NOVO PLANO DA BUSSCAR QUER TRANSFORMAR TRABALHADORES EM ACIONISTAS

Caso Busscar

Ônibus da Busscar. Depois de ter a proposta de recuperação judicial negada no quesito das dívidas trabalhistas pela Justiça, a encarroçadora apresenta um novo plano. Pela proposta, parte dos débitos seria convertida em ações da empresa. Trabalhadores ficariam com até 12% da companhia, podendo revender as ações para a Busscar. Sindicato dos Mecânicos de Joinville não vê vantagens na nova proposta. Se as ações fossem aceitas pelos funcionários, dívidas trabalhistas, que devem ser pagas em 12 meses, seriam consideradas quitadas. Mas se a empresa as recomprasse, teria 30 meses para pagar, o que na prática, voltaria ao prazo proposto no primeiro plano, reprovado pela Justiça. Foto: Adamo Bazani

Busscar apresenta novo plano de recuperação
Entre as propostas está o pagamento em forma de ações da empresa. Trabalhadores teriam direito a até 12% da encarroçadora

ADAMO BAZANI – CBN

A encarroçadora de ônibus Busscar, em dificuldades financeiras desde 2008 e há 29 meses sem pagar salários, apresentou um novo plano de recuperação nesta semana, depois de os credores, na última assembleia, realizada em maio, terem indicado que rejeitariam a proposta antiga, o que poderia levar à decretação da falência da empresa.
Entre os pontos que chamam mais a atenção neste novo plano apresentado pela família controladora Nielson é em relação ao pagamento de dívidas trabalhistas.
Os débitos para com os funcionários ou ex funcionários segundo a Busscar estão em torno de R$ 115 milhões. A companhia propõe pagar esta quantia em forma de ações da empresa.
No total, os funcionários podem chegar a ter 12% da encarroçadora pela proposta.
O juiz Maurício Cavalazzi Povoas questionou a forma de pagamento dos débitos trabalhistas da antiga proposta.
O magistrado não aceitou o parcelamento em 36 meses, sendo que legalmente, as dívidas em relação aos trabalhadores devem ser acertadas em até um ano depois do início de recuperação judicial, que, no caso da Busscar, teve início em 31 de outubro do ano passado.
Ainda de acordo com a nova proposta, os trabalhadores terão seis meses de carência para começarem a receber. Nos seis meses seguintes receberiam um sexto do valor a que têm direito e o restante em ações, que podem ser negociadas.
Esta proposta vai ser analisada pela 5ª Vara Cível de Joinville, cidade sede da Busscar.
De acordo com a empresa, os funcionários que aderirem não vão assumir as dívidas da companhia.
A Busscar ainda garante que quem não quiser, tem a opção de recompra obrigatória pela encarroçadora. Mas neste caso, a dívida trabalhista seria considerada quitada e o recebimento deste dinheiro da recompra já não estaria sujeito às leis trabalhistas em caso de empresas em recuperação judicial.
O caso será analisado pelo novo juiz que assume o processo, Gustavo Marcos de Farias, que será responsável pela 5ª Vara Cível.
Além da possibilidade de transformar os créditos em ações, as novas propostas também incluem:

• Desconto de 15% sobre multas e outras punições trabalhistas. Salários, FGTS, férias e verbas de rescisão serão pagãos integralmente.
• Carência de seis meses para início dos pagamentos aos trabalhadores.
• No pagamento da sexta parcela, haverá um desconto para a conversão das dívidas em ações preferenciais da Busscar. Isso configuraria a quitação dos débitos trabalhistas.
• Os trabalhadores que receberem as novas ações não teriam responsabilidades sobre as dívidas da Busscar, que ainda giram em torno de R$ 1,3 bilhão, apesar de a empresa ter informado número menor.
• Os trabalhadores podem resgatar as ações, ou seja, obrigar a empresa a recomprá-las.
• Na recompra, a empresa paga o saldo original antes do recebimento da ação. Depois tem até 30 meses para pagar com parcela mínima de R$ 400,00. Isso foi considerado uma manobra para que as dívidas voltem a ser pagas em 36 meses como propunha o projeto inicial. A lei determina que dívidas trabalhistas sejam quitadas em 12 meses. Ao pagar seis meses e depois converter a dívida em ações e recomprar com prazo de 30 meses, 6 meses iniciais com 30 meses da recompra, volta a dar no mesmo: 36 meses.
• Caso o controle da empresa mude, os sócios minoritários teriam a mesma condição de vender as ações dos majoritários.
• Se algum grupo quiser comprar a Busscar, todos os acionistas, inclusive os trabalhadores, terão os mesmos deveres típicos de uma negociação de venda.
• Os funcionários das empresas subsidiárias da Busscar, Tecnofibras e Climabuss não entram neste acordo
• Se caso a Busscar falir, os créditos trabalhistas voltam na mesma condição de antes do Plano de Recuperação, para os trabalhadores não serem prejudicados com a perda de valores de papéis.
• A Busscar não pode vender imóveis que serão uma garantia para pagamento trabalhista.

