ABC GANHA 10 NOVOS VEÍCULOS POR HORA.

trolebus

O ABC Paulista recebeu só de janeiro a maio deste ano, 36 mil novos veículos, o que significa dez carros a mais sendo colocados por hora nas ruas. Com uma frota que deve atingir 1,4 milhão de automóveis, a mobilidade na região apresenta problemas cada vez mais significativos que exigem soluções rápidas, como corredores de ônibus, que possuem baixo custo de implantação e podem ser construídos em até 2,5 anos. Isso não exclui a possibilidade de o ABC pensar em outras formas de transportes públicos, mas bem estruturados e planejados, os corredores podem atender a grandes demandas e não serem soluções paliativas. Corredor ABD é exemplo de que solução é compatível com as necessidades do ABC Paulista. Se há espaços para duplicação de avenidas a fim de receberem novos carros, com certeza deve haver para os corredores de ônibus que aproveitam melhor a área pública, já que um ônibus pode substituir diversos carros de passeio. Cidadão no ABC perde 42 dias por ano no trânsito, o que significa que ele pode deixar de ganhar R$ 1.980 anualmente. Foto: Adamo Bazani.

ABC: Fenabrave revela que 10 veículos novos foram colocados nas ruas por hora
Mesmo com mercado fraco, 36 mil novos automóveis foram colocados em circulação no ABC Paulista. Na região, mais da metade dos trabalhadores deixa de ganhar quase R$ 2 mil por ano devido às horas perdidas em congestionamentos

