Transportes públicos com acessibilidade em Curitiba se aproximam de 100%

frota acessível

A cidade de Curitiba e a região metropolitana são onde os transportes públicos mais oferecem acessibilidade para portadores de deficiência física e visual. Servida apenas por ônibus, a capital tem 95,6% dos veículos com condições de atender a quem possui algum tipo de limitação. O sistema conta com corredores exclusivos e estações que permitem o embarque no mesmo nível do assoalho dos ônibus, mas até mesmo os modelos mais simples que atendem regiões que não são servidas por corredores oferecem equipamentos de acessibilidade. Foto: Karoline Dea Falcão.

Região Metropolitana de Curitiba tem o maior índice de acessibilidade nos transportes públicos no País
Servida apenas por ônibus, a cidade tem 95,6% dos veículos acessíveis. A segunda cidade com mais facilidade aos portadores de necessidades especiais é Belo Horizonte

ADAMO BAZANI – CBN
Deixar as cidades com melhores condições para quem possui deficiência física, visual ou qualquer outro tipo de limitação é uma obrigação do poder público e das instituições privadas e que requer investimentos.
No entanto, para que a cidadania e dignidade sejam oferecidas aos portadores de deficiência, não são necessários gastos absurdos e acima das condições dos cofres públicos e das empresas. Basta planejamento, respeito às leis e investimentos com responsabilidade.
É o que provam as empresas de ônibus de Curitiba e região metropolitana e o poder público local.
De acordo com o Mobilize Brasil, a cidade é a que mais oferece acessibilidade nos transportes coletivos entre as capitais e regiões metropolitanas em todo o País. Há cidades que oferecem acessibilidade maior, como Diadema e Santos, mas o levantamento leva em conta capitas junto com cidades vizinhas.
Servida apenas por ônibus, Curitiba tem 95,6% dos veículos de transportes urbanos com acessibilidade.
Só na capital paranaense, operam 1 mil 915 ônibus que fazem parte da RIT – Rede Integrada de Transporte, que oferece uma malha de serviços de ônibus que conta com corredores exclusivos, linhas rápidas com poucas paradas (Ligeirinhos), terminais interligados e possibilidade de várias integrações gratuitas entre as diversas linhas, independentemente do tempo de viagem e da quantidade de veículos utilizados.
Destes 1 mil 915 ônibus, 1 mil 830 atendem todas as legislações brasileiras de acessibilidade.
Os veículos que servem a malha de corredores exclusivos param em estações-tubo.
Elas dispensam a necessidade dos degraus dos ônibus. O piso das estações é no mesmo nível do assoalho dos veículos. As estações tubo existem em Curitiba e região desde o início dos anos de 1990 e servem de modelo para outros sistemas de BRT – Bus Rapid Transit – (corredores de trânsito rápido para ônibus) no Brasil e em outros países, como a Colômbia, que em Bogotá opera com o bem sucedido Transmilênio.
Aliás, essa é uma das características dos sistemas de corredores de ônibus BRT: oferecer transportes rápidos, acessíveis e modernos, mas sem custos elevados, tanto de implantação como de operação.
Além de os ônibus que atendem aos passageiros nas estações-tubo, contanto com modelos biarticulados que podem transportar 270 pessoas de uma só vez, há os veículos que circulam em bairros e fora de corredores, que também oferecem acessibilidade aos usuários.
Mesmos os veículos mais simples, com motores dianteiros por servirem áreas mais afastadas e cujas condições de tráfego não são tão boas como nos corredores, possuem elevadores para cadeiras de rodas.
Todos os modelos possuem balaústres em relevo nas proximidades das portas para auxiliar as pessoas com limitação visual, sinal de parada especial que indica ao motorista que uma pessoa que precisa de ajuda vai desembarcar, bancos especiais para quem sofre de obesidade, assentos diferenciados pela cor amarela para idosos, gestantes, pessoas com crianças de colo e que se recuperam de intervenções médicas.
Os veículos também oferecem espaço interno para afixação correta e segura de cadeiras de rodas e para cão-guia acompanhante de pessoas com limitação visual.
ANTES MESMO DA LEGISLAÇÃO:
A legislação brasileira exige cidades com transporte coletivo acessível desde 2009.
Mas antes mesmo deste ano, o poder público e as empresas de ônibus de Curitiba e região já investem na acessibilidade.
Desde 2005, só são colocados na Capital e nas cidades vizinhas, ônibus novos com equipamentos acessíveis.
Para se ter uma ideia, em Santo André, no ABC Paulista, uma das regiões com maior arrecadação do País, a quantidade de ônibus acessíveis ainda não chega a 30%. Há veículos do ano de 2008, que atendem a regiões de hospitais, que não têm nenhum tipo de equipamento de acessibilidade, além dos balaústres em relevo.
A legislação determina que 10% dos assentos nos ônibus sejam destinados a idosos, gestantes e portadores de deficiência. Em Curitiba, esse total, de acordo com a Prefeitura é de 20% dos lugares disponíveis.

