Carros no ABC crescem 10 vezes mais que população

trolebus

Número de carros no ABC Paulista cresceu dez vezes mais que a população. Como resultado, trânsito complicado e aumento de poluição. As vias por mais que sejam ampliadas não dão conta de tantos veículos. Especialistas são unânimes em dizer que os transportes coletivos de rápida implantação diante das necessidades urgentes são as soluções mais adequadas para a região. E o ABC tem um exemplo de corredor de ônibus que une maior oferta de transportes e maior velocidade nos deslocamentos com ganhos ambientais. O Corredor ABD operado pela Metra é visitado por delegações de vários países periodicamente. O sistema, de acordo com especialistas, deveria ser ampliado nas cidades da região. Foto: Adamo Bazani.

Número de carros no ABC cresceu dez vez mais que população
Como resultado, trânsito e poluição pioraram. Especialistas dizem que a principal solução para o quadro são investimentos em alternativas de transporte público de implantação rápida

ADAMO BAZANI – CBN

Que o ABC Paulista é capital nacional do carro, todos sabem pela concentração das indústrias do setor automotivo. Mesmo com a abertura de unidades em outras regiões, a maiores montadoras instaladas no Brasil permanecem com plantas nas cidades do ABC.
Mas a região tem assistido a um outro fenômeno em relação ao carro. O crescimento acelerado da frota de veículos particulares bem maior que o crescimento da população e da infraestrutura para receber tantos veículos.
Os dados oficiais mostram esta realidade. O número de carros cresceu 10 vezes mais que o número de habitantes no ABC.
De acordo dom o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, entre 2000 e 2010, o ABC registrou um acréscimo de 194 mil 413 moradores, crescimento de 8%.
Já o Denatran – Departamento Nacional de Trânsito revela que nestes mesmos dez anos, a quantidade de carros cresceu 85,5%, o que representa 663 mil 214 veículos licenciados nas sete cidades da região: Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.
O que de início pode representar uma boa notícia pelo fato de a economia da região comportar o comércio de tantos veículos, é visto com preocupação por especialistas em trânsito, saúde, transportes e qualidade de vida.
Isso porque, este crescimento no volume de veículos tem representado mais poluição, mais congestionamentos e mais tempo para as pessoas se deslocarem na região ou do ABC para a Capital Paulista.
E mais uma vez os números provam isso. Entre 2010 e 2011, ou seja, em apenas um ano, a quantidade que o ABC Paulista registrou índices de qualidade do ar abaixo do aceitável, imprópria, cresceu 30,8%.
As estações de medição de quantidade de ozônio ruim da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) registraram 123 vezes o ar como impróprio em 2011 contra 94 vezes em 2010.
De acordo com o Instituto de Poluição Atmosférica da USP (Universidade de São Paulo), cerca de 80% da qualidade ruim do ar nas cidades como as que foram o ABC são emitidos de veículos.
Não bastasse isso, as centrais de monitoramento de trânsito das maiores cidades do ABC registraram em média 15% de redução na velocidade dos veículos nos últimos dez anos também.
E obras públicas para o transporte individual não faltaram. Vias importantes da região foram ampliadas, mais que duplicadas. Mas a quantidade de carros cresceu numa velocidade que nenhum tipo de obra poderia acompanhar.
Estudiosos em trânsito e cidades são unânimes em afirmar que a solução para que este quadro não se agrave no ABC Paulista é a ampliação da oferta de transporte público, mas de maneira rápida.
A região não pode mais esperar projetos de longa implantação. Estas obras mais complexas podem ser realizadas ao mesmo tempo em que intervenções rápidas, mas não paliativas, possam dar conta da situação agora.
O investimento em transporte público é lógico para a redução da poluição e do número de veículos nas ruas.
Primeiro pela ocupação do tão concorrido espaço urbano. Um ônibus convencional, com 12,5 metros pode transportar 80 pessoas de uma só vez, substituindo 40 carros de passeio, já que em media os carros são ocupados apenas pelo motorista e por mais um passageiro.
Este ônibus representa 40 escapamentos de carros a menos soltando poluentes. Isso sem contar que um ônibus, em sua viagem, não transporta só 80 pessoas. Na prática, o número é maior pela constante entrada e pela constante saída de pessoas durante o trajeto da linha.
Mas é ilusão achar que as pessoas deixarão carro em casa em nome do meio ambiente e da qualidade de vida.
Os transportes públicos devem oferecer a mesma velocidade e conforto semelhante ao carro de passeio.
E aí que entra a importância dos corredores exclusivos para ônibus que atendem ao vários pontos considerados como quesitos fundamentais para a melhoria da qualidade de vida e da mobilidade.
O primeiro deles é a rápida implantação frente às necessidades de medidas urgentes. Um corredor de ônibus do tipo BRT (Bus Rapid Transit), que oferece exclusividade aos transportes públicos e pontos de embarque e desembarque com acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida pode ficar pronto, em média, num prazo de 2,5 anos.
Os custos de implantação e operação de um corredor deixam o sistema com uma tarifa compatível com a realidade econômica dos passageiros.
Nos corredores, os ônibus não ficam presos no trânsito, o que aumenta a velocidade operacional, deixando os transportes coletivos mais atraentes.
Os corredores desgastam menos os ônibus pela qualidade de pavimento e planejamento específico para veículos de grande porte. Assim, as empresas podem ser obrigadas a comprar ônibus com maior valor agregado com retorno para o investimento e oferecendo mais conforto aos passageiros.
O ABC Paulista tem um exemplo de sistema de corredor de ônibus que além de oferecer todas estas vantagens consegue trazer mais ganhos ambientais, por usar veículos de tecnologia limpa, como os trólebus (ônibus elétricos) e incorporar uma área ajardinada ao longo do trajeto dos veículos.
O Corredor ABD, entre São Mateus (na Zona Leste de São Paulo) e Jabaquara (zona Sul), servindo os municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, Mauá (Terminal Sônia Maria) e Diadema, além da extensão entre Diadema (ABC Paulista) e Estação Berrini, de trens da CPTM, operado pela Metra, é referência internacional em transportes. O sistema já recebeu visitas de delegações de vários países que ficaram impressionadas com as tecnologias empregadas e ao mesmo tempo com a simplicidade e praticidade das operações.
Um exemplo do próprio ABC que pode ser ampliado e implantado em outras vias para o próprio ABC.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

