BUSSCAR: Sindicato rejeita proposta de redução de dívida e denuncia suposta fraude em lista de funcionários credores

Crise Busscar

Símbolo da Busscar em ônibus. Encarroçadora, que está em regime de recuperação judicial, foi alvo de denúncia do Sindicato dos Mecânicos de Joinville. Com 19 meses de salários atrasados, aparecem na lista de funcionários credores os nomes da dona da empresa e do filho para receberam R$ 1,5 milhão. O Sindicato disse que não vai aceitar nenhuma proposta de redução dos débitos trabalhistas. Foto: Adamo Bazani

Sindicato dos Mecânicos de Joinville diz que não vai aceitar proposta de redução de dívida trabalhista
Entidade denuncia que dire0otres da empresa se cadastraram com na lista de trabalhadores que estão com dívidas a receber da Busscar
ADAMO BAZNI – CBN

O Sindicato dos Mecânicos de Joinville afirmou que não vai aceitar nenhuma proposta da encarroçadora Busscar, que está em regime de recuperação judicial, para redução dos débitos trabalhistas.
A informação foi divulgada nesta quarta-feira, dia 16 de novembro de 2011, em nota da entidade trabalhista.
O sindicato ainda denuncia que a sócia da Busscar, Rosita, e o filho, aparecem na lista de credores como funcionários, com direito a receber R$ 1,5 milhão.
CONFIRA A NOTA da ASSESORIA DE IMPRENSA DO SINDICATO:

A diretoria do Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região se reuniu e já decidiu sua posição em relação aos créditos trabalhistas que os mais de cinco mil trabalhadores da Busscar tem a receber: não aceitará qualquer proposta de redução da dívida nos processos coletivos movidos pela entidade. A posição foi tomada em virtude da divulgação feita na imprensa por representantes da empresa de que apresentaria uma proposta neste sentido. Para o presidente do Sindicato, João Bruggmann, o sofrimento dos milhares de trabalhadores e suas famílias não pode ser esquecido, e que notícias largadas assim só servem para tentar confundir os trabalhadores.

“Os trabalhadores chegaram a passar fome com suas famílias, e o Sindicato inclusive realizou campanha de arrecadação de alimentos que foi prontamente atendida pela sociedade. Eles assumiram dívidas com bancos, perderam carros, motos, estão com o nome sujo na praça, tudo por que a Busscar não pagou o que lhes era de direito. Não é justo, e seria desumano até, pedir aos trabalhadores que abram mão do que lhes devem para ajudar a empresa agora, só agora, na recuperação judicial”, afirma Bruggmann. Ele ressalta ainda que todos deram seu suor e talento para render lucros ao negócio da Busscar, e o que receberam foi abandono, descaso, e não pagamento dos seus direitos.

“E tem mais. É só olhar a lista de credores, dos trabalhadores, lá consta que a acionista majoritária e seu filho se credenciaram para receber cerca de um milhão e meio! Isso só pode ser brincadeira e de mau gosto. Mas ainda bem que agora está bem claro como se administrava a empresa”, dispara o líder sindical. A entidade lembra também que os trabalhadores tem a preferência na lista de credores, e que isso também motiva a empresa a tentar criar um fato para facilitar a negociação com outros credores maiores, como bancos, fornecedores e outros.

O Sindicato assinala também que não pode intervir em processos que alguns trabalhadores entraram individualmente, e que orienta a todos que não abram mão dos seus direitos, de cada centavo da dívida que está sendo apurada. “Não temos o poder de interferir nesses casos, mas orientamos a todos para que não abram mão de seus valores, porque é injusto cobrar ainda mais de quem já ficou sem nada, mas que vai receber sim, na recuperação, na falência ou em leiloes, tudo o que a empresa deve”, destaca João Bruggmann. A posição da entidade representativa dos trabalhadores joga um balde de água fria na iniciativa midiática da Busscar via seus representantes na recuperação judicial.

Para finalizar, João Bruggmann assinala também que a decisão dos acionistas da empresa em pedir a recuperação judicial só aconteceu porque o leilão do parque fabril estava com data marcada para acontecer. “Lembramos que o leilão já tinha sido decretado, e graças às ações do Sindicato que iniciaram no início de 2010. Não fosse a ação firme do Sindicato, com grandes méritos ao nosso departamento jurídico, a novela que já virou filme longo demais, se transformaria em uma série de mau gosto, e sem fim”, conclui o presidente do Sindicato dos Mecânicos

Ninguém da Busscar foi localizado pelo BLOG PONTO DE ÔNIBUS para responder a acusação da suposta fraude e também sobre a proposta da empresa em reduzir os passivos trabalhistas.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

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