FIM DA GREVE DE ÔNIBUS EM BELO HORIZONTE E REGIÃO METROPOLITANA

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Maior parte dos ônibus ficou retida nas garagens durante a greve dos motoristas e cobradores de ônibus de Belo Horizonte e Região Metropolitana,que chegou ao fim. Tumulto no momento de embarque em ônibus na cidade de Belo Horizonte. Na Capital Mineira e Região Metropolitana 3 milhões de pessoas foram prejudicada pela greve de motoristas e cobradores. Foto: O Tempo

GREVE DE ÔNIBUS EM BH CHEGA AO FIM
Paralisação atingiu Belo Horizonte e municípios da Região Metropolitana prejudicando cerca de 3 milhões de pessoas por dia

ADAMO BAZANI – CBN

Terminou a greve dos motoristas e cobradores de ônibus de BH – Belo Horizonte e da Região Metropolitana.
Os empresários de ônibus de Belo Horizonte e Região Metropolitana aceitaram a proposta de 9% de aumento nos salários dos motoristas e cobradores.
Com isso, houve fim do impasse e a greve será decretada como encerrrada após o sindicato dos trabalhadores receber formalmente a aceitação da proposta por parte dos donos de empresas de ônibus.
A proposta elaborada pelo primeiro vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da Terceira Região, Marcus Moura Ferreira, na terça-feira já tinha sido aceita pelos profissionais em Assembleia realizada nesta quarta-feira pelo STTR – BH – Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros aceitaram o reajuste de 9% nos salários, índice proposto pelo primeiro vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho, da 3ª Região, Marcus Moura Ferreira.
A proposta foi apresentada na audiência de conciliação realizada na terça-feira, dia 13 de março.
A categoria paralisou as atividades na segunda-feira, dia 12 de março de 2012, reivindicando aumentos nos salários, na Participação dos Lucros, do tíquete-alimentação e melhores condições de trabalho.
Os serviços de ônibus devem voltar ao normal aos poucos.
A paralisação prejudicou o cotidiano de cerca de 3 milhões de pessoas em toda a região. Só na cidade de Belo Horizonte foram prejudicados 1,6 milhão de pessoas.
O sistema conta com 3010 veículos que prestam serviços em 296 linhas realizando 25 mil 567 viagens por dia. Na Capital são 58 empresas de ônibus e na Grande BH o total é de 15 companhias.
De acordo com o sindicato dos trabalhadores, são cerca de 74 mil profissionais que trabalham nos transportes.
De acordo com a BHTrans e órgãos gerenciadores municipais, o sistema de ônibus em toda a região Metropolitana se divide da seguinte maneira:

BELO HORIZONTE
– 1,6 milhão de passageiros por dia
– 3.010 veículos
– 296 linhas
– 27,5 mil viagens por dia

REGIÃO METROPOLITANA
– 855 mil passageiros por dia
– 3.038 ônibus
– 729 linhas
– 21,2 mil viagens por dia
– 34 municípios atendidos

