Novas faixas de ônibus e velho desrespeito

invasão de faixa de onibus

Faixa de ônibus na Avenida Rio Bonito, recém inaugurada, foi vítima de várias invasões de carros particulares. Isso ocorre também nas faixas mais antigas. Além de educação, que falta em muitos motoristas de carros particulares, punições devem ser mais rígidas. Pelo perfil dos motoristas no Brasil, as faixas não serão respeitadas “apenas pela necessidade” de o bem coletivo ser priorizado. Foto: Robson Ventura / Folhapress.

Novas faixas de ônibus reduzem tempo de viagem, mas motorista de carro desrespeita espaço coletivo
Trajetos estão até 15 minutos mais rápidos, mas individualismo falou mais alto

ADAMO BAZANI – CBN

É verdade que a melhor forma de oferecer velocidade e conforto aos transportes coletivos por ônibus é a criação de corredores exclusivos, totalmente segregados do trânsito, que apresentam estações de embarque no mesmo nível do assoalho dos veículos, pagamento da passagem antes da entrada no ônibus e painéis com informações sobre linhas e horários, além de pontos de ultrapassagem, para evitar que se façam filas nas paradas atrasando as viagens.
A criação de faixas de ônibus, pintadas nas vias comuns, é considerada solução paliativa para transportes, mas muitas vezes é o único meio disponível de priorizar os deslocamentos coletivos no curto prazo ou em locais onde não há a menor possibilidade mais de qualquer intervenção viária.
Mas independentemente das discussões sobre a melhor forma de oferecer mobilidade, há algo mais básico e esquecido: falta educação ao motorista de carro individual e isso precisa ser revertido de diversas maneiras que vão desde trabalhos de conscientização e campanhas até punições severas de fato.
Nesta segunda-feira, foi o primeiro dia útil de operação de cinco novas faixas de ônibus, que totalizam 9,6 quilômetros e fazem parte de um projeto da Prefeitura de São Paulo de implantar 130 quilômetros até o final do ano.
As faixas ficam na Avenida Rio Bonito, Avenida Interlagos, Avenida Olívia Guedes Penteado, Avenida Senador Teotônio Vilela e corredor da Avenida Brigadeiro Gavião e Avenida Barão de Jundiaí.
As vias para ônibus reduziram entre 5% e 15% o tempo de viagem, havendo ganhos de até 15 minutos para os passageiros de ônibus que ocupam melhor o espaço urbano.
Estes números poderiam ser melhores se não fosse o individualismo, o desrespeito e a falta de senso de cidadania de muitos motoristas de carros.
A reportagem do Jornal Agora São Paulo esteve por meia hora em cada faixa e não foi difícil flagrar as invasões.
Neste curto espaço de tempo, de acordo com o jornal, foram:
Avenida Senador Teotônio Vilela: 34 invasões de carros, motos e caminhões no espaço do transporte público.
Avenida Interlagos: 20 invasões de carros, motos e caminhões no espaço do transporte público.
Avenida Rio Bonito: 41 invasões de carros, motos e caminhões no espaço do transporte público.
Avenida Olívia Guedes Penteado: 35 invasões de carros, motos e caminhões no espaço do transporte público.
Brigadeiro Gavião Peixoto: 36 invasões de carros, motos e caminhões no espaço do transporte público.
A CET – Companhia de Engenharia de Tráfego diz que já aplica multas, que são de R$ 53,20 e 3 pontos na carteira, mas que como as faixas foram recentemente implantadas, ainda o órgão trabalha mais na conscientização dos motoristas.
No entanto, com muito ou pouco tempo de implantação, as faixas de ônibus têm siso desrespeitadas cada vez mais por pessoas que usam o carro como armadura e o espaço público como seu reinado particular.
O culto ao automóvel é tão grande que ele passou a ser uma extensão do próprio corpo e mente da pessoa na área urbana e, convenhamos, o motorista brasileiro ainda não sabe agir coletivamente.
Assim, quando ele está ao volante, o que interessa é só ele.
Tem de doer na consciência sim, mas mais no bolso ainda.
Ou alguém aqui acha que inicialmente a lei do cinto de segurança “pegou” porque as pessoas pensavam na sua segurança ou na dos outros?
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

9 comentários em Novas faixas de ônibus e velho desrespeito

  1. Adamo, se fosse o inverso, se as faixas fossem preferenciais aos carros, a CET teria dezenas de fiscais e multas altissimas.

  2. O que será que a prefeitura quer provar com essas idéias “paliativas”? Bom, considerando que ja está acabando o mandato desse prefeito é aí que ele não está nem aí mesmo!
    Deveria mudar o conceito de deslocamento urbano: por exemplo, usar uma das laterais das avenidas para o corredor de ônibus nos dois sentidos, ao invés da faixa central. Assim segregaria literalmente o sistema, auxiliando até viaturas de emergência – o que implicaria em faixa dupla contínua, além de espaço para manutenção dos ônibus sem atrapalhar o fluxo dos outros veículos. É claro que esse projeto implicaria até na construção de um viaduto para os ônibus. Solução existe, o que não existe é interesse político.
    Tomemos cuidado com os líderes sejam eles religiósos, políticos, filosóficos ou de qualquer ordem.

  3. e ainda tem gente que acredita naquela história de indústria da multa.

  4. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/39000-com-cones-empresa-improvisa-corredor-de-onibus-na-zona-norte.shtml
    E na da av Vital Brasil, sempre tem carros e caminhões estacionados, sem contar os que entram pra fazer conversões a direita

  5. Márcio Silveira // 21 de junho de 2012 às 02:08 // Responder

    Estamos no brasil, então tudo que é proibido é mais adrenalistico. O negócio é colocar meio-fio em toda a extensão dos corredores e não somente uma pintura. Aqui em PoA, não respeitam nem ambulância, por enquanto só respeitam Bombeiros porque aí o estrago é beeeem maior se bater. Inclusive o que acontece se um onibus desses “levantar” um carro dentro do corredor? O motora é incriminado? Aposto que sim devido à regra da Direção Defensiva.

  6. Eu acredito que vcs deveriam escrever mais sobre o Brasil como um todo, para que isto servisse para todos, e não só de São Paulo.

    • Concordo. Mas em alguns dos outros lugares, as assessorias e os departamentos de comunicação são muito ruins. Para se ter uma ideia, pedimos informaçoes sobre bilhetagem eletrônica em Recife há 4 meses e NINGUÉM DAS EMPRESAS DE ÔNIBUS OU PREFEITUTRA RESPONDEU

      • Adamo, boa noite

        Você já está precisando de correspondentes em cada estado, isto é um ótimo sinal, o Blog rompendo fronteiras ajudando o Brasil a pensar grande; mesmo com “burrocracia inerte”

        Em breve: O Blog do Ponto de ônibus do Brasil !

        Parada Goias;
        Parada Belém do Pará;
        Parada Piauí;
        Parada Acre;
        Parada Espírito Santo;
        Parada Amazonas ( especial BARCO BUS);
        Parada Rio Grande do Sul;
        Parada Minas Gerais
        e Parada para todos os outros estados.

        Parabéns!

        Paulo Gil

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