LIÇÕES DE DIGNIDADE PARA A BUSSCAR

Girz Aronson

Girz Aronson, falecido em 2008, começou com quase nenhum recurso e montou uma grande rede de lojas de eletrodomésticos que foi à falência em 1998. Mas ele fez questão de no momento de dificuldade, pagar os funcionários primeiro. Exemplo dele serve para o caso da família controladora da Busscar, segundo estudioso em transportes.

Lições de Dignidade para a Busscar
MARCOS GALESI
Quem não se lembra de Girz Aronson??
O caso das Lojas G. Aronson

Os erros e acertos de Girsz Aronson, que , depois de passar por uma falência e um seqüestro , recomeçou com mais de 80 anos e hoje tem uma rede com três lojas

Aos 85 anos , Girsz Aronson, lenda viva do comércio de rua de São Paulo que viu seu maior sonho desabar , não entrega os pontos . Em todos os dias úteis, ele pode ser encontrado entre fogões e geladeiras de uma das três lojas da rede G.A., inaugurada há três anos . Mais do que uma maneira de ganhar a vida , essas três lojinhas são a materialização de uma impressionante história de persistência , com direito a momentos de glória e lances trágicos . Em 1998, depois de 36 anos de atividade , a G. Aronson, rede de 34 lojas de eletrodomésticos , foi à falência . Endividado, Girsz Aronson, o proprietário da marca , viu-se no fundo do poço – ainda mais depois de ter sido seqüestrado e só ser liberado depois do pagamento do resgate .

A G. Aronson, para quem não se lembra, era uma referência do comércio de rua de São Paulo. Sob o slogan “a inimiga número um dos preços altos ”, era uma campeã de vendas e chegou a empregar mil funcionários . Mas mesmo com toda sua experiência no varejo , Aronson deu um passo maior do que as pernas , endividou-se, não conseguiu administrar os papagaios e faliu. “Investi mais de R$ 400.000 na montagem de lojas em shoppings centers. Queria tudo muito bonito , com vitrines imensas e até mezanino ”, lembra Aronson. “Foi um sonho equivocado de grandeza . Para vender eletrodomésticos , o segredo é ter estoque e preço bom . O cliente tem que ver a mercadoria exposta , não importa se ela está amontoada, com as televisões em cima das geladeiras . Além disso, meu forte sempre foi comprar e vender . Deveria ter prestado mais atenção à administração .” Sem alternativa , Aronson foi para casa e entrou em depressão . Para não sucumbir , reuniu as forças e foi à luta .

A superação da fase ruim

Assim que teve a falência decretada e perdeu as lojas , GIRSZ ARONSON FEZ QUESTÃO DE ACERTAR AS CONTAS COM OS EX-FUNCIONÁRIOS. Depois , voltou para casa , desiludido e sem perspectiva . “Estava mofando, deprimido, num estado de nervos que não agüentava nem olhar para a minha esposa ”, lembra Aronson. Ele diz que essa foi uma fase péssima na sua vida e que lhe dá arrepios até de lembrar . Em 2000, no entanto , dois anos após a falência , um imóvel que pertencia à suas duas filhas vagou no centro de São Paulo, justamente onde havia começado sua antiga rede de eletrodomésticos .

Foi lá , num ponto com pouco mais de 3 metros de fachada , que ele abriu a G.A., sua nova loja de utilidades do lar . Hoje , três anos depois , tem mais dois endereços , também em São Paulo. “ MINHA MAIOR ALEGRIA FOI RECONTRATAR 54 EX-FUNCIONÁRIOS”, festeja . A loja está em nome das filhas e as compras também são feitas no nome delas. “Tenho o nome sujo porque ainda ficaram pendentes alguns impostos para pagar ”, comenta Aronson. Isso , no entanto , não tem abalado Aronson. “ Antes das 7 horas da manhã já estou aqui abrindo a loja . Ajudo os funcionários a vender e atendo os clientes . Apesar de tudo o que aconteceu, sei que sou querido e todo dia é Aronson para cá , Aronson para lá …” explica.

Escaldado, usa as lições do passado para não cometer os mesmos erros no atual negócio . Ele diz que logo que abriu a G.A. as vendas iam de vento em popa , mas que a atual situação do país causou uma forte queda no comércio em geral . “O que eu ganho hoje é suficiente para pagar as despesas e eu não tenho mais qualquer pretensão de ficar rico ”, conclui. Ele só quer dar passos do tamanho das pernas possam alcançar .