O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Belo Horizonte – STTR-BH prometeu após a decretação da greve na última sexta-feira que cumpriria uma frota mínima de 30% dos serviços em circulação, como prevê a Lei de Greve. Antes mesmo da deflagração da greve, o Ministério Público do Trabalho havia determinado frota de 50% durante todo o dia e que deveria aumentar para 100% durante os horários de pico, sob pena de multa de R$ 300 mil sobre o Sindicato dos Trabalhadores.
Apesar de o Sindicato inicialmente afirmar que a quantidade de 30% de ônibus foi colocada à disposição, a BHTrans – Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte e os passageiros constataram que o movimento de ônibus estava abaixo do prometido pela entidade trabalhista.
A região da Estação BHBUS Terminal do Barreiro foi uma das mais atingidas na capital mineira. Quase nenhum ônibus circulou pelo local.
Os serviços foram reduzidos também em estações como BHBUS Diamante, BHBUS Venda Nova, BHBUS Villarinho e BHBUS ao Gabriel.
No final da manhã da terça-feira, dia 13 de março de 2012, o 1º vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região de Minas Gerais, Marcus Moura Ferreira, determinou que 50% da frota de ônibus prevista para circulação fossem colocados em operação. A quantidade, de acordo com a determinação, deve subir para 70% da frota programada nos horários de pico das 06 h às 09 h e das 17 h às 20 horas.
Com isso, o desembargador Marcus Moura Ferreira atendeu parcialmente à liminar requerida pelos empresários de ônibus pelas representações patronais. O Setra – BH – Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte, que reúne as companhias da capital, e o Sintram – BH – Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros, das empresas que atendem aos municípios da Grande BH, pediram a ilegalidade da greve.
Elas alegaram que não foram comunicadas com 72 horas de antecedência conforme prevê a Lei de Greve.
O desembargador alegou que o TRT não deve deliberar sobre ilegalidade ou abusividade de uma greve. Pelo não cumprimento da determinação foi estipulada uma multa diária de R$ 30 mil.
A Justiça determinou também que a BHTrans, a Transcon e a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas – Setop fiscalizassem o cumprimento da decisão judicial.
No início da noite houve uma nova reunião entre motoristas de ônibus e empresários.
O clima mais uma vez foi tenso. O maior impasse foi justamente o índice de reajustes sobre os salários.
Além disso, as empresas voltaram a cogitar que a Justiça decretasse a ilegalidade da greve.
Elas se basearam no fato de que mesmo com a determinação judicial de frota mínima de 50% durante a paralisação com aumento no número de ônibus para 70% nos horários de pico, a população não sentiu nenhum efeito prático pelo descumprimento da exigência judicial por parte dos rodoviários.
Por volta das 17h30 desta terça-feira, o movimento de ônibus era bem abaixo do estipulada pela Justiça nas principais estações BHBUS e terminais de ônibus.
– Barreiro: 33% dos serviços registrados nos dias normais.
– Venda Nova: 70% das operações
– Villarinho: 40%
– São Gabriel: 77% do fluxo de ônibus
– Diamante: apenas 15% das partidas que são registradas nos dias sem greve.
O tumulto na audiência da noite de terça-feira foi tão grande que o desembargador Marcus Moura Ferreira teve de ouvir as partes separadamente. Antes mesmo do término do encontro, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Belo Horizonte, Ronaldo Batista de Morais, afirmou que o movimento grevista continuaria na quarta-feira, dia 15 de março de 2012.
O desembargador Marcus Moura Ferreira propôs um aumento salarial de 9%, que ficou de ser discutido entre as partes envolvidas na greve.
O Sindicato dos Trabalhadores então se comprometeu a analisar a proposta e se comprometeu a colocar, conforme determinado pela Justiça, 50% dos ônibus em operação durante o dia e 70% nos horários de pico.
As empresas de ônibus se comprometeram a estudar o índice, mas se queixaram que o reajuste de 9% provocaria impacto financeiro nos cofres das viações.
Na manhã de quarta-feira, de acordo com a BHTrans, a frota mínima determinada pela Justiça foi cumprida, inclusive com índices superiores aos previstos. Balanço no horário de pico, às 08h30 revela o seguinte percentual de realização de partidas:
– Terminal Villarinho – Operações quase normais.
– Diamante: 71%
– Venda Nova: 78%
– São Gabriel: 81%
– Barreiro: 89%.
No final da tarde de quarta-feira, dia 14 de março de 2012, em assembleia, motoristas e cobradores de ônibus decidiram aceita a proposta de 9% de aumento salarial elaborada pelo primeiro vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da Terceira Região, Marcus Morura Ferreira. O principal objetivo do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários foi evitar o dissídio coletivo. Com o índice de 9%, os salários dos motoristas subiria para R$ 1 482,00 e os salários dos cobradores para R$ 741,00.
A categoria ficou então aguardando um posicionamento dos sindicatos patronais, tanto o das empresas municipais (Setra) como das intermunicipais (Sintram).