19 comentários em Carros no ABC crescem 10 vezes mais que população

  1. Adamo,te pedi pra falar(comentar)no post da Busscar,sobre os onibus q iriam(ou foram),para o transmetro(Guatemala).vai lá,no mesmo e queria uma resposta mais contundente!já q voce é jornalista e está mais”Por Dentro”no mundo dos onibus ai em São Paulo,seria ótimo esse esclarecimento!

    • Aproveitando o gancho da materia que cita a respeito do trolebus, gostaria muito de saber e ver a materia do trolebus 15 metros com marcha autonoma. Esta deve ser a grande novidade do corredor, para este ano

      • EU TENHO ESTA FOTO, INFOR,MAÇÕES SOBRE O TROLEBUS, MAS NÃO AINDA AUTORIZAÇÃO DE DIVULGAR. HAVENDO A AUTORIZAÇÃO, ESTOU COM MATERIAL PRONTO. A NÃO AUTORIZAÇÃO NÃO É CENSURA.. É QUE PRECISAM FAZER ALGUNS AJUSTES QUE PODEM GERAR MUDANÇAS E VAI QUE EU ANUNCIO UMA COISA E DEPOIS NA PRÁTICA É OUTRA.

    • OI LEONARDO, REALMENTE ESSAS INFORMAÇÕES AINDA NÃO TEMOS. MESMO PORQUE , O PROJETO GUATEMALA NEM AINFDA ESTÁ DEFINIDO.
      GRATO
      ADAMO

      • Adamo obrigado pelas considerações, as fotos do 5500 também tenho, é muito bonito diga-se de passagem. Em relação a postura quanto a não publicação da matéria, eu respeito, mas a Metra poderia liberar logo a autorização da materia, afinal ajustes tecnicos vão ocorrer certamente ao longo do preriodo de testes do veiculo, que pode durar muitos meses, afinal é um protótipo, e mudanças ocorrerão com certeza.

      • eu sei Adamo.o q falo são dos onibus q ainda restam(ou dos q iriam para lá).aguardo mais noticias.no mais,grato!

  2. bom pros carros ser maior que a populaçao em numeros,nao é bom(…).Adamo,tem como vc postar sobre a obra que esta sendo feita no terminal sonia maria?é a eletrificaçao para trolebus da metra.obrigado!

  3. Parece que as autoridades ignoram isso tudo, por exemplo cortando a integração (isso com certeza vai fazer muitos passarem a optar pelo carro de passeio. E em SBC, linhas municipais vão na faixa ao lado do corredor, pegando muito trânsito, porque não há planejamento adequado.