AUMENTO CONSTANTE DA FROTA COM ACESSIBILIDADE:

O objetivo de Curitiba é que até 2014, todos os ônibus sejam acessíveis.
De acordo com a Prefeitura, o crescimento da frota com condições de atender dignamente portadores de deficiência tem sido constante. Em 2010, eram 83% dos ônibus. Em 2011, a frota acessível passou a ser de 91%. Em janeiro de 2012, foi para 92% e agora está em 95,6%.
Depois de Curitiba, a cidade de Belo Horizonte é a que mais possui transporte com acessibilidade: 80% da frota, seguida do Rio de Janeiro, com 60%. O índice do Rio de Janeiro deve aumentar com a renovação da frota e com a expansão dos corredores de BRT. O levantamento não leva ainda em conta os serviços do corredor Transoeste, que liga Campo Grande, Santa Cruz e Barra da Tijuca.
A cidade com menor frota acessível, entre as capitais, é Natal, com 20% dos ônibus com possibilidade de atenderem a portadores de limitações.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

9 comentários em Transportes públicos com acessibilidade em Curitiba se aproximam de 100%

  1. Desculpe, mas não posso concordar com esse título, uma vez que elevador não promove acessibilidade Universal à todas as pessoas (e não só aos cadeirantes). Aos idosos, obesos, gestantes, pessoas com mobilidade reduzida, pessoas recém operadas, entre outras limitações ainda continuam impostos os enormes degraus para acesso aos ônibus, e em grande parte das Estações Tubo também. Posso até apontar como item prejudicial à pessoas frágeis como os idosos, a brutalidade da suspensão da maioria dos carros. Na boa, estamos longes de promover, de fato, a acessibilidade em sua real essência.

    • Corrigindo o começo: Desculpe, mas não posso concordar com esse título, uma vez que elevador não promove acessibilidade Universal (somente aos cadeirantes).***

    • Romney, o elevador não é de uso restrito aos cadeirantes. Mas é destinado à TODOS os portadores de necessidades especiais, sejam obesos, idosos, pessoas com mobilidade reduzida. O uso do elevador é para esse fim. O problema é que as informações são passadas ao público ou pela metade ou com fatos omitidos.

  2. Só que tem um único porém, não podemos comparar CURITIBA com a cidade de SÃO PAULO, pois na cidade de São Paulo temos uma frota de 15.000 ônibus e em CURITIBA se chegar a 1.000 ônibus é muito. Dos 15.000 citados, 60% dos ônibus são acessíveis. Comentários: SPTrans.

    • Josue Marcio Lopes // 23 de junho de 2012 às 21:09 // Responder

      Errado seu comentario. So na capital Curitiba sao 1915 onibus. E mais: a comparacao nao se deveva numeros absolutos mas a proporcao.

    • Em SP se o passageiro portador de necessidades especiais for a pé (seja qual for sua limitação) existe grande chance dele chegar antes do ônibus, o qual estará parado no congestionamento.

      • Complementando: Comparar o transporte metroviário de São Paulo com Curitiba realmente é humilhante, pois Curitiba nem tem. Agora comparar o transporte por ônibus entre São Paulo e Curitiba… é comparar laranja com limão. =)

  3. amigo Josué,mesmo se for na base da proporção, a SPTrans ainda sai na frente, pois na cidade de São Paulo, podemos considerar que de 15 000 são 10 000 ônibus acessíveis ou seja 3 vezes mais que CURITIBA, bom, só reproduzi o que um tecnico da SPTrans me passou.

    • Se Joinville que tem quase 400 ônibus tiver 100% de sua frota adaptada e nenhuma outra cidade do país ostentar esse título, ela será a cidade que mais promove essa acessibilidade falha, que não leva em conta o acesso universal como critério para, de fato, anunciar que uma cidade é acessível ou não. O que conta é o número de veículos total da cidade, não seu tamanho comparado a outra. para São Paulo sair na frente, ela precisa ter maior porcentagem de adaptados por número total de frota que Curitiba. A frota é geralmente proporcional ao número de habitantes, então, proporcionalmente falando, Curitiba oferece a um maior número de habitantes (dentro do total que tem) o carro adaptado.

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