TRÂNSITO, METRÔ E COMÉRCIOS:

A ausência de ônibus na cidade teve reflexos diretos no trânsito, na demanda do metrô e na lucratividade do comércio.
Muitas pessoas que normalmente usam ônibus durante a semana foram para os seus compromisso de carro próprio, o que piorou os congestionamentos em vias que apresentam problemas.
Entre as vias onde os motoristas mais enfrentaram dificuldades estavam Avenida Cristiano Machado, Avenida Dom Pedro I, Avenida Dom Pedro II, Avenida Antônio Carlos, Via expressa, Viaduto Castello Branco, Pampulha, MG – 10 e Avenida Amazonas, mas o tráfego foi complicado em outras ruas e avenidas, inclusive nos municípios da região metropolitana de Belo Horizonte também afetados pela greve dos motoristas e cobradores de ônibus. Problemas também foram registrados na Avenida Nossa Senhora do Carmo e Avenida do Contorno.
É mais uma prova que o ônibus sim tira carros das ruas e que há pessoas que mesmo com veículo próprio optam pelo transporte coletivo. E se os serviços de transportes fosse melhores, mais gente deixaria os carros em casa.
No Metrô, a situação não chegou a ser problemática, mas houve também lotação em horários de pico e filas no acesso às plataformas.
Para o comércio, a greve causou prejuízos de R$ 19,4 milhões por dia. As lojas ficaram vazias e muita gente não conseguiu ir trabalhar no setor. Os cálculos são da CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte. Só no primeiro dia, a queda no volume de vendas de 40% aproximadamente.
De acordo com a CDL, os lojistas não podem descontar os dias dos funcionários que não chegaram ao trabalho e que dependem de ônibus.

VIOLÊNCIA E TUMULTO:

Durante a greve foram registrados vários tumultos e cenas de violência.
No primeiro dia de paralisação, um ônibus foi cercado na Rua Itajubá, no bairro Floresta, e atingido por diversas pedras. O motorista que tentava trabalhar ficou ferido sem gravidade.
Houve depredações de ônibus também nos bairros Carlos Prates, Palmeira e Caiçara.
Na rua Padre Pinto, em Venda Nova, os ônibus tiveram as chaves de contato furtadas.
Pelo menos duas pessoas foram detidas. Em outros pontos as pessoas foram obrigadas a descer dos ônibus.
Na terça-feira, as cenas de violência contra ônibus, motoristas e cobradores que tentavam trabalhar e contra passageiros se repetiram.
No bairro Alto dos Pinheiros, na região Noroeste de Belo Horizonte, um ônibus que fazia a linha Alto dos Pinheiros / Tupi foi atingido por pedras lançadas por homens que passaram em um carro.
Em Santa Luzia, região Metropolitana de Belo Horizonte, passageiros, inclusive idosos, foram obrigados a descer do ônibus no meio trajeto e seguirem a pé mesmo em longas distâncias. A ocorrência foi na Avenida Brasília, no bairro São Benedito. A Polícia Militar teve de intervir.
O trabalho da polícia foi reforçado durante os dias da greve. Os policiais tiveram de marcar presença nas entradas e saídas das garagens de ônibus, em estações e terminais e também escoltaram alguns ônibus para evitarem que a violência fosse maior.