O talento nunca quebra

Nascido na Rússia, Girsz Aronson chegou ao Brasil com sua família quando tinha dois anos . Seu pai morreu novo e ele ficou responsável com a mãe pelo sustento da casa . Começou a trabalhar aos 12 anos , vendendo jornais pelas ruas da cidade paranaense de Curitiba, na qual morava. “ Tinha que vender 50 exemplares para ganhar 400 réis ”, recorda. Seu talento como vendedor não demorou a ser percebido. “O homem que vendia os bilhetes da loteria pediu para eu desencalhar um lote que ele tinha de apostas . Vendi tudo num só dia e na segunda vez em que trabalhei para ele vendi, inclusive , o bilhete premiado”, diverte-se.

As finanças começaram a melhorar e Girsz mudou-se para São Paulo para vender bolsas e cintos de couro . As mercadorias eram fornecidas por um primo do Rio de Janeiro . De bolsas , passou também a vender casacos de pele e, quando juntou algumas economias , abriu uma loja de roupas infantis. “Trabalhava com os melhores fornecedores da praça ”, diz. As coisas iam bem e os próprios comerciantes do centro , onde a loja estava instalada, se impressionavam com o dom para vender do imigrante .

Em 1962, um empresário da região lhe propôs que assumisse sua loja de fogões . Sem entender nada desse ramo , Aronson comprou o ponto porque costumava ver anúncios de vendas de eletrodomésticos nos jornais e achou que esse era um indicativo de que vendiam bem . Nascia assim a rede G. Aronson Companhia Ltda.

“Comprei mais alguns fogões do fornecedor e percebi que , vendendo quase a preço de custo , ainda era mais caro que o mesmo fogão em outra loja da redondeza . Fui atrás do fornecedor e propus a compra de mais 500 peças , desde que com um belo desconto . Comecei assim a ser o inimigo número um dos preços altos ”, comenta. O problema é que o comerciante simpatizou tanto com a estratégia que , muitas vezes depois , a aplicou sem avaliar a real condição do seu negócio . “ Gosto de vender , mas sempre gostei mais de comprar ”, assume. Com isso , montava estoques gigantescos nas lojas . Enquanto as vendas eram boas, esse era um bom trunfo , pois tudo saía a pronta entrega . O lado ruim da história é que Aronson também comprava muita mercadoria mesmo quando a concorrência estava lhe tomando os clientes ou a crise econômica sumia com o dinheiro do mercado .

“ Hoje na G.A., ainda tenho um bom estoque , mas pisei no freio . Só compro mercadoria à vista , para conseguir desconto , ou , no máximo , a um prazo bem curtinho. A bancos , não recorro nunca mais e nada de contar com o dinheiro que ainda não entrou”, diz ele que depois de 85 anos de vida , continua aprendendo como se fosse um jovem de dezoito.

Fonte : Revista Seu Sucesso – agosto de 2003 pg. 20 a 22

Bom, para iniciar minha matéria, fiz questão de ir atrás desta linda história, hoje o Saudoso Girsz Aronson não se encontra entre nós pois em novembro de 2007, descobriu que sofria de um câncer. Morreu em 19 de junho de 2008, os 91 anos e esta matéria é antiga, mas que pode nos ensinar numa situação atual.
A G.Aronson chegou a falir, Girsz Aronson chegou a ser até seqüestrado, se machucou muito com o seqüestro, mas mesmo assim, este guerreiro não se deixou vencer, superou as dificuldades, dignificou seus funcionários, eu me lembro bem que Girsz Aronson dizia,” meus credores podem esperar, mas meus funcionários não, vou pagar primeiro meus funcionários e depois eu negocio com meus credores”, e graças ao seu senso de valorização dos funcionários venceu, mesmo ficando com 3 lojas e 54 funcionários. Em suas palavras é nítido o quanto ele se alegrava com seus funcionários a ponto de ajudá-los à vender seus produtos. Sinceramente, vemos que hoje em dia há poucos Girsz Aronson que valorizam seus funcionários.
Quando vejo o caso da Busscar, eu fico me pensando, ela está passando uma situação semelhante, perto de uma falência, e nas reportagens não vi um pronunciamento ou uma nota ou mesmo um apoio às famílias tudo que vejo são disputas judiciais, recursos, enquanto isso pais de família passando fome, alguns até com dívidas financeiras e até alguns com dívidas até com pensão alimentícia e a Busscar não se sensibiliza em momento algum com seus funcionários. Nas grandes empresas, o maior patrimônio é o funcionário pois sem ele a empresa não tem razão de sua existência. A grande questão: Por quê a Busscar não sai em defesa de seus funcionários nas quais até fizeram abaixo assinado para que a Busscar permanecesse com as portas abertas??
Por quê a Busscar em vez de pagar caro pelos recursos, não aproveita parte do valor e vai pagando os seus funcionários?? Até quando a Busscar vai fazer PAIS DE FAMÍLIA sofrerem e serem humilhados ? Já que os donos são tão religiosos, será que se esqueceram ?? Êxodo 16 com ênfase nos versículos 9 a 12 (Deus sustentou o seu povo). Deus não desamparou o povo no deserto, mas cuidou deles e sustentou com maná (pão) e codornizes (carne). Deus nunca vai deixar que as pessoas passem fome e que Ele vai suprir todas as necessidades básicas delas. O povo sempre vai ter o que comer, o que vestir e onde morar. Mateus 6:25-34 que diz que os passarinhos não se preocupam com comida e os lírios do campo se vestem muito bem, e ensinar que eles são mais importantes para Deus do que os passarinhos e os lírios. Se Deus não desamparou o povo e tanto nos ensinou, então porque uma empresa como a Busscar não tem a possibilidade de dar o sustento aos seus funcionários? Se somos filhos de Deus, temos por dever seguir o seu exemplo e fielmente. Se Deus é Fiel, então porque a Busscar também não pode ser fiel com seus funcionários? Eu não sei de qual religião Girsz Aronson, mas a sua atitude foi louvável, foi humano e seguiu o exemplo do verdadeiro cristão, e por isso muitos dos seus funcionários se lembram do senhor Girsz Aronson com muito carinho, pois ele deixou seu legado e a Busscar qual legado deixará para os filhos dos seus funcionários e para seus funcionários? A Busscar tem uma história que se iniciou em 1949 e não pode acabar assim. Lembre se disso Busscar, para sair de uma crise e até de uma falência, lembre-se seu PATRIMÔNIO não se resume em Galpões, em Maquinários, mas sim em seus FUNCIONÁRIOS.
Quem luta contra seu PATRIMÔNIO MAIOR, luta contra si mesmo. Busscar, valorize para ser valorizado.
Marcos Galesi, técnico em transportes e vice presidente do Movimento Respira São Paulo.

