ÔNIBUS HÍBRIDO. INTERESSE DE FUTUROS PROFISSIONAIS EM TECNOLOGIA LIMPA É UM ALENTO REAL

Eletra

José Antônio do Nascimento prende a atenção de alunos da Fatec ao falar sobre as tecnologias e vantagens da tecnologia limpa em transportes coletivos,. O interesse dos futuros profissionais é um alento diante do quadro de poluição e degradação ambiental nos dias de hoje. Foto: Adamo Bazani

Ônibus elétrico híbrido: uma esperança pelos novos profissionais de tecnologia
Em palestra sobre transportes coletivos e tecnologia limpa, para preservação do meio ambiente, estudantes demonstram interesse e mostram que nova geração pensa sim em ascensão profissional, mas também no respeito à vida
ADAMO BAZANI – CBN

O cenário nas cidades parece desanimador. Excesso de veículos, pouca prioridade aos transportes coletivos, doenças cada vez mais comuns por conta da poluição e uma qualidade de vida menor a cada dia.
Olhando apenas este fato, o cenário pode ser pessimista.
Mas a consciência em prol da preservação do meio ambiente, até por necessidade, também é cada vez mais presente não somente em discussões de especialistas e no dia a dia das pessoas.
A semente foi plantada. O planeta, e por conseqüência, a vida humana corre riscos se nada for feito.
Mas ações ainda existem e o interesse dos futuros profissionais de tecnologia em prol de crescimento profissional de meios para respeita o meio ambiente é um sinal de que há esperança e o tão sonhado futuro melhor pode sim existir de fato e em breve.
Foi possível perceber isso no interesse de alunos da Fatec, de São Bernardo do Campo, quando foi apresentada a tecnologia e a forma de operação de um ônibus elétrico híbrido.
A unidade promoveu a semana de tecnologia. Nesta sexta-feira, dia 18 de novembro de 2011, o administrador de contratos da Eletra, empresa especializada em veículos de tração limpa para transportes coletivos, José Antônio do Nascimento, mostrou como pode ser vantajoso aplicar em meios de locomoção não poluentes, a baixo custo e de forma rápida e relativamente simples.
A cada imagem e gráfico apresentados, muita atenção por parte dos alunos.
José Antônio do Nascimento destacou que a produção de ônibus híbridos é majoritariamente nacional, com alto índice de peças brasileiras, e toda tecnologia é desenvolvida no Brasil.
O ônibus híbrido funciona com dois motores. O motor que faz o veículo movimentar é elétrico, não emitindo poluição e aproveitando melhor a energia.
O outro motor do ônibus gera a energia elétrica. A maior parte destes propulsores é a diesel, mas é possível usar motores a etanol, gás natural e até micro turbina.
Muita gente pensa que ônibus híbrido é somente o hidrogênio, que lança vapor d´água no ar.
A ideia não é totalmente errada, mas o híbrido pode funcionar com tecnologia mais simples.
Já há veículos operando comercialmente há muito tempo no Brasil. Aliás, o Brasil, que é agora exportador desta tecnologia, foi o primeiro país em 1996 a operar comercialmente um elétrico híbrido. Foi no corredor ABD, operado pela Metra, entre São Mateus (zona Leste de São Paulo) e Jabaquara (zona Sul da Capital Paulista), servindo os municípios de Santo André, Mauá, São Bernardo do Campo e Diadema.
Pelo corredor hoje circulam vários híbridos. Há veículos deste tipo circulando na Capital Paulista, no Expresso Tiradentes, entre os terminais Sacomã e Tiradentes.
