SINAL AMARELO E FÉRIAS COLETIVAS EM INDÚSTRIAS DE ÔNIBUS

férias coletivas

Ônibus da Mercedes Benz. Empresa confirmou que dará férias coletivas por causa da baixa produção de ônibus e caminhões. Scania também estuda a possibilidade. Queda da fabricação de veículos de transporte coletivo urbano e rodoviário, de diversas categorias, chegou a 45% no primeiro bimestre deste ano. Foto: Adamo Bazani

SINAL AMARELO: Baixa demanda faz indústria de ônibus dar férias coletivas
Na Mercedes Benz, por exemplo, haverá até paralisação da produção

ADAMO BAZANI – CBN

O que o mercado já esperava e o otimismo das fabricantes tentava disfarçar vai acontecer com maior intensidade pelo menos nestes meses de abril, maio e junho: queda na produção e nas vendas de ônibus e caminhões.
A Mercedes Benz anunciou que dará férias coletivas nas unidades de Juiz de Fora, em Minas Gerais, e São Bernardo do Campo, em São Paulo, entre os dias 2 e 11 de abril, inclusive paralisando a produção por cinco dias consecutivos. De 14 mil empregados, 08 mil devem parar.
A informação do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC foi confirmada pela Mercedes Benz.
A Scania, outra fabricante de ônibus e caminhões, também prevê interrupções de produção ao longo do ano. A empresa deve parar por dez dias, sendo quatro em abril e em maio.
Os números são conflitantes e podem confundir quem acompanha o assunto.
Há o número de emplacamentos e o de produção.
Se por um lado, a quantidade de emplacamentos de ônibus revela um bom cenário, com crescimento de 4,9% no primeiro bimestre de 2012 em comparação ao mesmo período de 2011, o número de produção é desanimador, porém a queda era esperada, talvez não nesta proporção.
A fabricação de caminhões registrou no primeiro bimestre queda de 50% e a de ônibus em torno de 45%.
O principal motivo para essa discrepância e para o quadro em geral, de acordo com as fabricantes e com os sindicatos representantes dos metalúrgicos, foi a troca de tecnologia para a redução de emissão de poluentes, que até 31 de dezembro de 2011 seguia as normas do Proconve (Programa Nacional de Controle de Poluição do Ar pro Veículos Automotores) fase 5, P 5, baseadas na Euro III, para a fase P 7, com base no conjunto de normas Euro V.
Os ônibus e caminhões se tornaram menos poluentes mas até 15% mais caros.
Por conta disso, donos de frotas anteciparam a renovação dos veículos programa para este ano. Eles compraram no ano passado os estoques do Euro III, que podem ser comercializados até 31 de março deste ano, para escaparem dos preços mais altos.
Na Scania, a queda de produção entre janeiro e fevereiro ficou na ordem de 30%.
As indústrias esperam um aquecimento do mercado a partir do meio do ano. Mesmo assim, as perspectivas são para números negativos, com queda de 10% na produção.
As empresas dizem que no decorrer do ano a fabricação vai se ajustar, inclusive em relação a alta de 2011, que teve números acima do normal por conta justamente das antecipações de renovação da frota.
Uma fonte do setor, que conversou com o Blog Ponto de Ônibus e Canal do Ônibus, diz que mesmo com a expectativa de ajuste de mercado, o sinal está amarelo entre as produtoras de ônibus.
O alento são as eleições municipais deste ano, quando normalmente, as empresas renovam suas frotas de ônibus urbanos incentivadas pelo poder público que sabe do impacto na imagem política que os transportes ocasionam.
Mas há dúvidas em relação à recuperação do nível de produção, sobre a política econômica nacional quanto a uma possível desindustrialização e os reflexos da situação da economia mundial, que está muito longe das melhores fases.
Os sindicatos dos trabalhadores temem demissões, principalmente dos funcionários contratados por tempo limitado.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

3 comentários em SINAL AMARELO E FÉRIAS COLETIVAS EM INDÚSTRIAS DE ÔNIBUS

  1. Sérgio - Santo André // 21 de Março de 2012 às 19:55 // Responder

    Pois é, férias coletivas à vista, possíveis demissões…Só uma pergunta, a “gordura” acumulada com a “zerada” no estoque do “Euro III”, foi parar aonde ???? Nesse caso não é necessária a estratégia de poupar verbas para atravessar a entre-safra, são só trabalhadores não é mesmo. O excesso pode ser eliminado sem problemas….Esses empresários são uma maravilha não?????
    Quando a produção está a mil, só falta pedir pelo amor de Deus para fazer hora extra. Passou esse período é rua…lastimável….

  2. Boa tarde.

    Ainda que produção e comercialização de quaisquer produtos, sempre em alta, sejam necessárias para a manutenção de empregos e crescimento econômico, nem sempre, é possível manter-se este ritmo e na indústria do ônibus não é diferente.

    São os altos e baixos, da atividade econômica e temos de nos acostumar.

    Abraços.

  3. este q vos fala já falou disso antes.mas não custa repetir:os”colunistas de gravata”estao nem aí.esse é o alto preço q estamos pagando pelo”PULO DO GATO”.e ainda querem q o Brasil adote a Euro 6 em 2016.essa transição da Euro 3 para a Euro 5,está sendo mais complicada do q se pensava,pois não estavamos prontos.se nada for feito,lamentavelmente,a queda será nesse nível ocasionando demissões no setor!

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