META DO C 40 DE REDUÇÃO DE CO 2 PASSA PELOS TRANSPORTES COLETIVOS

ÔNIBUS HÍBRIDO

Ônibus elétrico híbrido em Nova Iorque. A Rio +20 trouxe poucos compromissos concretos para as reduções de emissão de poluentes em todo do mundo. No entanto, a atuação da iniciativa privada e das instituições de ensino e pesquisa, com soluções cada vez mais modernas e acessíveis, e a postura do C 40, grupo das maiores cidades do mundo, em se comprometer a reduzir em 1 bilhão de toneladas a emissão de gás carbônico, chamaram a atenção. Nos dois casos, tanto em relação às propostas de empreendedores e pesquisadores como ao comprometimento do C 40, um dos destaques foram os transportes coletivos. O líder do C 40, o prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg, classificou os transportes públicos como um dos pilares para um futuro melhor.

Redução de Gás Carbônico passa por investimentos em transportes coletivos
Tema foi consenso na Rio +20 e entre os prefeitos do C 40 que se responsabilizam em reduzir a emissão 1 bilhão de toneladas de CO2 até 2030

ADAMO BAZANI – CBN

Não foi desta vez que os representantes das nações se comprometeram de verdade com um futuro melhor, reduzindo as emissões de poluição e estimulando um crescimento que não coloque em risco a disponibilidade dos bens naturais para as próximas gerações.
Neste aspecto, a Rio + 20, Conferência das Nações Unidades sobre Desenvolvimento Sustentável, pode ser considerada um fiasco.
E a desculpa que a crise econômica mundial, com foco hoje na Europa, teria desanimado os líderes das nações não cola. Quando o assunto é colocar a mão no bolso ou transferir tecnologia para os países mais pobres, as nações mais prósperas nunca mostraram grande disposição.
É certo que nações extremamente pobres não são interessantes para as potências econômicas, que precisam vender seus produtos e especular por câmbio e juros. Mas o enriquecimento dos países pobres não pode “ser caro demais” para as potências.
No entanto, a Rio +20 não pode também ser considerada uma perda total.
O setor empresarial foi destaque. Muito mais que governos, empreendedores estipularam metas e colocaram suas ideias de tecnologia e sistemas em prol de um futuro melhor.
Eles fizeram isso só em nome da vida e da natureza? Claro que não! Empreendedor quer lucro. E que mal há nisso, se esse lucro trouxer desenvolvimento, oportunidades, gerar riqueza sem agredir o meio ambiente?
É uma visão capitalista? Sim, mas se não conseguimos nem mudar um documento sobre meio ambiente, que foi apresentado às nações na conferência, não é o regime que vamos mudar.
Nos empreendimentos tecnológicos, o Brasil mostrou que não deve às nações mais ricas quando o assunto é solução em transportes. Houve propostas de ônibus com formas de tração limpas por parte de filiais de multinacionais, mas com tecnologia e produtos desenvolvidos aqui, de empresas tipicamente nacionais, como a Eletra (que faz sistemas elétricos para ônibus) e de instituições de pesquisa e ensino, como a UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, que apresentou projeto de um trem que levita, o MagLev e um ônibus a hidrogênio, que solta vapor d´água em vez de fumaça preta, bem mais barato e com maior autonomia, que os modelos já conhecidos.
Os transportes coletivos, em especial dos de tecnologia limpa, são vistos por governos, ambientalistas, empreendedores, especialistas, ONGs e sociedade em geral como uma das muitas atitudes que devem ser intensificadas para um presente e um futuro melhores.
Isso fica claro num dos únicos compromissos por parte de poder público com meta definida, apresentados pelo C 40, grupo que reúne os prefeitos das principais metrópoles em todo o mundo. Apesar do nome C 40, hoje o grupo conta com representantes de 59 cidades.
Eles se comprometerem a reduzir em até 1 bilhão de toneladas a emissão de CO2, gás carbônico, até 2030.
Para se ter uma idéia, isso representa o que Brasil e México vão emitir juntos em 18 anos se não fizessem nada para reduzir os atuais padrões de poluição do ar.
Os dados do Climate Leadership Group (C40) revelam que somente em 2010, as grandes cidades em todo o mundo emitiram 1,7 bilhão de toneladas de gás carbônico. Por conta do crescimento da população, das atividades econômicas e da frota de veículos nas ruas, se não for tomada nenhuma medida em relação aos padrões de emissão, as mesmas cidades no ano de 2020 vão lançar 2,3 bilhões de toneladas e no ano de 2030, 2,9 bilhões de toneladas de gás carbônico.
Estas metrópoles foram responsáveis por 14% das emissões de gases de efeito estufa em todo o mundo. O problema, no entanto, pode ser resolvido pelo poder municipal. Segundo o C 40, as prefeituras podem controlar 75% destas emissões.
O prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg, líder do C 40 disse que existem alguns pilares a serem fortalecidos para que não só a meta de deixar de produzir 1 bilhão de toneladas de gás carbônico até 2030 seja cumprida, mas para que os impactos sobre a natureza sejam constantemente menores.
Entre estes pilares destacados está o incentivo e o aprimoramento dos transportes públicos.
Para o dirigente, os transportes públicos tiram os veículos de passeio das ruas, reduzindo o excesso de carros que é responsável por boa parte da poluição atmosférica.
Ele defende o aperfeiçoamento e ganho de escala de produção de veículos com tecnologia limpa, como metrô e ônibus que funcionam com formas de tração independentes do petróleo.
E o prefeito diz que tem feito a lição de casa. Em Nova Iorque, prestam serviços cerca de 2 mil ônibus elétricos híbridos.
Os ônibus operam com dois motores, um a combustão e outro a eletricidade. O motor a combustão funciona em alguns momentos da operação e gera energia para baterias que alimentam o motor elétrico. A energia gerada nas frenagens também é aproveitada.
A solução novaiorquina é bem conhecida no Brasil. A Eletra, de São Bernardo do Campo, foi responsável entre 1996 e 1997 pela circulação comercial do primeiro veículo deste tipo no Corredor ABD, que liga a zona Sul à zona Leste de São Paulo, passando por municípios do ABC Paulista, operado pela Metra. A empresa também desenvolve trólebus, ônibus elétricos que não emitem nada de poluição do ar na operação, mais modernos, e até chega a exportar. A Volvo também anunciou um ônibus elétrico híbrido, apresentado na Rio +20. A cidade de Curitiba terá 60 unidades, sendo as trinta primeiras entre agosto e setembro.
Dentro do compromisso do C 40 em reduzir a emissão de gás carbônico, está o investimento em transportes públicos.
Os moradores não só destas cidades, mas de todo o planeta, esperam que o discurso se torne uma prática.
Atualmente, as 59 cidades que integram o C 40 possuem 544 milhões de habitantes, 8% da população mundial, mas produzem 20% do PIB de todo o mundo, o que significa US$ 13 trilhões.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