A maioria usa diesel como motor gerador.
A operação se dá, basicamente, da seguinte maneira: Ao motorista ligar o ônibus, é acionado o motor diesel que gera a energia elétrica, mas que não faz o veículo movimentar.
O motorista só precisa usar o acelerador e o freio, a eletrônica se cuida da operação.
Esse motor diesel (ou com qualquer tipo de combustível) gera então a energia elétrica passando por um recuperador. Depois, há um dispositivo de controle de tração que determina o quanto de energia precisa ser usada (numa subida é maior que quando o veículo está parado), a energia então, no motor elétrico faz o ônibus se movimentar.
Há baterias armazenadoras no veículo. Elas aproveitam a energia excedente que não é usada em condições menos severas ou gerada e não usada quando o ônibus rediz a velocidade e para, é a frenagem regenerativa.
Ao contrário do que muita gente pensa, a energia não vai para as baterias primeiro. Ela é gerada e vai para o motor elétrico. A energia não usada aí sim é armazenada. Essa energia serve para momentos de maior exigência de força do veículo.
O híbrido não precisa ser carregado em fontes externas, poupando a geração do sistema público que também serve casas e indústrias.
As baterias são diferentes das de automóveis de passeio convencionais. Isso porque elas trabalham mais, recebendo mais carga e sendo acionadas mais freqüentemente. Nos carros, normalmente são acionadas na partida.
Atualmente, o mais comum é o uso de baterias de chumbo ácido. Com duração entre 2 e 3 anos, dependendo do tipo de operação, elas custam R$ 25 mil.
As baterias de lítio duram mais, entre 4 e 5 anos (inicialmente se cogitava em 10 anos, o que ainda não é possível na prática). O valor delas é de cerca de US$ 40 mil. Este tipo de bateria, de acordo com José Antônio do Nascimento, é importado, o que eleva ainda mais os custos por conta dos impostos. Assim, segundo ele, o que este tipo de bateria dura mais, não vale a pena pela diferença muito maior de preço.
Ainda em relação a custos, José Antônio do Nascimento diz que comprar um ônibus híbrido pode ser mais vantajoso.
Em comparação a um ônibus somente a diesel, do mesmo padrão, com ar condicionado e parte do piso baixo (sem degraus), o híbrido custa entre 50% e 60% mais caro.
A vida útil, no entanto, é 3 vezes maior, podendo chegar a 30 anos.
O Governo do estado de São Paulo determinada idade máxima de 10 anos para veículos convencionais e 30 anos para híbridos ou trólebus. Na cidade de são Paulo, a idade máxima do convencional também é permitida em até 10 anos e a de ônibus híbrido e elétrico em 25 anos.
Para que a vida útil seja vantajosa, no entanto, é necessário contrato de concessão maior, para dar seguridade ao empresário para ter seu retorno de investimento.
A manutenção, segundo José Antônio do Nascimento, é mais barata também, no ônibus híbrido.
Ele não possui embreagem, um componente caro para manutenção. A operação é mais suave, com menos trancos, menores acelerações e desacelerações, e há dois tipos de frenagem.
A pneumática e a elétrica. Isso diminui os gastos com lonas de freio, por exemplo. Vale ressaltar que o pedal do freio é o mesmo. É o próprio sistema que determina o acionamento do pneumático ou do elétrico, dependendo da força empreendida pelo pé do motorista.
O fato de possuir dois tipos de freio aumenta também a segurança do veículo.

