Greve de ônibus em BH: Justiça é esperança de passageiros

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Mais um dia de caos em Belo Horizonte e Região Metropolitana por causa da greve dos motoristas e cobradores de ônibus. O trânsito está complicado, em algumas regiões, os serviços não chegam aos 30% prometidos pelo Sindicato dos Rodoviários, há lotações, tumultos, depredações, passageiros são obrigados a descerem dos ônibus. Um entendimento na Justiça deve ser a única esperança que os passageiros têm de retomada do atendimento, já que nem empresas nem sindicalistas entram em acordo. Foto: Hoje em Dia.

Greve de Ônibus em BH: mais uma manhã de caos
Novamente a região do Barreiro é a mais prejudicada
ADAMO BAZANI – CBN
Uma reunião na Delegacia Regional do Trabalho no final desta manhã. Esta por enquanto é a única esperança para quase 3 milhões de pessoas que por mais um dia sentem os efeitos da greve dos motoristas e cobradores de ônibus em Belo Horizonte e municípios da região metropolitana. Só na capital mineira, o número de passageiros afetados é de 1,6 milhão.
Categoria e empresas não entram em um acordo e a Justiça do Trabalho vai ter de intervir.
Esta tem sido a segunda manhã de caos para usuários e até mesmo para quem não costuma viajar de ônibus.
O trânsito mais uma vez é complicado nas principais ruas e avenidas de Belo Horizonte e das maiores cidades vizinhas.
Muita gente que costuma trabalhar usando transporte público teve de optar pelo carro de passeio, o que agravou os congestionamentos: uma prova sim de que os ônibus tiram carros das ruas e se os serviços fosse melhores mais pessoas deixaram seu meio de locomoção individual em casa.

TERMINAIS E FROTA MÍNIMA:

O STTR-BH – O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Belo Horizonte continua afirmando que os 30% de serviços mínimos, como prevê a Lei de Greve têm sido mantidos.
Mas não é isso que se viu ontem e que pode ser visto nesta manhã.
Há terminais de ônibus quase sem nenhum atendimento:

– Terminal Barreiro: quase nenhum ônibus apareceu por lá. Só duas linhas, das 25 que passam pelo local, estão circulando pelo terminal, com muito intervalo entre os veículos. Ainda assim, os ônibus têm de sair escoltados do terminal. São duas linhas que dão acesso ao centro da cidade.
– Estação BHBUS Diamante: Está fechada. O medo é de depredação na estação e nos ônibus. Os poucos veículos de transporte público regular que chegam ao local só param no lado de fora. Mas a lotação é grande e o número de ônibus é insuficiente.
– Estação BHBUS Venda Nova: tem o maior número de serviços, porém não como em dias normais. A linha 061 (Estação Venda Nova – Centro) cumpre 6 das 7 viagens programadas. A 62 (Estação Venda Nova / SavassI) cumpre 20 das 25 viagens. A linha 64 (Estação Venda Nova – Santo Agostinho) cumpre 11 das 19 viagens programadas.
– Estação BHBUS/ Metrô Villarinho: Número insuficiente de veículos e plataformas lotadas
– Estação São Gabriel: Serviços quase normais.
– estação Diamante: Serviços próximos da normalidade.

JUSTIÇA VAI DECIDIR SOBRE GREVE:

Ainda nesta terça-feira, a Justiça do Trabalho vai decidir sobre a legalidade da greve. Ontem o Setra – BH – Sindicato das Empresas de Transporte de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte, que representa apenas as empresas de ônibus da Capital, pediu que a justiça decretasse a ilegalidade e o fim da greve por alegar não ter sido comunicada de forma oficial com 72 horas de antecedência da paralisação, o que contraria a Lei de Greve.
O Sindicato dos Rodoviários alega que o Estado de Greve já tinha sido decretado há mais de uma semana e a população não foi pega de surpresa.

VIOLÊNCIA:
A exemplo de ontem, nesta manhã houve mais registros de violência. Tanto nos terminais como nas portas das garagens de forma ríspida motoristas tentaram impedir os colegas que preferiram trabalhar.
Um ônibus que fazia a linha Alto dos Pinheiros/Tupi foi atingido por pedras lançadas por homens que estavam num carro. O ataque acontreceu no bairro Alto dos Pinheiros, mas ninguém se feriu.
Em Santa Luiza, Grande BH, no bairro São Benedito, na Avenida Brasília, os ônibus eram parados e os passageiros, já no meio da viagem longe de seus pontos de origem e destino, eram obrigados a descer e seguir ou voltar a pé. Havia inclusive pessoas idosas entre os usuários que foram obrigados a sair dos ônibus. A Polícia Militar teve de intervir.

REIVINDICAÇÕES:

– Aumento Salarial: Inicialmente a categoria pedia um reajuste de 49%, mas depois apresentou uma proposta de aumento de 20%. Pela proposta dos 20% de aumento, os salários dos motoristas e despachantes subiriam para R$ 1 mil 632,00 e os rendimentos dos cobradores iriam para R$ 816,00.
– Participação nos Lucros; A reivindicação é que a participação seja paga de acordo com os salários dos trabalhadores e a rentabilidade das empresas.
– Tíquete-alimentação: Aumento para 30 folhas, cada uma com o valor de R$ 15,00
– Redução na Jornada de Trabalho para 6 horas.
– Fim da dupla função para o caso de motoristas que dirigem e cobram ao mesmo tempo.
– Instalação de banheiros femininos nos terminais para as motoristas e cobradoras.

As empresas rejeitaram as propostas e ofereceram:

– Aumento Salarial: Reajuste de 13% caso a jornada de trabalho tenha 20 minutos a mais por dia. Os funcionários dos setores de administração teriam aumento de 9%. OUTRA ALTERNATIVA seria aumento salarial de 6% sem mudança na atual jornada de trabalho.
– Aumento de 6% no valor do tíquete-alimentação.
– Participação nos Lucros e Resultados de R$ 150,00 para quem ganha até R$ 1 mil e de R$ 300 para que recebe acima de R$ 1 mil.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.