4 comentários em META DO C 40 DE REDUÇÃO DE CO 2 PASSA PELOS TRANSPORTES COLETIVOS

  1. Esses dias fiquei sabendo de algo bem interessante : os ônibus híbridos da Órion existem desde 1996 e atualmente são mais de 1500 vendidos.
    Devemso nos atentar que o ônibus híbrido é bem antigo e inclusive a versare tinha gás eletrico com gerador no balanço traseiro antes do primeiro modelo à Diesel com motor na mesma posição.

  2. José Carlos G. Soares // 25 de junho de 2012 às 02:54 // Responder

    Adamo Bazani;

    Peço desculpa por usar este espaço, pois não localizei o local para contato direto com você.
    O jornalista Nairo Alméri, do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, publicou na edição de 22/06/12 que a Gontijo, maior empresa de transporte de passageiros de Minas vai mexer no comando executivo.
    Me parece que o grupo Gontijo/São Geraldo é gerido pela família Gontijo.
    Você tem mais detalhes ?
    Grato e parabéns pelo blog.

  3. Adamo, queria chamar atenção para um problema envolvendo o monotrilho linha Ouro, hora em construção na avenida Roberto Marinho. A comunidade do M’Boi Mirim, na zona sul, reenvindica a muito tempo um sistema adequado de transporte na região. Vc deve se lembrar dos muitos protestos feitos ali. E de repente tem uma linha ferroviária ja em obras onde será construído um túnel e onde tem uma ponte de enfeite! E pior, teria o mesmo problema do Expresso Tiradentes tão criticado pela “poluição visual”, mas ninguem reclama. Que desigualdade absurda! Com todo respeito á comunidade carente do Morumbi, que também merecem atenção, mas é revoltante.
    Para os ônibus se fazem meras faixas, e chamam de exclusivo. Para o metrô dalhe investimento. Não sou contra a ampliação da rede ferroviária, mas se nota a enorme diferença de atenção que é dado a um, e dispensado ao outro.

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