Ônibus Híbrido exposto no pátio da Fatec de são Bernardo do Campo. Vantagens econômicas, operacionais, tecnológicas e ambientais fazem pensar que vale a pena investir em veículos de transportes coletivos menos poluentes. O valor der aquisição é maior, mas a durabilidade é de até 3 vezes mais, os custos de manutenção e operação são menores e os ônibus lançam menos poluentes, que causam perda de qualidade de vida e gastos em saúde pública. Foto: Adamo Bazani

Ônibus Híbrido exposto no pátio da Fatec de são Bernardo do Campo. Vantagens econômicas, operacionais, tecnológicas e ambientais fazem pensar que vale a pena investir em veículos de transportes coletivos menos poluentes. O valor der aquisição é maior, mas a durabilidade é de até 3 vezes mais, os custos de manutenção e operação são menores e os ônibus lançam menos poluentes, que causam perda de qualidade de vida e gastos em saúde pública. Foto: Adamo Bazani

ORGULHO NACIONAL:

José Antônio do Nascimento, administrador de contratos da empresa de tecnologia limpa para transportes coletivos, Eletra, disse nas palestra que o ônibus híbrido é um orgulho nacional.
Primeiro e principalmente por ser uma forma de poupar o meio ambiente usando energia elétrica, cuja geração no Brasil é mais limpa, e ainda mais em transporte público, que por si só já traz ganhos ambientais, por poder retirar vários veículos de passeio das ruas.
Depois por ser fruto de inteligência e esforço de técnicos e profissionais brasileiros.
Além disso, os projetos da Eletra, explica José Antônio do Nascimento são exportados, como para a Nova Zelândia, por exemplo.
A Eletra recebeu prêmios nacionais e foi finalista de um dos prêmios internacionais de tecnologia e meio ambiente mais respeitados do mundo.
José Antônio do Nascimento demonstrou na palestra um carinho especial por cada projeto. Mas um dos destaques foi para o ônibus híbrido etanol, desenvolvido num projeto Itaipu dentro do contexto do Mercosul.
“A Placa dele é NCV 0001, o primeiro veículo do Mercosul. É um ônibus de 13,5 metros e por ter motor gerador a etanol tem mais ganhos ambientais ainda”. – disse
Hoje o ônibus serve para transporte interno no Parque Tecnológico de Itaipu.
Ele é fruto de uma parceria de várias empresas.
– SISTEMA E TECNOLOGIA: Eletra
– MOTOR ELÉTRCO: Weg
– MOTOR GERADOR ETANOL: Mitsubishi
– CHASSI: Tuttotrasporti
– CARROCERIA: Mascarello

Mas além das conquistas e evoluções do ônibus híbridos, nesta sexta-feira, o maior orgulho de José Antônio do Nascimento foi ver futuros profissionais interessados em desenvolver a indústria e as cidades, mas com responsabilidade ambiental.

VANTAGENS:

O administrador de contratos da Eletra, José Antônio do Nascimento, durante a palestra listou uma série de vantagens que o ônibus elétrico híbrido apresenta, do ponto de vista ambiental, tecnológico e operacional-econômico. Os dados são a partir da comparação de um elétrico híbrido com motor gerador diesel com um ônibus convencional do mesmo porte e modelo. Acompanhe:

– VANTAGENS OPERACIONAIS E ECONÔMICAS:

– Alta eficiência energética: a energia num ônibus elétrico híbrido é aproveitada em 80%. Já no diesel, pela queima de combustível, somente 34% da combustão são transformados em energia para movimento. O restante é perdido, vira calor.
– Redução de Consumo de Combustível: pelo fato de o motor diesel ser usado só para gerar energia, ele gasta de 10% a 25% menos que em ônibus convencionais. O segredo não está só no fato de o motor ser menor, mas pela forma de uso dele.
– Maiores taxas de aceleração e frenagem, o que significa maior velocidade operacional. As arrancadas são mais rápidas e a frenagem é mais precisa.
– Frenagem regenerativa que aproveita a energia gerada e não utiliza totalmente, conduzindo-a para baterias. Essa energia pode ser usada em momentos de maior esforço do veículo.
– Maior durabilidade de alguns componentes: as lonas de freio podem durar até 4 vezes mais, pelas frenagens serem mais precisas e pelo fato de haver o freio pneumático e o elétrico.
– Custos de manutenção: podem ser até 25% menores que em comparação aos ônibus diesel. Não há embreagem por exemplo e o desgaste de algumas peças é menor.
Operação Suave: Por ser de tração elétrica, não ter marchas e frenagens mais precisas, o conforto é maior, diminuindo trancos e trepidações.

VANTAGENS TECNOLÓGICAS:

– Motor gerador de energia elétrica pode funcionar com diversos tipos de alimentação: Diesel, Etanol, Gás Natural, Metanol, Célula Combustível e motor turbina. A tecnologia de geração de energia é praticamente a mesma.
– Baixo risco tecnológico: A tecnologia e os equipamentos são bem desenvolvidos, conhecidos e têm nível alto de nacionalização.
– Possibilidade de diagnóstico de falhas mais facilitado.
– Confiabilidade, com operação mais segura e menos desgaste de peças.

VANTAGENS AMBIENTAIS:

– Reduz 90% de materiais particulados (no caso do elétrico híbrido diesel, com outros combustíveis a redução pode ser menor)
– Reduz em 60% hidrocarbonetos e monóxido de carbono.
– Reduz 25% de óxido de nitrogênio.
Outro problema ambiental é a poluição sonora. Ônibus híbrido é menos barulhento. No seu salão de passageiros são 65 decibéis contra 75 decibéis de um ônibus convencional da mesma categoria: motor traseiro, isoladores acústicos e com ar condicionado.