O Sindicato dos Mecânicos de Joinville demonstrou não ter se agradado com as porpostas.
Em nota, a entidade afirma que:
“Oficialmente não há proposta no processo segundo o Fórum, mas pelo que foi veiculado na imprensa, a proposta é apenas uma nova fórmula para tentar confundir os trabalhadores e a sociedade e credores, como foram as debêntures, papéis podres, sem valor, e que a empresa sequer teria condições de emitir por não ter as condições necessárias para isso junto a Bolsa de Valores. Aliás, proposta considerada “ilegal” pela Justiça, vale reforçar!”
O sindicato ainda afirma que uma empresa nas condições da Busscar não tem condições financeiras de emitir papéis e que os bens da empresa estão bloqueados para pagamento de direitos trabalhistas, o que superaria os 12% propostos pela Busscar.
Além de reiterar a necessidade de pagamento em um ano, o sindicato na nota disse que para começar a pagar, não pode haver carência superior a 30 dias em casos de baixos valores:
“O plano não poderá, ainda, prever prazo superior a 30 (trinta) dias para pagamento, até o limite de 5 (cinco) salários mínimos por trabalhador, dos créditos de natureza estritamente salarial vencidos nos 3 (três) meses anteriores ao pedido de recuperação judicial”.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

7 comentários em NOVO PLANO DA BUSSCAR QUER TRANSFORMAR TRABALHADORES EM ACIONISTAS

  1. Essa diretoria perdeu a noção do ridículo. Não tem moral, nem ética pra pedir carência, pois quem saiu há quase dois anos, nem recebeu a primeira parcela da rescisão. Isso é uma ofensa à inteligencia dos trabalhadores. Com essa família no comando a Busscar não irá a lugar algum, não tem nenhuma credibilidade, nem com funcionários, nem com credores.

  2. Pois é macarrone, o pior que quem não vive a situação acha que nós (ex funcionários) e o sindicato somos os vilões da historia que não concordamos com estas “ótimas” propostas!!

    É a força das matérias compradas!!

  3. Claudio nielson um grande arregão,ele é o melhor do melhor do mundo em da golpe nos trabalhadores e na justiça do trabalho.

  4. Querem Plantar números que são irreais … O advogado da Busscar disse que eles tinham 70% de aprovação nessa nova proposta ilegal … Não sei da onde esses números … Parabéns pelo autor do Blog, bem bacana o Blog … Vamos compartilhar juntos a nossa revolta nos nossos blogs … Meu blog também traz os detalhes e aborda a minha opinião sobre o tema … http://www.emerson-petri.blogspot.com
    Abraços.

  5. Não quero ser acionista da buscar, quero meu dinheiro!!!!.
    Parabéns pelo Blog

  6. Sérgio - Santo André // 3 de julho de 2012 às 19:22 // Responder

    É uma pena a situação na Busscar. Nessa altura do campeonato, a imagem da empresa já está desgastada, as propostas apresentadas pela empresa refletem a falta de horizonte para um acordo, os trabalhadores sofrem, e nessa briga que se arrasta, a Marcopolo vai se distanciando, a Neobus, Comil, Irizar e Mascarello vem comendo por fora, e a Busscar agonizando como um peixe em uma poça de água, procurando oxigênio onde não mais existe. Realmente um capítulo muito triste na história do transporte brasileiro.

  7. wellington santana ribeiro // 5 de agosto de 2012 às 02:05 // Responder

    Um dia ssse eu percebi que não via mais ônibus da Busscar nas ruas do Rio de Janeiro, entrei no site da Busscar para ver modelos de ônibus, depois comecei a procurar informes na net sobre a Busscar e via a triste noticia de iminente falência. Que tristeza! Muita tristeza isso deve ter sido péssima admistracao na época do seu Nielsen isso não acontecia foi o velho morrer e mudarem ateh o nome da empresa. Isso acontece com empresa como Itapemirim e Tigres tubos e conexões.. isso eh normal acontecer. Cuide a Marcopolo e Caio que os chineses não comprem pois se comprarem ficara RUIM para as duas brasileiras.
    Wellington Santana Ribeiro

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