  4. Para quem anda constatemente de ônibus pelas cidades já presenciou e ou observou conversas desse tipo “Ano que vem vou comprar meu carro e deixar essa vida de andar nesses ônibus lotados, ônibus lotado é coisa só pra pião…”, muitas vezes esse tipo de conversa ou comentário vem de jovens e mesmo pessoas mais velhas que utilizam o transporte coletivo diariamente e nos momentos em que o transito para ou mesmo quando o ônibus está em movimento e os carros ultrapassam com maior tranquilidade, se bem que na capital e RMSP isso não tem sido possível ultimamente. O que quero dizer com esse breve comentário, simples, a ideologia do carro como meta de consumo e vida está presente no cotidiano e na cultura do povo,por exemplo é muito comum ouvir um pai dizer para o filho “Você tem que estudar para ser alguém na vida, ter seu CARRO, sua familia……” talvez seria diferente so pai falasse “Filho você tem que realmente conquistar seus espaços na vida, estudar, trabalhar, pensar no próximo, ter pensamentos que não sejam só os seus, ter hábitos saudáveis, caminhar, utilizar transporte publico para sua atividades diárias e ter seu carro somente para viajar com sua familia nos finais de semana e feriados…”. Propositalmente o segundo dialago é mais longo, para demonstrar não a sua impossiblidade, mas mostrar que esse tipo de concientização é possível desde que tenhamos empenho para isto. Precisamos de alguma forma mudar um pouco a cultura das pessoas para que realmente tenhamos sustentabilidade e um planeta mais saudável para futuras gerações, nesse sentido eu como educador vejo essa mudança a partir do que mais acredito, a educação como forma de mudar atitudes e pensamentos das pessoas. O texto da matéria é para mim um reflexo daquilo que estamos vivenciando diariamente pelas ruas das cidades, TER um carro significa estar a frente do outro, Será? (prestações a perder de vista (famoso carnê biblia), IPVA, Seguros, estacionamento, manutenção, combustível e a caixinha do flanelinha. Muito obrigado vou de ônibus e quem sabe Metrô ou trem. No entanto amigos espero poder contribuir mais uma vez com essa reflexão, forte abraço a todos e para o Adamo.

    • vOCê ROBERTO CITOU UMA QUESTÃO FUNDAMENTAL. A CULTURAL!

      • e Bote questão cultural nisso.pra piorar,a grande mídia incentiva o uso do carro.isso já vem desde as décadas de 70 e 80,no Brasil.uma pena o Brasileiro copiar o”AMERICAN WAY LIFE”!

    • Penso exatamente a mesma coisa caro Roberto.
      Acresce a isso a mais alta autoridade federal ao invés de incentivar o crescimento pessoal sugere que você compre um carro. Não há nesse caso pensamento coletivo que consiga indicar o Transporte público como uma alternativa.
      É a vida!

  5. Boa tarde.

    Sobre o tema que, aborda o crescimento AVASSALADOR da frota de automóveis e, isso não apenas no ABCD, mas sim, na capital e inúmeras outras cidades de médio e grande porte do nosso Estado, digo:

    Meio que forçosamente, as pessoas já estão sendo obrigadas a repensar o uso do automóvel, pois, se você o deixa na rua, ele é fatalmente roubado e, caso você tenha seguro, no mínimo 30 dias, você ficará sem carro. Caso opte por deixá-lo no estacionamento pago, prepare os bolsos, ou melhor, O COFRE, para suportar a primeira hora, na base de R$ 10,00 e as demais R$ 7,00 / hora, isso ou pior, é o que vi em uma reportagem a respeito.

    Tudo isto acima, somado aos KILOMETROS de congestionamentos diários, combustível queimado a toa, compromissos perdidos, forçará, um desfecho mais favorável ao transporte coletivo, não pelo amor e, sim infelizmente, pela dor.

    O tempo, está acabando.

    Abraço.

