São Paulo precisa de ônibus, diz pesquisador

Ônibus BRT Corredores

Um corredor de ônibus do tipo BRT pode ser mais vantajoso que um sistema metroferroviário dependendo do local e da demanda a serem atendidos, Isso porque o BRT é mais flexível. É possível alterar o número de veículos de maneira rápida de acordo com a quantidade de passageiros em cada horário e um mesmo ônibus pode servir a dois sistemas se for necessário ou esmo sair do sistema segregado a qualquer hora. A capacidade de transportes do BRT sempre é muito próxima a anunciada, Em outros modais, a infraestrutura pode suportar altas demandas, mas se não forem colocadas as composições em quantidade compatível, a propaganda é enganosa, como no caso do VLT de Manaus. O sistema vai poder receber até 45 mil passageiros hora-sentido, mas só com dez composições compradas, não vai atender mais que 7 mil passageiros hora sentido. Com o BRT, é possível atender às demandas com mais flexibilidade. Foto: Adamo Bazani

Porque São Paulo precisa de ônibus
Pesquisador da USP e diretor das Fundação Clinton em São Paulo defende a modernização dos sistemas de ônibus e critica como está sendo realizada a expansão do Metrô

O pesquisador do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) e Diretor da Fundação Clinton/ Rede C40 em São Paulo, Adalberto Malfu Filho, considerado um dos mais renomados especialistas em cidades do País, destacou em um artigo a importância da integração dos diferentes meios de transportes para garantir a mobilidade urbana em São Paulo, cidade que cada vez mais sofre com o trânsito complicado, chamando a atenção de autoridades nacionais e representações internacionais.
Ele defendeu a prioridade dos investimentos para o BRT – Bus Rapid Transit, que em várias situações traz vantagens mesmo em relação aos modais sobre trilhos, principalmente pela flexibilidade. O ônibus, mesmo em vias segregadas, pode mudar de linhas e sistemas de acordo com a demanda, pode ser mais rápido pro permitir ultrapassagens, o que o sistema férreo não possibilita com tanta velocidade e a possibilidade de colocação de mais veículos extras, que em linhas metroferroviárias tal opção quase é inviável.
Adalberto criticou a forma como está sendo conduzido o plano de expansão do Metrô de São Paulo, que na visão dele, tem conseguido tirar passageiros dos ônibus, sobrecarregando linhas e estações, e não dos carro, como devem ser os alvos de uma ação de mobilidade.
O pesquisador também criticou a propaganda feita pelo VLT de Manaus. Foi anunciado que o sistema teria capacidade para transportar inicialmente 21 mil passageiros hora -sentido. Mas só seriam compradas 10 composições, o que na prática reduziria a capacidade real para 7 mil passageiros hora-sentido.
Segundo o estudioso, qualquer faixa simples de ônibus transporta 20 mil passageiros hora-sentido e um BRT completo e bem estruturado pode levar 50 mil passageiros.

CONFIRA O ARTIGO COMPLETO:

Recentemente o Ministério Público do Estado de São Paulo recomendou à Prefeitura paulistana que seja elaborado o Plano Municipal de Mobilidade e instalado o Conselho Municipal de Transportes – previstos no Estatuto da Cidade (de 2001) e em lei, respectivamente.
Todo projeto de mobilidade visa reduzir o tempo de viagem das pessoas com o menor custo possível. Por isso, com tantas opções de modais disponíveis hoje, é necessário que se escolha os mais apropriados a cada contexto e que os diferentes meios (ônibus em corredores simples ou rápidos, metrô, ou metrô-leve) sejam complementares e integrados.
Não podemos ficar satisfeitos com a criação de uma ou duas novas linhas de transporte, se não tivermos uma rede alternativa, capaz de desafogá-las. Um exemplo é a expansão do metrô, que tem surtido efeito contrário do que se espera de um transporte público de qualidade – em vez de tirar as pessoas dos carros, vem tirando os usuários dos ônibus e, consequentemente, deixando-os superlotados mas não tirando carros da rua..
O Plano de Mobilidade de São Paulo deve focar na melhoria dos sistemas de ônibus, que podem melhorar muito se receberem os investimentos que merecem. Além de custarem menos, as estruturas para corredores eficientes de ônibus possuem vantagens operacionais inegáveis, quando comparadas com os meios sobre trilhos.
Os ônibus podem circular por corredores estruturais fisicamente separados do trânsito comum, mas também sair de um corredor para outro rapidamente. Assim, a mobilidade do próprio meio é mais eficaz. Nos horários de pico, os sistemas metroviários possuem menos versatilidade do que os ônibus, pois são limitados à baixa disponibilidade de composições na operação real. No caso dos corredores de ônibus, é possível circularem quantos veículos extras forem necessários para atender à demanda, melhorando a operação e oferecendo mais conforto no pico.
Nas regiões de menor volume de passageiros, os ônibus podem ultrapassar os veículos à frente, aumentando sua velocidade operacional, gerando economia de combustível e menor emissão de poluentes, enquanto os sistemas sobre trilhos precisam esperar as composições da frente e demandam difíceis baldeações para trocar linhas.
Merecem atenção os ônibus no sistema BRT (Bus Rapid Transit), principalmente pela possibilidade de criar linhas expressas – uma vantagem significativa em relação aos outros meios. O sistema BRT é caracterizado por faixas exclusivas, pagamento antecipado e estações fechadas, operação reorganizada em linhas estruturais (com alimentadoras), formando ampla rede, prioridades nas interseções, além de ônibus modernos e com novas tecnologias.
O custo de implantação versus a capacidade de transporte é o grande desafio dos sistemas sobre trilhos. Metrôs demoram décadas para ter frotas significativas para operar bem nos horários de pico, mas necessitam de subsídios fora do pico
Em Manaus, um projeto polêmico de monotrilhos foi questionado na justiça pelo Ministério Público Federal e pela Controladoria Geral da União e teve seu financiamento cancelado pela Caixa Econômica Federal. O projeto prometia capacidade operacional de 21 pessoas hora-sentido (“passível de expansão” para 45 mil?). Porém, previa a compra de somente 10 composições, capazes assim, de transportar menos de sete (7) mil passageiros hora-sentido, uma quantidade muito menor do que uma simples faixa de ônibus, que chega à 20 mil, e bem longe da capacidade de um corredor de ônibus rápido completo – BRT, que atinge até 50 mil.
Investimentos na ampliação da malha ferroviária são certamente importantes para algumas poucas grandes cidades. Não é o caso, por exemplo, na Grande São Paulo. Para ligar o ABC paulista à capital, o governo propõe prejudicar a paisagem urbana com um projeto de monotrilho, em uma região onde já existe um bom corredor de ônibus, o Corredor ABD, que sempre liderou as pesquisas de satisfação dos usuários de ônibus da Região Metropolitana de São Paulo. A questão que fica é “por que não investir na melhoraria do corredor, com o pagamento feito antes do embarque, a integração com o bilhete único da capital e a ampliação das redes de corredores nas cidades por onde passa o ABD?”. Ao contrário, o governo aposta em um projeto de monotrilho que vai levar mais de dez anos, e um custo de ma is de R$ 4 bilhões. Esta “sobrando” recurso?
É preciso melhorar as calçadas, investir em áreas verdes e espaços públicos de qualidade, além de integrar e melhorar os sistemas de ônibus, para depois, pensar em sistemas de trens aéreos. Ou melhoramos o que é mais simples e factível, ou sonhamos com os monotrilhos mágicos, que certamente não dão conta da demanda e podem deixar passivos financeiros significativos. Este é o desafio para a Grande São Paulo.

Adalberto Maluf Filho é pesquisador do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) e Diretor da Fundação Clinton/ Rede C40 em São Paulo

2 comentários em São Paulo precisa de ônibus, diz pesquisador

  1. Boa tarde.

    É um estudo, solidamente embasado. Tenho certeza de que ninguém é adepto, de deixarmos de lado, o modal metroferroviário, mas sim, fazê-lo paralelamente, com planejamento e onde for realmente preciso, para que não se gaste, em uma implantação ou ampliação e melhoria, “x” vezes mais, do que o custo real, pela pressa.

    Abçs.

  2. só onibus, tem que começar a ter rodizio de placas 2 vezes por semana, melhorar a qualidade dos veiculos, é um absordo que vemos, dinheiro só para os poderozos que andan de helicopetro, e ainda dá calote nos empregados, no governo, e eles na boa poblemas no brasil,vão paraa p Maiami, ou outros lugares, aqui fica os laranjas, nossa policia federal corre atras mas o nó é tão grande, que fica dificel para desenrolar, olha só parte do dinheiro arrecadado aqui é caixa 2 os Extra, rodão nos horario de picos, vão para Portugal, para plantaloes de vinha, e outros, vão para lá ficam 60 dias, outros ficam na empreza, socio, filhoes etc.e os usuario sofrendo nas rua, até perdendo vossas vidas, o goveno nada faz, só aumentar a tarifas, ultimamente até os onibus são das cores do governo, isso desde quando Ex. Prefeiro Francico Rossi perde para governador, para se acertarem com saldoso governador Mario Covas, pintaram os onibus quaz igual a CPTM,as cores do governador, tem muita coisas que dá para arrumar e ficar com transito bem melhor, com horario industrial, horario do comercio, o que precisa é esses emprezarios acabarem com a quantidade de hora dos motoristas e criarem 3 turnos, se especializarem, oque eu faço , transporto pessoa(vida) vou qualificar minha empreza para isso, podem construir, quantas via de Metro Quiserem,, se não tiverem planejamento, vai continaur essa mesma, vamos tentar melhor, mesmo que eu não desfruto, mas meus filhos netos, e outros, pode viver em São Paulo melhor

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