VIGILANTES:

A situação do trânsito em Belo Horizonte se agravou porque além de não haver ônibus e muita gente usar carro próprio para se deslocar, os vigilantes, que também decretaram greve, fizeram manifestações na região central da cidade.
Cerca de 500 profissionais pedindo reajuste salarial fizeram uma passeata nas ruas ao redor da Praça Sete.
Houve lentidão nas proximidades.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

9 comentários em FIM DA GREVE DE ÔNIBUS EM BELO HORIZONTE E REGIÃO METROPOLITANA

  1. Acabou….acabou….acabou…. Amanhã teremos ônibus lotados normalmente…

  2. Acabou… amanhã os ônibus circularão normalmente e lotados como sempre… prá variar…

  3. Não sabem ler (placas de transito que o diga), jogam o ônibus pra cima dos carros sem dó, são ignorantes com os idosos e deficientes,já eu mesmo vi motorista arrancar o õnibus sem esperar o idoso assentar e o mesmo cair. (Queria ver se fosse a mãe dele).

    Tiveram um excelente aumento pois para o que fazem não mereciam um centavo. IN-CLU-SI-VE ganham mais que um profissional da educação estadual….com graduação, pós, mestrado e doutorado…….ESSE É O BRASIL!!!

    • caro marcelo, primeiro procure saber sobre a rotina do rodoviario, condiçoes de trabalho e pressao das empresas sobre os horarios a cumprir, se estar tao abismado com o salario de um motorista vai la no detram faz o teste para categoria D e entra em uma empresa…ou entao fica calado e nao fale o que nao sabe……mau profissional tem em toda categoria. medico, advogado , engenheiro, professor ,gary , pedreiro encanador……………………………………………etc….etc…..etc…..bola pra frente companheiros rodoviarios…em maio é a nossa vez aqui em salvador na bahia….

  4. Sr. Marcelo,

    É interessante a sua falta de conhecimento sobre a rotina dos cobradores e motoristas; com certeza trata-se de uma pessoa leiga neste sentido, vou lhe informar algumas coisinhas…
    1. Trabalhamos transportando vidas sem a menor condição;
    2. Carga horária excessiva;
    3. Baixos salários (quando não atrasam);
    4. Ônibus sem manutenção e limpeza;
    5. A fonte de troco (passar troco) é nossa e outras coisas mais que sua “cabecinha” infantil não consegue acompanhar!

    Lamento se teve com uma mínima porcentagem de motoristas e cobradores nesta categoria, talvez as empresas aí por falta de RH qualificado não soube contratar pessoas profissionais.

    Abraços.

    Aracaju/SE.

  5. Marcelo, tenho certeza que um profissional da eduacação, com graduação, pós etc…., deveria sim ganhar muito mais do que um motorista ou cobrador de onibus, mas se ele ganha menos, ou não estão sabendo se valorizar ou realmente não dão o valor que merecem, cada um no seu quadrado, vivemos num pais que as leis não trazem justica, então que cada um grite as suas dores, ele fizerão greve porque acharam que mereciam ganhar mais, e um direito deles como e um direito seu, meu e de todos, so que podemos ficar sem escola, sem banco, por meses, e ruim é, atrapalha sim, mas conseguimos ficar sem transporte, já vi funcionários publicos ficarem meses, digo meses em greve, e nada acontecer, e assim, o mundo não é um lugar justo, paciencia, e a vida segue, ainda acho que receberão pouco, obs. maus profissionais tem em qualquer lugar até nas igrejas.

  6. REINALDO EUSTAQUIO FIOLHO // 29 de Março de 2012 às 16:21 // Responder

    OS MOTORISTAS DE ONIBUS E COBRADORES TRABALHAM MUITO O SERV IÇO DE LES E MUITO COBRADO PELOS PATROES NOS ANOS 90 ELES GANHAVAM MAIS EU FUI RODOVIARIO SOU HOMOSEXUAL E SOFRI PRECONCEITO NA EMPRESA MAS NAO SAO TODOS SAO PESSOAS DE POUCO ESTUDO!

  7. RONALDO BESSA CARVALHO // 10 de Abril de 2012 às 14:14 // Responder

    E ISTO MESMO REINALDO PESSOAS DE POUCO ESTUDO TEM PRECONCEITO MAS QUEM TEM CURSO SUPERIOR NAO TEM!

  8. nao e falta de estudo e falta de carater!

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