11 comentários em LIÇÕES DE DIGNIDADE PARA A BUSSCAR

  1. O maior patrimonio de uma empresa, é sua mão de obra.
    Se não valorizar seus recursos humanos, não vivera por muito tempo.

    • Tens toda razão Célio. Para quem pensa diferente ou desconhece o assunto eu recomento a obra “FEITAS PARA DURAR – Práticas bem sucedidas de empresas visionárias.”

  2. Marcos,

    PARABÉNS, LINDA REPORTAGEM !

    Confesso, na leitura do início do texto, me surpreendi com a entrevista de Girz Aronson, chegando a pensar que, estivesse vivo e salvo enorme engano de minha parte, o mesmo já faleceu.

    O relato nos mostra um exemplo singular de empreendedor, mais, de SER HUMANO que, lutou, foi ao topo, caiu e levantou-se, preocupando-se com que estava ao seu lado, o seu TIME.

    Estamos carentes de pessoas assim, hoje.

    Não tenho conhecimento da “realidade” exata da BUSSCAR, mas, não os vejo agindo da mesma forma que o Sr. Girz e creio, mesmo que desejassem, não sei se poderiam fazê-lo, nas atuais circunstâncias.

    Mais uma vez, LINDA LEMBRANÇA, PARABÉNS GAROOOOTO !

    Abraço.

    Gustavo.

    • Concordo, Marcos. A reportagem é excelente e os exemplos e o contraponto muito bem apanhados.

      “O ser humano não entende o que significa ser humano. Apenas anda, come, deita, vive e esquece que viveu num tempo que não lhe pertence. Ser humano é fácil, difícil é ser humano”.

  3. Amigo Gustavo

    Obrigado por prestigiar nossas reportagens no nosso blog. Espero que a Busscar se sensibilize e siga este ótimo exemplo na qual Girz Aronson nos deixou, e ao mesmo tempo que também possa de alguma maneira ensinar as empresas que estão em franco crescimento. Um grande abraço amigo Gustavo.

  4. Se Girz Aronson foi cristão ou não.ou teve em outra denominação eu não sei,só sei que ele era de origem judaica,também não sei se ele permaneceu no judaísmo até falecer,independente de sua religiosidade,ele foi um homem esperto,lutador,corajoso e acima de tudo,HUMANO,ele pensou mais nos pais e mães de família do que em si próprio,se todos os empresários brasileiros tivessem a linha de pensamento do Sr. Aronson,talvez o crescimento do país seria mais positivo,e o que vemos hoje são políticos e alguns empresários(não posso falar de todos porque ainda existem alguns que são de bom coração e tentam lutar pelo crescimento do país)egoístas,que pensam mais em seu próprio bolso,do que nos benefícios de seu próximo,e por isso vemos tanto a Busscar,como outras empresas passando por situações semelhantes e claro se eles continuarem a agir assim,nunca conseguirão alcançar as bençãos de Deus!!!
    Um grande abraço à todos!!!

