ECONOMIA VERDE: ONU destaca corredores de ônibus do Brasil como exemplos a serem seguidos pelo Mundo!

ONU ônibus

Os sistemas de corredores de ônibus como do Brasil foram destacados explicitamente pela ONU no relatório “Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza” como exemplos de ações que devem ser ampliadas e seguidas por várias nações. A ideia de Economia Verde é promover crescimento, com responsabilidade econômica, social e ambiental, para combater a agressão ao meio ambiente e reduzir a pobreza. Os corredores de ônibus são intervenções com baixo custo e grandes resultados, segundo o Pnuma, que colocou no relatório o exemplo do sistema de Curitiba. Foto: Adamo Bazani.

ONU destaca a importância de corredores de ônibus como ação para desenvolvimento econômico com respeito ao meio ambiente
O Brasil foi citado como bom exemplo de crescimento da economia com responsabilidade pelos sistemas de BRT. De acordo com relatório, com 2% do PIB mundial seria possível reduzir a pobreza e os impactos ao meio ambiente investindo em 10 áreas essenciais: entre elas os transportes

ADAMO BAZANI – CBN

Os sistemas de corredores de ônibus, que privilegiam os transportes coletivos, podendo convencer a população a deixar o carro em casa, por oferecerem deslocamento rápido, com qualidade e maior segurança, mais uma vez são apontados por organismos internacionais não apenas como soluções para a mobilidade, mas para a formação de uma economia que cresça, reduza a pobreza e respeite o meio ambiente.
A palavra desta vez foi da ONU – Organização das Nações Unidas, que destacou os BRTs (Bus Rapid Transit) no Brasil como exemplos a serem seguidos em outros países que precisam continuar com o desenvolvimento urbano, mas com responsabilidade ambiental usando da melhor forma menos recursos possíveis, sem lesar o acumulado de riquezas geradas pelos povos das nações.
O relatório “Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza” foi um trabalho de três anos de estudos, que contou com a participação dos mais renomados técnicos, cientistas e especialistas em diversas áreas.
O documento foi divulgado pelo Pnuma , sigla em português, para o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Além de apontar soluções que precisam ser tomadas, o documento relacionou uma série de ações que comprovadamente garantem que é possível os países crescerem economicamente e ao mesmo tempo fazerem com que esse processo de desenvolvimento não gere carbono e contribua para o aquecimento global.
A China foi destaque por ser o país que mais investe em energia renovável.
O Brasil chamou a atenção positivamente dos estudiosos justamente por causa dos ônibus.
De acordo com o relatório, que fez citação explícita aos corredores de Curitiba, investir em transportes públicos, com custos reduzidos, significa contribuir não só para o “trânsito de pessoas e veículos, mas para a preservação da qualidade do ar e redução dos níveis de carbono”.
A lógica é muito simples. Um carro de passeio transporta em média 1,6 passageiro nas cidades. Um ônibus convencional transporta 80 pessoas, um articulado até 170 pessoas e um biarticulado 270 passageiros. Assim, respectivamente, estes modelos de ônibus podem retirar das ruas 128 carros (no caso do tipo ônibus convencional), 272 carros (ônibus articulados) e 432 carros (para ônibus biarticulados).
Mas as pessoas que usam carro não vão deixar seus veículos em casa se os ônibus não forem confortáveis e rápidos. Por isso, a importância de corredores exclusivos para que os ônibus se tornem atrativos para a população.
Esse número comparativo entre ônibus e carros pode ainda se mais animador se for levado em conta que na prática, por exemplo, um ônibus convencional não transporta apenas 80 pessoas. Isso porque, de acordo com a linha, várias pessoas entram e saem do veículo, em cada ponto, não usando todo o itinerário. Assim, em serviço, o número de pessoas atendidas pelo ônibus é bem maior que sua lotação.

TRANSPORTES ESTÃO ENTRE AS 10 AÇÕES MAIS IMPORTANTES PARA A ONU:

O objetivo do estudo é colocar em prática o conceito de Economia Verde, que é promover crescimento econômico e crescimento social sem inutilizar os recursos do Planeta que são essenciais à vida.
A vida não tem preço e para preservá-la não devem ser poupados esforços e recursos. No entanto, não é “caro” criar uma economia verde e o retorno econômico e social são muito maiores do que se a forma de crescimento atual for mantida.
De acordo com as centenas de pesquisadores que elaboraram o relatório, bastam investimentos de 2% do PIB Mundial, ou US$ 1,3 trilhão, para que a economia atual poluente e ineficiente se transforme numa economia que torne os negócios rentáveis e a sociedade melhor. A ONU classificou 10 áreas para receber estes investimentos. O setor de transportes está entre elas:

– AGRICULTURA: US$ 108 bilhões
– CONSTRUÇÃO CIVIL: US$ 134 bilhões
– ENERGIA: US$ 362 bilhões
– PESCA: US$ 108 bilhões
– SILVICULTURA (reflorestamento): US$ 15 bilhões
– INDÚSTRIA: US$ 76 bilhões
– TURISMO: US$ 134 bilhões
– TRANSPORTES: US$ 194 bilhões
– RESÍDUOS E RECICLAGEM: US$ 108 bilhões
– TRATAMENTO DE ÁGUA E SANEAMENTO BÁSICO: US$ 108 bilhões

Esses investimentos garantiriam qualidade de vida e retorno financeiro.
A ONU concluiu que não só para a natureza a atual economia traz prejuízos, mas que ela não é vantajosa. Ou seja, uma economia verde traria mais lucros ao mundo.
Foi o que declarou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
“O estudo desafia o mito de que economia e meio ambiente não se relacionam. Com políticas públicas inteligentes, os governos podem fazer crescer suas economias, gerar emprego decente e acelerar o progresso social de forma a manter a pegada ecológica da humanidade dentro da capacidade do planeta”
O diretor-executivo do Pnuma – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Achim Stneiner, classificou que a redução da pobreza vai muito além do PIB e que o crescimento dos países deve levar em conta não apenas números absolutos, mas os impactos, financeiros e humanos, causados por este crescimento
“Um novo indicador de riqueza vai além do PIB e internaliza os custos da poluição e degradação ao trazer o verdadeiro valor da natureza, com base em cálculos que nos levam a um caminho de sucesso e economicamente sustentável.”
Os investimentos nestas áreas e com estas proporções, indicados pela ONU podem ter alguns resultados fáceis de dimensionar.
Até 2050, pode haver uma redução de emissões de dióxido de carbono de 33%. Isso manteria a concentração de CO2 no planeta nos níveis de 450 partes por milhão, o que limitaria até lá o aquecimento global em até 2 graus Celsius.
O estudo destaca a importância da tecnologia como aliada ao meio ambiente e ao aumento da riqueza, mas leva mais em conta a boa vontade em ações simples e que não exijam grandes recursos e tempo.
Por isso que a ONU destacou, como exemplo positivo e que deveria ser ampliado, políticas de desenvolvimento urbano que contem com corredores de ônibus.
Os dados do estudo e o BRT brasileiro serão discutidos com líderes mundiais na Convenção da ONU, em Durban, que começa a partir do próximo dia 28 de novembro e na Rio+20, em junho de 2012.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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