ADAMO BAZANI – CBN

Mesmo com os primeiros meses do ano sendo fracos para a indústria automotiva, a Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores revelou esta semana que entre janeiro e maio de 2012 foram licenciados cerca de 36 mil veículos para as sete cidades do ABC Paulista: Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.
As cidades que mais concentraram os números de emplacamentos foram São Bernardo do Campo, com 13 mil e 900 carros e Santo André, 10 mil e 300 unidades.
Para se ter uma ideia, isso significa que foram colocados nas ruas da região aproximadamente 10 veículos novos por hora, a maioria carros de passeio.
Com a redução tributária sobre veículos particulares, a perspectiva é de que esse número aumente.
O Denatran – Departamento Nacional de Trânsito estima que a frota de veículos no ABC chegue 1,4 milhão de unidades.
Se por um lado, os números revelam que a indústria automotiva, uma das principais economias da região, apresenta uma possível retomada de crescimento, o que é importante para a geração de empregos e movimentação financeira no ABC, os dados são vistos mais uma vez com preocupação sob a ótica da mobilidade urbana.
A pergunta principal é: o ABC está preparado para receber tantos novos carros nas ruas?
Alguns pontos das sete cidades que num passado não muito distante não apresentavam problemas para o cidadão ir e vir, se tornaram verdadeiros gargalos.
Na última quarta-feira, dia 06 de junho, véspera do feriado prolongado de Corpus Christi, quando chovia, a reportagem constatou que havia congestionamentos até mesmo em ruas dentro de bairros majoritariamente residenciais. O acesso aos táxis era quase impossível. Nos pontos não havia nenhum veículo de praça e a espera pelos serviços de rádio-táxi era de no mínimo 40 minutos.
Os transportes públicos, em sua maioria, também foram prejudicados. Sem espaços preferenciais, os ônibus que transportam muito mais pessoas que os carros de passeio ocupando uma área bem menor, ficavam presos no trânsito.
Mas para a mobilidade do ABC apresentar problemas, não são necessárias mais situações extraordinárias, como chuva às vésperas de um feriado prolongado.
Mesmo com a duplicação de avenidas e outras obras viárias, o espaço urbano na região não tem dado conta do aumento da frota de veículos particulares.
Se o problema gera estresse, perda de qualidade de vida e poluição, o trânsito no ABC Paulista tem feito as pessoas perderem dinheiro. E aí segue outra pergunta: É inegável que a prosperidade trazida pelas montadoras é fundamental para o ABC Paulista, mas apenas colocar carros nas ruas vale a pena?
Além dos aumentos dos custos de saúde com poluição e até mesmo com problemas ortopédicos pelo longo tempo das pessoas sedentárias nos carros e dos gastos com a infraestrutura que o trânsito exige, há outra implicação econômica que agora pode ser medida: o que as pessoas deixam de ganhar por ficarem paradas nos congestionamentos.
De acordo com cálculos do professor Creso de Franco Peixoto, especialista em mobilidade urbana, da FEI (Fundação Educacional Inaciana), por ano, cada cidadão do ABC Paulista pode deixar de ganhar em média R$ 1.980,00.
Os dados foram obtidos levando em conta a renda média no ABC Paulista e quanto as pessoas ganham por hora de atividade. Estes dados foram cruzados com o Censo 2010 do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas que mostram que 56,63% dos moradores da região demoram mais de uma hora por dia para se deslocarem. Por ano, essas horas perdidas no trânsito somam 42 dias consumidos inutilmente. Em média, estes 42 dias poderiam render R$ 1.980,00.
A questão é considerada grave sob vários aspectos: saúde, mobilidade e economia.
Não é possível impedir que as pessoas comprem carros, mas é necessário oferecer formas de deslocamento que convençam os cidadãos a usá-los menos.
E a principal destas formas é a priorização e o aumento da qualidade dos transportes públicos.
Inicialmente, os transportes coletivos devem oferecer ao cidadão a mesma velocidade, ou maior, que os carros de passeio, com o conforto semelhante.
Deixar ônibus presos nos congestionamentos os torna desinteressantes e diminui a eficiência dos transportes públicos.
Assim, a criação de espaços onde os ônibus possam desenvolver mais velocidade, além de ser uma medida democrática, pois favorece a maioria que ocupa melhor a área pública, é também pensar de maneira inteligente a cidade do ponto de vista econômico.
Para o ABC Paulista, os corredores de ônibus se apresentam como soluções mais viáveis para combater um problema que exige atitudes rápidas.
A construção de um corredor de ônibus demanda 2,5 anos enquanto que de outros modais de 4 a 9 anos. Isso não significa excluir outras possibilidades de transportes, mas agir para um problema que necessita de resposta urgente. São dez veículos novos por hora: multiplique isso por 4 ou 9 anos. Corredores de ônibus bem estruturados e planejados não são soluções paliativas e podem a custos compatíveis com a realidade econômica das cidades, atenderem grandes demandas.
O corredor ABD é um bom exemplo que espaços exclusivos para ônibus solucionam boa parte dos problemas de mobilidade da região. Operado pela empresa Metra, o corredor liga São Mateus, na zona Leste de São Paulo, ao Jabaquara, na zona Sul da Capital Paulista, passando pelos municípios de Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo do Campo e Diadema, além de ter um ramal entre Diadema, no ABC, e as regiões do Morumbi e da Berrini, na zona Sul de São Paulo.
Com aprovação de 79% dos passageiros, de acordo com a Associação Nacional dos Transportes Públicos – ANTP, índice de satisfação superior ao do metrô, que foi de 74%, o corredor é um exemplo já consolidado do que pode ser feito pelo próprio ABC Paulista em maior escala.
E espaços para mais corredores de ônibus existem sim na região. Afinal, não há espaço para duplicação de vias para receber carros? Por que não mais para o transporte coletivo?
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

7 comentários em ABC GANHA 10 NOVOS VEÍCULOS POR HORA.

  1. Eu discordo desta estatistica que 10 carros por horas são colocados nas ruas. E os que são vendidos, baixados, viram sucatas, os que estão parados nas lojas,os que são caminhões, carros de empresas, etc? É uma estatistica que não reflete a realidade na minha opinião.
    Mas em se tratando de ABC paulista, pela qualidade do transporte que nos é oferecido, principalmente no sistema intermunicipal, cada um tenta se virar como pode, e o mais fácil é adquirir um veículo para uso particular mesmo.