  6. Sérgio - Santo André // 23 de Fevereiro de 2012 às 15:41 // Responder

    Bem, lá vou eu implicar com a EMTU de novo. Parece perseguição, mas não tem como não falar. Será que se a operação das linhas intermunicipais de ônibus não estivem essa baderna que está, talvez esse tipo de transporte já estivesse modernizado e não haveria esse caos que está o trânsito na região do ABC. Claro que concordo com a questão cultural, mas quis as alternativas que temos ??? Imagine que usa o carro diariamente, deixa-lo em casa para embarcar em um EAOSA !!!! Só se o cara estiver louco !!! É esse tipo de empecilho que precisa ser resolvido, as empresas de ônibus simplesmente mandam na EMTU, pois se as reclamações constantes fossem devidamente tratadas pela empresa com seriedade, muitas empresas já teriam sido descredenciadas dando lugar a quem realmente leva o transporte a sério. Podemos citar o caso da Leblon, em Mauá. A quanto tempo nós do ABC ouvimos dizer que o senhor Baltazar, através da Barão de Mauá / EAOSA / Januária, mandava na cidade ??? Hoje, após o entrave na justiça, em que o distinto cidadão perdeu a concessão de várias linhas em Mauá, tivemos um salto na qualidade do transporte em Mauá, através da Leblon. Inclusive o mesmo senhor Baltazar teve que engolir goela a baixo, a renovação de frota das linhas que ainda sobraram para ele ??? Pois é, com tudo isso, como podemos esperar a mudança no hábito do pessoal do ABC, com esse lixo intermunicipal que roda na região ???? Os especialistas estão com a cara prá cima aguardando um milagre na licitação da região 5 (ABC) ??? Pois é melhor acordarem rápido, pois o pesadelo já está acontecendo, e se formos aguardar o tal do monotrilho do ABC sair do papel, aí sim estaremos perdidos !!!! Ufa !!!!

    • Nisso eu concordo. Do jeito que está a área 5, com ônibus mal conservados (e não só velhos, pois tem novo já em mau estado), linhas desatualizadas e um preparo questionável dos profissionais mais o alto preço das passagens, ninguém se sente estimulado a deixar o carro em casa. E o que ocorreu em Mauá é prova que é possível altrerar alguma coisa, basta ter coragem, pois lá teve até bomba na casa do secretário de transportes e ameaças de mortes (com cartas e imagens de pessoas degoladas) aos donos da Leblon.

  7. o que nao me conformo,porque o governo,nao desvia algumas linhas intermunicipais da emtu para o corredor abd??como 157 e 107 entre outras, que tem uma entrada no retorno da linha 487 metra.o corredor abd é meio sem movimento(nao nos horarios de pico)iria ser mto bom!imagina a linha que praticamente faz o mesmo percurso do corredor mas em via comum(com os carros)….e eu tbm prefiro o carro,pq as integraçoes estao sumindo e a lotaçao aumentando!nao assim nao dah!

  8. Pôxa, com todos esses comentários me senti até mal com o meu Celtinha. Pena que, para vir ao trabalho, não tenho muita opção de transporte. Eu levaria quase duas horas para um trajeto que faço em 20 minutos de carro. Isso em falar no preço: um ônibus municipal (integrado com trólebus estadual) mais um ônibus intermunicipal, fora o que teria que andar à pé. Além disso a integração periga de acabar.
    A conclusão que chego é que brasileiro adora carro. Mas deixaria ele em casa e usaria só para passear se o transporte coletivo fosse bom.

    • George,

      Permita-me dizer:

      Não sinta-se mal, pois o espírito de suas palavras e o seu modo de pensar, já são um bom começo.

      Abçs.

    • Certamente George. E temos de interpretar a questão com o cuidado que você teve. Não ver o carro como inimigo e vilão, mas op transportes como alternativa.
      Não gosto de “pagar pau” para estrangeiro, mas em várias cidades dos EUA, todos adoram carros mas que os brasileiros. TÊM MAIS DINHEIRO E OS CARROS, MENOS IMPOSTOS. Mas para o deslocamento do dia a dia, é metrô e ônibus, Carro para passeio no final de semana.
      Eu também defendo o uso do transporte público, mas aqui no ABC, tem hora que não dá mesmo. Santo André não tem integração.
      Muitos sabem que estou recuperando de saúde e preciso ir diretop em médicos que não ficam longe de casa. Mas se eu quiser ir de transporte público, tenho de pagar duas passagens e antes passar pelo centro da cidade para ir a um bairro quase do lado do meu.
      ÁREA 5 PRECISA SER LICITADA E INTEGRAÇÕES NÃO PODEM ACABAR. Fonte de financiamento? Se quiser tem. Tem tanta obra cara e luxos que poderiam bancar o transporte……A MESMA SANTO ANDRE QUE NÃO TEM INTEGRAÇÃO, ESTUDAI TER MAIS VEREADORES ANO QUE VEM: salários, estrutura, assessores, etc………..

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