TRÓLEBUS:

José Antônio do Nascimento destaca que por mais que existam mais alternativas de veículos de transporte por ônibus com tecnologia limpa, os trólebus têm vantagens ainda incomparáveis.
“Ele possui todas estas vantagens do híbrido e várias outras. É mais barato e não polui nada. Emissão zero”.
A primeira linhas de trólebus a operar no Brasil foi no ano de 1949 em São Paulo. De lá pra cá, de acordo com José Antônio do Nascimento, muitas evoluções.
Os ônibus elétricos estão mais modernos e mais flexíveis.
O uso da corrente alternada para funcionamento garante maior rentabilidade, maior nacionalização das peças e menores custos de manutenção.
Alavancas pneumáticas evitam ou minimizam as quedas na rede aérea, a principal crítica aos trólebus hoje.
“Se o trólebus for operado em corredores exclusivos, com melhor pavimento e sem interferência de outros veículos, seus ganhos são maiores ainda. O trólebus é e continuará sendo realidade em vários países do mundo.”- disse José Antônio do Nascimento.
Além disso, os novos trólebus possuem baterias que dão autonomia de 3 quilômetros para rodarem sem a rede aérea. Isso garante maior flexibilidade e que os trólebus não “travem” mais a via se caso houver problema na rede elétrica.

BOAS PERSPECTIVAS:

José Antônio do Nascimento diz que há boas perspectivas para o trólebus na Capital Paulista e na regiãoo do ABC.
“A Metra vai aumentar o número de trólebus. O trecho entre Piraporinha (Diadema) e Jabaquara (zona Sul de São Paulo) já está eletrificado. A operação vai ser breve. O trecho que já tem rede elétrica vai ser modernizado com repotencialização. Na Capital, serão 78 trólebus novos, que estamos trabalhando. Um deles será especial, de maior capacidade, com 15 metros de comprimento” – revelou Nascimento.
Por dia, segundo o Instituto que estuda poluição atmosférica da USP, morrem 8 pessoas na Região Metropolitana de São Paulo. E substituir ônibus convencionais por de tração limpa pode representar muito para evitar problemas a números ainda maiores.
Na palestra, José Antônio do Nascimento mostrou os seguintes números:

– A CADA LITRO DE DIESEL SÃO LANÇADOS 2,7 KG DE CARBONO NA ATMOSFERA.

– UM ÔNIBUS URBANO RODA EM MÉDIA 7 MIL QUILÔMETROS POR MÊS

– O CONSUMO MÉDIO DE UM ÔNIBUS É DE 1,8 KM/LITRO

– POR MÊS SÃO GASTOS 3 MIL 889 LITROS DE DIESEL, QUE JOGAM NO AR 10,5 TONELADAS DE CARBONO POR MÊS.

– UMA FROTA DE 200 ÕNIBUS CONVENCIONAIS LANÇAM 2 MIL 100 TONELADAS DE CSARBONO POR MÊS OU 25 MIL 200 TONELADAS POR ANO.

As emissões de carros de passeio, pela quantidade de veículos, são maiores ainda.
O problema é sério, mas técnicos como da Eletra mostram que há solução e o interesse de novos profissionais, como os alunos da Fatec de São Bernardo do Campo, revela que falta de vontade para enfrentar o desafio não vai haver.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

5 comentários em ÔNIBUS HÍBRIDO. INTERESSE DE FUTUROS PROFISSIONAIS EM TECNOLOGIA LIMPA É UM ALENTO REAL

  1. Parabéns Ádamo pela matéria e parabéns ao Eng. José Antônio pelas suas brilhantes soluções para a melhoria da qualidade dos veículos limpos no Brasil. Eletra e Metra mostram para o Brasil inteiro, a cada dia, a viabilidade de um sistema de ônibus não poluente. Na minha opinião, todo corredor ou BRT a ser construído deveria servir-se exclusivemente de tração elétrica, pois só assim eles seriam comparáveis aos modais leves sobre trilhos, quando estes se utilizam de fontes de energia limpas.

    Abraço!

  2. e os hibridos da av sto amaro? o que aconteceu com eles? alguem sabe porque eles não rodam mais?

  3. Os híbridos novos (Gran Viale) rodam no expresso tiradentes. Já os trólebus que foram transformados, foram sucateados devido ao seu baixo desempenho. (Os Gran Viale também não tem um desempenho bom).
    No mais, excelente reportagem sobre os investimentos em tecnologia limpa. Eu também desejo trabalhar nesta área de tração elétrica.

  4. pra que escrever tanto assim meu

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