  2. Josue Marcio Lopes // 11 de junho de 2012 às 21:05 // Responder

    Eu tava lendo o informe da Fenabrave e a media e essa mesmo. Carros comerciais representam so 6%. Muitos carros nao sao baixados. Tem aumento de carro por familia. Se as baixas fossem tao relevantes a frota total da regiao nao aumentaria. Moro ha 25 anos em Ribeirao Pires e nunca vi tanto carro aqui. Concordo que o transporte intermunicipal seja ruim. Eu mesmo faz tempo que nao uso.

  3. E se for continuar dependendo da boa vontade dos governantes e empresarios, tambem vou colocar minha condução na rua. Eu mesmo gasto uma hora e meia com 2 onibus, trolebus e Metrô, de moto da pra fazer em 20 minutos sem correr. Nunca me importei com o tempo gasto por ter o costume de ler, tanto nos onibus como nas filas, mas a coisa está piorando. Frequentemente o trolebus está lotado à meia-noite, horario que pego na volta. Sem falar na quantidade de falhas no Metrô e nessa empresa que apareceu em Diadema, a Mobibrasil. E o que me revolta é que a situação no ABC está horrivel, mas pelo menos existe a esperança de melhora quando o Expresso ABC e o monotrilho vier – poderia ser um BRT, acho que dava pra ter a mesma capacidade em um prazo menor – mas especificamente para Diadema não existe nem um projeto de mentirinha que seja.

  4. Não há geito que dê geito no nosso problema urbano. Os ônibus não recebem investimentos públicos (e são injustiçados por isso), a frota de carro será duplica até as cidades não os comportarem mais, os políticos só pensam neles e a vida segue…
    Entra ano, sai ano e as coisas só tendem a piorar! Infelizmente sou pessimista; cansei de ser realista. Chega uma hora que cansa tanto descaso, hipocresia e mesmice.

  5. Bruno Quintiliano // 12 de junho de 2012 às 08:48 // Responder

    Tantos novos carros e poucos onibus a mais. no próprio corredor abd as pessoas andam caindo pra fora (no piraporinha a orientadora de embarque ate tem que empurrar passageiro pra dentro pra fechar a porta) e nao tem nenhum biarticulado. esses padron nao sao mais compativeis com a demanda.

  6. Sérgio - Santo André // 12 de junho de 2012 às 19:03 // Responder

    Boa parte desse inferno no trânsito também de deve as autoridades. Vou citar como exemplo, para quem conhece Santo André no ABC paulista, existe um ponto de ônibus em frente ao Boulevar Itambé, sentido centro-bairro, em uma rua de apenas 2 faixas de rolamento, sendo que em um trecho de aproximadamente 500 m, temos uma área de desembarque de passageiros de veículos de passeio em frente a Estação de Santo André, onde pela falta de fiscalização, os veículos param em fila dupla aguardando o desembarque de passageiros da CPTM, quando a parada é apenas para embarque e desembarque. Juntando a isso, nessas 2 faixas de rolamento (que agora já se tornaram apenas uma) temos o embarque de passageiros nos maravilhosos ônibus “midi” com motorista/cobrador, essa praga (não me refiro ao motorista, mas sim a prática das empresas) que se alastra imensamente. Imagine o inferno no horário de pico com toda essa bagunça e sem nenhuma fiscalização por parte da Prefeitura de Santo André, que com o dinheiro que arrecada em multas, poderia aos menos ter a vergonha na cara de colocar um agente para organizar essa caos bem no centro da cidade. Lamentável.

  7. É complicado mesmo essa situação, ainda mais quando está no horário de pico. É sempre bom então ficarmos atentos a essa situção, sempre que dá eu confiro o portal Abc do Abc pra eu ficar mais informada dessas siituações. Espero que essa situação melhore, porém sabemos que é difícil.

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