PONTO FINAL. A vida como uma viagem de um ônibus e o fim não passa de um recomeço!

Ponto Final, o filme

Othon Bastos é o motorista, que não dirige apenas um veículo, mas conduz à reflexões e mostra a importância do outro na vida da gente e a força da coletividade. Ele mostra que o Ponto Final, na verdade não é apenas o fim, mas um recomeço. Foto: Divulgação.

PONTO FINAL: Um filme que faz refletir, viajar e entender que as pessoas é que dão sentido em nossa vida
O diretor Marcelo Taranto inova e baseado em peça de teatro faz um paralelo de nossa vida com uma viagem de ônibus num filme feito para pensar e sentir

ADAMO BAZANI – CBN

Uma viagem de ônibus! Você que anda todos os dias ou mesmo eventualmente neste fantástico veículo, integrador, pois reúne várias experiências e pessoas diferentes, já reparou em sua dinâmica?
Constantemente pessoas entram, saem. Todas buscam um destino, um sentido. Há aquelas pessoas que são apenas passageiras mesmo. Usam uma ou outra vez e nunca mais. Não voltam. Há aquelas que de simples passageiras, se tornam, como se diz no meio dos transportes, “demanda fixa”.
Essas pessoas marcam o dia a dia da dinâmica do ônibus e o ônibus marca seu cotidiano. Muitas fazem amizades entre os passageiros, com o motorista, com o cobrador. Inclusive, quando é folga ou falta deste profissional, o passageiro sente. E o contrário também: Se algum passageiro falta, o motorista e o cobrador percebem.
Mas surgem outros passageiros e constantemente vão aparecendo pessoas novas e as até amigas, repentinamente somem.
O ônibus tem um Ponto Final! Fim de linha, fim de trajetória? Não só isso! Mas início de outra, um recomeço, de uma nova viagem. O Ponto Final é o Fim, mas é o Início também.
No mundo, buscamos sentidos, destinos. Assim como num ônibus, que o escolhemos pelo destino que queremos ou precisamos traçar. Ônibus é escolha também!
O ser humano vive trancado a chaves, chaves para se proteger, chaves para se fechar. Mas as chaves do ônibus servem para dar partida, para conduzir, para unir as pessoas, num coletivo de fato.
Baseado nestas realidades do dia a dia que Marcelo Taranto dá o “ponto de partida” em seu filme Ponto Final, adaptação da peça dirigida pelo seu irmão, “Tudo é Passageiro”.
Nesta quarta-feira, dia 07 de dezembro de 2011, foi realizada a Pré – Estréia do filme na Cinemateca Brasileira, na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo.
Marcelo Taranto explicou o motivo pelo qual escolheu o ônibus para servir de palco para reflexões profundas sobre o dia a dia da sociedade, da política e do íntimo.
“O ônibus é democrático, popular. Normalmente, ele é colocado como um não lugar, ou seja só um local de passagem. Mas no filme, ele é o lugar. O ônibus faz parte do dia a dia, é um personagem da cidade e tem uma força dramática incrível. O papel do motorista e do cobrador tem um valor social imenso e pode ser uma oportunidade para discussões” – disse Marcelo Taranto.
A história é introspectiva, é um filme conceitual e cada um vai sair com uma mensagem diferente.
“O filme é para refletir no ‘espelho’ interno de cada um que assistir. Não é uma história pronta, ele traz discussões, perguntas que ele não responde, mas para as quais o espectador pode buscar resposta”
No filme, um pai muito amoroso e em crise conjugal perde a filha barbaramente com uma bala perdida, no Rio de Janeiro. Ele sempre foi cético em relação às boas intenções da humanidade e sobre um Brasil Melhor. Já sua jovem filha, sempre foi sonhadora, e acreditava num futuro, num país mais humano e justo. Para ela, as chaves que trancavam e isolavam as pessoas não existiam.
Com a morte da garota, o pai, Davi, se acha num ponto final. Nada mais fazia sentido para ele. Até que se encontra com uma enigmática personagem, que mostra que o sentido da vida de cada um está no outro, na coletividade.
O filme é formado de cenários diversos.
Os fatos ocorrem nas ruas, na casa da família, mas a introspecção, dentro do ônibus. E o ônibus de várias formas, denotando que a vida também é um processo de construção.
Para a realização do filme, o apoio da Marcopolo, uma das patrocinadoras foi fundamental.
O cenário do ônibus servindo como casa, da decoração dos ambientes com peças de ônibus, do chão de fábrica, criam um clima especial para a história.
Parte do filme foi rodada na Ciferal, no Rio de Janeiro, encarroçadora especializada em modelos urbanos feitos pela Marcopolo.
É um filme feito para pensar e sentir de maneiras diferentes. Quem assiste é convidado a discutir sobre violência, sobre política, sobre cultura, sobre diferenças sociais, sobre o sentido da vida e sobre coisas tão pessoais que só é possível descobrir na hora.
“Fazer o filme na Marcopolo foi especial. Eu me senti como numa ‘ Fantástica Fábrica de Chocolate’ , o ambiente de fábrica de ônibus é mágico, é especial e tudo o que eu idealizada, a Marcopolo proporcionava. Foi possível concretizar as ideias” – disse Taranto.
O elenco do filme é outro ponto forte.
Othon Bastos é motorista, que mostra a realidade da vida, da importância da coletividade.
Sua interpretação faz quem assiste se sentir um pouco de motorista também. Não no sentido de operar um veículo. Mas de agregar pessoas, abrigar histórias, compartilhar com vidas.
Hermília Guedes é a mulher enigmática que representa o que novas pessoas podem fazer no sentido de nossas vidas, conduzir alguém dentro de si mesmo.
Roberto Bomtempo é o pai, desacreditado, mas que no coletivo, no outro, encontra, digamos, uma nova viagem, em seu Ponto Final.
O cobrador interpretado por Silvio Guindane é um espetáculo dentro do espetáculo. Ele mostra um jovem profissional que quer uma realidade melhor. Desmotivado às vezes, mas continuando a lutar. Vivendo com sua mãe e refletindo uma realidade que o trabalho de trocador, como se diz no Rio de Janeiro, pode mostrar:
O personagem mostra que assim como ocorre numa catraca de ônibus, na vida há uma constante cobrança, uns cobram do outro, às vezes por trocados, por coisas pequenas. E sempre alguém quer o troco ou dar o troco por qualquer coisa.
E a mulher, interpretada por Hermila Guedes. Outro show. Muito mais que uma personagem sensual, ela interpreta a ingenuidade de quem também está numa busca.
O filme demorou seis anos para ser concluído. A verba inicial foi de R$ 540 mil e com a finalização R$ 800 mil. Custo baixo para a criação de um filme, que inclusive foi finalista no Festival de Gramado.
A história, apesar de traçar um paralelo sobre a vida e o ônibus, não é sobre ônibus, mas sobre a vida, sobre a sociedade e sobre cada um que assiste. Mas quem gosta de ônibus tem um motivo a mais para se deliciar e ver cenas como decorações domésticas com as peças dos ônibus e uma carroceria, de um modelo Torino, numa fase embrionária.
Vários ônibus foram usados na película. O filme em si não deixa de ser um ônibus, pois ele nos faz viajar por dentro de nós mesmos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