    • Eu nesta reportagem gostaria de saudar os pais e mães de familia da minha querida cidade Joinville e também o Sindicato dos Mecânicos de Joinville presidido pelo Burgman, (não me lembro primeiro nome) e pedir para Deus a sua justiça, pois não é justo o que estão passando, e ao mesmo tempo quero deixar uma pequena palavra de esperança, que Deus não desampara os seus (não importa a religião) a tempestade está passando e sei que cada um de vocês, vão conseguir passar esta fase. Firmes e coragem, trabalhadores da Busscar, que Deus abra os seus caminhos.

      Abs.Marcos Galesi

  5. Busscar recebe a sua primeira encomenda –

    São apenas 14 ônibus, mas eles marcam o renascimento daquela que já foi uma das maiores fabricantes do Brasil. Esse é o primeiro pedido que a Busscar recebe após a crise que afeta a empresa desde dezembro de 2009 e surge em menos de um mês de andamento da recuperação judicial decretada no dia 31 de outubro pela Justiça.”Há clientes esperando longos períodos por seus pedidos. A oferta está baixa e a procura alta. Por isso, acredito que não vão faltar pedidos, agora que as primeiras empresas confiaram na competência da Busscar”, avalia Ribeiro.Antes da crise, a fabricante de ônibus joinvilense chegou a produzir 25 veículos por dia e alcançava faturamento bruto de R$ 700 milhões por ano. O lucro líquido estava em torno de R$ 84 milhões por ano, sendo que a maior parte vinha sendo usada para pagamento de dívidas da crise de 2003/2004, pela qual a empresa passou.O tipo de ônibus encomendado à Busscar é com o piso baixo, que facilita o acesso de cadeirantes sem a necessidade de elevadores. O valor do negócio não foi divulgado, mas como estes veículos custam em torno de R$ 600 mil, as 14 unidades deverão garantir em torno de R$ 8,4 milhões à empresa.As empresas Gidion e Transtusa informaram que o pedido foi uma determinação do prefeito Carlito Merss, que também recomendava que a compra fosse feita da fabricante joinvilense. “A compra se tornou viável com o plano de recuperação em andamento na Busscar. Os motivos principais desta decisão levam em conta a ótima qualidade do veículo fabricado e o incentivo ao emprego e renda do trabalhador joinvilense”

    Fonte desconhecida.

  6. Thiago dos Santos da Silva // 3 de dezembro de 2011 às 01:34 // Responder

    Bela matéria Galesi!! Parabéns!!

  7. Sérgio - Santo André // 16 de dezembro de 2011 às 18:09 // Responder

    Realmente Marcos, a lembrança do senhor Girz Aronso é de emocionar qualquer pessoa. Bem como eu disse em meus comentários, se fosse o senhor Nielson a frente da empresa, acho que a mesma não estaria nessa lamentável situação. Tudo que vem fácil, vai fácil. Parabenizo vc pela matéria e gostaria de deixar um comentário, do tipo, sonho de ícaro, se eu fosse um empresário com boas possibilidades financeiras, gostaria de tentar levantar a BUSSCAR, a começar por regularizar a situação dos funcionários, além de tentar trazer de volta aqueles que forçadamente tiveram que se desligar da empresa, pois são esses trabalhadores que fazem e fizeram o nome BUSSCAR. Os controladores serviram apenas para destruir algo que com certeza foi construído a duras penas. Força aos metalúrgicos da BUSSCAR !!!! Bem que a Mercedes-Benz poderia entrar nessa parada e reativar a sua linha de carrocerias com base na BUSSCAR. Sonhar é preciso…

  8. Infelizmente, faliu a Busscar…

    Meu pai estava quase se aposentando lá quando a crise começou.
    E pensar que ele sempre quis que eu trabalhasse lá.
    VALEU Sindicato dos Mecânicos de Joinville, por implorar e encher a cabeça de TODOS para votarem NÃO ao plano de Recuperação.
    Tomara que vocês deem emprego e ajuda às pessoas que, neste momento estão desempregadas.
    Meu pai, conseguiu um emprego com meu tio e não está ganhando nem 50% do que ganhava na empresa. Conheço empregados que perderam tudo com a crise, até mesmo as esposas levaram os filhos embora pela má situação.
    Muitos passaram e passarão até fome.
    Parabéns, bela campanha de vocês Sind. Dos Mec. de Jlle, muito obrigada mesmo.
    Sindicato é para dar apoio aos trabalhadores e não deixá-los na rua.

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