manual. A Ecolife já é produzida na Alemanha há cerca de dois anos. No Brasil, ela já está homologada para a Volvo. Para a Mercedes Benz, Scania e MWM, o produto ainda está em homologação.
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Ônibus Volvo encarroçado pela Caio, usado na demonstração do sistema de transmissão automática, percorreu 20 mil quilômetros em 15 cidades de 07 estados. Empresários queriam saber de economia e gestores públicos questionaram mais sobre meio ambiente e conforto. Apesar de o uso da transmissão automática estar em crescimento, representando 20% da frota, muitos empresários ainda possuem dúvidas sobre os sistemas. Foto: Adamo Bazani

Normalmente, a divulgação de um produto em forma de demonstração operacional é feita por montadoras e encarroçadoras. Exemplos atuais são a Rota VolksBus, da MAN, e a Caravana Soluções, da Volvo.
Mas a ZF decidiu fazer o mesmo contato e foi às estradas com o Ecobus, o Caio Mondego Volvo no qual a reportagem andou pelas ruas de Alphaville, na Grande São Paulo.
Entre os dias 16 de abril e 31 de agosto, o ônibus percorreu mais de 20 mil quilômetros e passou por 15 cidades de 07 estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Foram visitadas 59 frotas de ônibus, 8 órgãos gestores, entre eles a EMTU, de São Paulo, 09 concessionárias e 3 encarroçadoras, além da participação em eventos como o Seminário Nacional da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros e a Conferência das Nações Unidas para a Sustentabilidade Rio + 20.
“Foi interessante este contato, pois o empresário tem uma visão mais macro de seu negócio, já o técnico, o responsável pela manutenção, que precisa se atentar a detalhes fica sem noção e este profissional também foi beneficiado. Há ainda dúvidas em alguns frotistas sobre as transmissões automáticas. O contato com gestores públicos também foi bom. O empresário logo quer saber sobre retorno de investimento e economia, já o gestor quer saber das vantagens ambientais e de conforto. Procuramos atender a todas estas exigências” – conclui o gerente de desenvolvimento de negócios de transmissão do Grupo ZF, Alexandre Marreco.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

2 comentários em ZF apresenta transmissão automática de 06 marchas para ônibus

  1. não adianta empresários reclamar que ônibus de motor trazeiro é ruim em subidas,a ZF dá conta do recado em ônibus assim,já a transmissão automática VOITH,tem um barulho fenomenal,parece uma nave espacial,mas se um ônibus com VOITH encarar uma subida,por ter apenas 4 marchas,faz o veículo chorar e chorar pra subir.

  2. de que adianta ter a Caixa ZF 6AP sendo que da tranco toda hora? os profissionais da zf são incompetentes, inclusive no atendimento. já os da voith não tem estes problemas. atendimento é transparente.

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