4 comentários em PONTO FINAL. A vida como uma viagem de um ônibus e o fim não passa de um recomeço!

  1. Boa tarde.

    O carro, normalmente, é um meio individual de transporte.

    O transporte coletivo, por ônibus, metrôs, trens e outros, permite aos seus usuários, ainda que por poucos instantes, fazerem parte da vida, uns dos outros.

    Bela história.

    Abraço.

  2. Realmente vale ver esse filme. Em brfeve estará nos cinemas de São Paulo. Ontem assisti em exibição para imprensa e é muito bom mesmo, Mas não esperem um filme óbvio, auto-explicativo e de ação.

  3. Tai um filme que vou assistir com direito a pipoca e tudo e conforme for levarei crianças e outras pessoas para asistirem. Há algum tempo atras tinha lido sobre esse filme e não via a hora dele ser lançado, confesso que já me identifiquei com ele só pela matéria, pois condiz com muitas coisas que penso e faço como educador social. Seria interessante fazer uma promoção para que os busólogos assistissem ou mesmo uma gincana para obter ingressos, tipo uma promoção de perguntas e respostas sobre ônibus e ganhe um ingresso, por exemplo a Marcopolo poderia encampar essa idéia com estratégia de marketing de seus produtos. Forte abraço.

  4. tudo tem um significado p/nossas vidas!quando pequeno ainda viajava com meus pais,morava lá em Caratinga M.G,dentro do buz não me acentava nas poltronas,sentava ali no corredor proximo do motor parte baixa, e imitava o motorista conduzindo o buz, hoje sou profissional do volante adoro,amo dirigir estar com pessoas, faço com prazer!daria um livro tudo que se passa em minha vidas dentro do buzão,com certeza este filme recomendo!!abraço.

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